quinta-feira, 21 de março de 2013

JÁ PLANTARAM UMA ÁRVORE?

Eu já! Há muitos anos, com a ajuda do meu pai, eu e a minha tornámo-nos "jovens agricultoras" e semeámos uns pinhões num vaso do jardim da minha avó. Todos os domingos íamos visitar os meus avós e regávamos o vaso, não sei se ela também o fazia ocasionalmente quando o tempo estava mais seco. Certo é que três germinaram e foram crescendo no vasinho, até ser necessário passá-los para a terra. Essa foi decisão do meu pai, porque obviamente duas catraias de 7, 8 ou 9 anos de idade não percebiam patavina do assunto. 

A casa e o jardim eram arrendados ao ano, primeiro para passar as férias de verão e alguns fins de semana - desde que a minha mãe era miúda - depois do meu avô se reformar passou a ser residência definitiva de ambos. Mesmo após a enorme aflição das cheias de 1967, pois a casa situava-se na região mais afetada e nesse fim de semana eles estavam lá - para quem não sabe ou se lembra do dramático acontecimento, podem ler uma breve resenha neste post da São. (desculpa não ter pedido autorização atempadamente para  linkar)

Facto é que eles adoravam viver no campo e prevendo a possibilidade de algum dia a senhoria precisar da casa para outros fins, o meu avô comprou um pequeno terreno ao lado, na intenção de um dia mandar construir a sua própria moradia, igualmente com jardim. Como este país sempre teve os mesmos problemas de burocracia e planos diretores municipais pouco transparentes e incompreensíveis, a câmara de Loures não permitiu a edificação, porque o terreno era considerado rural. Como é que a outra paredes meias foi construída? Mistério! (ou talvez não, que autarcas pouco escrupulosos também não são só os atuais!)

Entretanto, para não desaproveitar de todo o terreno, mandaram plantar lá umas oliveiras, umas poucas árvores de frutos e umas vinhas, ainda sobrava espaço para o meu pai se dedicar a uma pequena horta onde plantava batatas, abóboras, morangos, couves, enfim, o que ele lá ia tentando ver se dava (nada a ver com a sua profissão, mas suponho que servia de escape ao seu dia a dia de escritório, reuniões e tal). E claro que foi nesse terreno que os ainda incipientes pinheiros foram plantados, mais ou menos distantes uns dos outros, porque na sua modesta auto-aprendizagem de agricultura já percebera que as plantas não se desenvolvem igualmente no mesmo solo.

O resultado foi espantoso: o pinheirinho mais desenvolvido cresceu bastante até certo ponto, mas estava num local bastante soalheiro, às tantas as carumas começaram a ficar queimadas e acabou por fenecer; o que já tinha acontecido ao segundo, parcialmente à sombra de uma das oliveiras; o terceiro, aquele que à partida nos parecera o menos resistente, plantado lá mais para o meio do terreno semi-baldio, sem sombra e com o mesmo Sol, resistiu e cresceu, sendo mais tarde replantado no jardim da minha avó, até se tornar uma árvore possante e frondosa, que deu pinhões durante muitos anos e bons. (chato era parti-los um a um, evidentemente!) 

Moral da história? Não tem nenhuma, a história é verídica, tanto quanto me recordo. Mas como na altura ainda ia à missa, sempre que o padre contava a parábola das sementes lançadas à terra, lembrava-me dos nossos pinheirinhos...

§ - Não sei o que aconteceu ao pinheiro, à casa ou ao jardim (só que mudaram de proprietário), o terreno sei que foi vendido por "tuta e meia" depois da morte dos meus avós. Como a urbanização (clandestina) em redor cresceu brutalmente, a câmara de Loures posteriormente requalificou a zona e decidiu que afinal era urbanizável, mas seria destinado a um parque infantil. O que creio que nunca se chegou a verificar...

Imagem do facebook.

22 comentários:

  1. :) Parabéns, já que eu nunca plantei nada.

    Podes linkar tudo o que quiseres e sempre que quiseres, estás desde já publica e devidamente autorizada, rrsss E obrigada por o fazeres!

    Beijufas poéticas.

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    1. Encontrei o teu post por acaso, SÃO, quando andava à procura de um que focasse o assunto, impossível de esquecer quando tanta gente passou horas dramáticas. Dai não ter tido oportunidade de perguntar se podia linkar, o que teria feito noutras circunstâncias. Obrigada! :)

      Beijocas! Com árvores e poemas... :D

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  2. Plantei a minha primeira árvore, teria eu uns 7 anos !
    Havia um Clube desportivo, CPN-Clube de Propaganda da Natação, do qual o meu pai era o sócio nº 3 (fundador) e que ainda hoje existe, que a certa altura, construiu um campo de basket e os sócios foram convidados a aparecer para plantar árvores que viessem a alindar o local e mais tarde a proporcionar sombra !
    A "minha árvore" lá continua, ainda hoje, enorme e saudável ! rsrsrs

    Beijoca ! :))
    .

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    1. Pois, como refiro foi mesmo por volta dessa idade que também plantámos os pinheiros, RUI! :)

      Não tenho é a sorte de saber se continua bem de saúde! É a vida... :)

      Beijocas!

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  3. Anónimo3/21/2013

    Plantei muita coisa e agora até tenho a tua companhia.

    ::))::))

    LUIZ

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    1. É, instinto de jovem agricultora não me falta, LUIZ! :D

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  4. Ai que não me lembrei que também era o Dia da Árvore!:-((
    Este mês de Março arrasa-me com efemérides!:-))
    Eu também já plantei muita coisa!

    Abraço

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    1. É verdade, ROSA, em março são umas atrás das outras... :)

      Imagino que sim e não deixa de dar um grande gozo ver as plantas crescerem! Sejam árvores ou outras... :)))

      Abraço!

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  5. Que diabo, Teté, tu descobres cada imagem mais gira.

    Gostei de ler esta tua história verdadeira, que foi uma óptima escolha para o Dia Mundial da Floresta (pelo menos é assim que aqui se chama).

    Já platei muita coisa, mas nunca uma àrvore, porém já vi plantar muitas àrvores no jardim dos Baumis e no da minha sogra.

    Como já dizia Martin Luther: um homem deve plantar uma àrvore, ter um filho e escrever um livro; eu para já fiquei pelo filho, mas ainda tenho tempo para plantar uma àrvore e escrever um livro. Vontade não me falta!!!

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    1. Aqui é dia da Árvore e da Floresta, para além de dia da Poesia e da síndrome de Down...

      É, a mim também já só me falta escrever o livro. E vontade também não me falta... mas é preciso mais que isso! :)))

      Quando encontrei a imagem no facebook, guardei-a a pensar neste dia! :D

      Beijocas!

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  6. Eu, e os meus irmãos, já plantamos uma árvore na aldeia do meu pai, lembro-me perfeitamente disso, eu devia ter uns 6 anos, depois estive muito anos sem ir à aldeia, há 2 anos quando lá estive os meus tios lembraram-nos disso, mas já nem eles sabem qual das árvores é...devíamos ter posto os nossos nomes ehehe

    E agora a ematejoca fez-me lembrar de um episódio...o autocarro que eu apanhava passava todos os dias por um muro onde dizia "Um homem deve plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro", alguém acrescentou "...e matar um chui" ehehehe sempre que lia aquilo dava-me vontade de rir :p

    Também gostei muito da imagem, uma árvore que serve para todos...foi a esta que obrigaste a Guida a subir? Não sei porque é que a mãe dela ficou tão aborrecida, a árvore é linda :)

    Beijinho agricultora :)

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    1. Ah, afinal temos outra jovem agricultora, MARIA! :)))

      Se bem que deteste ver as paredes pintalgadas com dichotes, reconheço que alguns têm piada. Mesmo que vão contra o sentido original... :D

      E não, não foi a esta árvore: a outra era uma árvore baixinha, que estava no meio do pátio do recreio, de ramos baixos para os miúdos treparem. Hoje já não deve lá estar, porque naquele tempo era normal que as crianças trepassem, atualmente considera-se altamente perigos... :D

      Beijoca ó camarada agricultora!

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  7. Pois... já eu não. Nunca plantei nada. Mas um dia destes experimento. :)

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    1. E ainda vais muito a tempo, LUISA! :D

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  8. Eu plantei uma em Macau e tenho uma vaga ideia de ter plantado uma outra quando andava no liceu, mas essa foi partilhada e não contou :-)

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    1. Atualmente este dia é muitas vezes aproveitado pelas escolas para levar os alunos a passeio e a plantar árvores, CARLOS! O que não deixa de ser uma boa ideia... :)

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  9. A ideia que um homem, para ser homem, tem que plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro, foi abandonada, Teté.
    Porque, como li, o que é complicado não é plantar a árvore, é fazê-la crescer; não é escrever o livro, é fazer com que seja lido; não é fazer um filho, é educá-lo.
    E, sim, já plantei árvores no quintal de minha casa em Portugal.
    Bjs e votos de bfds

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    1. E concordo a 100% por cento com essa ideia, PEDRO COIMBRA, nem fui eu que falei na frase. Perguntei só por ser dia da árvore e a recordar esses tempos de miúda... :)

      Beijocas e bom fim de semana!

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  10. Plantei uma há muito muito tempo e que cresceu pelos próprios meios. Nunca foi apaparicada, tratada, podada ou qualquer outro teve direito a qualquer tipo de manicura para plantas.
    Continua no meu quintal e, apesar de não servir para dar sombra porque cresce devagar, tem dado umas pêras fantásticas todos os anos (2 ou 3 porque, coitada, não se lhe pode exigir mais).

    Para se ter uma noção, o meu pai plantou uma cerejeira há 2 anos que já está do tamanho da minha pereira eheh É certo que levou com adubo, estrume e toda uma panóplia de produtos para incentivar o crescimento.

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    1. Mas isso foi "batota" da cerejeira, que com tratamento VIP quer fazer sombra à pereira, W... :)))

      No dito terreno também havia umas pereiras, mas elas demoram bastante a crescer, também não costumavam dar mais que isso. Já uma ameixieira do jardim dava as melhores ameixas que comi na vida e em profusão, distribuídas por toda a família e vizinhos... Quer dizer, às vezes picadinhas pelos pássaros, que esses também não não nada burros... :D

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  11. Nunca plantei uma árvore e nunca escrevi um livro…

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    1. CATARINA, quem sabe se um dia...? :)

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)