terça-feira, 22 de novembro de 2011

CARTAS DE IWO JIMA

Não costumo gostar de filmes de guerra, mas há exceções e este foi uma delas! Realizado por Clint Eastwood em 2006, tem a particularidade de focar o ponto de vista dos japoneses que combateram no confronto de Iwo Jima (uma pequena ilha vulcânica), quase no final da II Guerra Mundial. Ou o que a argumentista Iris Yamashita concebeu como próximo da realidade...

Além das características pouco apelativas de ser quase inteiramente falado em japonês, das tonalidades cinzenta ou sépia da maior parte das imagens, onde só as explosões e o disco vermelho no centro da bandeira japonesa se destacam, e da longa metragem de duas horas e vinte minutos, não tinha muito para me emocionar ou cativar. Puro engano!

As atrocidades da guerra são sempre chocantes, quaisquer que elas sejam, neste caso específico o código de honra japonês da época impedia os soldados de se renderem: o mote era o de lutar até ao fim e matar dez inimigos antes de morrer ou, na falta de outra possibilidade, suicidar-se!

Apesar desse código rígido, certo é que as perspetivas são diferentes consoante as personagens: o general Kuribayashi (Ken Watanabe) sabe que não vai sobreviver, mas planeia a sua estratégia de resistência com mais empenho e inteligência que o seu antecessor, que escavava trincheiras na praia - as escavações passam para o interior do monte Suribachi, onde constroem uma espécie de "bunker" de túneis e galerias, que lhes permite uma defesa mais eficaz; os tenentes estão determinados em cumprir e fazer cumprir as suas ordens, não se coibindo de chibatar os soldados ou de dar um tiro em qualquer desertor, mas Baron Nishi (Tsuyoshy Ihara), um ex-atleta olímpico, tem outra visão do mundo mais humana do que o rigoroso código militar, carreira que não seguiu por opção; por seu turno, Saigo (Kazunari Ninomiya), um humilde jovem padeiro transformado em soldado por força da defesa da pátria, quer sobreviver para voltar à sua família e conhecer a filha que não viu nascer, mas não sabe como - tanto os próprios companheiros de armas não permitem a rendição, como não é garantido que, mesmo que se renda desarmado, não seja abatido a tiro por algum soldado inimigo.

Qualquer que seja o lado da barricada, a guerra é sempre violenta! Neste filme, apesar da mortandade, há um traço ternurento e comovente que liga o princípio ao fim, num golpe de génio... Qual o "tesouro" que enterraríamos na areia, se vivêssemos com os minutos contados deste modo?

ADOREI! Obrigada, Clint!

Imagem de cena do filme da net.
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20 comentários:

  1. Pois, eu também não sou muito dada a gostar de filmes de guerra: geralmente, são americanos e sempre sob o ponto de vista dos americanos. Sinceramente, não tenho pachorra para tanta arrogância de "salvadores" do mundo.

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  2. Teté,
    Os filmes de guerra retratam aquilo de pior da natureza humana mas pelo meio podemos quase sempre extrair valores importantes; o companheirismo, a solidariedade, o espirito de sacrificio e a honra.
    Aconselho também do Clint Eastwood o filme "Flags of our Fathers".

    Cumprimentos.

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  3. Não consegui ver o filme, quando esteve por cá, ando a aguardar uma reposição televisiva. Ou então, que alguém me ofereça o DVD :-)

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  4. Cara Amiga
    E porque não, no proximo sabado um passeio ao sopé da serra da Arrábida, uma visita ás caves do José Maria da Fonseca, ver fazer os queijinhos de Azeitão e almoçar no D. Isilda, onde outros amigos dos blogues gostariam de te ver?.
    O meu abraço

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  5. Este está à espera de vez, até porque é um filme bem grandinho :) Tenho expectativas altas para o ver, até porque Clint Eastwood não engana. Os filmes dele estão sempre num nível acima da generalidade.

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  6. Não cheguei a ver este filme, embora tenha tido óptimas críticas.

    Eu cá por mim, aconselho a ver todos os filmes do Clint Eastwood, que considero um dos melhores realizadores americanos.

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  7. É de facto um filme marcante.

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  8. Não conhecia este,Teté! Deixaste-me com imensa curiosidade em vê-lo.
    Até gosto de filmes de guerra... Tudo depende de como transportam para a tela os factos. ;)

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  9. Não sei se é pelas tuas sinopses, mas fico sempre com curiosidade de ver os filmes que aqui nos trazes.:)
    bji

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  10. Pois este é realizado por um americano, ANA, mas a grande maioria dos atores e a argumentista são japoneses, o ponto de vista japonês está bem patente (ou, pelo menos, o que se pode deduzir, sobre o pensamento desses militares que participaram nessa batalha) e o resultado de 21.800 mortos (muitos por suicídio) e apenas 200 sobreviventes também é concludente! (isto não diz no filme, li na Wiki)

    E sim, como "salvadores" do mundo, deixam muito a desejar... :P

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  11. Sim, esse faz parte do díptico de Eastwood, CARLOS, verei um dia destes, mas duvido que goste mais do que deste.

    No caso, pois, o companheirismo dos camaradas de armas era relativo... já que a honra determinava o suicídio! ;)

    Cumprimentos!

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  12. Pois, aconteceu-me o mesmo, CARLOS BARBOSA DE OLIVEIRA, mas ofereceram em DVD (duplo) ao meu filho, de modo que só agora aproveitei. O outro é o ponto de vista americano, só por aí já deve ser mais "batido"... :)

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  13. Tenho muita pena, ZÉ DO CÃO, mas não vou poder participar. Mesmo assim um grande obrigada pelo convite! :D

    Jinhos e divirtam-se!

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  14. Pois, MOYLITO, passei muita coboiada dele, mas os últimos que vi convenceram-me que ele é realmente um grande realizador! :)

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  15. Pois, EMATEJOCA, também me parece que ele está como o vinho do Porto: quanto mais velho melhor! :))

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  16. Não somos os únicos a pensar isso, PAULOFSKI! :)

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  17. Aí é que vai, TONS DE AZUL, este transporta-nos para um mundo diferente do habitual... ;)

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  18. Nem sempre são elogiosas, NINA, mas neste caso o elogio é merecido... :)

    Beijocas!

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  19. Não gosto muito de filmes de guerra, mas depois de te ler e se recomendas...

    Ai se eu nao gosto (smile com pau na mão) eheheh

    Beijinho :)

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  20. Ui, ca medo, MARIA! E se não gostas... bates-me com o pau?! (Ah, isto soa tão mal...) =))

    Beijocas!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)