sexta-feira, 25 de maio de 2012

IMARCESCÍVEL PRIMAVERA...

Nunca se sentiram "perseguidos" por uma palavra invulgar, que tilinta em certos neurónios, recordando um livro que se leu e o seu autor, quem o emprestou ou todas as (poucas) vezes em que a  viram escrita? Para lá de outras associações de ideias, como esta do parte-placas. (já adivinharam onde, não?)

Temo que imarcescível não seja nada original, para quem tem estas "pancadas", que no meu caso não será a única. Mário-Henrique Leiria escreveu, em nota introdutória ao conto d' "O Bode Imarcescível":

"É o que lhes digo.
Com esta idade e nunca o usei.
Há cerca de trinta anos apareceu-me uma oportunidade de o fazer, mas senti certas dúvidas e tive receio.
No entanto, ultimamente tenho-o lido com bastante frequência nos discursos que quotidianamente vejo nos jornais.
Já não sou criança e não quero deixar este mundo sem o usar pelo menos uma vez.  É um vocábulo realmente impraticável, verão, mas mesmo assim vou usá-lo. Imarcescível. Aí está! espantoso, não acham? Imarcescível. Alucinante! Por isso lhes conto"
 
Contudo, o significado de imarcescível pode variar consoante o contexto onde se insere. Assim e para mim a primavera é imarcescível, quer chova ou o sol nos ilumine, mesmo que pequenas flores murchem nas calçadas: de algum modo, quase impercetível, elas reflorescem com as sementes que lançaram à terra...

Outra associação a estes "Contos do Gin-Tonic" foi o fantástico quarto round que efectuei numa noite da Feira do Livro deste ano, na chamada hora H ou "happy hour", em que, ao fim de tantos anos, os comprei (este e os "Novos Contos do Gin"!) por um preço muito acessível! Na excelente companhia de uma amiga tão amante de livros quanto eu, debaixo de uma lua de verão, como se estivéssemos a viver uma meia-noite em Paris, ao sabor desta música:



FELIZ FIM DE SEMANA PARA TODOS!

30 comentários:

  1. pra mim pode ser uma dose dessa coisa, mas sem cebola!
    apesar de não ser o caso, acho graça a pessoas que preferem mostrar que têm cultura com esse tipo de palavras em vez de tentarem fazer-se entender...

    BFS

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  2. Não consigo Ler Mário-Henrique Leiria (de quem tenho os dois livros que citaste) sem ter presente Mário Viegas. Nunca vi/ouvi dizer tão bem M-H L como o vi fazer ao Mário Viegas. É provável que no tubo existam algumas gravações.

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  3. Nunca li MHL,tenho que me actualizar.

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  4. O que não me consigo perdoar, é que conhecendo muito bem os contos de MHL, não ter reconhecido aquele conto dele.
    Já leste o da nêspera? :)

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  5. Aprendi uma palavra nova que dificilmente vou usar :)
    Isso e o nome de um escritor que tem umas piadas giras.

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  6. eu comprei logo os dois por via das dúvidas e o segundo li há bem pouquinho tempo. Muito bom e uma maneira de escrever muito pouco portuguesa, que se saúda naturalmente :)

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  7. Merci!
    Je ne connassais pas ce mot!
    Vou tentar usá-lo de forma contextualizada! :-))

    Abraço

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  8. Que tu ponhas brejeirices do FB para me xocar no teu post de há dias ainda vá que não vá, agora palavrões no título, Teté? Tou xocada ao quadrado :p

    Já me aconteceu estar deitada a ler um livro e ter que me levantar para assinalar uma ou outra palavra que não sei o significado...quando vejo o que significa acho que o autor podia ter usado uma palavra mais comum, mas depois mais a frio penso que se há tanta palavra com o mesmo significado porque não usá-las? Assim aprendemos mais umas, aposto que nunca mais vou esquecer esta...

    Gostava de ser imarcescível ehehe

    E agora fiquei com vontade de ler estes contos, e ando há dias para ver este filme...

    Beijinho e bom fim de semana :)

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  9. Os meus Contos do Gin Tónico são velhinhos e estão muito gastos, porque de quando em vez lá vou relendo.
    Para além da sua escrita e do seu humor, admirava a sua notável capacidade de síntese.
    Bom fds

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  10. Como deves calcular, VÌCIO, é a primeira vez que uso a palavra (se descontar o post anterior, com o título do conto), que não ando prái a debitar palavrório "caro" para parecer muito culta... =))

    Mas existem uma meia dúzia delas que associo a certos "recuerdos" e situações, de ficar tudo a olhar para o lado e a assobiar, nitidamente naquela "do que é que isto quer dizer?"... :D

    BC!

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  11. Boa ideia, VITOR! Vou espreitar lá, a ver se encontro... :))

    Mário Viegas só podia achar graça! :D

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  12. Até encontras alguns contos na net, RAINHA, se quiseres espreitar... :))

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  13. Curioso é que eu sabia que conhecias, VIC, que já uma vez o tinhas referido... :))

    Ainda não reli os contos, mas é essa a intenção... :D

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  14. Pelo que te conheço, W, é leitura para ti... :))

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  15. Como digo, li emprestado, só agora comprei, MOYLITO. A 5 euros e picos cada... :))

    A do bode ficou-me sempre na cachimónia, até por causa da palavra... :D

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  16. Não é muito fácil de usar, ROSA, mas até ler o conto também não conhecia a palavra... :))

    Abraço!

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  17. Ui, MARIA, não era minha intenção xocar-te com um palavrão destes. Será que me perdoas?!? =))

    Recuso-me a levantar-me quando estou a ler para ir ao dicionário, a não ser que perca completamente o sentido das frases. Aborrece-me qué que queres? Se o dicionário ou o PC está à mão ainda vá, quando não... népias! Quando muito, bisbilhoto mais tarde! :D

    Beijocas!

    ps - bom filme, com boa música... :)

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  18. Também achei um piadão quando os li, CARLOS BARBOSA DE OLIVEIRA, na altura não foi possível encontrá-los à venda. E em 2007, soube que tinham sido reeditados, mas por uma razão ou outra, só agora os comprei. Para reler e saborear... :)

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  19. Léxico e vasto português... não conhecia a palavra. Por certo, o que é banal para uns, pode ser raro para outros.
    Bom fim de semana!!

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  20. Bom fim de semana!
    Olha... aprendi uma palavra nova! : )

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  21. Teté: Desculpa alongar-me
    A propósito do 1º comentário(do Vício). Postei em tempos :

    http://coisas-da-fonte.blogspot.pt/2010/03/jorge-de-sena.html

    Sobre Jorge de Sena. Fiquei a detestá-lo e à sua poesia.
    Ele escreveu entre muitas outras coisas, ‘Quatro Sonetos a Afrodite Anadiómena’, dos quais o 1º (só como ex.) :

    "I - PANDEMOS"

    Dentífona apriuna a veste iguana
    de que se escalca auroma e tentavela.
    Como superta e buritânea amela
    se palquitonará transcêndia inana!

    Que vúlcios defuratos, que inumana
    sussúrica donstália penicela
    às trícotas relesta demiquela,
    fissivirão boíneos, ó primana!

    Dentívolos palpículos, baissai!
    Lingâmicos dolins, refucarai!
    Por manivornas contumai a veste!

    E, quando prolifarem as sangrárias,
    lambidonai tutílicos anárias,
    tão placitantos como o pedipeste.

    …mas há mais !!! …
    Os seus textos poéticos:

    "A Portugal" e "No país dos sacanas" são do pior que se possa imaginar de insultuoso a Portugal e aos portugueses!
    "A Diferença Que Há" (entre os estudiosos e os poetas) torna-se ridícula e revoltante pela arrogância "do ser" poeta!
    No último verso, reconhece, mas confessa: "O mal está em haver poetas que abusam do analfabetismo".
    .

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  22. Que raio de vocábulo!:)
    Prefiro coisas mais simples. Já o autor, como disse atrás, não conheço.:)

    bji

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  23. Então para o próximo ano tenho de esperar pela happy hour.
    Tudo vale a pena quando a HAPPY não é pequena.
    Beijinho Teté

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  24. E quem é que conhecia, até ler Mário-Henrique Leiria, LUMA? Atrevo-me a dizer que muito pouca gente de língua lusófona, em qualquer canto do mundo... :))

    Beijocas!

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  25. E aprender não faz mal nenhum, CATARINA! :D

    Abraço!

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  26. Caro RUI, como sabes poesia não faz muito a minha onda, muito menos a que não entendo, como essa que dás de exemplo.

    A brincadeira de Mário-Henrique Leiria neste conto de "O Bode Imarcescível" é apenas com uma palavra, tudo o resto se entende lindamente. Como os outros contos.

    Dei Jorge de Sena no liceu e também detestava, ficava a zeros. Muitos anos mais tarde reli um desses "poemas" dele e até achei piada, cheguei a pôr um aqui (o que é raro). Mas igualmente não aprecio esse género de insultos, nem ao país, nem aos leitores... ;)

    Injusta é a comparação entre um e outro! :)

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  27. Tens razão, NINA! Mas o conto tem um piadão... :))

    O facto de o escritor ser surrealista, não significa que não seja simples. Por vezes, até é mais sintético... :D

    Beijocas!

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  28. É isso aí, KIM, na "happy hour" os livrinhos com mais de ano e meio de publicação estão a metade do preço (nos stands que aderem), de 2ª a 5ª, das 22 às 23 horas. Quer dizer, espero que pró ano a iniciativa se prolongue... :))

    Beijocas!

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  29. Confesso que também não conhecia a palavra. Aliás é assustador o número de palavras que não conheço... :)

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  30. Oh, são tantas que nem as podemos contar, LUISA! :))

    Mas algumas ficam-nos assim, no "toutiço"... :)

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)