quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CALOTEIROS... MAS SOBRANCEIROS!

Uma tarde por semana vem a empregada para dar uma ajuda aqui nas lides domésticas. Como é óbvio, ela tem outras casas onde trabalha a dias (e horas) combinados e também faz limpezas num escritório. 
Ora esse escritório vai cessar a sua actividade, devido à idade avançada do patrão, que após um problema de saúde foi internado num lar. Assim, os restantes sócios e presumíveis herdeiros do homem - já que pertencem todos à mesma família - decidiram despedir os funcionários da pequena empresa e manter apenas a advogada e outra empregada, para tratarem das papeladas inerentes à dissolução. E, claro, a funcionária da limpeza. Até aqui, nada de novo!
Acontece que os familiares não se entendem entre si e a Maria (chamemos-lhe assim) já vai para o terceiro mês sem receber o ordenado, nem produtos tem para a limpeza - aspirador, água e pano de pó e já está com sorte. Acontece também que a Maria não é propriamente de dizer amén a tudo e todos, posso até confirmar que tem um bocado de "pelo na venta"! Facto é que já lá trabalha há 16 anos, nunca teve problemas com o patrão, agora os ordenados em atraso estão a cheirar-lhe a esturro...
Segundo a própria, a dita advogada chamou-lhe a atenção para que tinha de ir lavar a escada do prédio, pelo que ela se queixou que já não existiam produtos de limpeza. A outra respondeu que isso não era preciso para nada (nota-se que percebe muito da poda!) e ainda rematou que no horário de expediente não era para atender telefonemas particulares. E a Maria, já danada da vida, assegurou que tivera de atender, pois tratava-se da cobrança de uma dívida que ainda não pagara e acrescentou: "Vocês aqui não me pagam e depois..."
- Vocês?!? Veja lá como fala! Os SENHORES! - indignou-se a jurista.
- Sim, sim, os senhores, os doutores, isso... - atrapalhou-se ela, mas, sem se calar, lá foi desfiando o rol do que lhe deviam de agosto, setembro e parte de outubro.
- Mas isso são só 200 e tal euros, há gente que está muito pior...
- Eu com os outros não tenho nada a ver, só sei que trabalhei para ganhar e o dinheiro faz-me falta.
- Descanse que lhe vão pagar! Agora tenha tento na língua, porque lhe podemos abrir um processo disciplinar... blá, blá, blá!
Enfim, tal como referi a mulher não é "pêra doce", mas mentirosa também não e quando chegou cá a casa só lhe faltou chorar. Infelizmente, tenho a sensação que o caso dela não será único. E "patrões" destes também não...

Imagem do Facebook. (que não tendo muito a ver, dá uma ideia!)

13 comentários:

  1. e era um processo bem aplicado!!
    como é que alguém tem o descaramento de estar a trabalhar sem receber?

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  2. Podem ser caloteiros, mas não descem do salto alto...;)

    "-Mas isso são só 200 e tal euros, há gente que está muito pior..." - diz a "Doutora"

    A Maria devia ter respondido: -é verdade Exma Sra. Doutora, a Exma Sra Doutora está pior que eu que não tem 200 e tal €uros para me pagar...~xf

    Claro que o caso da Maria não é único e o que não falta são patrões como a Exma Sra. Doutora, o que é inadmissível...quem trabalha tem o direito de ser pago. :n

    Beijinho :)

    *porque raio é que vamos chamar à sra. Maria???:[

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  3. Lamentavelmente estes patrões, doutores de meia tigela, estão mais preocupados com a sua ostentação do que cumprir com as suas obrigações. Que a Maria não se deixe levar por promessas de mau pagador e quanto a processos disciplinares :-w !...

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  4. Atrasei-me e já não tenho tempo para comentar. Voltarei esta tarde (noite para ti!)
    Abraço

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  5. A propósito da forma formal de tratamento que continua a ser tão importante aí, recordei-me como um senhor foi chamado à atenção.
    Há uns anos, visitei, em Portugal, uma amiga que não via há certo tempo. Tinha acabado de se formar em direito. Naquela tarde, um senhor, que eles conheciam há muito tempo, tanto como eu, bateu-lhes à porta para lhes vender qualquer coisa. Entrou e cumprimentou a minha amiga: Bom dia Dona X...
    O marido da D. X., muito apressado, volta-se para o senhor e diz-lhe: A partir de agora é Doutora X.
    Fim da estória! : )

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  6. Então como é que andam aí tantas bombas a circular? O dinheiro tem de vir de qualquer lado e como agora não entra, poupa-se na empregada, que já dá lucro...

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  7. É preciso descaramento mesmo, VÍCIO! :-o

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  8. Se calhar a palavra caloteiros deriva de calote + altaneiros, MARIA! ;)

    Óbvio que à mulher lhe apetecia dizer muito mais Exma. Senhora Doutora caloteira, mas cingiu-se àquilo que lhe interessava. Mesmo assim, a outra não gostou do tom... :P

    Beijocas!

    ps - Maria só porque antigamente todas as empregadas domésticas assim eram chamadas, mesmo que o seu nome não fosse esse. Mainada! :))

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  9. É isso mesmo, PAULOFSKI: não cumprem com as suas obrigações e ainda exigem deferência e subserviência! Cambada! :-w

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  10. Olha, CATARINA, essa exigência dos próprios a tratamento formal, pelos estudos que têm, só revela os saloios que são! :s

    Óbvio que se uma pessoa vai ao médico ou a tribunal, por exemplo, deverá tratar o médico ou o juiz ou o advogado por doutor, quando estão no exercício das suas funções. Mas cá fora fica meio ridículo, ainda mais e sobretudo em relação a pessoas que já conhecem de longa data. Não se chamam Marias, Manéis e Zés, nem são de carne e osso como os restantes? Mas tens razão, aqui esses salamaleques com os "títulos" ainda são muito frequentes... :h

    Abraço!

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  11. CARLOS BARBOSA DE OLIVEIRA o problema é esse: há para aí grandes vidões e carrões, para encher o olho, mas às custas de alguns desgraçados que ficam a "arder"... :P

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  12. eu como tenho alguns conhecimentos no mundo jurídico, posso confirmar a tua suspeita de não episodicidade do caso que conheces. mas quem fica sempre sem salários e direitos... exacto, os mesmos! a imagem justifica-se.

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  13. Suponho que nem são necessários conhecimentos de casos jurídicos, MOYLE! Sim, são sempre os mesmos a pagar as favas e o resto da despensa e frigorífico, para os outros se empanturrarem... :P

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)