quarta-feira, 25 de maio de 2016

O MELHOR E O PIOR DE AMESTERDÃO (3)

(vista sobre a cidade, a partir da biblioteca pública)

Para finalizar esta série de posts sobre Amesterdão, devo dizer que recomendo vivamente a cerveja holandesa: muitas e variadas marcas, de excelente qualidade e para todos os gostos - mais fortes, mais leves, etc. E relativamente barata, se compararmos com outros países europeus: por 2,5 ou 3 € servem-lhe uma imperial fresquinha na maioria dos bares.

Em contrapartida, a gastronomia deixa muito a desejar: excessivamente gordurosa, mais à base de fast food, peixes quase inexistentes nos cardápios, batatas fritas em barda (por vezes nem as descascam), pratos vegetarianos de aspeto duvidoso, sobremesas escassas. Especialidade parece que são as panquecas, mas longe de provocarem aquela água na boca a quem se prepara para comer um pitéu. Bom, só mesmo o pequeno almoço do hotel. E os gelados. Independentemente de termos gostado do único peixe e de uma sobremesa que comemos e de termos tentado safar-nos com as carnes argentinas, igualmente saborosas. Até o chinês foi uma desgraça. E tirando as refeições ligeiras de fatias de pizza, hamburguers ou sandoscas, tudo com preços upa upa.

Entretanto, tínhamos umas voltas que ainda queríamos dar, nomeadamente ver a casa de Rembrandt (enfim, uma reconstituição da mesma, com alguns dos objectos do dia a dia que pertenceram ao famoso pintor) e visitar Begijnhof - uma espécie de bairro fechado, onde em tempos se concentrou uma comunidade de monjas católicas, com a sua imponente igreja (que não pudemos espreitar pois estava a decorrer um casamento) e a capela, aparentemente modesta, mas com um interior muito bonito decorado com belíssimos vitrais - local onde também se situa aquela que se crê ser a casa mais antiga da cidade (1528). 

Bisbilhotar feiras e mercados também fazia parte do programa, mas Nieuwmarkt foi um desilusão. Já o denominado mercado das pulgas mostrou-se bem mais interessante, com uma série de produtos em segunda mão, de máscaras e vestidos de casamento a discos, de quadros a moedas, até uma obsoleta máquina de escrever vi por lá. Voltámos ainda ao mercado das flores, ai para comprar uns bolbos  de tulipas a uma familiar.

Claro está que nos faltava  ainda fazer o cruzeiro pelos canais da cidade. E aí, outro dos pontos negativos de Amesterdão: está a abarrotar de turistas, nestes locais mais concorridos as bichas são enormes.

O cruzeiro é muito agradável (o tempo continuava fabuloso) e sabe lindamente descansar os pés das longas caminhadas durante uma horinha. Agora tem um senão: para quem está a contar tirar uma série de lindas fotografias, tire daí a ideia. Os balanços do barco, o Sol a surgir de repente atrás dos prédios, a escuridão quando se passa debaixo das pontes e a própria perspectiva de baixo para cima não ajudam nada. Portanto, curta a paisagem, admire o traçado arquitectónico e os tons de tijolo, bege e castanho com caixilhos brancos das fachadas estreitas dos edifícios, espante-se com os ganchos no topo dos prédios, que servem para fazer entrar os móveis maiores pelas janelas, já que as escadas íngremes e estreitas raramente o permitem. Mas, sobretudo, pasme-se com a descontra dos holandeses, que aproveitam o fim de tarde ensolarado para se sentarem ou deitarem nas margens dos canais a conversar, a namorar, a beber uns copos, ou o três em um. 

E não são um ou dois, são montes deles, os da foto são mero exemplo. 

Ah, e claro, também vislumbrámos as famosas casas-barco ancoradas nos canais. E uns patos que por ali nadavam, como se estivessem a chapinhar num laguinho de um jardim de bairro...

O Palácio Real, onde a família real holandesa não reside, estando apenas reservado a cerimónias oficiais, e a Nieuw Kerk mesmo ao lado, guardámos para visitar nos últimos dias, já que estávamos ali tão perto. Quer dizer, no palácio não entrámos...

... e na na igreja Nieuw Kerk juntámos o útil ao agradável e aproveitámos para  ver a "World Press Photo 2016" que aí estava em exposição.

Durante toda a estadia andámos exclusivamente de eléctrico, um meio de transporte frequente, rápido e cómodo (cujo preço já estava incluído no cartão I amsterdam, bastava validar à entrada e à saída), para quem, como nós, tem alguma dificuldade em andar de bicicleta - mas uma alternativa a ponderar, para quem não tenha. Se bem que já tenha referido os ciclistas tresloucados que galgam passeios se assim lhes convier (sem se preocuparem minimamente com os peões), certo é que a cidade praticamente não tem poluição, o que se nota no ar que respiramos...

Last but not least, fiquei completamente fascinada pela biblioteca pública, e confesso que tive até um bocadinho de inveja: queria ter uma assim em Lisboa!

Reservámos a manhã do último dia para passear pelo Vondelpark (o maior jardim da cidade) e assim observar in loco como os holandeses passam os seus domingos. Com o bom tempo, estavam na sua maioria estendidos ao sol como lagartos, nos relvados junto aos lagos. Ou sentados nas esplanadas. Ou andando de bicicleta ou patins nas imediações.

6 dias e 1453 fotografias depois regressámos a Lisboa, absolutamente encantados com Amesterdão, gastronomia e ciclistas à parte. Ainda nos faltou ver algumas coisinhas? Certamente, o que é sempre uma boa desculpa para um dia voltar lá...

segunda-feira, 23 de maio de 2016

AMESTERDÃO, A VENEZA DO NORTE (2)

Depois de visitarmos Keukenhof e do regresso a Amesterdão, fizemos uma refeição ligeira e descansámos um pouco no hotel. Como os museus, igrejas e outros monumentos fecham relativamente cedo (17 ou 18 horas) - e em abono da verdade nem apetecia por aí além, após a longa passeata da manhã - resolvemo-nos por uma volta pelas redondezas. No entanto, depressa descobrimos que o centro da cidade é relativamente pequeno, após uma curta caminhada e de repente já estávamos no mercado das flores - onde noutros tempos os comerciantes vendiam flores nas suas barcaças, mas hoje o comércio das plantas e bolbos já se efetua em bancas fixas.

Embora algumas bancas já tivessem encerrado, noutras ainda a mercadoria estava exposta. Novamente abundam flores em ramos ou envasadas e também muitos bolbos (principalmente de tulipas, mas não só). 

Tudo muito barato, senão fosse a chatice do transporte no avião toda a famelga receberia flores no nosso regresso. Assim, tiveram de se contentar com uns queijinhos...

Bom, enquanto deambulávamos por ali mais ou menos ao acaso - sem receio de nos perdermos, pois esta zona da cidade é constituída por ruas paralelas e perpendiculares, que diferem da baixa lisboeta por terem canais ao meio, que lhe desviam ligeiramente o traçado, formando uma espécie de taça - vimos algumas bandeirolas brancas com a data de 4 de maio, que era a única coisa que entendíamos do palavrório explicativo em holandês. Assim, foi com alguma surpresa que vislumbrámos ao longe um ajuntamento de pessoas que caminhava na nossa direção. Uma manifestação, na Holanda?!? Não era! Era "Dia da Lembrança", data em que se realiza anualmente uma marcha silenciosa em memória das vítimas civis e militares que pereceram na guerra e em missões de paz. Um carro da polícia seguia à frente, depois surgiam dois cavaleiros e mais atrás 4 militares ritmavam a passada dos marchantes que os seguiam com o rufar dos seus tambores: o único som que se ouvia, já que até  os barcos no canal pararam os motores em sinal de respeito. Dirigiam-se ao monumento nacional, onde iriam depositar flores (que na noite seguinte ainda lá estavam). Mais tarde, lá pelas 8 da noite, quando descansávamos num bar a beber uma cerveja, foi-nos pedido que observássemos dois minutos de silêncio, ainda no âmbito desta tradição.  A 5 de Maio é feriado nacional, em 2016 celebraram o 71º aniversário do fim da II Guerra Mundial - o "Dia da Libertação" - o que não coincide com a data celebrada nos países aliados, mas isso agora não interessa nada...

O facto de ser feriado não buliu em nada com os nossos planos, fomos visitar o museu Van Gogh logo pela manhã. Sem pretendermos um "banho de museus", este era dos poucos que desejávamos mesmo conhecer, uma vez que ambos somos fãs do pintor e é aqui que se encontra o maior espólio da sua obra. Os quadros não se podem fotografar com máquinas fotográficas, só com telelés e afins. Esta foto tem este ar meio desmaiado pois é de um placard electrónico, o que está longe ser a mesma coisa, né?

Lá fora a primavera estava ao rubro e os holandeses começavam a dar mostras da sua descontração em dias mais quentes...

Os moinhos são uma imagem de marca holandesa (em tempos serviram para drenar a terra que conquistaram ao mar e não exatamente para fazer pão), claro que não deixámos de espreitar o de Gooyer: mais para a fotografia, já que não está aberto ao público!

Magere Brug, uma das pontes móveis mais antigas da capital holandesa, nas margens do rio Amstel - onde em finais do século XII surgiu a pequena aldeia piscatória que daria origem à cidade - também foi local de paragem obrigatória. Nas imediações preparavam-se os festejos do dia, muita gente já se encontrava abancada na rua (com o mesmo nome, em ambas as margens) à espera do espectáculo. Em algumas janelas desfraldavam-se bandeiras holandesas.

À noite e depois da janta, ainda passámos pelo monumento nacional, onde as crianças da marcha da véspera tinham depositado as flores.

Oude Kerk - a mais antiga igreja protestante de Amesterdão (1306) - teria muitas histórias para contar, se as suas paredes, vitrais e túmulos falassem. A história da religião cristã passou por lá, nomeadamente no que respeita à cisão no seio da própria Igreja no século XVI: imagens de apóstolos e santos foram arrancadas e, posteriormente, os próprios vitrais foram "retocados" para retirar as auréolas... O chão da igreja é constituído por cerca de 2500 pedras tumulares, que encerram cerca de 12 mil sepulturas, pelo que a ideia de caminharmos em cima de um cemitério não deixou de nos causar uma estranha sensação. Ainda mais quando algumas sepulturas têm jarras de flores a pontuá-las. A mais visitada dizem ser a de Saskia van Uylenburgh (a primeira mulher de Rembrandt e a morta mais famosa da Holanda, depois de Anne Frank), falecida em 1642.

Pessoalmente, gostei bastante mais dos vitrais que retratam várias cenas bíblicas, com ou sem retoques feitos a posteriori.

Curiosamente esta igreja situa-se em pleno Red-Light District, o bairro mais famoso de Amesterdão pela prostituição, onde as mulheres se exibem em montras aos potenciais clientes. Nada de muito chocante, já que se apresentam em lingerie ou biquini, mas mesmo assim não querem ser fotografadas. Como explicava o papel à porta do sindicato destas trabalhadoras!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

PASSEANDO POR AMESTERDÃO... (1)

A viagem foi planeada com vista a conhecer a capital holandesa - que ambos desconhecíamos - e, simultaneamente, para visitar o maior jardim da Europa - Keukenhof, em Lisse. Dispusemos de 6 dias, sendo que a manhã de um deles estava reservada à excursão e passeio pelo jardim.

Antes de iniciar qualquer viagem tenho por norma "navegar" pela net, verificar as localizações nos mapas e espreitar alguns blogues de viagens, que por vezes têm dicas bem práticas que facilitam a vida dos turistas ocasionais. Desta vez não foi exceção e, sem pretensões a imitá-los, espero também conseguir dar alguns conselhos úteis a outros potenciais visitantes. Outro apetrecho fundamental é um guia da cidade, que nomeia todos os museus, monumentos, igrejas, jardins e outros locais de interesse a visitar. Logo aí tem de se fazer uma escolha inicial, pois obviamente 6 dias não dão para tudo. E, nos tempos que correm, é avisado comprar bilhetes antecipadamente on line. Assim, quando entrámos no avião Grão Vasco rumo ao aeroporto de Schiphol, já levávamos na bagagem as reservas para a excursão na manhã seguinte e o papel para levantar o cartão I amsterdam, que dá direito a entradas gratuitas em vários museus e monumentos (e bons descontos noutros tantos), a um cruzeiro de barco pelos canais e a utilizar todos os transportes públicos citadinos durante o período contratado - no caso, comprámos o de 96 horas, já que nos dois primeiros dias não íamos utilizar.

Note-se que a aquisição de bilhetes on line não evita a fila onde terá de esperar a sua vez, quando muito ela é mais curta do que a outra de compra no local. Note-se também que para o esconderijo de Anne Frank os bilhetes on line têm de ser comprados com bastante antecedência, para os dias que queríamos já estavam esgotados. À porta, já se sabe, as bichas davam a volta ao quarteirão...

Enfim, chegados a Schiphol há uma caminhada de 10/15 minutos a fazer até ao local onde se pode efectuar o transfer ou apanhar um táxi, autocarro ou comboio. Optámos por este último meio, por ser o mais barato, rápido e prático - em cerca de um quarto de hora chegámos à Central Station de Amesterdão,

Fomos imediatamente buscar o cartão I amsterdam, pois um dos locais de levantamento situa-se mesmo em frente - aliás, foi onde tirei esta foto. Bom, a primeira impressão foi de grande confusão: uma multidão de gente a circular por ali, elétricos vindos de todo o lado, bicicletas também aos magotes, o que é estrada, passeio ou ciclovia mal definido. Um susto inicial. Facto é que depois a pessoa vai-se habituando a prestar muita atenção ao trânsito, aos carris e principalmente aos desvairados ciclistas, que não param perante sinais, semáforos ou pessoal que se atravessa à frente. Ainda por cima as bicicletas que conduzem parecem estar todas a cair de podres, não é garantido que, mesmo que queiram, os travões funcionem - às vezes, a chiadeira ouve-se à distância.


Seguimos a pé até ao hotel (só levávamos dois trolleys pequenos), que ficava apenas a cerca de dois quarteirões de distância, em frente à praça Dam, onde se situa o palácio real, a igreja Nieuwe Kerk, o museu de cera Madame Tussaud e o monumento nacional.  Mas esse foi passeio que guardámos para outro dia: almoçámos tardiamente no bar do hotel, arrumámos as malas e descansámos.O jantar também foi no restaurante do hotel: tínhamos de nos levantar cedo no dia seguinte, pois estava programada a excursão a Keukenhof, que partia às 9 da manhã, mas a reunião dos participantes era meia hora antes. Na rua Damrak 26 (operador turístico), bem perto da estação de comboios. E convinha ter os duches e os pequenos almoços tomados! Claro que há outros meios de transporte para Lisse, até mais baratos - de comboio ou de autocarro, por exemplo. Mas a ideia de viajar confortavelmente (quase) de porta a portão e, simultaneamente, apreciar a paisagem holandesa agradou-nos mais.

Sobre Keukenhof já falei o suficiente em posts anteriores, mas posso deixar uma montagem fotográfica do passeio:
5 horas e 347 fotografias depois, já com a bateria da máquina a gritar por carregamento, regressámos ao hotel. Vínhamos cansados, mas também encantados com a beleza do maior jardim da Europa...

domingo, 15 de maio de 2016

A AMIGA GENIAL

Elena Ferrante é o pseudónimo de uma escritora italiana que não revela a sua identidade, da qual se sabe apenas que viveu em Nápoles, onde possivelmente terá nascido por volta de 1943, e  na Grécia, e que escreveu recentemente a tetralogia de "A Amiga Genial" - leram bem, são quatro livros em que este é o primeiro volume, seguindo-se "História do Novo Nome", "História de Quem Vai e de Quem Fica" e "História da Menina Perdida".  

Curioso também é que uma das as duas personagens principais tem o nome de Elena, pelo que se especula se esta não será uma obra autobiográfica - o máximo que a escritora concorda em revelar é que  “As mulheres das minhas histórias são ecos de mulheres reais que, por causa do seu sofrimento ou da sua combatividade, influenciaram muito a minha imaginação: a minha mãe, uma amiga de infância, mulheres conhecidas cujas histórias eu sabia” (jornal "Público", de 30/01/2015)

Seja como for, esta história começa pelo final, quando Lila cumpre finalmente a vontade de desaparecer sem deixar rasto: tem agora 66 anos de idade! Isso motiva Elena, escritora conceituada, a escrever toda a história de como se conheceram na escola e se tornaram amigas deste essa tenra infância. Mas não só, relata também o dia a dia do bairro pobre da periferia onde elas habitam, das suas casas, das famílias, da escola, das querelas,  dos amores e desamores  de miúdos, adolescentes e graúdos, onde não falta até o homicídio do senhor Achille às mãos de um vizinho comunista radical. Este volume retrata apenas a infância e adolescência das duas raparigas, no período pós-guerra, pelo que temo que tenha de chegar ao final do 4º livro para descobrir que destino levou Lila. 

Enfim, houve unanimidade no Clube de Leitura, todas adorámos o livro. Pessoalmente, já me agarrei ao segundo volume... 

Citações:

"Ela, Nino e Marisa tinham a sorte de ter uns pais que levavam os filhos a fazer passeios até longe, não só meia dúzia de passos até aos jardins em frente da igreja. Os nossos não eram assim, faltava-lhes tempo, faltava-lhes dinheiro, faltava-lhes vontade. "

"Disse que não porque se o meu pai viesse a saber que eu tinha entrado naquele automóvel, embora fosse um homem bom e amável, e embora gostasse muito de mim,  matava-me com pancada imediatamente, e ao mesmo tempo os meus irmãozinhos, Peppe e Gianni, apesar de ainda serem pequenos, sentir-se-iam na obrigação, agora e no futuro, de tentar matar os irmãos Solara. Não havia regras escritas, sabia-se que era assim e pronto."

"Se não houver amor, não é só a vida das pessoas que se torna árida, mas também a das cidades."

*******
A próxima sessão do Clube de Leitura terá lugar no dia 2 de julho deste ano, versando o livro "O Assassínio de Cinderela", de Mary Higgins Clark e Alafair Burke.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

RAZÕES (MUITO) COLORIDAS

Nos últimos dias tenho andado desaparecida da blogosfera, tanto aqui como nas vossas "casinhas" (que conto visitar em breve). Desta vez por boas razões: férias! E um dos locais por onde passeei foi por este belíssimo jardim, sobre o qual já aqui tinha falado em tempos idos -  posso agora garantir que ao vivo e a cores é ainda mais espetacular do que parece!

Por onde terei andado?

ADENDA a 10 de Maio de 2016:

E para que não surjam mais "confusões" com o jardim do Torel (não, não fui lá passar férias...), aqui ficam mais umas fotos do local:

***
***

Nem é preciso ser excelente fotógrafo para captar boas fotos...

ADENDA a 15 de Maio de 2016:

Pois,como várias pessoas referiram, trata-se do jardim de Keukenhof, em Lisse, a poucos quilómetros de Amesterdão. Uma visita imperdível, para todos os que andarem por aquelas paragens na primavera. Em tempos já o tinha mencionado neste post de 2011. Agora que surgiu a oportunidade de uma visita,obviamente não a deixei escapar... Obrigada a todos pela participação.

terça-feira, 3 de maio de 2016

OLHÓ CORO!

O primeiro domingo de Maio é dia da mãe. O primeiro de Maio é dia do trabalhador. Quando coincidem, dá nisto: toda a minha gente sai à rua, para comemorar um festejo ou outro! E se o domingo calha estar soalheiro, ainda mais...

Nem estes gansos resistiram e fez-se silêncio... que se ia grasnar o fado!


quinta-feira, 28 de abril de 2016

SNOOKER

Há pessoas que papam tudo quanto seja desporto televisivo. Faço precisamente o contrário: se é desporto, mudo de canal. Com todos incluindo futebol, excepto...  snooker! Sempre gostei de jogar e de ver, desde que aprendi o básico lá nos idos tempos de liceu.

Para quem não sabe, neste momento está a decorrer o campeonato do mundo de snooker, que o Eurosport tem transmitido mais ou menos em directo - por vezes só dá um resumo, outras repetem jogos que já deram. Enfim, o costume em televisão!

O que este campeonato do mundo tem de inusitado é o facto dos jogadores favoritos terem sido eliminados logo nas primeiras rondas: começou com Bingham, o campeão do ano passado, continuou com Murphy (vice-campeão), Neil Robertson, Judd Trump e Ronnie O'Sullivan - o grande craque, que todos consideravam vencedor à partida... Quem restou para disputar as meias finais? Mark Selby, o único dos favoritos ainda em prova, o escocês McManus (que chegou lá com um grande bambúrrio), o asiático Marco Fu e o chinês Ding Junhui. Não é assim muito linear que Selby venha a confirmar a preferência do público - natural, sendo ele inglês e decorrendo o campeonato em Sheffield.

Bom, mas os comentários da emissão televisiva estão a cargo de Miguel Sancho e Nuno Miguel Santos - tive de verificar os nomes na net, pois quando os referem confundem-se, dada a similitude e a má dicção de ambos - que no início de cada jogo fornecem algumas informações interessantes sobre os jogadores, como nacionalidade, idade, posição no ranking, etc.e tal. O pior é que depois começa a faltar-lhes tema de conversa e começam a inventar: nem estou a referir as jogadas que eles preconizam e depois o jogador prefere executar de outra forma - acontece de vez em quando, mas não é preciso ser um crânio para adivinhar qual a bola que tem o ângulo mais favorável para ser embolsada. Isso, até eu! Mas desde histórias muito imaginativas sobre a "maldição" de não existir memória do mesmo campeão dois anos seguidos (está tudo na net, então para quê inventar?), até epítetos imoderados sobre os jogadores - "máquina de embolsar bolas" ou "estrela do Oriente" - vale tudo. Até a dar notícia das opiniões facebookianas de  alguns adeptos. Tenham dó! (ou, não tendo, arriscam-se a ficar mudos no meu televisor...)

Boa notícia é que Lisboa vai passar a ter um Open, que fará parte do calendário oficial. E que as emissões televisivas da modalidade estão garantidas para a próxima década.

Boas tacadas!

Imagem de Mark Selby, da net.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

GRANDES ESPERANÇAS

No dia 25 de Abril de 1974 não estive na rua: tinha 15 anos acabados de fazer e uma enorme otite que me fez passar dois dias de cama. Os sons da revolução soavam-me apenas como ruídos de fundo, quando só desejava silêncio. Com tantos dias para adoecer, logo havia de calhar naquele que tanto mudou a minha vida e a de todos os portugueses. Daí não ter gratas lembranças do dia. Mas depois de passada a maleita recordo com muita emoção a felicidade que reinava na minha casa, no liceu, nas ruas, em todo o lado. A alegria das pessoas era contagiante. Diária. Parecia que finalmente a todos nos era permitido ter grandes esperanças. E quer estas se viessem a concretizar ou não, só a possibilidade era uma fonte de alegria... 

Só voltei a sentir o mesmo clima de alegria generalizada durante a Expo 98, mas mesmo assim longe da dos tempos da revolução de cravos. É pena que essas sensações positivas não se repitam mais vezes. Ou que alguns, hoje de barriga cheia, não deem grande valor à liberdade que nos foi concedida a partir desse dia agora longínquo, por um grupo de militares corajosos. 

A Sophia de Mello Breyner Andresen expressou-o como ninguém no seu poema "25 de Abril":

"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"

25 de Abril, SEMPRE!

sábado, 23 de abril de 2016

DIABOS!

Desconfio que o Hobbes está carregado de razão!

BOM FIM DE SEMANA!

Tirinha da autoria de Bill Watterson, copiada do facebook.