terça-feira, 24 de abril de 2012

ÍNDIOS

Em tempos que já lá vão, costumava participar em rallies-paper, conjuntamente com alguns amigos. Pagava-se um xis pelo carro e pelo número de concorrentes em cada um. Depois passava-se uma manhã a realizar várias provas de orientação, pesquisa, observação, cultura geral e a responder a enigmas, enquanto se seguiam pistas que indicavam o percurso. A velocidade e a perícia ao volante raramente tinham influência nos resultados finais. E sim, nem toda a malta tinha paciência para aquilo, até porque normalmente representava levantar cedo numa manhã de sábado...

Bom, mas numa dessas primeiras experiências, organizada pelo gerente de um bar sossegado do Bairro Alto onde íamos com relativa frequência, havia uma prova musical extra para a tarde, após a almoçarada, enquanto o júri apreciava a prestação das provas. Ah, não referi que era seguido de almoço? Pois era!

Ora como nenhum de nós era particularmente dotado para exibições vocais, acabámos por decidir fazer um play-back. E para animar a coisa, executávamos uma coreografia a condizer. Escolhemos uma música mexida de Ney Matogrosso (nem me lembro qual, possivelmente até foi esta!) - um fingia fazer a voz, outro acompanhava o ritmo num batuque e as três meninas dançavam. Tudo resolvido, faltava o espaço para treinar.

Como uma das amigas estava para casar (nem de propósito!) e já tinha a chave do apartamento por estrear, quase sem inquilinos no prédio, era o local ideal para as performances experimentais. À noite, evidentemente, porque todos trabalhávamos durante o dia. O que até tinha a vantagem de fazermos espelho do vidro da janela, de persiana levantada, por contraste com a escuridão no exterior. 

Entretanto, resolvemos implementar o "espetáculo" com mais uns acessórios, que incluíam penas de índios na cabeça, saiotes de papel maché e colares de missangas coloridos. Claro que no ensaio geral já trajámos a rigor e até demorou mais do que o habitual, para tentar afinar o desempenho conjunto da equipa. Não recordo em que lugar ficámos no rally-paper propriamente dito, mas ganhámos o 1º prémio nesta prova. 

O que só saberíamos uns anos depois, é que este último ensaio foi observado pelos vizinhos do lado, que entretanto já se tinham mudado: o edifício fazia gaveto e o homem costumava ir fumar para a janela. Ao ver a exibição, chamou a mulher e anunciou-lhe:

- Olha, são índios!

Imagem de Ney Matogrosso, da net.

18 comentários:

  1. LOL! O que me ri com a saída do vizinho!
    Também gostava de ter estado na plateia.:))

    beijocas

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  2. Ahahahaha! estou a imaginar a cara do vizinho ao ver-vos a ensaiar e sem estar dentro do contexto, deve ter pensado que raio de vizinhos eu fui arranjar!!!!!!

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  3. Lindo!!!

    eheheheheh E eu também gostava de lá ter estado, a ver, a ensaiar e a participar ehehehe

    Uma vez também participei num rally-paper, não ganhámos, mas divertimo-nos imenso :)

    Beijinho óh índia :)

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  4. rrss rrsss rrss

    Eis uma coisa em que nunca poderia
    participar, pois não conduzo - embora tenha carta de condução.

    o vizinho vos tomar por índios verdadeiros só prova a justeza do primeiro lugar! rrss

    Um bom dia.

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  5. acho que estaria disposto a pagar para ver o espectáculo :D

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  6. Eu também pagava para ver o espectáculo!!!

    O vídeo está aqui interdito, mas como a minha melhor amiga portuguesa e a minha filha mais velha são umas doidas pelo NEY MATOGROSSO - este Homem Com H não me é desconhecido.

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  7. O vizinho deve ter apanhado um susto com os índios que deve ter pensado logo em mudar de casa, não?
    Obrigado pela gargalhada que me proporcionou.

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  8. Boas recordações... ah ah ah coitado do vizinho!

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  9. E pelos vistos não eras a única a querer estar na plateia, NINA! :))

    Beijocas!

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  10. Pensou, de certeza, RAINHA! :D

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  11. Sempre me diverti imenso em rallies-paper, MARIA! O resultado final até era o que menos interessava: a preparação, as provas e o almoço de convívio normalmente eram bastante divertidos! Mas de todas as taças que ganhei (cada uma mais horrorosa que a outra, diga-se!), só fiquei com uma, que nem é bem uma taça, mas um troféu - 1º prémio de cultura geral! :D

    Índia, moi? Não, é engano... :))

    Beijocas!

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  12. Oh, SÃO, e achas que era eu que ia a conduzir? Participei em muitos e só num fui a conduzir, mas esse não correu grande coisa, éramos só três mulheres e não nos aventurámos por parte do percurso... :))

    Ganhámos o primeiro lugar, possivelmente porque fomos os únicos a treinar e a arranjar os respetivos adereços! Ninguém se deu ao mesmo trabalho... :D

    Beijocas!

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  13. Epá, vou já à procura das penas de índia, MOYLITO... =))

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  14. É o que eu digo: montava um espetáculo e tinha aqui um filão, com tanta malta a querer assistir, EMATEJOCA! :))

    É, a música do Ney é das mais conhecidas dele! :)

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  15. Mudar de casa não sei, mas imagino que terá ficado bastante desalentado com a nova vizinhança, CARLOS BARBOSA DE OLIVEIRA! :)

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  16. Podes crer, LUISA, há memórias que nos ficam para sempre! :)

    O vizinho só teve aquele primeiro baque, mas depois começou a ver gente normal a entrar e a sair da casa ao lado, que acabou por ficar aliviado. Tanto, que ainda hoje é nosso amigo... :D

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  17. Rsrsrs. E nem vieram da Meia-Praia.
    Um abraço

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  18. Pois não, ELVIRA! Era mesmo aqui nos arredores de Lisboa... :)

    Abraço!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)