segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ACRESCENTA-ME UM PONTO...


O desafio partiu da Briseis e a história já vai longa, escrita a vários teclados, como bem se nota.  As regras são as seguintes:

1 - O texto, constituído por vinte parágrafos, terá início no blogue "O Sabor da Palavra" (http://osabordapalavra.blogspot.com), segundo o seu autor Gonçalo Cardoso.

2 - Cada bloguista terá direito a um parágrafo do texto com o máximo de cinco linhas. Não é taxativo, tanto pode ser mais ou menos, mas sem exageros.

3 - Após a realização do parágrafo respectivo, cada bloguista terá que seleccionar outro bloguista que cumpra a continuidade do texto, segundo as regras mencionadas.

4 - Cada bloguista terá o limite máximo de três dias para realização do parágrafo, estando sujeito a desclassificação da rubrica e seleccção de novo bloguista por parte do seu autor.

5 - Cada bloguista assinará o seu nome e respectivo blogue na lista dos participantes.

6 - O último participante ou autor do vigésimo parágrafo, finalizará o texto e partilhará com o autor do blogue "O Sabor da Palavra" para a sua divulgação no blogue inicial.

7 - Sejam criativos.

Lista de Participantes:
 1 - Gonçalo Cardoso (O Sabor da Palavra)
 2 - Buxexinhas (Pedacinhos de mim...)
 3 - Karochinha (O Meu Eu)
 4 - A Minha Essência (Roupa Prática)
 5 - Olívia Palito (Olívia Palito no País das Maravilhas)
 6 - L'Enfant Terrible (L'Enfant Terrible Lx)
 7 - Utena (Os meus idealismos)
 8 - Alexandra Martinho (Ouso Escrever)
 9 - AC ( nadadecoisanenhuma)
10 - Poppy (Apontamentos de Luz)
11 - Briseis (do meu pedestal)
12 - Teté (Quiproquó)
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E começa assim:

"Já tinha dobrado as duas da manhã. Estava a sair da emissão de rádio, incomodado com um ouvinte que alegava a minha falta de isenção jornalística. Segundo ele, apenas dava voz aos ouvintes do sexo feminino e os temas escolhidos revelavam uma tremenda homofobia. Estapafúrdio, dizia para mim! Mas para o exterior resolvi o problema com a introdução de uma música de intervenção social. E assim fechei o programa. Peguei na mala, desci as escadas em direcção ao parque subterrâneo e ao chegar junto do carro encontrei um segredo envenenado..."

“No seu vestido vermelho delineado na pele, ela olhava-me intensamente recostada no capô do meu carro, como um lince que espera a sua presa. Por momentos o meu coração parou de bater. ‘Voltou…’, pensei angustiantemente. Fantasmas do passado e segredos escondidos no recanto mais negro do meu ser… Renascidos da minha cinza. Em passos lentos, dirigi-me a ela. As palavras silenciosas do seu olhar disseram-me para onde ela me levaria. Entrámos no carro seguindo para o local temido…”

"...por ambos.
Aquela falésia onde, alguns anos antes, a tragédia se abatera sobre as suas vidas alterou os seus futuros para sempre. E todos os anos, no mesmo dia, encontravam-se antes do amanhecer, naquela pedaço de rocha que se erguia sobre o mar, numa esperança vã de expiarem os seus pecados mais profundos. Chegados ao local, saíram do carro e mais uma vez, as suas mãos encontraram-se e uniram-se, os seus corpos aproximaram-se e ela disse-lhe:"

"... Com a voz tremida, sussurrada, gélida, com a postura hirta e consciente do momento, Amanda começa a debitar desenfreadamente como tudo aconteceu, naquela fatídica noite...
... "Não tive culpa! Não tive! Acredita em mim, por favor! Foi um acidente. Foi ele que escorregou da falésia, ele!" - Sedutora mas ao mesmo tempo frágil, ela sabia exactamente como emaranhar um homem na sua teia. Sabia exactamente a palavra certa a ser usada, o gesto proveniente, o olhar mais assertivo para a ocasião. Manhosa, laça-o num envolvente abraço onde o choro compulsivo é o senhor do momento. Entre soluços mas, com uma voz doce, repete incessantemente, "não fui eu! Não fui eu!" - Com o rosto apoiado no peito de Edmundo, via-se claramente o sorriso dissimulado que fazia. Ele, estava completamente rendido à fragilidade dela mas, ao contrário do que ela pensava, que o tinha nas suas mãos, Edmundo, também tinha algo a dizer..." 

 "...  acerca daquela fatídica noite.  Edmundo fixou o olhar na falésia e ficou em silêncio por alguns segundos, enquanto os braços de Amanda o envolviam. De repente,  ficou tudo absolutamente claro na cabeça de Edmundo, as peças do puzzle mental começavam a encaixar-se na perfeição. Lembrou-se da conversa off record que tivera com o inspector da polícia acerca do relatório da autópsia de Fred. Segundo o mesmo relatório, Fred havia ingerido uma dose substancial de whisky, confirmando assim o álibi de Amanda, de que Fred se desequilibrara e caíra daquela falésia. Porém, fez-se luz e um pormenor fulcral escapara a ambos: ao inspector da polícia e a Amanda, mas não a Edmundo..."

"...isto porque Fred não bebia whisky, sofria de doença celíaca, de modo que tudo o que contivesse glúten, o que incluía bebidas feitas de malte, não lhe passavam pela garganta. Por outro lado a revelação Fred fizera a Edmundo um dia antes da tragédia era de todo desconcertante, tanto mais que de dizia respeito aos três, sendo que conteúdo da mesma tivera desde então um profundo impacto em Edmundo, ao ponto de o mesmo perder parte da sua imparcialidade jornalística. Ainda assim, envolto no choro soluçado de Amanda, Edmundo era incapaz de proferir uma palavra, de partilhar com ela o que pensava porque havia mais um elemento em jogo, uma dúvida perene que o levava a sentir-se tal como o mar revolto e sem definição que vislumbrava no horizonte..."  

“Não querendo mas ao mesmo tempo sem conseguir parar a maré das lembranças chegou-lhe à memória aquela noite que hoje lhe dava o conhecimento do facto de Fred não beber whisky. Fred confessou-lhe num ousado momento de coragem que se sentia atraído por Edmundo e que isso o deixava sem saber como agir pois nunca tinha sentido isso por homem nenhum já que sempre fora um mulherengo por natureza!
A convivência dos dois, muito por culpa de Amanda, o lamber das feridas causadas por esta mulher de escrúpulos nulos tinha feito com que os sentimentos florescessem em dois homens que mesmo nada indicando que assim fosse os levou a sentir o que para ambos deveria ser tabu.
Edmundo voltou a realidade com um soluço mais audível de Amanda e quando à olhava no profundo dos seus olhos verdes deu-se conta…”

"...deu-se conta do quanto aquela mulher já havia sofrido. Fred horas antes de falecer havia contado a Edmundo que Amanda aos 20 anos se havia submetido a uma cirurgia de retribuição sexual. Sim, Amanda fora um menino em outros tempos, mas hoje era aquilo a que Fred e Edmundo chamavam de tentação. Edmundo olhava-a e um misto de sentimentos lhe assolavam a mente, perdera alguém que lhe era muito próximo, um amigo, mas também, um silencioso admirador. E ali, diante de seus olhos estava a mulher indefesa e esbelta que soluçava e por quem ele era estupidamente apaixonado, mas que carregava tão pesado segredo. Segredo esse que toda a sociedade condenava e condena. Edmundo perturbado necessita voltar, ir ao encontro do seu pedaço de chão para meditar e montar todo aquele puzzle confuso. Suplicou-lhe - "Amanda, necessito ir, vamos?". Amanda para ele olhou, com olhar fugaz, e disse..."

"...És um homem cruel senão me aceitas como sou. E se assim for sem dúvida que não me mereces.Sou especial, sou única e estou disponível para te amar, com tudo o que tenho para te oferecer, mas jamais partilharia a minha vida ou o meu corpo, com quem olhasse para mim com desprezo ou nojo. Sendo assim cuida-te, olha para ti, observa-te com atenção e vais reparar em todos os teus defeitos... por agora vou apenas embrulhar-me no teu casaco sentir o teu cheiro e o teu calor que são presença nele e esperar que tu abras os olhos e possas ver para além do físico, do estereotipo e do preconceito a mulher que hoje eu sou...estou aqui, estarei sempre aqui para ti... de braços abertos...anda, decide-te não tenho o tempo todo..."

"... Mas na cabeça de Edmundo cada vez mais as dúvidas e as desconfianças se instalaram. Havia demasiadas incongruências em torno daquela noite e um relatório conivente com o que Amanda lhe dizia mas contrário ao que conhecia de Fred, este jamais poderia ter bebido Whisky naquela noite. Não estavam em causa os desejos que nutria por aquela mulher, não se colocava em questão as mudanças de sexo, o que lhe assolapava as ideias era tão somente o que teria sido capaz de fazer aquela mulher de escrúpulos nulos, de vermelho vestida se soubesse do que acontecera entre eles, não foi capaz de lhe dizer mais nada. Levou-a a casa e naquele momento só uma coisa lhe ocorria, tinha de estar com o inspector responsável pela investigação..."

"O encontro perturbador, aliado ao adiantado da hora, tinha um efeito nefasto sobre a sua lucidez. Conduzia como um autómato, a cabeça longe, muito longe da estrada por onde os olhos passavam. Era de noite, ainda. Para não enlouquecer durante as longas horas que antecediam a manhã e a sua oportunidade de falar com o inspector, foi para casa, tomou um banho tão quente quanto conseguiu tolerar e, ainda com o cabelo a pingar água e a pele a fumegar vapor, sentou-se a escrever a sua versão dos factos, a sua memória dos acontecimentos, caso algo lhe acontecesse... Escreveu tudo, longamente, e concluiu com a revelação do facto mais bem guardado:"

"Fred confessara-lhe o ciúme que sentia de Amanda! Sem nunca lhe ter revelado, adivinhara a paixão e o desejo que transpareciam nos seus olhos quando ela aparecia em cena, naquele misto de sedução e de fragilidade que tanto o cativavam. Parou de escrever. E se...? Não, não era possível, que o amigo chegasse tão longe... Ele andava perturbado - os credores avolumavam-se à sua porta! - mas suicidar-se?!? Deixando no ar a suspeita de Amanda ser a culpada pela sua morte?!? Mas porquê aquelas revelações súbitas e inesperadas, poucas horas antes daquela fatídica noite? Era um plano macabro demais para ser verdade..."

A próxima vítima (oops!)... participante neste longo desafio, será a Tons de Azul. Se ela aceitar, evidentemente!

Adenda a 2 de Outubro de 2012: A Tons de Azul avisou-me que aceitaria de bom grado, mas que de momento se encontra ausente e não terá disponibilidade para seguir o desafio. Daí ter pedido ao Vitor Fernandes se não se importava de o seguir, o que ele gentilmente aceitou. Obrigada, Vitor

Imagem da net.

26 comentários:

  1. Obrigada por teres aceitado o desafio...! E que bela contribuição deste, aumentando o suspense mas sem revelar nada, para deixar a "batata quente" nas mãos do próximo... a história aproxima-se do fim... Espero não me perder entretanto...lol

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    1. De nada, BRISEIS, até acho piada a estas coisas, se bem que a história já vá um pouco longa e "enrolada"... :)

      Como por acaso a Tons de Azul não se encontra disponível, já passei ao Vitor Fernandes que o aceitou! Não perdes nada, que já falta relativamente pouco para o final... :)))

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  2. É interessante para quem gosta deste tipo de desafios! :-))
    Que o final seja feliz!

    Abraço

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    1. Esperemos que sim, ROSA, que também gosto de finais felizes! :)))

      Abraço

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  3. É mesmo um desafio interessante, Tété. É muito interessante entrelaçarem-se vários tipos de escrita.

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    1. É interessante, sim, VIC, se bem que o resultado por vezes não seja brilhante... Vamos ver! :)))

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  4. 5 linhas, não era?
    há ali pessoas que, ou têm uma caligrafia muito pequena ou andam a usar folhas A3 para escrever...

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    1. É capaz de ter sido isso, VÍCIO! :)))

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  5. Em tempos criei um blogue de contos conjuntos.
    A Maria era cliente assídua. No início éramos vários, aliás.
    Depois, quando percebi que havia poucos resistentes, eliminei-o.:)

    Está a ficar giro o texto.
    beijocas

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    1. Pois, isso de escrever contos e seguimentos todos os dias, ao fim de uma tempo é capaz de se tornar cansativo, NINA! Mas assim uma vez de vez em quando, tem piada... ;)))

      Isto digo eu, que não gosto muito de rotinas, nem de escrita nem das outras, já basta as que temos de aguentar! :D

      Obrigada e beijocas!

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  6. Por falar em Maria, onde andará aquela miúda?:)

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    1. A Maria é capaz de já ter chegado e ainda estar com aquela preguicite blogosférica pós férias, que nos assola a todos... :)))

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  7. Este género de desafios faz-me lembrar um dos mais giros em que participei na blogosfera, com um intuito semelhante, dar largas à imaginação. Beijoca!

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    1. Pois olha, dos que mais gostei, foi aquele das 500 palavras de non sense, em que ri a bandeiras despregadas com o teu texto, RAUF... :)))

      Beijocas!

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  8. No início da blogosfera participei num desafio parecido, mas hoje em dia não teria pedalada :-)))

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    1. Pedalada já tem o CARLOS muita, para escrever tantos posts por dia. Para isso, não tinha eu... :)))

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  9. Há 4 anos participei de um desafio assim. E o resultado foi muito interessante.
    Um abraço

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    1. Vamos ver qual será o resultado deste, ELVIRA! :)))

      Um abraço

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  10. Eu já escrevi a minha parte mas estou à espera de resposta do continuista para publicar.

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  11. Xi, que rápido, VITOR! :)))

    Mas estás à vontade para esperar pelo continuista... :D

    Beijocas!

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  12. Pronto Teté, já está publicado aqui:

    http://predatado.blogspot.pt/

    Beijocas

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    1. Já li, VITOR, e como não podia deixar de ser, gostei! Ou não fosses tu um grande prosador... :)))

      Mais uma vez obrigada e beijocas!

      ps - então vou pôr o link certo! :)

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  13. Mas o texto vai mesmo interessante, o que estará nas próximas linhas? Deixa-me espreitar :)

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  14. Como te disse, POPPY, já tem mais 3 seguimentos... :)

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  15. O conto não vai longo. Ainda nem um capítulo daria. E assim há possibilidade de dsenvolver melhor a história. Beijinhos :)

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    1. Bem-vindo, GONÇALO!

      Gostei da iniciativa, da qual gostaria de saber o seguimento, o que consegui saber até certa altura, até ao momento em que alguém se esqueceu de linkar o seguidor. A partir daí, perdi-lhe o rasto... :)

      Claro que para livro ainda estaria curto, mas para conto blogosférico já ia um pouco longo...

      Beijinhos!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)