terça-feira, 27 de novembro de 2012

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE?

O ano ainda não acabou e não há palavras para exprimir a indignação, perante a divulgação do mais recente relatório do Observatório de Mulheres Assassinadas, que podem ler na íntegra aqui.

O relatório é extenso, mas resumidamente revela o seguinte: 36 portuguesas perderam a vida até ao dia 21 de novembro de 2012, maioritariamente às mãos (ou armas) dos seus maridos, companheiros, namorados ou ex-qualquer-situação-análoga; outras 49 foram alvo de tentativas de homicídio; há registo de mais 3 homicídios e 1 tentativa, em relações homossexuais; e ainda há a assinalar outras 76 vítimas - 4 delas mortais - resultantes deste autêntico banho de sangue.

A violência doméstica, o ciúme, conflitos familiares e aquela ideia troglodita de que o "macho" é dono e senhor da sua mulher, estão na origem da maioria destes casos. Um total de 165 vítimas, sem contabilizar filhos ou netos que certamente assistiram a cenas que os vão traumatizar e marcar pela vida inteira?

"Até que a morte nos separe" significa um compromisso, mas apenas enquanto os restantes votos de amor, carinho, apoio e respeito se mantiverem recíprocos... 


Imagem da campanha da APAV, via facebook.

26 comentários:

  1. A campanha é meritória, mas de pouco serve, quando a moldura penal é tão branda. Ainda ontem li que se um dos elementos do casal matar o outro continua com direito a receber os seus bens. Beijoca.

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    1. A moldura penal não é branda, RAUF, simplesmente a legislação é incongruente. Tão incongruente como continuar a ser herdeiro dos bens de quem matou. Onde é que já se viu? :P

      Beijocas

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  2. O meu receio é que a actual crise económica desencadeie uma ainda maior crise social, "impeditiva" de novas separações ou queixas apresentadas por estas mulheres maltratadas, simplesmente por falta de autonomia financeira, tal como acontecia até aos anos 70 !
    O facto é, que, por mais que se fale no assunto, os números não param de aumentar ! :((

    Bjs
    .

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    1. Nas franjas poderá ter a ver um pouco com isso, RUI, mas facto é que os números mais elevados dos últimos anos foram em 2008, e a crise só foi despoletada no final dessa ano. Portanto, resta a conclusão que a mentalidade de alguns homens é que estagnou no tempo, para além da legislação não punir devidamente estes criminosos...

      Beijocas

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  3. Faço minhas as palavras do Rafeiro e do Rui.

    É revoltante e triste, e parece que quanto mais se fala e se ajuda, mais casos acontecem...

    Beijinho :)

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    1. É um facto que há maior visibilidade destes casos, MARIA, o que não quer dizer que anteriormente os números não fossem igualmente assustadores...

      Beijocas! :)

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  4. Teté
    Infelizmente, o homem nunca mais percebe que apenas é superior à mulher na força bruta.
    E também não ajuda nada, haver ainda mulheres que não denunciam tais crimes.
    Chegará o dia em que a união fará, efectivamente, a força..
    Beijinho minha querida amiga

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    1. Também acredito que esse dia chegará, KIM, parece é que ainda vem longe. O problema também é que estes brutamontes, mesmo apesar das queixas e tal não as deixam em paz. Nem as autoridades fazem grande coisa por isso, diga-se! E depois dá neste quadro criminal... :P

      Beijocas, Kim!

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  5. É tão dolorosa esta realidade que não consegui escrever nada sobre ela no dia da efeméride! Muito doloroso, mesmo. Mas a Justiça portuguesa ainda não se capacitou disso.

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    1. Os primeiros dados foram divulgados nesse dia, GRAÇA, mas só ontem estive a ler atentamente as 42 páginas do relatório. Mas considero que não se deve fazer "tábua rasa" destes assuntos, convém relembrar e denunciar, seja ou não dia de efemérides...

      A Justiça portuguesa sucks! :P

      Beijocas

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  6. Deve ser uma coisa horrível viver com medo na sua própria casa, junto de uma pessoa que em dia se acreditou seria a certa. Não imagino o que se possa fazer a não ser encorajar as vítimas a tentar disparar primeiro. É estúpido, mas é assim.

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    1. Pois, SAFIRA, para lá da desilusão, ainda o medo e a violência no dia a dia deve ser algo de aterrador... E algumas quando chegam a essa triste conclusão, matam mesmo primeiro. Quase todas as mulheres presas por homicídio, são por questões destas. Agora são prái meia dúzia de casos por ano, muito longe destes números... :P

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  7. Se tens um juiz do Supremo Tribunal a escrever, no caso de duas jovens violadas, que elas foram descuidadas porque tinham obrigação "de saber que estavam no feudo do macho lusitano", que podemos esperar?????

    Dorme bem.

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    1. Infelizmente, SÃO, há juízes que nunca deviam ter chegado à magistratura. E não será esse o único, que houve um aqui há uns tempos que decidiu que levar um estala não era violência física. Para esse reservava-lhe uma pena de levar um estalo por dia, que assim talvez mudasse de ideias...:P

      Bons sonhos para ti! :)

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  8. E quando ela se esconde em "famílias de bem"?:(

    bji

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    1. NINA, as pessoas têm ideia que estes casos só acontecem entre gente inculta e boçal, mas a verdade é que se sabe que há gente de todas as classes sociais a viver na pele situações destas. A diferença é que nesses casos a vergonha de denunciar é ainda superior...

      Ah, e sim, também há juízes, polícias e médicos que batem nas mulheres, portanto mesmo com denúncias nunca se sabe quem nos cai na rifa...

      (até consta por aí que um político muito na berra também afiambrava à grande na primeira mulher, mas isso não sei se é boato!)

      Beijocas!

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  9. É um drama terrível a que os governos não têm dado grande atenção mas deixe-me aqui contar uma coisa que fiquei ontem a saber e me arrepiou. De acordo com a Lei, se um cônjuge matar outro, continua a ter direito ao seu quinhão da herança. Será isto digno num país civilizado?

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    1. Nem grande nem pequena, CARLOS! Também li isso ontem num blogue e nem queria acreditar... Civilizado? Isto é mais da Idade das cavernas, isso sim... :P

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    2. Por favor, digam-me que se enganaram!!!!

      Abraços , Carlos e teté.

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    3. SÃO, é mais um mecanismo legal obsoleto, que nem sempre funciona. Lê aqui, se quiseres:
      http://direito-por-linhas-tortas.blogspot.pt/2012/11/indignidade-sucessoria.html

      Desculpa, mas não sei fazer link dentro dos comentários, mas se copiares e puseres no google vai lá ter... ;)

      Abraço

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  10. É uma realidade terrível, incompreensível. E transversal a todos os grupos sociais, embora haja alguns traços mais comuns (como o abuso do alcool).
    Também me disseram essa da herança. Será possível?
    Bjs

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    1. Não se entende mesmo, TERESA! Em pleno século XXI, resolver as diferenças do casal à bofetada? Quer dizer, só serve para as aumentar, que resolver não resolve nada. Apesar do álcool poder ser um "estimulante" para a agressividade, é óbvio que nem sempre é o caso. Há gente que só por si é violenta, qualquer que seja o seu grupo social!

      Lê o link que deixei à São, que suponho será mais ou menos por aí!

      Beijocas!

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  11. Uma imagem infeliz, na minha opinião!
    O sistema judicial tem que ser alterado de forma a punir os que praticam a violência seja ela qual for. A justiça não os/as amedronta.

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    1. Hesitei em pôr a imagem, CATARINA, porque obviamente não gosto dela. Mas no fundo expressa bem o que a APAV pretende transmitir - uma imagem crua de uma realidade que perdura até hoje e não tão esporádica ou ocasionalmente, como os números bem demonstram.

      Claro que o sistema judicial tem de ser ajustado em relação à prática destes crimes. Por acaso e a meu ver, não só nestes casos!

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  12. Quando pediu o divórcio, a minha mãe foi falar com o Padre. Não para pedir autorização, mas para saber qual era a "opinião" da Igreja e dele acerca da condição dela... E o que ele disse foi mais ou menos o que tu escreveste: os votos de casamento compreendem uma série de circunstâncias de amor, de protecção, de paz. E quando um elemento do casal não o respeita é dever do outro quebrar a união e defender-se a si e à sua integridade.Já para nem falar quando há filhos envolvidos...

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    1. Sem dúvida, BRISEIS! Felizmente que ainda há muitos padres com bom senso, se bem que a instituição Igreja, genericamente falando, seja bem mais retrógrada...

      Para as crianças, quer sejam elas também vítimas de violência física ou não, deve ser traumatizante assistir a cenas dessas com pais, tios ou avós, ainda mais se viverem na mesma casa...

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)