O meu filhote faz hoje anos: 19, para ser mais exacta! Desta vez não haverá festa cá em casa, pois aproveitando as férias universitárias foi passar o fim de semana a Madrid com alguns amigos. Ficámos um pouco desiludidos, por coincidir na data, mas já se sabe que é mesmo assim, os filhos vão crescendo e abrindo as suas asas fora do ninho familiar...
Mas já não é a primeira vez que coincide estarmos fora de casa. Quando ele fez 8 anos viajámos no próprio dia para Londres, pois íamos ao casamento de um dos meus primos, alguns dias depois. A ideia era aproveitar a viagem para dar a conhecer a cidade aos miúdos: ele e a minha sobrinha! Com toda aquela azáfama, de malas para cá e para lá, de avião, de chegar ao hotel e pousar as bagagens quase ninguém se lembrou de falar no seu aniversário. Nem ele, excitado com a novidade!
Após todas essas andanças, lá partimos para uma zona central de Londres, próxima de Marble Arch ou assim, percorremos algumas ruas a pé a ver montras em ritmo de passeio, com o objectivo de jantar nas imediações. Com a minha mãe, irmã e cunhado, putos e nós, éramos sete. Demorámos um pouco a encontrar um restaurante simpático e agradável, com preços acessíveis, a escolha recaiu num italiano.
Durante o jantar conversámos sobre os programas para os próximos dias, que incluíam o aluguer de um carro para nos deslocarmos ao local do casamento, em Cambridge, onde também pernoitaríamos e para o regresso a Londres no dia a seguir. Além de outros planos logísticos, como ida ao cabeleiro na véspera do evento, que ainda não sabíamos bem onde procurar (sempre nos tinham dito que eram carérrimos, o que deve depender de ser um "artista de nomeada" ou um mais simples de bairro, que sempre dá um toque melhor que o nosso, depois de sair do chuveiro).
Acabadas as pizzas, lasanhas e esparguetes levantei-me da mesa, como quem vai à casa de banho, mas na realidade fui falar com um dos empregados. Que por sinal era português, bem como um outro. A chatice é que não tinham bolos - que obviamente não pude levar - mas lá concordámos que uma fatia de cheese cake, ou lá o que era aquilo, podia manter a vela e o "pauzinho de estrelas" em cima, com os quais ia precavida. Só para cantar os parabéns e festejar. Os empregados trouxeram as sobremesas e, no final, vieram os três com a fatia de bolo iluminada, a cantar os parabéns em português desde a cozinha, ao que nós juntámos a nossa cantoria. O rapaz nem estava a perceber que a "festa" era para ele, mas assim que entendeu a reacção dele foi inesperada - deitou a cabeça no meu colo e chorou emocionado! Ele, que nem nessa tenra idade simpatizava com lamechices. Soprou a vela ainda de olhos vermelhos, encantado com a surpresa!
Hoje, à meia noite, telefonámos para lhe desejar um dia muito feliz! E essa emoção momentânea voltou a transparecer na sua voz...
PARABÉNS, MEU QUERIDO!
ps - não lhe demos dinheiro para a viagem, ele "virou-se" com as mesadas, prendas de Natal e de aniversário, não sei se com um biscate que efectuou entretanto (ainda não lhe tinham pago) e uma organização atempada, que permitiu comprar os bilhetes de avião "low cost" baratinhos!
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