terça-feira, 16 de outubro de 2012

LONDRES

"Uma família parte em viagem à procura de uma saída. Uma cidade: Londres. Uma cidade conhecida que se tornou estranha e fria, aos olhos de quem empurra a porta a medo e entra. Uma mulher escreveu sobre essa viagem, sobre o pai e a mãe, sobre si própria, escreveu para entender, para dar sentido ao que se passou nas suas vidas." - a sinopse da peça em exibição na sala vermelha do Teatro Aberto resume-se a isto.

João Lourenço encenou e Carla Maciel é a única atriz em palco. Um palco tão próximo do público, sem cortinas a abrir ou fechar, que por vezes parece estar a olhar-nos nos olhos, como se fossemos um grupo de amigos na sua sala, a quem tentasse explicar as suas razões. Em monólogo triste e dramático, com alguns laivos de humor, mas sobretudo incendiado por emoções sucessivas e controversas. O medo, aquele imenso medo da natureza humana de ter errado e de continuar a errar, com a vaga noção que podíamos ter feito muito melhor, insinua-se a cada passo, quando suspeitamos que a morte de alguém que amamos se aproxima...

Se aqui há alguns anos me dissessem que iria assistir a esta peça/monólogo, comover-me e gostar, não acreditaria! A "catarse da escrita" de Cláudia Clemente - suponho que autobiográfica - resulta da "tentativa de racionalizar o que não é racionalizável". Mas é tão humana e reveladora de sentimentos que por vezes nem nos atrevemos a confessar, que é impossível não nos sentirmos tocados pelo seu belíssimo texto. Texto esse que, por sinal, valeu à autora o Grande Prémio do Teatro Português SPAutores/Teatro Aberto, em 2011.

Ah e tal que isso é peça lamechas para o mulherio? Não é, não! É verdade que os mais cépticos em relação à peça eram os homens (éramos dois casais, nada de confusões, que não andei a fazer inquérito à entrada!), mas no final também ficaram (bem) impressionados! 

Imagem da net.

15 comentários:

  1. Muitas peças/monólogo nos têm passado ao lado. Gosto daquela proximidade com a acção, até porque isso acontece quase sempre em salas muito pequenas, o que quase nos envolve na peça.
    Beijinho Teté

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    1. É, KIM, parece que a conversa é connosco... :)

      Beijocas!

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  2. ficaram impressionados?
    a Carla Maciel é assim tão jeitosa? :e

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    1. Com o texto, VÍCIO, quanto à atriz terás de lhes perguntar... :)))

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  3. Durante muitos anos fugia do teatro como o contribuinte do OE, mas têm sido peças como esta que me fazem mudar de opinião. Beijoca!

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    1. Somos dois, RAUF! Mas facto é que as últimas que tenho visto têm valido a pena... :)

      Beijocas!

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  4. Tenho andado mais cinéfila!
    Quero ver se vou ao teatro brevemente!
    Talvez ainda apanhe esta peça!

    Abraço

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    1. Sempre fui mais cinéfila também, ROSA!

      Segundo creio esta estará em cartaz até ao fim do mês! Mas, pelo tema, dá para perceber que é uma peça séria e "pesada", emocionalmente... ;)

      Abraço

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  5. Infelizmente não vou ao teatro desde 1996.
    Um abraço

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    1. Depois de um longo interregno sem pôr os pés no teatro, nos últimos dois/três anos tenho assistido a algumas e não me tenho arrependido, ELVIRA :)

      Uma abraço

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  6. A inquietação fica sempre, sempre fica algo por dizer!

    O Nobel da Paz à União Europeia, Teté, foi a título preventivo, acho eu.

    Serena noite.

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    1. Pois fica, SÃO! E provavelmente não é quando a pessoa está doente e fragilizada que é o melhor momento para as dizer...

      Concordo que a ideia do Nobel da Paz possa ter sido essa, mas duvido que se a coisa der ainda mais para o torto, os dirigentes europeus se preocupem com isso. Enfim, esperemos que não!

      Uma serena noite para ti também!

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  7. Gosto muito de teatro, mas dificilmente um monólogo me empolga.Por isso, raras vezes tenho visto peças dessas. De qualquer modo, fica o registo.

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    1. Entendo perfeitamente, CARLOS, mas facto é que podem existir surpresas... :)

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  8. Uma peça que gostaria de ver. Vamos lá ver se consigo ter a oportunidade de a ver antes de sair de cena. ;)

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)