terça-feira, 19 de Agosto de 2014

RECLUSÃO

Em criança, quando me perguntavam o que ia ser quando fosse grande respondia: "vou casar com um polícia, para nunca ser presa". Ingenuidade infantil, porque se soubesse o que sei hoje diria que ia ser banqueira. Mas pronto, a ideia da cadeia - estar num sítio sem se poder sair quando bem se entende - e até uma certa claustrofobia em ambientes fechados, com muita gente, sempre estiveram presentes na minha maneira de ser. E, claro, a perceção de que se não cometesse actos ilegais ou criminosos a probabilidade de ser condenada a uma pena de prisão era reduzida e cedo se instalou o meu espírito.

Como a vida dá muitas voltas, hoje e (previsivelmente) durante cerca de um mês vou permanecer num quarto de hospital, para fazer um auto-transplante de medula. E já não é tão mau quanto pensava inicialmente, porque o facto de ser dadora de mim própria faz com que possa receber visitas (devidamente equipadas com máscaras e batas próprias), quando não os visitantes só veem os pacientes através da janela do quarto. Enfim, o isolamento não é total, mas não deixa de ser uma reclusão "forçada", que é como quem diz, por força das circunstâncias. 

Vim com a "casa às costas", munida de livros, portátil, revistas de passatempos e, para o efeito, até comprei um pequeno iPod, para ouvir música. No quarto existe também uma televisão (com uma série de canais) e uma bicicleta pedaleira - haja vontade de pedalar, cóf, cóf, cóf (maldita tosse!). 

Tudo isto para dizer que as minhas postagens nas próximas semanas poderão ser um pouco irregulares: alguns destes tratamentos deitam-nos muito abaixo, outros nunca fiz, não sei como serão. No entanto, sempre que me sentir com (mais) genica, venho aqui postar qualquer coisinha e/ou dar uma volta pelos vossos cantinhos - tempo é coisa que não me há de faltar, se tudo correr bem.

Para todos segue aquele abraço, desta vez na voz de Miguel Gameiro:


Ah, last but not least, já resolvi aquele meu problema de não conseguir ouvir música nos blogues. Nem vou dizer o que era, para não me chamarem de barata tonta...

domingo, 17 de Agosto de 2014

UM ELÉTRICO CHAMADO... 28

O passeio turístico estava planeado há anos, mas com aquela história do é amanhã, depois ou qualquer dia, estava mesmo a ver-se que tinha encalhado na terra do nunca - porque está frio, calor, chuva ou vento, porque imperam outros compromissos ou há bola ou não apetece, enfim, um adiamento constante. Até ontem, em que o único contratempo era uma Lisboa deserta de lisboetas, mas cheiinha de turistas. Vem algum mal ao mundo se também fizermos turismo na própria cidade?

Como ponto de partida, o terminal junto ao cemitério dos Prazeres - para garantir um lugar sentado à janela, que permitisse tirar algumas fotos. Escusado será dizer que o horário está lá fixado na paragem, mas só serve "para inglês ver": os cerca de 15 minutos de intervalo previsto entre partidas prolongou-se para os 25. A bicha dos utentes engrossou, mas facto é que ninguém protestou. E a viagem começou...

A primeira paragem foi próxima da igreja de santo Contestável, em Campo de Ourique. Porém, virar a máquina fotográfica em direção ao Sol nunca foi grande ideia, eventualmente ao alvorecer ou entardecer podem conseguir-se boas imagens.

Um dos portões do jardim da Estrela. Escusado será dizer que a Basílica, mesmo em frente, não era "alvo" a que pudéssemos apontar, já que o elétrico ia repleto de gente - turistas e não só.

A Assembleia da República. Com o poste de um semáforo pela frente, mas à vertiginosa velocidade de 40 ou 50 km/hora alcançada pelo veículo, não se pode programar atempadamente estes "imprevistos". Ou a câmara tem de possuir outras capacidades/qualidades.

A estátua de Camões mal se via devido às árvores, mas a igreja de Nossa Senhora do Loreto não sofria do mesmo problema.

No Chiado cruzámo-nos com outro elétrico no sentido contrário. Nem dá para verificar a multidão que por ali pairava...

Depois da descida à baixa, o elétrico recomeça a subida de uma nova encosta, cuja primeira paragem se situa frente à Sé de Lisboa.

O miradouro de santa Luzia não dá para espreitar, mas já estamos próximos da Cerca Moura e rumo à Graça. 

Se pelo caminho já tínhamos passado por ruas estreitas e de sentido único, de onde saem vielas e escadarias, onde quase podemos tocar nas paredes das casas, com roupa estendida nos varais, gente a espreitar a rua da janela ou varandas de ferro forjado, mais ou menos ornamentadas de flores e plantas, na Graça não é muito diferente. Numa e noutra colina também existem prédios degradados e/ou em ruínas, aparentemente ignorados pela população e pelas entidades competentes para resolver esses problemas - que não são recentes, dado o estado escaqueirado dos edifícios.

Na descida para a avenida Almirante Reis o elétrico ganhou velocidade, pela avenida fora ainda mais. Nem consegui "apanhar" o antigo cinema Lys, posteriormente denominado Roxy, ainda menos  uma foto decente da fábrica de cerâmica viúva Lamego - seria o motorista a tentar recuperar o atraso inicial? Com (muita) sorte, ainda captei o castelo de São Jorge, entre as árvores do Martim Moniz.

Após os passageiros saírem do elétrico ainda lhe tirei uma fotografia para a posteridade (a primeira deste post). No palco do Martim Moniz atuavam um jazzista e um DJ, de modo que foi aproveitar a onda musical para sentar na esplanada e beber uma imperial. Naquele que deve ter sido o primeiro dia do ano com sabor a verão de agosto. O regresso ao ponto de partida é que já não foi efetuado de 28, dada a fila enorme que se gerou, com pelo menos uma excursão à mistura. Sobre o (relativamente novo) Martim Moniz escreverei noutra altura... se estiver prái virada.

Já anoitecera, quando decidimos jantar por outras paragens: um preguinho com batatas fritas, no sítio do costume. Ou melhor dizendo, na respetiva esplanada, já que a noite continuava amena...

FELIZ DOMINGO!
(com ou sem férias...)

sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

A CASA DOS ESPÍRITOS

Nunca tinha lido um livro de ficção de Isabel Allende (os que li são uma espécie de diários, dedicados a sua filha Paula, que morreu prematuramente com uma doença rara), e muito menos visto o filme "A Casa dos Espíritos". Esta espécie de "dois em um" de livro e filme surgiu agora, acicatados pela sugestão da Tons de Azul, que recomendou vivamente o livro. O filme, confesso, vi no YouTube, infelizmente numa versão dobrada em brasileiro. Mas foi o que consegui arranjar, já que depois de ler tinha curiosidade de ver.

Como a Tons de Azul bem explica, trata-se da história da família Trueba, liderada pelo determinado, apaixonado, despótico e retrógrado Esteban (Jeremy Irons), órfão de pai, que desde cedo teve a mãe e a irmã Férula (Glenn Close) a seu cargo. O seu noivado com Rosa termina inesperadamente com a morte repentina desta e ele resolve abandonar a mina onde trabalha para se dedicar inteiramente a reerguer o rancho que o pai deixou na falência. O que consegue. E é aí que decide casar com Clara (Meryll Streep), a irmã mais nova da sua antiga noiva, uma rapariga estranha, que tem premonições sobre o presente e o futuro e parece viver sempre num mundo fantasioso muito próprio. Nos primeiros anos, o casamento decorre normalmente, já que Férula vai viver com o casal e é uma grande aliada da cunhada, tentando poupar-lhe todos os esforços e o governo da casa, para o qual ela não tem aptidão. Mas a devoção que lhe dedica provoca os ciúmes do irmão, que a expulsa de casa.

Entretanto, o casal teve três filhos: Blanca (Winona Rider) e os gémeos Jaime e Nicolau. No entanto, à medida que eles crescem, vão desapontando o pai, tanto por demonstrarem um espirito mais moderno e menos conservador, como pela paixão assolapada (e correspondida) que Blanca nutre por Pedro Tercero (Antonio Banderas) - o filho do seu capataz e, simultaneamente,  o maior revolucionário da região - desde a tenra infância.

Sem revelar o final, para quem queira ler estas 337 páginas escritas em 1982, posso avançar que nem o ultra-conservador Esteban Trueba esperava tanta violência "gratuita" na ditadura de Pinochet. Como também não é difícil imaginar...

E o que dizer sobre o filme, de 1993? Apesar do excelente naipe de atores, a produção reduziu personagens, simplificou o enredo, abreviou (e quase descontextualizou) as partes históricas. Daí que se só tivesse visto o filme, até tinha gostado bastante. O que é dizer muito sobre um filme com quase 20 anos. Mas sem dúvida que preferi o livro. Gracias, Tons de Azul

Citações:

"[O sacerdote] Era partidário de vencer as fraquezas da alma com uma boa chicotada na carne. Era famoso pela sua oratória desenfreada. Os fiéis seguiam-no de paróquia em paróquia, suavam ouvindo-o descrever os tormentos dos pecadores no Inferno, as carnes estraçalhadas por engenhosas máquinas de tortura, os fogos eternos, os garfos que trespassavam os membros viris, os répteis asquerosos que se introduziam pelos orifícios femininos e outros suplícios que introduzia em cada sermão para espalhar o terror de Deus."

"Isso serve para tranquilizar a consciência, minha filha - explicava a Blanca - Mas não ajuda os pobres. Eles não necessitam de caridade mas sim de justiça."

"Se pôde ser ministro da educação sem ter terminado a escola, também pode ser ministro da Agricultura sem ter visto uma vaca inteira em toda a sua vida."

terça-feira, 12 de Agosto de 2014

NUNCA DIGAS NUNCA

Oren Little (Michael Douglas), um vendedor imobiliário viúvo, faz a vida negra a todos os que o rodeiam: vizinhos, colegas de trabalho, qualquer um que se lhe atravesse no caminho. É cínico, desagradável e excetuando a sua patroa de longa data, não é amigo de ninguém. Até a sua vizinha Leah (Diane Keaton) - uma cantora, igualmente viúva, que se destaca pelo seu feitio simpático e amigável (embora com tendência a também ser demasiado emocional) - se desespera com as suas respostas desabridas. Oren não se dá com o único filho, que em tempos foi viciado em heroína, quando este o aborda com um pedido: ele vai ser preso por 9 meses, comutados em 6 se tiver bom comportamento, mas precisa de alguém que lhe cuide da filha de 9 anos, cuja existência ele desconhecia. Ele rejeita a possibilidade, mas aí Leah promete ao pai da criança que ela própria velará para que a menina (Sterling Jerins) seja bem cuidada. Em pouco tempo, a criança habitua-se aos novos "avós"... Mas será que a romântica Leah consegue vergar o coração empedernido de Oren?

Uma comédia romântica sem grande chama, mas que mesmo assim se vê muito bem numa tarde de domingo meio enevoada...


5,5 em 10 foi a pontuação dada pela IMDb a este filme, realizado por Rob Reiner. Por mim, já vi muito pior, com pontuações bem mais altas. E a alguns ainda lhes dão o título de clássicos!

domingo, 10 de Agosto de 2014

O TEMPO NÃO PARA!

Este é um típico (pequeno) jardim lisboeta, onde um quiosque tradicional com esplanada se situa entre um lago com respetivo repuxo, um parque de diversões infantil e as mesas e os bancos apropriados para as tardes de cartada da terceira idade. Sabem como se chama?

JARDIM CONSTANTINO

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Na crista da onda está agora este jardim a que recentemente acoplaram uma "praia". Se assim se pode chamar a um pedaço de areia junto a um antigo lago... Onde?

JARDIM DO TOREL



"O tempo não para", na voz de Mariza, não tem muito a ver com o post em si, mas dado não conseguir ouvir músicas nos vídeos que são colocadas nos outros blogues, serve como experiência para ver se a oiço no meu. Com o YouTube não há problema, pelo que se alguém me souber explicar o porquê, eu agradeço!

ADENDA a 12 de Agosto de 2014: Os jardins já estão identificados, tanto com as respetivas legendas, como com alguns outros aspetos e pormenores de cada local, nas colagens seguintes: o primeiro é um jardim de bairro, o segundo é simultaneamente miradouro sobre a cidade e o rio; todos descobriram o segundo - já que a "praia" tem sido tão badalada - no primeiro o Rui Espírito Santo (como é habitual), a Rosa dos Ventos e o Kok  acertaram em cheio. Obrigada a todos pela participação! 

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

A VER NAVIOS?

A origem da expressão popular tem várias explicações, quase todas elas depreciativas para o sujeito que assim fica. Expressão à parte, ver (e fotografar) navios, barcos, barquinhos, barcaças, veleiros e outros que tais é uma diversão pessoal. Como outra qualquer. Eis alguns exemplos:

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Mas não se pense que me limitei a ver navios algarvios - no rio Arade e no mar - também nos rios Douro e Minho andei a mirá-los...

E no Tejo também, como não podia deixar de ser!


EMBARQUEM... NUM ÓTIMO FIM DE SEMANA!

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

SEGREDOS DE AMOR E SANGUE

Já lá vão mais de três anos em que referi um filme de terror de 1911, que narrava acontecimentos reais. Soube agora, ao ler este livro, que Francisco Moita Flores também escreveu o argumento para um filme mais recente, "A Morte de Diogo Alves" (1997) e que este ano decidiu publicar um romance ficcional sobre o mesmo tema: Diogo Alves foi um criminoso que, nos finais dos anos 30 do século XIX, roubou e assassinou as suas vítimas, atirando-as do alto do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa. Foi capturado e condenado à forca, conjuntamente com a maior parte da sua quadrilha. Resumindo: o(s) primeiro(s) (e único(s)?) serial killer(s) da nossa praça.

O que nos filmes pode parecer terror, aqui, à primeira vista, não tem sequer a estrutura de um policial - pessoalmente, parece-me mais uma história muito bem contada, que retrata uma época conturbada, conseguindo a proeza de quase nos sentirmos como os lisboetas de então: a enorme pobreza, a instabilidade e corrupção política, a criminalidade bárbara e o imenso medo do povo honesto, trabalhador e analfabeto perante poderosos e meliantes. 

Manuel Alcanhões é um taberneiro de Alfama, humilde e analfabeto como 90% da população da época, que tem o sonho de aprender a ler e escrever - já que as contas para gerir o negócio lhe foram ensinadas ainda miúdo pelo seu pai, que morreu prematuramente ao juntar-se às tropas de D. Pedro IV. E é ele o protagonista do enredo, que vê juntarem-se na sua taberna alguns dos homens que planeiam os crimes mais hediondos, sabendo de antemão que ele nunca os denunciará, por medo de represálias sobre Isabel, a sua mulher e o grande amor da sua vida. Mas ele sente-se culpado, porque suspeita que a onda de "suicídios" do alto do Aqueduto são obra de Diogo Alves, confirmação que tem posteriormente por um cliente que pertence à quadrilha, mas que também está assustado com a malvadez do galego. Por essa altura, tentando compreender as suas dúvidas existenciais, sonda o padre Sales, um outro cliente (resmungão e miguelista convicto) que acompanha os condenados à morte da prisão do Limoeiro. E este oferece-se para o ensinar a ler e a escrever - já que ele própria almejava ser professor, em vez de confessor de bandidos - em troca do licor de poejo que bebe diária e habitualmente. Há lá coisa melhor que um homem cumprir os seus sonhos mais fantasiosos (de amor e instrução, no caso)? Mas onde fica a culpa, quando as mortes se sucedem com frequência, por vezes incluindo famílias e até crianças e se sabe quem cometeu os homicídios? 

ADOREI!

Citações:

"Dia após dia, explodia um tumulto político, duques contra duques, generais contra generais, liberais contra miguelistas, padres contra maçons, cartistas contra vintistas, e pelas ruas fedorentas, atapetadas pelos excrementos de cavalos, de porcos e de galinhas, cresciam os assaltos, os assassínios, e organizavam-se quadrilhas onde se misturavam soldados e civis, numa balbúrdia tal que não se sabia onde terminava a rixa política e começava o crime."

"A morte não é mais do que isso, uma terrível ausência que sabemos jamais tornar a ser presença."

"O poder prefere a ignorância ao saber. É mais fácil governar uma corja de brutos, mesmo raivosos, mas que se deixa manipular, do que um país de sábios."


Nota: não resisti a experimentar o tal licor de poejo - que por acaso encontrei à venda numa feira algarvia - que o padre do livro tanto apreciava; tem uma cor linda e é bastante agradável, mesmo que não goste especialmente de bebidas licorosas...

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

ALGARVE À VISTA...

Já aqui escrevi e publiquei fotografias de pássaros e gatos algarvios, mas quando nos referimos à faixa costeira sul deste nosso país o que nos vem primeiro à mente são as praias. Ou as piscinas. E momentos de lazer. Resumindo: o Algarve continua a ser sinónimo de férias para muitos portugueses. Especialmente para os que não moram lá...

As praias, já se sabe, há-as para todos os gostos: extensos areais de areia fina que convidam a passeios à beira-mar ou à prática de vários desportos - se é que andar de gaivota, por exemplo, pode ser considerado desporto (?!?);

ou outras cuja linha do horizonte é recortada por rochedos de várias formas e feitios, onde há menos banhistas, mas mais amadores dedicados à pesca submarina. Enfim, para todos os gostos, como já referi!

Quando a tarde chega ao fim, também há várias recreações possíveis. Com uma aula de ginástica nas imediações da marina, 

num bar "trendy" bastante em voga, com uma decoração sofisticada, música (demasiado) alta e preços a dar para o carote ou...

numa esplanada mais pacata (e mais em conta).

Um último mergulho na piscina antes do jantar também pode figurar no programa, especialmente se o tempo convidar - o que nos finais de julho não foi o caso. Quer dizer, há sempre uns malucos que não prescindem, evidentemente!

Convém ter em conta que embora as bóias estejam ali bem à mão de semear, por esta altura os banheiros da piscina já acabaram o seu serviço e foram para casa... ou elsewhere.

Passear pelas ruas das cidades, vilas ou aldeias também faz sentido, ainda mais quando o dia teima em acordar cinzento. Se depois levantar melhor, que ainda se vai a tempo para acrescentar ao programa diário mais uma mergulho ou um petisco numa das muitas esplanadas. 

E de caminho por essas vielas ainda dá para captar o campanário de uma Igreja com alguns séculos de existência...

Claro que também se podem escolher ruas mais viradas para o comércio, como aquela onde mora esta patriótica vaca. Por sinal esta foto foi tirada em junho, em plena época do mundial de futebol, mas a vaca permanece embandeirada e firme no seu poiso. Garanto!

Ou ir até ao centro comercial, na esperança que o S. Pedro dê um jeitinho nas nuvens cinzentas e neblinas matinais, que teimam em cobrir o Sol logo de manhã. Por via das dúvidas, também é melhor comprar mais uns agasalhos (em saldo), porque nas malas vieram poucos ou nenhuns. E com manhãs e noites ventosas, frescas e húmidas, é preferível precaver contra constipações e afins.

Mas pronto, chega sempre a hora de fechar o guarda-sol, arrumar as bagagens e regressar a casa... a cerca de 250 quilómetros de distância. Snif, snif...

sábado, 2 de Agosto de 2014

O TESTAMENTO

Em férias, encontrei este livro (4 em 1) na estante da casa. E já que costumo gostar de John Grisham, toca de o passar à frente dos outros que trazia na bagagem. São 180 páginas com uma letra bem legível, portanto a leitura foi relativamente rápida, já que não li os outros três que se inserem no mesmo volume. Talvez noutra ocasião...

Troy Phelan está velho, cansado, deprimido e solitário, embora seja um dos milionários mais ricos da América, quando assina o seu testamento perante uma série de advogados e psiquiatras, que testemunham a sua capacidade e consequente validade do documento. Mas mal acaba de o fazer, arranja forças para se levantar da cadeira de rodas e atirar-se da janela do 14º andar. Assim que sabem da notícia, os seus filhos e ex-mulheres começam a planear como gastar a herança, mas para sua surpresa a leitura do testamento é adiada e quando este se torna conhecido descobrem que a totalidade dos bens do milionário foram deixados a uma filha ilegítima (e desconhecida), da qual só se sabe ser missionária no Brasil. Entretanto, o advogado testamenteiro convence Nate O'Riley - um sócio seu, que se está a restabelecer de problemas de álcool, drogas, casamentos falhados e insucessos profissionais numa clínica - a seguir para a zona do Pantanal em busca da herdeira. A partir daí seguimos as viagens atribuladas de Nate, que acompanhado de um guia, Jevy, e do tripulante de um barco, Welly, se aventura por rios transbordantes e pântanos pejados de jacarés, cobras e outras bichezas, debaixo de tempestades violentas, na procura da tribo de índios onde a missionária Rachel Lane se estabeleceu. E os dois acabam por se encontrar, mas para grande espanto de Nate ela não está minimamente interessada no dinheiro do pai... 

Para ser franca, desta vez o tom ligeiramente moralista e maniqueísta desagradou-me um pouco: por um lado, os filhos gastadores e interesseiros; por outro, a santa alminha que vai converter índios para o meio do Pantanal e a quem o dinheiro não interessa rigorosamente nada. E depois a americanice pura de em meia dúzia de frases converter o protagonista num crente, que larga todos os seus vícios num ápice. Mas enfim, fora essas minhas embirrações de estimação, o livro tem bastante ação e não deixa de ser uma leitura  de férias interessante.

BOM FIM DE SEMANA!