sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

RING A BELL?

Quem é que estranha se um homem chega a uma estação de metro, abre uma pequena caixa que deixa no chão, enquanto retira de lá um violino e começa a tocar? O caso não é recente, ocorreu na fria manhã de 12 de janeiro de 2007, sexta-feira, pouco antes das 8 da manhã na estação L'Enfant Plaza, em Washington DC. O homem tocou  6 temas clássicos - Bach e Schubert, entre outros - durante 43 minutos. Dos 1097 utentes do metro que por ali passaram, apenas 7 pararam para o ouvir por mais de um minuto, havendo outros que, mesmo apressados, lhe atiraram umas moedas para a caixa do violino. No final, angariou 32 dólares e 17 cêntimos.

Esta história tem a curiosidade do homem ser este:

Sabem quem é? Calma, que não é para adivinhar! Imagino que não - eu própria não sabia (mas reconheço que os meus conhecimentos musicais são muito parcos...)! Trata-se de Joshua Bell, um dos violinistas mais famosos do mundo, que acedeu à proposta que lhe foi feita pelo "The Washington Post" para participar num artigo que visava perceber se, num ambiente e momento inesperado, as pessoas reconheciam o encanto da música clássica tocada por um dos seus expoentes máximos. Ficou comprovado que não, mas que há exceções!

O artigo é muito longo, mas relata o seguinte, resumidamente: o jornal contactou cerca de 40 pessoas que passaram na estação nesse dia e hora, nomeadamente as que escutaram a música e algumas das restantes. Entre estas, um ia de headphones nos ouvidos com música do seu Ipod, não ouviu nem viu o músico, outros agarrados ao telemóvel, uma mãe apressada para levar o filho pequeno à escola - ele, sim, interessado na música! - arrastou-o o melhor que conseguiu, embora o miúdo persistisse em olhar para trás. Das sete pessoas que permaneceram mais de um minuto a ouvir o músico, só uma o reconheceu, pois tinha-o visto recentemente (num concerto que deu gratuitamente) e outro estudara violino, pelo que percebeu imediatamente que não era um mendigo "vulgar"...

Acrescente-se ainda que o violino de Joshua é um Stradivarius, com um valor estimado em 3,5 milhões de dólares e que, para obter um lugar nos seus concertos, há que pagar uma média de 100 dólares. Que gentinha distraída, hein?!

Fica o "compactado" vídeo da experiência:


Tenham um...
EXCELENTE FIM DE SEMANA!
(de preferência, sem nada vos passar "ao lado"...)

Imagens da net.

23 comentários:

  1. Lembro-me de na altura ler sobre isto e até ser discutido num fórum onde eu participava...incrível como as pessoas pagam bilhetes super caros para assistir a um concerto de música clássica e depois num "concerto" grátis nem páram um segundo...

    Claro que pensaram que era mais um mendigo que estava ali para ganhar uns trocos, prova disso é que lhe atiraram umas moedas...nem ouviram e muitos nem devem ter olhado para ele.

    A vida do dia a dia é tão stressante que não temos tempo para ouvir, ver ou apreciar seja o que for, ainda mais fora do "palco" habitual...

    Para ouvir esta música, nem precisamos conhecer o artista ou perceber de música.

    Beijinho e bom fim de semana :)

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  2. Tb me recordo.
    Isto "diz muito" sobre o ser humano em geral... : )

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  3. A economia é uma questão de expectativas!
    Eu gosto muito dos músicos de rua. Acho que prestam um serviço inestimável e são das poucas pessoas que me fazem abrir a carteira. :)
    Beijinho e bom fim de semana.

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  4. As pessoas vivem nos dias de hoje numa azáfama tremenda ! Os olhos olham mas não vêem, os ouvidos ouvem mas não não captam, a atenção anda desconcentrada ! ... Não me admira nada.
    Curioso é que há ainda nos dias de hoje vários bons músicos portugueses que, à falta de espetáculos, vivem destas situações (cá ou lá fora) e confessam que conseguem sobreviver razoavelmente!

    Obrigado e Bom fim de semana, Té ! :))
    .

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  5. Pois! Há mesmo pouco tempo para ouvir os outros. E sejamos sinceros, não há ninguém que passe numa estação de Metro à espera de ouvir um concerto.
    Eu cá ficava de boa vontade era com o Stradivarius :)

    Bom fim de semana para ti

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  6. Segui a história na época, mas ainda não tinha visto o video. É uma boa imagem da selva urbana onde nos movemos diariamente. Mas é também a prova de que sem uma boa máquina de pub e marketing, nem os grandes talentos conseguem destacar-se.
    Bom fds

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  7. Sabes como eu amo a música clássica, mas quando vou a correr para o metro ou para um outro transporte não tenho pachorra para ouvir música.

    PS: Claro está que jamais aceitaria a ferrugem do Carlos e na luta, até escrevi mal o verbo enferrujar, o que eu queria escrever era "enferrujam"!!!

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  8. Tenho ideia que em Portugal não seria exatamente assim, MARIA! Enfim, há hora de ponta, pouco antes de entrar ao serviço, certamente seriam muitos que também não parariam, mas haveria de ter maior audiência! Até porque cá há sempre gente que se está nas tintas de chegar ao emprego com um quarto de hora de atraso... ;)

    Aliás, uma das mulheres que trabalha na estação explicou que certa vez, naquele exato local, morreu um sem-abrigo e também ninguém reparou, nem quando a polícia (certamente alertada pelos funcionários da estação) andou lá de volta do cadáver. Estás a ver cá os mirones a passarem de largo?

    Mas sim, ele foi confundido com um mendigo, como outro qualquer, nem prestaram atenção ao homem ou à música... Quem sabe se uns tempos depois não pagaram uma pipa de massa para ir a um dos seus concertos?!? :))

    Beijocas!

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  9. Oh, se diz, CATARINA, nomeadamente que o stress e as pressas muitas vezes fazem com que não vejamos nada à nossa volta... :S

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  10. Eu também gosto de músicos de rua, TERESA, especialmente se tocarem bem, obviamente, mesmo que longe do nível deste... :)

    Beijocas!

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  11. Concordo contigo, RUI. Mesmo assim, tenho ideia que em Portugal seria um bocadinho diferente - claro que a grande maioria passava ao lado tal como os americanos, mas haveria mais audiência... suponho! :)

    O Jorge Palma sobreviveu assim, no metro de Paris, quando foi para lá... :))

    Beijocas!

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  12. Parte da ideia também era essa, VDEALMEIDA, apanhar as pessoas num momento inesperado... e apressado, para ver como reagiam! :D

    Joshua não estava a oferecer o violino... só o concerto! :))

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  13. É mesmo a selva urbana, CARLOS BARBOSA DE OLIVEIRA! :)

    E sim, sem o marketing e a publicidade até grandes artistas passam despercebidos! ;)

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  14. Pois é, EMATEJOCA, e perdias um concerto único, já viste?! :))

    Sabia que não ias deixar passar as damas de ferro enferrujadas! :D

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  15. Como adoraria ter estado no local.:))
    beijinhos e bom fds

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  16. em Portugal talvez reparassem porque seria verdadeiramente inesperado. infelizmente, quantos é que tocam violino em Portugal? meia dúzia de pessoas? música poucos reconheceriam, mas no violino talvez reparassem :)

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  17. Suponho que todos gostaríamos, NINA, desde que não tão cheiinhos de pressa... :)

    Beijocas!

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  18. Os apressados "do costume" não notam em lado nenhum, MOYLITO, mas acredito que em Portugal mais gente repararia e pararia para ouvir... por não ser habitual, pelo violino ou pela boa música! :D

    Claro que reconhecer o violinista, aqui, seria mais difícil! ;)

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  19. Tetê, vim pedir-lhe desculpas, pois não estava fazendo a lista e sim outra pessoa era a responsável. Deve ter visto que são 3 pessoas a administrar a blogagem. Perdoa-me, seu link já coloquei :)
    Logo mais venho ler sua postagem e fazer o devido comentário.
    Beijus,

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  20. Temos que encontrar um culpado, oras! Seria da música ambiente que está em todos os lugares, infernizando os nossos ouvidos? Sou mãe e filha de músicos e uma musicista frustrada - ah, não! Sou mais pé no chão - Mas daí o que querem? Na maioria dos metrôs do mundo existem músicos treinando ouvido - Que diria Madeleine Peyroux que passou muitos anos incógnita? Você dirá: Mas ela não era famosa! Mas existiu uma pessoa que lhe deu valor e quis seu nome na lista dos jazzistas.
    A fama é coisa ingrata e Joshua Bell não se opôs a fazer a brincadeira, porque estava preparado para tal. Acha mesmo que, se ele soubesse que seria reconhecido, ficaria tão exposto? Ele estava na cidade que o projetou mundialmente... Rodrigo Leão, faria a mesma coisa em uma estação de metrô em Portugal? Este é um exemplo, por ter uma certa fama atual em Portugal.
    Existem tantas pessoas que trabalham com música no mundo que antes de serem famosas, se acostumaram com o anonimato. Quantos bares estão lotados com pessoas conversando que não olham para o palco? Acho até que já fizeram um teste nesse sentido.
    A culpa é pois da "popularização" musical que teve efeito contrário ao que se esperava. Salve Teló!!
    Beijus,

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  21. LUMA, não tens nada de pedir desculpa, acontece! Vou alinhar na postagem conjunta, tal como sempre pensei fazer... :)

    Quanto ao resto, claro que existem e existiram muitos artistas a tocarem no metro, em bares, em pequenas coletividades, em casamentos, etc. antes de se tornarem conhecidos ou famosos. Parece assim um teste de persistência, para ver se não desistem e, se foram/são bons, mais tarde pode compensar o esforço desse trabalho "anónimo"... :D

    Beijocas!

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  22. Também li o artigo e achei espetacular mas acho que mesmo o melhor senão for esperado... não consegue grande público.

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  23. Pois, LOPESCA, o inesperado não compensa. E, já agora, o marketing e a publicidade também são importantes... :)

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)