quinta-feira, 22 de novembro de 2012

J' ♥ PARIS!

Nem sei porque é que me enfiei numa camioneta rumo a Paris - provavelmente porque a minha amiga Zezinha me convenceu - em Agosto de 1985. Estava no rescaldo do pior ano da minha vida, desalentada também porque a empresa onde fazia uns biscates ia encerrar portas, um estágio onde não aprendia rigorosamente nada e os amigos, quase todos casados ou em "vias de" a programar férias de casalinhos muitos felizes e contentes. Nada contra, obviamente, mas mesmo que me convidassem faltava o dinheiro e não me apetecia segurar velas...

Esse ano foi decretado como o internacional da juventude, até aos 25 anos, para azar meu já tinha 26! Com espírito aventureiro igual a zero, no dia em que Zezinha bateu à minha porta com o convite, que incluía alojamento na casa de uns amigos do irmão dela, declinei. Viagem, mesmo que baratucha, mais alimentação, pois, não estava ao alcance do meu bolso, não é que tivesse programa melhor! A minha mãe, que sempre adorou viajar, considerou que não devia perder a oportunidade e prontificou-se a subsidiar parte da estadia. E o meu avô também deu uma ajuda. E depois lá se conseguiu que mesmo com 26 anos tivesse o desconto dos jovens - o que incluía viajar numa camioneta só com malta nova (e a minha amiga), e não de emigrantes desconhecidos, previsivelmente carregados com garrafões de tinto e de chouriços cá da terra (na época eram assim "retratados", quando ocasionalmente apareciam nos noticiários!) - de 50%, que fazia uma grande diferença. Portanto... fui!

Um total de 11/12 dias em Paris - a camioneta consumiu 3 no conjunto da ida e da volta - com uma anfitriã fantástica, quem não gosta? O companheiro dela também era impecável, mas só aparecia de vez em quando, quando os seus dois empregos o permitiam. Saíamos de manhã e entrávamos à noite, em passeio por vários museus, Louvre incluído (mas um dia não deu para ver tudo), nos Champs Elysées, junto ao Sena (e nos bateaux mouche, que não podiam faltar!), no Quartier Latin, em Montmartre, na Igreja de Notre Dame e em todas as magníficas paisagens parisienses. Só não subimos à torre Eiffel - em agosto? a bicha não tinha fim à vista! - nem entrámos no Moulin Rouge ou afins. Mas visitámos alguns bares noturnos, um deles denominado "Chez Lapin", com música francesa ao som do acordeão, e pelo menos noutro da preferência dos nossos anfitriões, com música brasileira.  

Se não foram as férias da minha vida - que me ajudaram a arejar a cabeça de tantos problemas acumulados - foram certamente umas das melhores, que lembro com alguma nostalgia, ainda mais depois de ver e ouvir este vídeo clip:


Ingrata nunca fui, mas quando a minha amiga Zezinha me telefonou, alguns anos mais tarde, a dizer que o nosso anfitrião da época estava em Lisboa e tínhamos um jantar agendado, referi que já tinha outro compromisso e não podia comparecer, o que era verdade. Tão importante e relevante, que nem me lembro qual nem com quem! Por acaso ainda o vi, uns dias depois, mas se há coisa que me arrependo na vida, foi dessa desatenção. Porque há situações em que nunca podemos agradecer o suficiente! E a imaturidade já não é desculpa, nessas idades...

Imagem da net, que tirei muito poucas (e más) fotos em Paris, com uma máquina de disco, se é que alguém ainda se lembra delas! 

16 comentários:

  1. As memórias dessas idades são sempre fantásticas. E Paris... ah Paris!
    Beijocas.

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    1. Nem todas, TERESA! Mas a de Paris ficou... :)

      Beijocas!

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  2. Paris ! ... A cidade da luz, em todos os sentidos ! ... Quem poderá esquecer uma visita de alguns dias a Paris ?!... :))
    Paris tem "je ne sait quoi", de diferente de todas as cidades do mundo ! Qualquer coisa que nos marca para sempre !
    Conheço muito bem, porque para além de muitas idas em trabalho, tive e tenho ainda, familiares que visitava com alguma frequência.
    Quanto à música e à nostalgia que referes, eu confesso que sou um "chora mingas" e raramente consigo ver um vídeo até ao fim, da Françoise Hardy, da Juliet Greco, do Aznevour e tantos outros ! ...

    Beijoca (nostálgica) ! :))
    .

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    1. Foi a única vez que estive em Paris, RUI! Mas a cidade tem mesmo uma "magia" no ar, difícil de explicar... :)

      Nem sou muito de música francesa (exceto Edith Piaf e Joe Dassin, conheço pouca), mas desta gostei muito! Tanto que me "transportou" para essas recordações antigas... :D

      Beijocas!

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  3. As minhas primeiras impressões de Paris foram "mas será que nunca faz sol nesta %$&%# de cidade?!?". Felizmente já consegui passear por lá, quilómetros e quilómetros por dia, sempre a desmulbrar-me com a monumentalidade daquela cidade. Ah, e subi à Torre Eiffel, pelas escadas! Beijoca!

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    1. Devo ter tido sorte, RAUF, tenho impressão que só chuviscou um dia! Pelas escadas?!? Ah, herói! =))

      Beijocas!

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  4. quer dizer então que ha autocarros com vinho e chouriço e tu não tinhas dito nada?

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    1. Não sei se há, VÍCIO, na altura eram imagens que passavam na TV das camionetas de emigrantes! Mas cada um com o seu garrafão e chouriços, que não consta que fossem para partilhar na viagem... :)))

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  5. Paris é mágica para curar dores de alma. Claro que sou altamente suspeita, mas a minha cidade nunca me deixou ficar mal. Com sol ou com chuva. Adoro.
    Beijos

    PS: uma prenda de outono para ti: Les feuilles mortes, Yves Montand. http://www.youtube.com/watch?v=vbMDLfIjbNE&feature=related . Lembrei-me. Estou a ver folhas a cair lá fora e apeteceu-me ouvi-la depois de ler o teu post.

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    1. Não sei se é sempre mágica, SAFIRA, mas naquela altura resultou! E não és nada suspeita, tens todo o direito de defender a tua cidade... :)

      Beijocas e obrigada pela música! :D

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  6. Paris é uma das mais belas cidades da Europa e de vez em quando faço uma escapadinha para matar saudades.
    Quanto a não ter ido jantar com o seu anfitrião, não comento, mas há coisas de que mais tarde nos arrependemos e ficam a bailar na nossa consciência. Acontece a todos...

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    1. Como não conheço muitas cidades europeias (nem outras), não tenho termo de comparação, CARLOS! :)

      Neste caso, ficou mesmo a martelar-me na consciência! É curioso que nem ele nem a minha amiga se devem lembrar disso, tantos anos depois, mas ainda me recrimino a mim própria... Mas fazer o quê?!

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  7. Fui a França há três anos; nove dias foram passados em Paris. Fiquei maravilhada, verdadeiramente encantada com a cidade. Tantos quilómetros palmilhei naquelas avenidas, tantas fotografias tirei! Que saudades. Ainda gostaria de lá voltar.

    Compreendo o facto de ainda não te teres esquecido dessa desatenção (como lhe chamas). Acontece a toda a gente. E como dizes, provavelmente, nem se lembram ou nem foi dessa forma que interpretaram a tua ausência nesse jantar.

    Abraço

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    1. Está visto que tenho de lá voltar, para fazer a reportagem fotográfica, CATARINA! :)

      Pois, pode acontecer a toda a gente, mas com os rebates de consciência alheios posso eu bem, com os meus é que é pior! ;)

      Abraço

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  8. Amiguita
    Sabes bem o que Paris representa para mim.
    Paris é uma festa! Paris é loucura! Paris é descoberta! Paris é melancolia!
    Vivi lá, dos 18 aos 20 anos (sozinho e sem família alguma) e passei por todas as fases atrás citadas.
    Conheço bem estas pontes, pois debaixo delas dormi, nos dias mais cinzentos, tão cinzentos como Paris. Já lá fui, perto duma centena de vezes e agora mais vezes lá irei pois a minha filha foi viver para lá.

    E ainda hoje me questiono:
    - Que reste t'il de mes amours?
    Beijinho Teté

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    1. Sabia que tinhas vivido lá, KIM, e que amas Paris, que obviamente conhecerás muito melhor que eu... :)

      Não sabia é que tinhas uma filha, julgava que eram só rapazes. O que descobrimos por aqui... :D

      E claro, agora terás razões acrescidas para lá voltar!

      Quanto à pergunta... raramente se encontra a resposta, não é? ;)

      Beijocas!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)