segunda-feira, 18 de março de 2013

REPUTAÇÃO MANCHADA....

Recentemente reencontrei a Guida, uma antiga colega, no cabeleireiro. E por antiga entenda-se que foi das primeiras amigas que tive na vida, ainda nos tempos da pré-primária. Mais tarde também frequentámos o mesmo ciclo preparatório e liceu, por coincidência a minha irmã também foi colega de turma da irmã dela. Enfim, mas amigas fomos nesses primórdios, porque sendo ela muito mais sossegada do que eu, um pouco mais crescidinhas já não tínhamos as mesmas brincadeiras -  maria-rapaz não combina com menina-que-brinca-com-bonecas.

Já não nos víamos há alguns anos, cumprimentámo-nos como habitualmente. Ia perguntar como estava a mãe, a irmã e a filha (que não conheço), na sequência de semelhante interesse dela em relação à minha família, quando indicou a mãe, de cabeça toda branca, lá sentada numa cadeira enquanto a cabeleireira a pulverizava de laca e a irmã, na cadeira ao lado, a quem a manicure dava os últimos retoques nas unhas. Ora a irmã já não reencontrava desde que acabei o liceu, ou por aí! Foi uma segunda "festa", com breves recordações da viagem de finalistas dessa época e da malta que nos tinha acompanhado.

Depois, educadamente, dirigi-me à mãe, para a cumprimentar também. E a Guida, solícita, pergunta-lhe: "Oh, mãe, lembra-se da Teté?" A senhora, sorridente, acenou que sim e sai-se com esta: "Ah, a Teté, aquela que obrigou a tua irmã a trepar a uma árvore... sim... lembro-me!"

Ficámos as três estáticas, a olhar umas para as outras. Recordei vagamente o episódio, que me foi relatado mais tarde, que aconteceu realmente, mas com a Guida, quando ambas tínhamos 4 ou 5 anos de idade... Bom, elas lá tentaram (e conseguiram) mudar o rumo das memórias da mãe, que não tinha sido exatamente assim. Facto é que a recordação mais marcante que deixei na senhora continua essa, o que não admira muito, já que a minha tropelia determinou que a filha não quisesse voltar mais à escola. O que também se resolveu a contento de todos na época: um raspanete e a proibição que me foi dirigida de voltar a "obrigar" outros alunos a trepar à árvore do recreio, foi suficiente... 

Devo esclarecer que o "obrigar" era muito relativo, já que a Guida era (e continua a ser) bastante mais alta que eu: inventei uma história qualquer - imagino que com bruxas ou varinhas de condão - que exerceu nela a poderosa "vontade" de trepar árvore acima... Mas agora, como volto ao cabeleireiro com a reputação manchada desta maneira?    

Imagem do facebook.

38 comentários:

  1. Depois de um episódio destes, o cabeleireiro tem a obrigação de não cobrar nada de cada vez que lá volte!! :))
    Bjs e votos de boa semana!

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    1. Eheheh, deve ser deve, PEDRO COIMBRA! :)))

      Beijocas e boa semana para si também!

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  2. rrrssss Pois, se calhar o Pedro tem tazão: o melhor é não cobrar nada.

    Teté, eu sei que até Jorge Sampaio diz pré-primária...mas a designação correcta é Pré-Escolar

    Desculpa, sim? Esta deformação profissional é mais forte do que eu, rrss

    tem boa semana

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    1. São, importas-te de me explicar (sei que a Teté não se importa de ocuparmos o seu espaço) qual é a diferença entre pré-primária e pré-escolar? Depois esclareço a razão desta pergunta.

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    2. Quanto a não cobrar nada, podes estar descansada que cobram, SÃO, nem tenho nada contra, que obviamente estão no exercício do seu trabalho e merecem ser remunerados por isso. Além que só vai ao cabeleireiro quem quer... :)

      Percebo que profissionalmente seja incorreto dizer pré-primária. Acontece que durante muitos anos foi a expressão usada e como tal continuo a usá-la, sem desprimor para ninguém, evidentemente. Também continuo a dizer o liceu, embora agora o mais correto fosse dizer escola secundária. O que acontece é que eles (ministério) passam a vida a trocar a designação aos vários anos de ensino, quando na volta tudo o resto muda pouco, para lá de umas invenções de permeio, algumas delas bem disparatadas (no meu entender).

      De qualquer forma, agradeço a correção.

      Beijocas!

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    3. A São já explicou, CATARINA! :)

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  3. Com que então a menina andava a obrigar as outras crianças a subir às árvores durante o recreio... a tua reputação nunca mais será a mesma :P
    Se fosse hoje eras acusada de bullying lol

    Deixa lá, mais vale a senhora recordar-se de ti por isso que por alguma coisa mais embaraçosa ;)

    Beijinho

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    1. Bullying aos 4/5 anos de idade, sem mais nada que uma historieta inventada qualquer, não me parece, W! :)))

      Mas temo que a minha reputação tenha levado um duro golpe! :D

      Beijocas!

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  4. Muito interessante, Té ! rsrs... Fantástico, como na memória da senhora, tenha ficado esse episódio, como o mais marcante ! :)))

    Beijoca ! :))
    .

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    1. Dizem que à medida que a idade vai avançando, as pessoas recordam mais o que aconteceu há 20/30 ou 50 anos, do que o comeram ao almoço, RUI! Mas no caso até se entende, já que pelos vistos preguei um grande susto à filha... :)))

      Beijocas!

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  5. Anda aqui uma pessoa a pensar que tem uma amiguinha certinha e direitinha e afinal vai-se a ver e o que é que tem?
    Tem uma maria-rapaz que com histórias da carochinha leva meninas indefesas a subir às árvores...
    Tá mal! Pobre Guida (assobiando)

    Esta história fez-me lembrar de uma outra maria-rapaz que conheci em tempos que já lá vão...(assobiando)

    Agora vais ao cabeleireiro, e como quem não quer a coisa pedes perdão e juras que não voltas a fazer o mesmo :p

    Beijinho :)

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    1. É o que dá pensar demais, MARIA! :)))

      Pelos vistos tinha jeito para endrominar latagonas, mas olha que foi Sol de pouca dura! Pudera, a professora da primária não ia lá com raspanetes e falinhas mansas, era logo ao estalo ou à reguada! :P

      Hummm e essa maria-rapaz por acaso não se chamava Maria? Também deves ter sido fresca... Quer dizer, ainda estás aí para as curvas e partidinhas! :D

      É, se calhar levo o baraço ao pescoço como o outro, para me redimir... :)))

      Beijocas, ó assobiadora-mor!

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  6. Não pretendo ser incorrecto, mas não me parece que estejas preocupada com a reputação que te possam atribuir!
    Além de que subir às árvores não me parece ser algo condenável, mesmo sabendo-se que o Sr. Aníbal já o fez!
    (Se não estou enganado, quis imitar o "Marocas" -que montou a tartaruga- e decidiu-se por uma palmeira. Não foi?)
    Eu também gostava de ver as miúdas subirem às árvores ö_ö (eheheheeeehh)

    Beijocas montadas em sorrisos :))

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    1. Eheheh, KOK, já não há nada que possa mudar essa tolice minha aos 4/5 anos de idade, pois não? Então para quê preocupar-me com o assunto? Era apenas uma maneira de dizer... :)))

      Pois, essa gente gosta muito de montar qualquer coisa, o pior é quando montam às nossas cavalitas, porque quanto ao resto podem montar o que bem lhes apetecer... :P

      Realmente deve ser muito sedutor ver miúdas de 4/5 anos de idade subir às árvores... :D

      Beijocas sorridentes!

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    2. E era... tendo em conta que eu também estava na mesma idade etária (lá pelos 9 - 10 anos) ;)
      Beijokas!

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  7. Só espero que todas tenham dado umas valentes gargalhadas!
    Subi muitas árvores e ainda hoje gosto da ideia...
    xx

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    1. Elas não acharam muita piada, não pela história do arco-da-velha, mas mais pela confusão da mãe, PAPOILA! :)

      Hoje em dia, para trepar a uma árvore, tinham de me contar uma história muito bem contada... :)))

      xxx

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  8. Navegando, encontrei este espaço, vou ficar e acompanhar.
    Beijo.
    Nita

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    1. Obrigada e beijinho, NITA! :)

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  9. Com que então! Gostava de subir às árvores e não o queria fazer sozinha! : )))
    Abraço

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    1. E não tem muito mais piada com companhia, CATARINA?!? :)))

      Abraço

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  10. Se a TETÉ não se importa , eu explico, CATARINA:

    - Primári@ é um adjectivo e por isso não se diz professor/a primário/a, não é? Como também não se diz, pelo mesmo motivo, educador/a infantil.

    - Já não existe ensino primário, mas sim ensino básico.

    - O Pré-Escolar, antigamente Jardim de Infância( designação que muito me agradava, diga-se),é o período que abrange a faixa etária dos 3 anos até á entrada no ensino formal. Os grupos devem ser heterogéneos, com percentagem adequada de cada idade, isto é, 3-4-5 anos .

    No Pré-Escolar as crianças devem adquirir competências de socialização e cognitivas, mas jamais antecipar aprendizagens.

    Espero que tenha conseguido dar informação clara, rrss

    Abraço para vós

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    1. Claro que não me importo nada que expliques, SÃO! O facto de não ter dado as designações corretas (embora comuns), não significa que seja mais fácil para quem vive fora perceber a lógica e as expressões atualmente usadas! :)

      Ah, mas continuo a dizer a minha professora primária, que creio que toda a gente me entende à mesma, e não desprestigia nada a dita professora, que assim era designada na época. :D

      Abraço e obrigada pelo esclarecimento! :)

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  11. Quando voltares ao cabeleireiro, levas o Kepler e hipnotizas os presentes que assim julgarão estar na presença de Lady Dy.
    Devis ser fresca!
    Beijinho Teté

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    1. Era fresca que nem uma alface, sim, KIM! :D

      Essa da dupla Kepler me ter ensinado a hipnotizar era uma muito boa ideia, mas não foi o caso. Assim, lá terei de me contentar com eventuais olhares reprovadores... :)))

      Beijocas!

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  12. Pensava que quando se dizia “professora primária” se subentendia “professora do ensino primário” , portanto, não seria considerado um adjetivo.

    Aqui temos a Kindergarten: Junior Kindergarten (4 anos feitos nesse ano letivo, ou seja, se a criança fizer 4 anos a 31 de dezembro, pode entrar na escola em setembro); Senior Kindergarten (dos 4 aos 5).

    A título de curiosidade, as crianças não reprovam no ensino elementar (da JK até ao 8° ano que nós chamamos grau 8 e quem vier de fora será colocada de acordo com a sua idade).
    Embora a tradução do termo adotado aqui “kindergarten” seja “jardim de infância” pensei que seria o equivalente à pré-primária porque é lecionado na mesma escola. As crianças quando entra na “kindergarten” podem ficar até ao oitavo ano.

    Quanto ao termo pré-escolar, associava-o a um ensino no jardim de infância ou infantário e só depois entrariam na “escola oficial” para o primeiro ano (a antiga primeira classe).
    Fiz-me entender?

    Obrigada, São.

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    1. No intervalo de um programa que estou a ver, acrescento:
      As expetativas no final da Senior Kindergarten – segundo ano da pré-escolar (que está integrado no ensino formal como disse) são que as crianças já saibam contar, ler e escrever para além de outras competências.

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    2. Trabalhei durante vários anos num infantário, CATARINA, que é o que corresponde a esse junior kindergarten. Chamava-se mesmo infantário, nem creche, nem jardim de infância. E mesmo que as coisas mudem de nome por decisão ministerial, vou continuar a dizer infantário. Se na altura era designado assim, porque é que havia agora de lhe alterar o nome. Já nem existe, portanto nem teve hipótese de se modernizar... :)))

      Mas pelos vistos os sistemas educativos são bem diferentes.

      Claro que sobre competências e tudo o resto a São sabe muito mais, que nesse capítulo estou completamente desfasada. A minha sobrinha mais nova já está com 14 anos e no 8º ano de escolaridade, não faço a menor ideia das exigências a cada um dos níveis ou etapas. :)

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    3. Fizeste entender(-te) muito bem, CATARINA, mas como a TETÉ diz os modelos são muito diferentes!

      Essas aprendizagens formais estão a queimar etapas de desenvolvimento, mas pronto é a opçãp daí...

      Um abraço a ambas

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    4. A conclusão a que chego é que a designação “Kindergarten” não deverá ser traduzida nem por “infantário” (porque a designação parece já não existir e para isso temos o termo em inglês “day care”), nem “pré-primária” porque “primária” tb já existe e nem “pré-escolar” porque a kindergarten faz parte integrante do ensino formal.

      Obrigada às duas pelo esclarecimento! : )

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    5. A única conclusão que podemos ter a certeza é mesmo essa, SÃO: os modelos são diferentes! :)

      Abraço!

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    6. O que se torna confuso, são tantas mudanças de designações, mas poucas na prática escolar e pré-escolar, CATARINA. No dia a dia, as pessoas acabam por referir as que conhecem, mesmo sabendo que o liceu agora se intitula escola secundária e por aí adiante... :)

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  13. Por cá

    demissão JÁ

    antes que fujam

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    1. Olha, olha, nem sabia que gostavas de comentar em spam, PUMA! :P

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  14. Os reencontros são bons, mas têm os seus perigos:-)
    Beijinho e obrigado pelas suas palavras. Felizmente as coisas começam a compôr-se e estou de volta às lides :-)

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    1. Bom, se todos os perigos fossem esses, CARLOS, nem seria maus de todo... :)

      Folgo em saber das suas melhoras! :D

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  15. Em todo o caso a irmã ( alvo da coação) não parece ter ficado marcada pelo episódio... Aparentemente também não se lembrava. :)

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  16. Epá, LUISA, na época se calhar até foi "traumatizante" para a miúda, mas a tendência é esquecer essas "brincadeiras" da infantil... :)))

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)