Uma tarde por semana vem a empregada para dar uma ajuda aqui nas lides domésticas. Como é óbvio, ela tem outras casas onde trabalha a dias (e horas) combinados e também faz limpezas num escritório.
Ora esse escritório vai cessar a sua actividade, devido à idade avançada do patrão, que após um problema de saúde foi internado num lar. Assim, os restantes sócios e presumíveis herdeiros do homem - já que pertencem todos à mesma família - decidiram despedir os funcionários da pequena empresa e manter apenas a advogada e outra empregada, para tratarem das papeladas inerentes à dissolução. E, claro, a funcionária da limpeza. Até aqui, nada de novo!
Acontece que os familiares não se entendem entre si e a Maria (chamemos-lhe assim) já vai para o terceiro mês sem receber o ordenado, nem produtos tem para a limpeza - aspirador, água e pano de pó e já está com sorte. Acontece também que a Maria não é propriamente de dizer amén a tudo e todos, posso até confirmar que tem um bocado de "pelo na venta"! Facto é que já lá trabalha há 16 anos, nunca teve problemas com o patrão, agora os ordenados em atraso estão a cheirar-lhe a esturro...
Segundo a própria, a dita advogada chamou-lhe a atenção para que tinha de ir lavar a escada do prédio, pelo que ela se queixou que já não existiam produtos de limpeza. A outra respondeu que isso não era preciso para nada (nota-se que percebe muito da poda!) e ainda rematou que no horário de expediente não era para atender telefonemas particulares. E a Maria, já danada da vida, assegurou que tivera de atender, pois tratava-se da cobrança de uma dívida que ainda não pagara e acrescentou: "Vocês aqui não me pagam e depois..."
- Vocês?!? Veja lá como fala! Os SENHORES! - indignou-se a jurista.
- Sim, sim, os senhores, os doutores, isso... - atrapalhou-se ela, mas, sem se calar, lá foi desfiando o rol do que lhe deviam de agosto, setembro e parte de outubro.
- Mas isso são só 200 e tal euros, há gente que está muito pior...
- Eu com os outros não tenho nada a ver, só sei que trabalhei para ganhar e o dinheiro faz-me falta.
- Descanse que lhe vão pagar! Agora tenha tento na língua, porque lhe podemos abrir um processo disciplinar... blá, blá, blá!
Enfim, tal como referi a mulher não é "pêra doce", mas mentirosa também não e quando chegou cá a casa só lhe faltou chorar. Infelizmente, tenho a sensação que o caso dela não será único. E "patrões" destes também não...
Imagem do Facebook. (que não tendo muito a ver, dá uma ideia!)