domingo, 22 de janeiro de 2017

HARLEM 1958

Nunca poderia ter tirado esta fotografia, de autoria de Art Kane, até porque no dia e hora ainda não era nascida - 12 de Agosto de 1958, por volta das 10 da manhã. Em frente a um edifício de Harlem, Nova Iorque, retratando 57 músicos de jazz. Não tirei, mas tenho pena!

O insólito da foto não foi apenas reunir tantos músicos, mas a hora "madrugadora" em que foi captada. Tendo em conta que a maior dos músicos trabalhava em bares noite dentro até de madrugada, raramente estando "acordados" e disponíveis para o smile tão cedo. Mas parece que o fotógrafo freelancer lá os convenceu e certo é que ficou para a posteridade.

E não, as criancinhas sentadas na borda do passeio não faziam parte de nenhuma banda, eram apenas miúdos das redondezas que resolveram juntar-se ao grupo... porque sim! Consta que o fotógrafo, que já estava com dificuldade em agrupar os adultos, preferiu não fazer mais ondas...

Bom, mas se há fotografias com história, esta é uma delas, mesmo que atualmente só 2 dos 57 músicos ainda sejam vivos. Consegue aquela magia de nos transportar para um tempo que não existe mais, em que o mundo parecia mais simpático e inocente, e bastante menos perigoso. Será mera ilusão? 

Com ou sem música, tenham um...

ÓTIMO DOMINGO!

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

ABRAÇO

Tal como o autor explica nas notas finais, este livro é composto por crónicas publicadas em diversos jornais e revistas ao longo de 10 anos - entre 2001 e 2011, para ser mais precisa. 

Os temas são bastante variados, vão desde recordações de infância a uma velhice imaginada, passando por inúmeros locais, desde a terra natal de José Luís Peixoto e o Alentejo, até a muitos dos sítios por onde viajou. Aqui e ali, especialmente nessas memórias mais antigas, fez-me lembrar um Portugal há muito desaparecido, onde existiam cabines telefónicas, peixeiros, padeiros e leiteiros de porta em porta e crianças a jogar à bola nas ruas, por exemplo. Se o amor aos filhos, aos pais, à família, às mulheres da sua vida tornam alguns textos mais ternurentos e intimistas, noutros cinge-se a factos ou conversas, num intuito provavelmente mais informativo. A literatura está muito presente, o dia a dia também, a série de pensamentos que suscitam podem ser triviais ou completamente "out of the box", como dizem os ingleses.

São 655 páginas que se podem ir lendo aos poucos, já que as crónicas são naturalmente curtas e não seguem exatamente uma sequência. Gostei muito, como de tudo o que li dele até hoje!

CITAÇÕES:
"Desde que cobri o braço esquerdo com tatuagens que sei aquilo que sentem as mulheres com decotes." (pág. 333)

"Hoje, ao contrário de quase sempre, parece-me que há mais verdade no pessimismo dos velhos do que no optimismo dos adolescentes." (pág. 405)

"Às vezes, esqueço-me de que posso morrer todos os dias." (pág. 492)

domingo, 15 de janeiro de 2017

OS PRIMEIROS DO ANO!

Patos para a coleção, claro! Fazem ideia da quantidade de fotos de patos que tenho? Não?!? Nem eu! Sei que são muitas, que a mania é antiga. Muitas delas só das penas do rabo, que os  malandros não me ligam nenhuma e viram-me costas com o maior dos desplantes.

Por curiosidade, fui dar uma vista de olhos aos álbuns de fotografias do ano passado e encontrei uma boa dúzia deles. Até há um que fala holandês, imaginem:

Com ou sem patos, tenham...

UM EXCELENTE DOMINGO!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

LION - A LONGA VIAGEM PARA CASA

Baseado numa história verídica, "Lion" conta a história de um rapazinho indiano de 5 anos, Saroo, que se perde do irmão numa estação de comboio e inadvertidamente entra num comboio desactivado que o larga, muitas horas e muitos quilómetros depois, na caótica cidade de Calcutá. O percurso do menino será idêntico ao de cerca de 80 mil crianças que se perdem na Índia todos os anos. Mas Saroo, que não sabe explicar o nome da terra onde nasceu, nem sabe o nome da mãe teve sorte, e acabou por ser adoptado por um casal australiano e viveu na Tasmânia, sem grandes preocupações, até aos seus 25 anos.

Já depois do curso de gestão hoteleira acabado e de ter iniciado uma relação amorosa com Lucy, ele começa a ficar obcecado por encontrar a sua mãe biológica, que ele acredita que junto ao seu irmão Guddu o tem esperado pacientemente durante todos estes anos. Será?

(para os mais sensíveis, é aconselhável um fornecimento extra de lenços de assoar...)

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Assisti à 74ª edição dos Globos de Ouro hollywoodescos, na madrugada de dia 9, na SIC Caras. Suponho que a gala terá muito interesse para americanos, ingleses e afins, mas para os portugueses já é mais duvidoso: muitos dos filmes ainda não estrearam cá, as séries nem se sabe se algum dia serão exibidas nos nossos canais televisivos. 

Se bem que Jimmy Fallon tenha imprimido um bom ritmo à cerimónia, esta não teve grandes brilharetes: foi uma Meryl Streep muito afónica quem mais se destacou nos discursos, quando recebeu o prémio Cecil B. De Mille, apresentado por Viola Davis; a entrada com mais piada foi a de Steve Carrel e Kristen Wiig ao apresentarem o melhor filme de animação ("Zootopia"); "La La Land" foi o filme musical que varreu todos os 7 Globos para que estava nomeado, mas não é garantido que seja uma obra-prima - já se sabe do gosto que os americanos têm por estas cantorias. Estreia dia 26 deste mês, mas só vou se for arrastada, que pessoalmente detesto o género...

Mas pronto, agora é aguardar que dia 6 de Fevereiro sejam conhecidas as nomeações aos Oscars, pois é expectável que a gala de 26 de Fevereiro já não nos apanhe tão fora do circuito  cinematográfico.

Imagem de cena do filme da net.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

LEITURAS DE 2016

Em 2016 li 43 livros, mas nem todos foram boas escolhas. Descontando até aquele policialzeco que se lê porque é o que cabe melhor na mochila, quando sabemos que vamos "secar" na sala de espera do dentista - e depois, já agora, queremos ler o final - houve outras desilusões com livros até mais ou menos badalados: "A Rapariga Dinamarquesa", "As Gémeas de Gelo", "Solar", etc. e tal. Sobre eles escrevi na devida altura, não vale a pena bater mais nos "desconchavadinhos". 

Sobre outros nem me dei ao trabalho, mas aviso todos os leitores incautos que os dois policiais que li de Dick Haskins foram simplesmente para esquecer: datados e sem ponta por onde pegar, com finais completamente estapafúrdios e sem nexo. Claro que só custaram 50 cêntimos cada um, mas tenham dó!

No entanto, estou aqui para falar do melhor que li e não do pior. E neste capítulo não posso deixar de referir a tetralogia de Elena Ferrante:

Na verdade, aqui só dei a minha opinião sobre o primeiro volume "A Amiga Genial", até  porque não consegui encontrar um modo de falar dos restantes sem revelar demasiado sobre o desenvolvimento dos diversos enredos (em causa estão várias famílias ao longo de cerca de seis décadas), o que eventualmente desinteressaria futuros leitores. Não é pior que bater na avó, mas anda lá perto... No geral posso dizer que foi das melhores leituras do ano, mas por vezes tive de parar a leitura, para retomar o fôlego da emoção e da intensidade dramática que transborda. Aqui e ali também uma conversa mais chatóide sobre política italiana (quase sempre), mas que não tira o mérito e o interesse ao restante conteúdo. Sei é que é uma leitura séria, mesmo com vontade de ler o volume final deixei-o para depois de férias, pois não combinaria com a descontração desejada para as mesmas. Ah, e claro, não sei ao certo se devo classificar a tetralogia de romance ou biografia, na volta é um híbrido...

Se me perguntarem qual foi o romance que mais gostei em 2016, não tenho dúvida em responder que foi "A Peregrinação do Rapaz sem Cor", de Haruki Murakami. Logo seguido de "Amores Secretos" de Kate Morton - que deve ter sido a autora que mais li este ano, a par de Mary Higgins Clark - e de "A Decisão Final do Major Pettigrew", de Helen Simonson. Todos muito diferentes, o primeiro atual a abordar um dos nossos piores medos - o da exclusão - o segundo um romance que entrelaça o presente e segredos do passado, o terceiro já mais leve, até com laivos de comicidade, sobre o amor na terceira idade.

Como policial, "O Domador de Leões", de Camilla Läckberg levaria a taça, se taças houvesse a distribuir, seguido de perto por Jo Nesbo e o seu fenomenal "O Fantasma", cuja continuação (?!?) saiu agora em Novembro e já estou "em pulgas" para ler...

Em 2016 só li três livros lusófonos, dois do Jô Soares - que são mais uma paródia do que outra coisa - e com os quais me diverti enormemente e este de João Pinto Coelho, o qual foi uma surpresa de que gostei bastante, à exceção de um segmento final. Portanto, "Perguntem a Sarah Gross" faz parte deste "ramalhete", digamos assim.

Resumindo: se decisões de início de 2017 houvesse aqui para estas bandas, não seria ler mais, mas ler melhor!

Agora quero ver aí o feedback desse lado e saber qual foi o livro ou livros que cada um de vós mais gostou em 2016. E não venham com a conversa mole de ando sem vontade de ler, não me lembro do título, etc.e tal. Se não leram, não leram, se leram satisfaçam a minha curiosidade...

BOAS LEITURAS
e
BOM FIM DE SEMANA!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

2017 JÁ CHEGOU!

Posso afirmar que 2016 foi um bom ano aqui para nós - à exceção das últimas 3 semanas com gripalhadas atrás de gripalhadas, mas isso foi igual a pelo menos metade da população portuguesa, portanto, queixarmo-nos de quê? - com a concretização de alguns sonhos antigos. O meu, o de visitar Keukenhof, o do maridão o de correr a maratona, que por acaso calhou ser a de Valência. E aproveitámos para visitar as duas cidades, tanto esta como Amesterdão. Adorámos, cada uma à sua maneira!

Também passámos dois períodos de férias no Algarve, em família, o que é sempre uma animação.

Comprámos um carro novo, mas essa teve menos piada, porque o anterior (da empresa da cara metade), deixou-nos a meio caminho na autoestrada entre Lisboa e o Algarve e já não teve arranjo possível - quer dizer, o arranjo era superior ao valor do carro. Mas pronto, tudo acabou por se arranjar, embora fosse um despesão inesperado.

Por outro lado, o filhote também está a trabalhar numa empresa da área que escolheu e gosta e entretanto vive mais tempo em casa da namorada do que na nossa, anda feliz e satisfeito. Que mais pode um pai ou uma mãe desejar?

Ah, e a nível nacional este ano a rapaziada da bola ganhou o campeonato europeu de futebol, o que deu uma enorme alegria à malta. Politicamente ainda nos livrámos da "múmia paralítica" de São Bento, substituída com grande vantagem pelo tio Marcelo - e não sou suspeita, que nem sequer votei nele...

E agora, 2017? Pois,é uma grande incógnita, se bem que o cenário mundial não possa dar azo a grandes otimismos. 

Certo é que é já a 28 deste mês que terá início o ano do Galo de Fogo (terminando a 15 de Fevereiro de 2018) do horóscopo chinês e as previsões genéricas que li até são bastante auspiciosas. Mas pronto, vale o que vale!

Não cheguei a fazer os habituais balanços de livros, fotos ou filmes de 2016, mas a disposição não era nenhuma, não achei simpático atamancar posts às três pancadas. Com calma, o dos livros sairá de certeza,  os restantes logo se verá. No entanto, e antes de tudo o mais, queria desejar a todos...

UM BOM ANO DE 2017!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A ÁRVORE DAS ROLHAS

Confesso que não tenho jeito nenhum para trabalhos manuais, disciplina que em tempos idos me dava "água pela barba" só para ter a nota mínima. Mas para provar que na minha família há quem tenha essa habilidade natural, fica aqui uma árvore de Natal montada  com cento e tal rolhas, que demoraram dois anos a coleccionar. A ideia não é original (suponho que foi tirada de uma revista), mas a realização é da minha mana, que também faz tricot e ponto cruz, quando está para aí virada. E não é a única, que a minha cunhada também é adepta do ponto cruz, embora nos últimos tempos se tenha dedicado mais à ourivesaria. Resumindo, aqui a única "ovelha ronhosa" sou só eu, mas não posso dizer que tenho pena, porque aproveito os meus tempos livres para ler, coisa que elas fazem pouco ou (quase) nada... Cada uma com os seus hobbies, não é verdade?

Claro que em vésperas de consoada, a árvore das rolhas serve também uma segunda finalidade: a de desejar a todos um...

F E L I Z   N A T A L!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O ÚLTIMO ADEUS

Pelo relvado e restante enquadramento dá para ver que este livro não foi lido recentemente, mas nas férias de verão. Como era para ser discutido em sede de Clube de Leitura, como realmente aconteceu em Outubro, fiquei a aguardar a opinião das minhas parceiras, para não vos levar ao engano com o meu arrebatamento por Kate Morton.

Tanto tempo volvido sobre a leitura e a discussão, obviamente falham-me alguns pormenores, mas não serão certamente os mais relevantes. Tal como é costume da escritora, o livro está dividido em capítulos, mais ou menos intercalados, de 3 épocas diferentes: uma primeira à roda de 1911/1914: uma segunda no Verão de 1933; e a terceira e última em 2003, quase sempre entre a Cornualha e Londres.

Portanto, pode dizer-se que não existe uma mas duas tramas, que estão interligadas, constituindo aquela primeira parte uma espécie de explicação do que está para vir. Assim, é durante a festa do solstício de Verão de 1933, que a família Edevane costuma dar na sua casa de Loeanneth, na Cornualha, que o inesperado acontece - o filho mais novo do casal, Theo, de apenas onze meses, é raptado; algumas horas depois é encontrado o corpo de Llewellyn, um velho amigo da família e que com eles reside, sem que se percebam os motivos que levaram à sua morte.

Setenta anos volvidos, Sadie Sparrow, investigadora da Scotland Yard, visita o seu avô Bertie na Cornualha, quando é afastada de um caso que tinha em mãos e, por acaso, dá com a velha e desabitada casa de Loeanneth, e rapidamente se interessa sobre o que outrora lá se passou. Ao pôr-se  em campo, parece-lhe urgente entrar em contacto com os elementos da família que ainda estão vivos: Alice  e Deborah, duas das três irmãs mais velhas do rapazinho desaparecido. E a investigação começa...

Todas as participantes do Clube de Leitura gostaram deste romance cheio de segredos e mistérios, embora a algumas tenha desagradado a "conveniente" coincidência final. Nem por isso deixa de ser uma daquelas escritoras que nos "agarra" da primeira à última página. E atenção que aqui são 615!

Citações:
"Dou por mim a discutir com a televisão. Pior, tenho a forte desconfiança de que estou a perder."

"Em tempos,o pai dissera-lhe que os pobres podiam sofrer de pobreza, mas os ricos tinham de se debater com a inutilidade e não havia nada pior que o ócio para corroer a alma de uma pessoa."

"Estar debaixo de um tecto, com a esperança de estar quente e seca dentro em breve, enquanto a chuva caía lá fora, era uma esplêndida e simples felicidade."


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A próxima reunião ainda não tem data propriamente marcada, mas será em Janeiro, com o livro "Uma questão de classe", de Joanne Harris.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ADIANTADA...

... só na árvore, que já está pronta e bem iluminada, que no ano passado duas séries de luzes fundiram e ela, coitada, iniciou 2016 meio ao lusco-fusco...

De resto ainda me faltam muitas compras para fazer, que ao contrário do que tem acontecido em anos anteriores - que começo a ver prendinhas em julho (de férias, portanto) - ficou tudo para a última hora!

Mas pronto já se sabe que estes preparativos são como como diz o provérbio, "grão a grão...", sendo que a galinha sou eu. Sem desmerecer de outras galinhas e galos, evidentemente (entendidos, KOK?).

Daí uma menor assiduidade aqui e nos vossos cantinhos, pedindo desculpa pelo facto, mas para a semana conto recuperar a dinâmica do costume. Inté!