domingo, 23 de outubro de 2011

NOITE SOBRE AS ÁGUAS

"Era o avião mais romântico de todos", assim começa este livro de Ken Follett, que me cravou logo umas ruguinhas na testa - "há aviões românticos?", pensei. Mas mais adiante prossegue: "Uma multidão apinhava-se em seu redor: entusiastas da aviação com os seus binóculos, garotos e simples curiosos. Luther calculou que aquela fosse a nona vez que o Clipper da Pan American amarava em águas de Southampton, mas ainda constituía uma novidade. O avião era tão fascinante, tão encantador, que as pessoas acorriam a vê-lo mesmo no dia em que o seu país acabava de entrar na guerra. Ao lado, na mesma doca, estavam dois paquetes magníficos, de dimensões imponentes, mas os hotéis flutuantes tinham perdido a sua magia: todos olhavam para o céu."
A partir deste momento o escritor vai apresentando as várias personagens que vão fazer a travessia do Atlântico e os motivos que as levam a viajar, a par da tripulação encarregue de as conduzir ao seu destino - Nova Iorque: a aristocrática família Oxenborg, liderada com austeridade pela figura paterna, apoiante do regime de Hitler, que não permite que os filhos adolescentes se oponham à sua vontade; um sedutor ladrão de jóias de meia-tigela; um cientista judeu alemão; um gangster e o agente que o escolta; uma esposa em fuga com o amante; dois empresários do mundo do calçado; e uma famosa atriz americana, entre outras secundárias. O que ficamos a perceber logo desde os primeiros capítulos é que Eddie, o engenheiro de voo, está a ser chantageado por um bando de malfeitores que raptaram a sua mulher, de modo a que este cumpra as suas ordens sem prevaricar. Portanto, em Setembro de 1939, o luxuoso hidroavião decola das águas britânicas rumo à Irlanda, onde faz a primeira escala, e depois...
Como é óbvio, não vou revelar o enredo, mas posso assegurar que ação e suspense não faltam ao longo de 521 páginas alucinantes. Quer dizer, não é daqueles livros que se levam para a cama na esperança que embalem o sono ou substituam um soporífero - impossível:  no seu desenrolar encontramos romance e sexo, política e espionagem, aventura e crime, amor e traição, coragem e cobardia, rebeldia e medo, em sucessivas emoções a que qualquer leitor minimamente atento não consegue escapar, como se se tratasse de uma marioneta à qual o autor deliberadamente movimenta os fios!
Gostei muito de "Noite Sobre as Águas" - o primeiro livro que li deste escritor de best-sellers - originalmente publicado em 1992. Tenho a certeza que dava um bom filme de ação hollywoodesco. Já não tenho certeza é se ao fim de ler outros três ou quatro livros de Ken Follett, em enredos igualmente repletos de dinamismo, não se tornará numa leitura cansativa com sabor a déjà vu. O tempo o dirá...
CITAÇÕES:
"Diana achou curioso que, sempre que um marido perdia a cabeça com uma rapariga bonita, a mulher ficasse com ódio à rapariga e nunca ao marido. Não que ela estivesse minimamente interessada em algum daqueles maridos pretensiosos e encharcados em uísque."
"- Já conheci alguns fascistas. [...] Mas no fundo estão apavorados. É por isso que gostam de marchar e de usar fardas: fazer parte de um grupo fá-los sentirem-se seguros. É por isso que não gostam de democracias: são demasiado imprevisíveis. Sentem-se mais felizes numa ditadura, porque sabem de antemão o que vai acontecer e que o governo não pode ser derrubado assim sem mais nem menos."
"O heroísmo existia apenas na sua imaginação. O seu sonho de transportar mensagens, montada numa motocicleta, para a frente de batalha, não passava de uma fantasia; ao primeiro tiro que ouvisse, correria a esconder-se atrás de algum arbusto. Perante um perigo real, tornava-se absolutamente inútil." 

post-scriptum - segundo nota do autor, o voo, os passageiros e a tripulação são todos fictícios, mas o avião existiu mesmo, embora hoje já não exista um único exemplar deste modelo no mundo.
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18 comentários:

  1. Sim, EMATEJOCA! Bem sei que os livros todos têm páginas pares, mas para mim a leitura acaba no fim do enredo, que pode calhar numa par ou ímpar... :))

    As notas do autor e os agradecimentos, por muito interessantes que sejam, já não fazem parte da história! :D

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  2. Já li alguns livros de Ken Follett. Os títulos que me recordo neste momento são: A Chave de Rebecca e Os Pilares da Terra que se tornou muito popular quando ele foi entrevistado pela Oprah há poucos anos.
    Vou tomando nota dos livros recomendados nos blogues... a lista já está longa. : )
    Abraço

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  3. Nunca li nada deste autor (acho), mas a tua sinopse deixou-me com imensa vontade de o ler.
    São muitas páginas, de facto, mas quando o enredo interessa as páginas não importam.
    Um excelente dia para ti!
    beijinhos

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  4. Fiquei um bocadinho traumatizada com este autor quando andei à procura dos "Pilares da terra"...depois de encontrar os dois volumes, já o via em todo o lado e com outros títulos;x

    Ainda não li nada dele ~xf

    Anotei mais um;))

    Beijinho :)

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  5. O que eu queria dizer, é que evito livros com 521 páginas, só sendo uma obra-prima.
    Do Ken Follett nunca li nada, embora ele seja muito apreciado aqui, portanto nada posso dizer sobre a sua obra, que talvez, até tenha grande qualidade literária.

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  6. Cá para mim vão cair numa ilha com problemas de magnetismo.. ;) Beijocas!

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  7. Francamente desconhecia de todo o autor e o livro mas parece-me uma leitura interessante. Se me cruzar com ele quem sabe não lhe dou uma oportunidade. Beijos

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  8. CATARINA, também já me disseram que esses "Pilares da Terra" (suponho que são dois volumes) é muito bom, se bem que fuja um bocado à sua temática habitual, tratando-se de um livro histórico. Mas pronto, agora só lendo mais uns quantos para ficar com uma ideia mais abalizada sobre o autor. Até simpatizo com a Oprah, mas vi muito poucos programas dela - parece-me ter um bocado tendência à lamechice... :))

    Abraço!

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  9. É, NINA, os livros não se medem à página: ou dão prazer ler, ou não! :D

    Neste caso deu! Mas seja fininho ou grosso, se ao fim das primeiras 30/40 páginas não me interessar (ou não perceber patavina, como já me aconteceu), ponho de lado... :))

    Beijocas!

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  10. É, parece que "Os Pilares da Terra" é o livro mais famoso dele, MARIA! Não será para já, mas assim que tiver oportunidade hei de dar uma espreitadela... :))

    Beijocas!

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  11. Isso de analisar grandes obras ou valores literários é sempre muito subjectivo, EMATEJOCA! Para mim o mais importante é ter prazer na leitura... :)

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  12. Por acaso o magnetismo não foi para aqui chamado, RAFEIRITO! :))

    Beijocas!

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  13. Achei empolgante, sim, PSIMENTO! Mas como é óbvio, trata-se de uma mera opinião... :D

    Beijocas!

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  14. Fiquei com vontade de voltar a ler Ken Follett.
    Este faz-me lembrar muito o "Voo final". E sei que ele tem outros sobre esta época, por isso deve ser o tal déjà vu, que referes. Mas depois o autor tem outros bem diferentes, como "Os Pilares da Terra" e "Mundo sem Fim". Este último tenho alguma curiosidade, pois a Susana Júlio disse-me que é um género de continuação dos Pilares... ;)
    Beijocas

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  15. Moyle - Como está na moda não leio.
    Teté - Mas isso é uma postura idiota.
    Moyle - Pois é. Por isso dá bem comigo!
    Teté - ...

    :D

    [entretanto comecei "a misteriosa chama da rainha Loana", do Umberto Eco]

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  16. Pois, esses "Pilares..." não me vão escapar, TONS DE AZUL! Também fiquei com vontade de ler mais livros dele... :D

    Beijocas!

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  17. A Teté nunca te diria que era uma postura idiota, MOYLITO. Até porque a Teté acha que cada um leve der o que mais lhe apetecer no momento e não andar aí conduzido por "modas"... :))

    Nunca mais li nada de Eco, depois do trauma que tive com o "Pêndulo..." Mas já estive com esse livro na mão, vai não vai. Não foi! =))

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)