quarta-feira, 16 de novembro de 2011

INVISÍVEL

Paul Auster tem fãs incondicionais espalhados por todo o mundo, enquanto outros leitores não apreciam particularmente a sua escrita. Sendo este o primeiro livro que li do escritor, não fiquei com uma opinião definida ou definitiva: longe de me tornar fã, mas sem me recusar a ler outro dos seus variados títulos.

O enredo em si pareceu-me bastante inverosímil: Adam Walker, um estudante de 20 anos com pretensões a poeta, encontra numa festa um casal que já passou os 30 e, enquanto metem conversa e vão ingerindo várias bebidas, o homem (Born, professor universitário) sugere-lhe que elabore um projecto para uma revista literária de poesia, que financiará, se lhe agradar; o rapaz não tem nada a perder com a tentativa, embora duvide de se tratar de uma proposta séria ou apenas motivada pela bebedeira, mas Born afiança-lhe que não quando o volta a contactar; entretanto, este tem de se ausentar para o estrangeiro durante alguns dias  e Adam envolve-se sexualmente com Margot, a companheira francesa do homem; após essa "traição", ela decide regressar à sua terra natal abandonando ambos, mas a situação não parece alterar a embrionária relação profissional entre eles; até que um dia os dois homens são assaltados na rua por um jovem delinquente, mas o professor reage e esfaqueia o assaltante...

Resumidamente, trata-se apenas do primeiro dos quatro capítulos que se desenrolam ao longo das 236 páginas do livro. Que não me entusiasmou por aí além, não só pela pouca credibilidade de uma sequência de acontecimentos destes - enquadrados em 1967 e nos EUA - como pela ambiência algo sombria que rodeia  o protagonista (em particular, mas também as restantes personagens em geral), excessivamente ensimesmado em sentimentos de culpa e recordações do passado. O que prossegue nos capítulos seguintes, se bem que o enredo entretanto dê várias reviravoltas e cambalhotas, ao jeito filosófico do  "nada que parece, é"! Aliás, quem lê fica até na dúvida de se tratar de um texto ficcional ou de se basear em factos reais.

A "discussão" no Clube de Leitura não foi unânime, uma parceira adorou o livro e deu-lhe uma interpretação que nenhuma de nós vislumbrou nas palavras do escritor, outra comentou sobre a crítica do "The New York Times" estampada na capa desta 2ª edição: "Epá, se este é o melhor, escuso de ler os outros!" Francamente, suponho que as editoras deveriam ser mais cuidadosas na forma de vender promover os seus livros...

CITAÇÕES:
"Devia ter agido e não agi, e essa é a coisa mais repreensível que jamais fiz, o ponto mais baixo da minha carreira como ser humano. Para além de ter permitido que um assassino permanecesse em liberdade, a inacção a que me remeti teve o insidioso efeito de me forçar a um confronto com a minha própria fraqueza moral, ao reconhecimento de que, afinal, eu nunca fora a pessoa que pensava que era, de que, afinal, eu era menos bom, menos forte, menos corajoso do que imaginara."

"Porque a triste verdade é esta: há no mundo muito mais poesia que justiça."

"É o fim que conta, pois o fim provoca em ti algo que é absolutamente inesperado, pois o fim abate-se sobre ti com a força de um machado derrubando um carvalho."

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A próxima sessão do Clube de Leitura foi agendada para dia 14 de Janeiro, desta vez com o último livro de Pepetela, "A Sul, O Sombreiro".
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26 comentários:

  1. Uma característica importante na obra de Paul Auster é precisamente "nada que parece, é"!!!
    Também já li este romance, que nem considero o melhor dele, sendo o texto ficcional, mas baseado em factos reais.
    Embora nem seja o meu escritor preferido gosto de ler os seus romances, mas como nem podia deixar de ser, sou maior admiradora da obra da sua mulher.

    Estou a cair de sono e digo apenas boa noite!

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  2. Pois, como calculas, não conheço as características do escritor e um livro, como amostra, não dá para tirar essas conclusões, EMATEJOCA! Mas sim, como digo, sou capaz de o voltar a ler. Da mulher, a tal Siri, nunca li nada... :)

    Boa noite para ti!

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  3. Cada cabeça sua sentença...

    Nunca li nada dele (acho)...nem sei porquê já que há frases dele que, vejo por aí, e gosto muito.

    Beijinho :)

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  4. pelo que vejo, ele era fã do homem-aranha! porque aquela primeira citação é a descrição do que disse o Peter Parker quando matam o tio Ben =))

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  5. Não conheço a obra do Paulo Auster, embora já tenha ouvido de tudo acerca da mesma. Quanto ao próximo autor, o Pepetela, adoro.
    Quando andava na Faculdade, onde conheci não só a escrita como também o próprio Pepetela, li o Lueji e ADOREI!

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  6. Eu, livros só de mortalhas.

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  7. É um autor que me desperta alguma curiosidade. No entanto, como não tenho nenhum livro dele e estou em contenção de despesas, não vai ser para já :)

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  8. Eu tentei ler esse livro mas não o consegui encontrar, cá para mim fazia justiça ao nome. Beijocas!

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  9. Paul Auster não faz parte dos meus autores preferidos. Li dois ou três livros dele e chegou.

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  10. Nunca li nenhum livro de Paul Auster. Tenho pra ler "A trilogia de Nova Iorque" faz tempooos. Um dia ei de ler e ficar com uma opiniao sobre o autor.

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  11. Clube de Leitura??? Que giro :)

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  12. É verdade, MARIA, mas também é certo que Auster se presta a mais de uma interpretação neste livro! :)

    Se bem te "conheço", não vais apreciar por aí além! ~xf (assobiando)

    Beijocas!

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  13. Ahahah, VÍCIO, não sei porquê duvido que o autor ache piada ao Homem-Aranha... =))

    (mas pode já ter achado e a coincidência ser uma "partida" do seu subconsciente...) :e

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  14. Também gostei muito de tudo o que li do Pepetela, ANA, mas esse "Lueji" não li! Gracias pela dica... :))

    E claro, não o conheço ao vivo, nem da Feira do Livro. Mas quem sabe numa próxima oportunidade... :D

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  15. Bem me parecia que te conhecia de algum lado, LAPANTUNES! :D

    Esses "livros" não os cheiro! :e

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  16. De facto não há nada como ler, para tirar as próprias conclusões, MOYLITO! Porque os gostos literários de cada um são muito variáveis... :h

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  17. Terá o dom da invisibilidade, RAUF?! Mistério... :))

    Beijocas!

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  18. Pois, tenho impressão que comigo vai acontecer o mesmo, CARLOS BARBOSA DE OLIVEIRA... ;)

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  19. Não consegui formar opinião apenas com este livro, MIGUEL, mas como tenho outro que me foi oferecido também há espera há um tempão, qualquer dia ainda calha. Tento ler todos os livros que compro e me oferecem, mas nem sempre tenho a devida celeridade de leitura... :D

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  20. É um nome pomposo para uma reunião, de dois em dois meses, com um grupo de amigas que gostam de ler, LOPESCA! Enquanto conversamos sobre o livro estipulado também vamos comendo uns queijinhos e bebendo umas cervejinhas (no meu caso) ou um vinho... :D

    Ou seja, engorda! Mas sabe bem... ~xf

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  21. Ainda não li este mas já li outros livros deste autor – o último foi o Timbuktu. Não sendo, na minha opinião, algo de muito especial agrada-me a sua forma de escrever e de descrever. De referir que tenho por norma ler sempre o original se o consigo, sendo que o autor escreve em inglês foi nessa língua que o li.

    Beijinhos,
    FATifer

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  22. Ora aí está algo que não faço, FATIFER, ler em inglês ou francês. Não é que não consiga, mas tira-me um bocado o prazer de ler, pois de vez em quando tenho de ir consultar o dicionário... :))

    Quanto ao escritor, para já tenho outro livro dele à espera na prateleira, mas não vai ser tão depressa! Com tempo, lá irei! :)

    Beijocas!

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  23. Pensava que já tinhas lido mais livros deste autor, Teté! Realmente ele tem imensos seguidores e quem gosta, gosta mesmo. Eu li "A Trilogia de Nova Iorque", como deves estar lembrada e na altura fiquei com vontade de o voltar a ler e ainda não perdi essa vontade. ;)

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  24. Sempre tive a mania de ler tudo o que posso de um escritor que gosto, TONS DE AZUL, só nos últimos anos tenho tentado diversificar mais as minhas leituras, por uma série de autores desconhecidos até agora. Assim, deste nunca tinha lido nada! E vou ler outro que tenho na estante de Auster (não para já) e depois logo decido se tenho vontade de voltar a lê-lo. De Pepetela, será já o quarto livro que leio... :)

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  25. Também foi o meu primeiro livro do autor.
    Este foi um daqueles livros que nem gostei muito, nem achei mau. Além do seu nome ser apontado como um dos possíveis vencedores do Premio Nobel dos próximos anos, confesso que não acho Paul Auster um génio literário, no entanto, tenciono voltar a ler outro livro do autor.

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  26. Concordo contigo, TIAGO! Um escritor não se avalia apenas por um livro, mas com tanta gente aí a dizer maravilhas do autor, enfim, estava à espera de ficar mais entusiasmada... :))

    Mas vou ler outros, certamente!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)