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segunda-feira, 29 de abril de 2013

FLORES VERMELHAS TAMBÉM TÊM ESPINHOS...

A 29 de abril de 1974 regressei ao liceu, depois de ter passado o dia 25 e 26 de cama com febre, devido a uma otite. Ainda hoje a coincidência de ter adoecido naqueles dias me chateia: o pais em revolução e a totó aqui sem suportar ouvir o mínimo ruído, já que os que lhe latejavam no ouvido pareciam a caminhada de um elefante dentro da tola? Enfim, a minha mãe lá me medicou com os remédios do costume (longe de ser a primeira vez que padecia do mesmo mal), na segunda-feira seguinte voltei às aulas.

Estava entusiasmada com o regresso! A minha irmã já me tinha contado que a malta estava em festa, especialmente porque o horroroso contínuo da PIDE (um tal de Esteves) desaparecera dos pátios, para alívio de todos: já não havia lá ninguém para estraçalhar as bolas de futebol dos putos com o seu canivete, enquanto acompanhava a "façanha" com um risinho sádico estampado no rosto.

Certo é que a alegria continuava a pairar no ar, alguns alunos e professores ainda ostentavam os cravos vermelhos ao peito. Mas como a vida nunca acontece tal como a prevemos, o primeiro impacto não foi o mais agradável - um dos meus colegas de turma, que dava pela bela alcunha de "Salsicha", com um cravo meio murcho dependurado na lapela, atirou-me logo à queima-roupa e perante um grupo de outros curiosos: "Porque é que não vieste às aulas?"  Lá balbuciei que tinha estado doente. E o parvalhão riu-se, acrescentando: "Ah, julgávamos que tinhas fugido para o Brasil, como os fascistas!" A que propósito é que tinha(m) tirado aquela conclusão precipitada, se ainda por cima a minha irmã - que não era da mesma turma, mas tinha aulas no mesmo pavilhão e turno - andara por lá como sempre? Claro que os meus amigos não ligaram nenhuma ao excesso revolucionário do "Salsicha", mas eu detestei aquele preâmbulo.

Contudo, as más surpresas ainda não tinham terminado. Nesse ano calhou-nos em sorte (ou melhor dizendo, azar!) o pior professor de História que tive na vida. Tinha um bigode farfalhudo e os seus trinta e muitos anos, nunca olhava os alunos nos olhos preferindo olhar para o teto e as aulas eram passadas a ler o livro da disciplina. Perguntava no início de cada aula: "Que dia é hoje? 29? Então o nº 29 que comece a ler o livro na página 70." Quando o aluno denotava na voz o cansaço da leitura em voz alta, chamava o 9, depois o 19 e o 39 (sim, éramos cerca de 40 alunos), até soar a campainha. Nesse dia foi diferente: fez um longo discurso sobre "a longa noite fascista", de quem ele próprio tinha sido um feroz adversário e blablablá. E qual não foi o meu espanto quando os meus colegas se levantaram para aplaudir o homem, como se ele fosse o herói que desejava protagonizar. Quer dizer, mesmo que fosse verdade, isso dava direito ao professor não ensinar rigorosamente nada? Como é óbvio, nas aulas seguintes voltou ao seu  "maravilhoso" método, mesmo que a dita "longa noite" já tivesse passado...

Para rir só o facto de, muitos anos volvidos, o dito "Salsicha" comentar na página do liceu do facebook  - num dia 25 de abril - que aderira à revolução desde a primeira hora e que ele e os outros elementos do movimento que integrara (se bem me lembro, não referiu que eram os "camaradas" do MRPP), terem tido um papel fundamental na luta contra fascistas e comunistas. Epá, aos 14/15 anos ainda se percebe aquele súbito entusiasmo revolucionário, agora aos 50 e tais gabar-se desse seu "precioso contributo" raiou o anedótico. Oops... será que na volta até fui uma das suspeitas que confrontou "heroicamente"?

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

CAFÉ E CHOCOLATE!

Assentei malas e bagagens naquele café de bairro de Benfica em finais de 1977, decorria então o primeiro ano do famigerado propedêutico, inventado pelo ministro da Educação da época - Sottomayor Cardia - que não servia rigorosamente para nada, para lá de atrasar o ingresso na universidade. As aulas eram leccionadas via televisão, das 9 horas ao meio-dia e picos, os programas das disciplinas ainda estavam a ser engendrados, os "alunos" sabiam apenas que existia uma longa lista de livros para ler a Língua Portuguesa (comum a todos) e dois exames em datas a estipular. De cuja média ponderada com a do liceu daria a nossa nota de acesso à faculdade que pretendíamos frequentar, que a outra novidade inventada pelo ministro era a dos numerus clausus.

Certo é que para evitar preguicites de levantar cedo para ver televisão em casa - com escasso interesse por matérias que eram quase uma recapitulação - combinei com algumas amigas reunirmo-nos todas as manhãs para assistir às aulas: um dia em casa de uma, outro na de outra e assim sucessivamente. Encontrávamo-nos para beber o café lá no estaminé, antes de seguirmos para a frente do televisor. Ou de um baralho de cartas. O que nunca faltava era um reconfortante chá com torradas lá para o final da manhã e muitas conversetas e risotas. Adiante!

Embora o local mais parecesse uma leitaria de bairro, os patrões ostentavam no toldo amarelo os dizeres "Pastelaria fina", a par de um nome comercial igualmente pomposo, mas que mais tarde alcunhámos carinhosamente de "Entulho". Apesar dessa pretensão dos donos, o ambiente era soturno: de um lado a única montra e a porta de entrada, um pequeno balcão alto e metálico logo ali a tapar parcialmente a luz do corredor estreito que se seguia; do outro lado uma vitrine onde se exibiam caixas de bombons, chocolates, caramelos e boiões de rebuçados, a separar as mesas iniciais das restantes onde era permitido estudar; ao fundo e a toda a largura uma espécie de janela junto ao teto, de vidro martelado e num tom lilás, mas que nem a um jogador de basquete permitia ver o exterior; também ao fundo duas casas de banho de um lado e uma porta de acesso a um armazém na cave do outro; e as paredes forradas a linóleo azul acinzentado não contribuíam em nada para a luminosidade do ambiente, as múltiplas manchas acumuladas de infiltrações ou outros pequenos incidentes também não.

Teriam passado talvez uns 11/12 anos desde que me tornara cliente habitual - foi lá que estudei durante todo o curso, mas, acima de tudo, tornou-se ponto de encontro com grupos de amigos (estudantes ou não) dessa época - quando num sábado à tarde cheguei lá e bati com o nariz na porta. Já trabalhava na altura e a assiduidade diminuíra, mas rara era a noite que não passava por lá, daí não entender o desconhecimento da novidade. O que tinha acontecido? Um qualquer antepassado da ASAE visitou o estabelecimento e alvitrou que necessitava de grandes obras para manter o alvará (ou coisa), quando não seria encerrado. E entraram em obras durante largos meses, pelo menos durante todo o verão desse ano, salvo erro só reabriram lá para outubro ou novembro.

Óbvio que não perdi o contacto com os amigos mais próximos, mas de outros fui perdendo o rasto. Até que  o "Entulho" reabriu luminoso como nunca, dada a multiplicidade de luzes, o longo balcão envidraçado (e frigorífico) ao longo de quase todo o corredor, as superfícíes espelhadas na parede detrás dele onde se exibiam garrafas para venda, mesas e cadeiras novas mais confortáveis, quase tudo tinha mudado. Muito mais moderno, mas efetivamente a lembrar um pouco uma árvore de Natal...

O que é não mudou? A dimensão da montra, obviamente, a espécie de janela ao fundo (embora tenha a vaga sensação que os vidros martelados foram substituídos por outros idênticos e sem cor) e a vitrine dos chocolates e companhia, que continuava a dividir as quatro mesas da entrada das restantes agora no lado oposto, mas só lá mais para as dos fundos é que se podia estudar, o número total de mesas reduzira significativamente. Nos meses seguintes continuou a ser ponto de encontro costumeiro, senão diário, pelo menos nas noites de sexta-feira e sábado, mais convidativas para novas borgas ou noitadas.

Numa dessas noites, apareceu lá um cliente desconhecido, a querer apresentar uma reclamação no livro: comprara uns chocolates na semana anterior, para oferecer aos filhos de um amigo que morava ali perto e o convidara para jantar, para descobrir, estupefacto, que as tabletes estavam bichosas! O patrão de serviço demorou a acalmar a irritação do cliente, a nós só dava para rir: raramente abriam aquela vitrine, antes ou depois das obras, facto é que apesar do investimento avultado na renovação da decoração, o stock da chocolataria devia ser o mesmo de sempre...

Igualmente e como é hábito neste país, o tal ano propedêutico de outrora - inútil em termos de conhecimentos - mantém-se até hoje. Só mudou de nome para 12º ano de escolaridade!

NOTA - Este foi o texto com que participei na amena cavaqueira domingueira "Rua dos Cafés", publicado no domingo passado no blogue "crónicas on the rocks" do Carlos Barbosa de Oliveira. Fica para quem não leu, sugerindo a todos que queiram participar que sigam os links


Imagem da net.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

E AS NOTAS NA PAUTA?

Fotografia de Ian Britton

Alunos cábulas, preguiçosos ou literalmente nas tintas para os estudos sempre existiram! Lembro-me do meu pai contar que, quando entrou no IST, deram-lhe os parabéns lá na terra e apontavam-lhe como exemplo um outro estudante mais velho, filho de uma das famílias mais proeminentes da região. Sem qualquer esperança de se equiparar ao conterrâneo - uma vez que ele trabalhava para pagar os estudos, alojamento, alimentação, etc. e tal e o outro recebia uma mesada dos pais que cobria todas essas despesas - iniciou o seu curso sem perspectivas de maior. Surpresa foi perceber que o dito fulano afinal ainda estava a marcar passo no 1º ano, quando todos julgavam que já estava no 3º ou 4º. Calou-se e seguiu a sua vida  de trabalhador-estudante, considerou (e bem!) que o atual colega é que tinha de resolver o problema junto dos seus familiares. Como acabou por acontecer uns anos mais tarde...

Esta história não é filha única, repetiu-se até à exaustão durante décadas: os pais confiavam na palavra dos filhos, não lhes passava pela cabeça ir confirmar as notas nas pautas da universidade. Nem os que residiam longe, nem sequer os que viviam por perto. Mais avisadas (ou desconfiadas) gerações mais recentes, carecas de saber das patranhas de alguns estudantes, começaram a ir verificar as notas dos "miúdos". Sem admiração, um amigo meu constatou que um dos seus sobrinhos, para além de não ter notas na pauta, nem sequer estava inscrito no liceu, embora saísse de casa todos os dias de mochila às costas! Tão novinho e já tão espertinho, hein?!

Bom, mas isto foi antes da era informática! Agora, os iluminados docentes universitários crêem não ser necessário afixar as notas. A maioria dos alunos já é maior de idade, portanto toma conhecimento dos resultados dos seus exames via computador, mediante um código de acesso previamente fornecido. Justificação? Ah, porque eles podem não querer que os seus colegas saibam as suas avaliações. (não estudam e depois é traumático?!?) E os pais ou os familiares que pagam as avultadas propinas? Idem! Os docentes sacodem assim a poeira das calças, dando azo a que mais alunos cábulas prossigam impunemente a sua vidinha de estroina e, mais, facilitando que alguns ex-estudantes que frequentaram um curso (sem aproveitamento ou aprovados apenas a meia dúzia de cadeiras) se façam passar por "doutores" ou "engenheiros". E sim, acreditem que também os há,  Relvas não é caso único... (embora a trafulhice dele fosse mais burilada, com a ajuda de compinchas maçónicos ou do laranjal!)

Chamo a isto um mau serviço ao país, que premeia os chico-espertos e, no limite, até pode pôr em causa o bom nome das universidades. Afinal de contas, onde está a tão apregoada transparência?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

PLANO... QUAL PLANO?!?

"O rigor que uma escolha de obras para leitura infantil e juvenil exige levou o Plano Nacional de Leitura a formar um grupo de trabalho, constituído por especialistas, destinado à elaboração de listas de títulos passíveis de leitura orientada e/ou autónoma", refere o site governamental do Plano Nacional de Leitura, acrescentando mais o blablablá costumeiro sobre o interesse de potenciar a educação e o amor à língua portuguesa. Tudo a favor, evidentemente!

"Mas porque é que foste procurar o site, se concordas com os objetivos?"- perguntam alguns, espantados com a pesquisa. 

A resposta é simples! Alice Vieira escreveu isto ontem no facebook:
"Estou a pensar que gostava muito de saber quem são os energúmenos que escolhem os livros para o Plano Nacional de Leitura!!! Acabei de ver que o meu livro de poesia (poesia de amor, PARA ADULTOS!!!!) chamado "O Que Dói às Aves" está aconselhado para...o 2º ano!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Que é que eu, como autora, posso fazer? Retirar o livro do mercado? Dizer que proíbo? Mas essa gente leu alguima coisa do livro para lá do título? Será que pensam que são histórias de pintaínhos?????"

"Especialistas" rigorosos, hein?!?

Imagem da net.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CURSINHO ACELERADO, HEIN?

A agitação e a indignação, quando se soube que Sócrates tinha terminado o seu curso de engenharia via fax - numa universidade privada que já nem existe - num domingo, foi mais que muita! Certo é que ele tinha sido eleito, democraticamente, por ser líder do PS, não por ser engenheiro. Mas tinha ali um ponto fraco...

Coelho, o atual PM - aquele que se fartou de bradar aos céus e à população em geral que o seu antecessor era um mentiroso (com mais ou menos eufemismos!) - também não se pode gabar de um percurso universitário notório, ponham pilhas daquelas que duram e duram até ele acabar o curso (nem sei de quê, nem interessa nada!), lá para os 37 anos, numa outra universidade privada. E quem escolheu ele como seu braço direito no governo? Miguel Relvas... ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares, com um "currículo profissional" certamente invejável, como se pode ler nesta notícia de ontem no jornal "Público".

Bem sei que todos sabem ler (e escrever), mas para resumir o link, os factos falam por si: Relvas andou literalmente a pastar pela universidade Livre (atual Lusíada), privada como convém a quem não obteve notas suficientes para entrar no ensino público, onde foi aprovado numa única cadeira, de Ciência Política e Direito Constitucional, com 10 valores (no ano letivo de 1984/85), no curso de Direito; mudou para o curso de História e, posteriormente, para Relações Internacionais, na mesma universidade, mas não fez mais nenhuma cadeira; em 2006 inscreveu-se na universidade Lusófona, que supostamente apreciou o seu "currículo profissional" de deputado e de secretário de Estado, e num ano terminou o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, equivalente a 3 anos e 36 cadeiras. Digam lá se não houve ali um rasgo de génio ou de iluminação?

Para além da saloiice de ele considerar importante ter um passado "universitário", mesmo que assim à songamonga, se isto não é gozar com quem estuda (ou estudou), que ele de viva voz aconselhou a emigrar, não sei o que é...  

Imagem da net.

sábado, 16 de junho de 2012

BOLETIM DE VOTO GREGO

O cartoon é humorístico, mas não deixa de sintetizar o que os gregos vão votar amanhã! Como não sou grega, não tenho de optar por nenhuma das cruzes, mas tenho a certeza onde votaria.

Os entendidos em politiquices consideram que o futuro da Europa se vai decidir nas eleições gregas. Como não estou assim tão a par do que se passa na Grécia, tenho apenas a sensação que, qualquer que seja o sentido de voto, o futuro próximo dos gregos não será muito risonho. O dos europeus, logo se verá...

Contudo, algumas fotografias impressionam-nos demais, como é o caso desta: um coliseu grego, transformado em "dormitório" de gente sem abrigo!

"Os miseráveis não se revoltam!", ensinou-me o professor Borges de Macedo. Desta vez, vou esperar para verificar se ele tinha razão...
 
Ambas as imagens são do facebook.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

DEDICAÇÃO E PERSEVERANÇA

Exemplo de dedicação e perseverança é a deste professor primário colombiano, de seu nome Luis Soriano. "Porquê?", perguntam os mais curiosos. 

Então, sabendo que as crianças da  zona rural de La Glória, onde lecciona, não têm fácil acesso a bibliotecas ou a livros, e considerando que estes são fundamentais para a sua educação, há mais de uma década que se empenhou em levar uma biblioteca até elas, nos seus tempos livres. E chamou a essa iniciativa de biblioburro, pois transporta os livros em dois burros, que apelidou ironicamente de Alfa e Beto:

Acontece que o biblioburro começou a ser conhecido a nível local e, posteriormente, deu azo a reportagens televisivas, dentro e fora da Colômbia, nomeadamente esta: 




Após a mediatização desta história de vida, o professor teve alguns auxílios e doações, que lhe permitiram finalizar a pequena biblioteca que estava a construir, com a ajuda de sua mulher, Diana. Ajuda essa que muito agradeceu, como podem ver aqui.

Mas que há gente fantástica, não restam dúvidas!

Imagens da net.

domingo, 22 de janeiro de 2012

INSPIRAÇÃO... E TRABALHO!

Já contei esta história tantas vezes, que tenho a certeza que me vou repetir! Um professor que tive em tempos (e em boa hora!) - de seu "apelido" Doc Comparato - ensinou-me uma regra fundamental no domínio da escrita:: ela é fruto de 95% de trabalho e de 5% de inspiração! Mais, acrescentou ainda que se todos estivéssemos à espera de ser um William Shakespeare ou um Camões do século XX (para o caso, também vale o XXI), bem poderíamos adormecer à sombra da bananeira...

Quem não adormeceu à sombra dessa ou de outras bananeiras foram aqueles que aceitaram o meu convite de escrever um texto subordinado ao tema "Razões para acreditar em Portugal" - cuja participação e disponibilidade volto a agradecer - e que podem ser lidos nestes links, sendo os seus autores identificados após a votação :

Antes de dar início à votação (até dia 27 de janeiro, inclusive), devo esclarecer o seguinte: 1º o formato de concurso teve apenas o objetivo de animar e promover a interatividade; 2º os prémios são todos virtuais, portanto valem o mesmo que feijões... ; 3º sendo a primeira vez que "organizo" um concurso deste género (descansem, que não vai virar "sistema"!), já participei em alguns e obtive um brilhante segundo lugar (pena termos sido apenas dois concorrentes...), um quarto (salvo erro, em cinco!) e um sétimo (em 10). Portanto, nada a vangloriar-me... mas nem por isso desisti! Eheheh! A votação é simples, cada votante vota nos três textos que mais gostou, por ordem de preferência, conforme as regras que estipulei aqui.

VAMOS A VOTOS?
(Ah, e também não se aceitam "reclamações" sobre os textos, próprios ou alheios!)

Imagem de Bill Watterson,está claro!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

NO JARDIM DA MINHA AVÓ...

1. Tulipas
Há ensinamentos que se perdem com o tempo, outros não! Não foi na escola, mas no jardim da minha avó que aprendi o nome popular pelo qual todas estas flores são conhecidas (e mais umas quantas, mas o espaço tem os seus limites). Conseguem identificar todas?


2. Jarro (ou copo de leite)

3. Gerbera

4. Amores-perfeitos

5. Brincos-de-princesa

6. Hortênsias / Hortenses / Hidrângeas

7. Malmequeres ou margaridas

8. Sardinheiras ou gerânios

9. Rosa

10. Bocas-de-lobo / bocas-de-leão

Ah, e claro, não tinha todas em simultâneo, que a dimensão do jardim era reduzida à área envolvente de uma casinha de campo. O grande conselheiro era o senhor Cidálio (um jardineiro reformado que ia lá uma ou duas vezes por mês fazer a manutenção dos canteiros, semear as plantas, podar as poucas árvores e aparar as sebes - e, possivelmente, complementar a sua parca reforma!), mas ela ainda ia acrescentando vasos e vasinhos em cima da cisterna ou dos muros, aproveitando todos os recantos. Se algumas flores não se davam bem, arranjava outras! Certo é que se não fosse ela e a sua grande paixão por flores e plantas, ainda hoje seria uma completa ignorante nesse capítulo...

(se houver outra vida, tal como acreditava, vai gostar de rever as "suas" flores e de saber que a neta ainda se lembra do que aprendeu com ela - este post é-lhe dedicado, 27 anos e uns dias após ter partido!)  

ADENDA a 16/12/2011 - Todas as legendas a verde. O Rui da Bica (que ainda deu nomes alternativos para algumas das flores) e a Ju sabiam todas, a Ana 9, a Tons de Azul 8, o Moyle e o Psimento 7, o Fausto 1 e os restantes não se pronunciaram. Obrigada a todos pela participação!


Imagens da net.

domingo, 20 de novembro de 2011

ISTO-É-UMA-ESPÉCIE-DE-JORNALISMO?

Imaginem que alguém pretende demonstrar um ponto de vista - o de que os atuais estudantes universitários  portugueses são uma cambada de ignorantes! Para tal, arranja uns parceiros para acompanhar com câmaras vídeo e fotográficas e, munido de 2 inquéritos, com 10 perguntas básicas cada, resolve entrevistar 100 alunos. Para evidenciar a seriedade do que se propõe revelar ao mundo, circula à volta de algumas universidades lisboetas onde estudantes nunca faltam e - com o que eles gostam de ser filmados e fotografados - a tarefa não é muito árdua e decorre num clima informal, como convém. As perguntas são tão fáceis (segundo julga!), que a obrigação deles é acertar à primeira. Mas não: aqui e ali hesitam, erram, têm lapsos de memória ou não sabem de todo.

Mesmo assim, após analisar as 2000 respostas (ou um pouco menos, já que uma aluna desistiu de responder a meio), a prestação dos jovens não se revelou tão elucidativa quanto esperava. Então o que fazer com os resultados? Pois, um videozinho com algumas das gaffes mais estapafúrdias e toca de o colocar no Youtube - 4 minutos de risota garantida... Mas, não contente com isso, ainda um artigo numa revista de projeção nacional e parcialmente on-line, evidenciando as falhas dos estudantes, que intitula "A ignorância dos nossos universitários". Demonstrou... ou não?!?

Essa ideia tão "fantástica" passou pela redação da revista "Sábado", que encarregou os redatores  André Barbosa e Tânia Pereirinha de prestar esse extraordinário "serviço informativo" à nação: o vídeo foi um sucesso de indignação no facebook, sendo divulgado e partilhado até à exaustão, com muitos comentários jocosos à mistura.

Mas, como há sempre o reverso da medalha, João Ladeiras (um dos jovens alvo deste inquérito) tem outra versão: respondeu às 10 questões corretamente, mas cometeu uma gaffe ao declarar ser Miguel Arcanjo o pintor do teto da capela Sistina (confusão devida ao externato que frequentou com o mesmo nome). O que emendou de seguida, ao dar-se conta do erro, como alguns colegas puderam testemunhar. Claro que a correção foi omitida tanto no vídeo como no artigo em si. Ora se o procedimento jornalístico com ele foi esse, terá sido diferente com os restantes alunos? Tinham de acertar à primeira e... mainada!

Antes de desancarem os "ignorantes", já pensaram se esta "moda" pega? Se de hoje para amanhã resolvem repetir o "método" em salas de professores, gabinetes médicos, tribunais ou ordens profissionais, por exemplo? Um erro momentâneo e... TARUZ, vira-se motivo da chacota nacional?!? Curioso, já agora,  seria elevar um bocadinho o nível das questões e inquirir os jornalistas da "Sábado", não para "avaliar" a  sapiência que reina naquela espécie-de-magazine-repleta-de-cultura-e-inteligência, mas para nos pasmarmos todos com tanta erudição...

Lamento, mas "jornalismo" desta laia não merece aqui mais que comiseração! (e não, não conheço nenhum dos intervenientes no  inquérito, pessoal ou sequer vagamente, a queixa do estudante encontrei no FB!)

Imagem de uma cena do filme "O Padrinho" (1972), da net, onde Marlon Brando protagoniza o principal papel. (o ator abandonou a carreira em 1980, regressando mais tarde - em papéis secundários e esporádicos - devido a dificuldades financeiras). Como é que estudantes que rondam os 20 anos vão saber disso, se não forem cinéfilos empedernidos?
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segunda-feira, 18 de julho de 2011

PARABÉNS A MANDELA!

Nelson Mandela completa hoje 93 anos de idade, tendo dedicado grande parte da sua vida à luta contra a segregação racial e o apartheid na África do Sul, terra onde nasceu. Combater pelos seus ideais valeu-lhe quase 28 anos de prisão, em Rodden Island. Tempo esse que nunca poderá ser recompensado, mesmo que o reconhecimento internacional como grande leader africano e os vários prémios e homenagens recebidos - entre eles o Nobel da Paz em 1993 (em conjunto com Frederik Willem de Klerk) - possam reflectir a grande admiração que grande parte da humanidade nutre por este homem.
Claro que o racismo continua a existir, um pouco por todo o lado, como todos sabemos. Mas quando, em Portugal, uma professora universítária entrega um trabalho a um aluno e lhe diz que ele merecia 13 mas só lhe deu 11, "porque é preto" (perante toda a turma e sem reacção aparente de ninguém), com evidente satisfação, algo nos diz que a avaliação de professores é necessária e até urgente. E não deve cingir-se ao ensino primário e secundário, o universitário também está muito carente!
Parabéns a Mandela! Tomara que muitos lhe seguissem o exemplo de coerência e de defesa dos seus ideais, mas criaturas mesquinhas desta laia nunca lhe chegarão aos calcanhares...

Imagem da net.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

GATAFUNHOS

Quando entrei para a escola primária, aprendi a ler relativamente depressa. Já conhecia algumas letras da infantil, como todas as colegas que também frequentaram essas aulas - mas que na época eram poucas, dado que a maior parte das crianças só iniciava a vida escolar a partir dos 6 anos, até lá ficavam com as mães ou avós em casa.
O entusiasmo de aprender a ler (mais do que o de escrever ou de fazer contas) era grande, até porque como verdadeira fanática de contos de fadas ou de Tio Patinhas & Companhia resolvia-me um "problema": nem sempre encontrava alguém com disposição  para me contar essas histórias...
Muito menos entendia as enormes birras que algumas meninas faziam para entrar na escola, a professora tinha de as arrancar literalmente das calças do pai ou das saias da mãe, onde se agarravam com unhas e dentes, nos primeiros dias a choradeira era intensa durante grande parte da manhã. A Eva, minha companheira de carteira, era uma das mais inconformadas, às tantas já era eu que a ia esperar à porta, que sempre vinha melhor comigo do que com a dona L., que não era exactamente um poço de paciência - mas com ela até teve bastante!  Tornámo-nos boas amigas, durante aqueles anos. Adiante!
Entretanto, o meu B-A-BA correu bem, de soletrar a ler foi um passo de 3 ou 4 meses (nada de precoce, note-se!), sentia-me ufana por já arranhar a leitura. A minha mãe também ficou contente com as informações da professora e, ingénua ou estupidamente, comentou o assunto com um casal amigo. E o homem, um advogado ainda em início de carreira, resolveu rabiscar umas letras numa folha de papel, para que pudesse demonstrar os meus dotes de leitora. Olhei para a folha como boi para palácio - não eram as letras do meu livro, nem a caligrafia da minha professora. Gaguejei, sem entender patavina e ele, com aquela superioridade que sempre o caracterizou, riu-se e exclamou: "Ora, ainda não sabes ler nada!"
Tinha razão! Mas até hoje escapa-me o motivo para um trintão querer amesquinhar uma miúda de 6 anos, a iniciar a sua aprendizagem. Mais, muito tempo depois tive oportunidade de ler alguns manuscritos do fulano e, se bem que não fosse totalmente ilegível, os gatafunhos abundavam...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

JUSTA HOMENAGEM!

Já aqui tinha dedicado um post ao "nosso" Joãozinho da Voz Doce, aliás, professor João Chaves Santos, que durante quase 40 anos leccionou educação musical aos alunos do liceu D. Pedro V. Nunca pertenci ao grupo coral - que o professor dinamizou durante todos aqueles anos em que estudei na dita escola e nos seguintes -, nem a música era assunto que me motivasse por aí além: nem todos foram feitos para cantar e vozes do tipo cana rachada ainda menos! Para já não bater na tecla da desafinação...
Mas foi com muita alegria (e até alguma emoção, confesso!) que participei na homenagem que, tanto a actual direcção escolar, como antigos alunos do grupo coral, prestaram ao antigo professor. Para além de baptizarem o novo auditório com o seu nome, também muitos ex-membros de coros de décadas diversas se reuniram em vários ensaios, para um espectáculo musical e coral - com um reportório bem escolhido de músicas que todos sabiam trautear (assistência incluída), nomeadamente de Zeca Afonso - onde a principal ideia era a de comemorar a data festiva. Entrecortado por breves discursos, onde pontuaram episódios que marcaram outros tempos. Perante a alegria do professor, muita comoção da sua mulher (suponho que também ela professora do liceu) e os aplausos de todos os presentes!
Foi bonita a festa, pá, e todos ficámos contentes com a justa homenagem, numa bela tarde primaveril! (quer dizer, dentro do auditório, porque lá fora choveu e trovejou em grande, ninguém acreditou que os participantes do evento não tivessem dado por nada... eheheh!)
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."
Fernando Pessoa

domingo, 22 de maio de 2011

GUNGUNHANA

"O Gungunhana era o chefe de uma das tribos mais guerreiras da África Ocidental - os vátuas. Os guerreiros do Gungunhana ameaçavam a cidade de Lourenço Marques e nas suas imediações mataram colonos e roubaram gados. [...] Mousinho de Albuquerque, que se distinguira nestas campanhas  como oficial de cavalaria, decidiu prender o Gungunhana. Debaixo de chuvas torrenciais e acompanhado apenas de três oficiais e quarenta e seis soldados europeus, dirigiu-se à povoação de Chaimite onde o régulo vátuo se tinha refugiado. No caminho encontraram milhares de guerreiros que podiam facilmente matá-los, mas que vinham submeter-se. [...] Dentro do recinto, Mousinho desembainhando a espada correu sobre alguns negros que, armados de espingardas, pareciam querer atacar. Mandou atar as mãos atrás das costas ao Gungunhana e sentá-lo no chão, o que, para os negros era sinal de este estar vencido."
In "História de Portugal" (4ª classe e exame de admissão aos liceus e escolas técnicas), 3ª edição, do professor Janeiro Acabado.
Era o que rezava a minha "História de Portugal" da primária*, e se a professora e o livro afirmavam, qual era a catraia de 8 ou 9 anos que se atrevia a duvidar, lá para o final dos anos 60 do século passado?
A que propósito vem esta conversa? Já há mais de um ano escrevi sobre o programa televisivo "A Alma e a Gente", apresentado por José Hermano Saraiva, que recentemente foi comentado, dando uma nova luz aos factos relatados pelo ilustre professor. Segundo o livre pensador moçambicano, a diferença deveu-se ao uso de metralhadoras: "46 homens brancos contra três mil negros armados de algumas escopetas inglesas, é o que o Professor Saraiva vos quiz dizer. E não foi por causa dos RAMBOS (se é que alguma vez os houve em terras lusas), mas sim da invenção da metralhadora! Foi a primeira vez que em Moçambique que se usou aquela arma que dizimou dezenas de negros à primeira rajada, justamente a primeira leva deles, que estavam equipados de espingardas inglesas. Depois, os cavalos e os sipaios africanos (auxiliares) a pé e com lanças fizeram o resto...."
Claro que assim a história se torna mais verosímil, mas verdade é que nem Janeiro Acabado nem José Hermano Saraiva  se referiram a esse "pequeno pormenor", que faz uma enorme diferença...

* Nota - o livro não é exactamente o mesmo por onde estudei, porque o meu avô o pediu emprestado uns anos mais tarde, para conferir alguns dados históricos da sua colecção de numismática e caiu na asneira de o emprestar a um numismata amigo. Nunca mais o viu, evidentemente, suponho que encontrou o presente exemplar num alfarrabista e "devolveu-o" com uma capa igual em tudo, excepto na cor: de azul marinho, vinha com uma capa cinzentinha e páginas mais amarelecidas. Mas, fazer o quê? Acontece a todos...

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quinta-feira, 24 de março de 2011

CONTRA-CENSOS?!

Os formulários dos Censos 2011 já foram distribuídos à população em geral - de porta em porta, por  jovens identificados - nem a todos em particular, até porque o método é falível. A entrega deverá ser efectuada em papel ou via net, neste último caso recebendo o cidadão um código específico de acesso. Suponho que quase ninguém recusará o preenchimento da papelada: as estatísticas são úteis para dar uma ideia geral do estado da Nação e, de 10  em 10 anos, nem é pedir muito.
O primeiro problema prende-se precisamente com o acesso ao site: estava entupido 2ª feira, ontem continuava. Pronto, OK, pode ser que após esta fase inicial resolvam isso.
O segundo, e a meu ver mais grave, serão os falsos dados que o Instituto Nacional de Estatística irá analisar, quando muitos recibos verdes forem tomados como trabalho por conta de outrem (sem as respectivas regalias, mas o que é que isso interessa?), os sem-abrigo como residentes no prédio mais próximo do local onde costumam pernoitar (leiam aqui) e, cerejinha no topo do bolo, que o sucesso escolar tenha sido tão estrondoso nos últimos anos - graças às maravilhas das Novas Oportunidades, a cursos equiparados ao 9º ou 12º do ensino oficial e até a algumas dificuldades administrativas impostas aos professores que pretenderam "chumbar" alunos desinteressados, desmotivados e cábulas (novamente, no ensino obrigatório) - que, tirando meia dúzia de velhotes analfabetos, bem podemos passar por um povo culto e letrado...
Não tenho nada contra os censos e logicamente vou responder (isto é, se o endereço fizer o favor de abrir)! Mas que nestes moldes me parecem um contra-senso e uma mascarada, "para europeu ver", lá isso é certo... Mais, agora com um governo demissionário, nem sei quem vai ser o "bode expiatório" desta farsa!

Imagem recebida por mail.
(Obrigada, Marilú!)

sexta-feira, 4 de março de 2011

CORSOS CARNAVALESCOS

Em tempos que já lá vão, passava um corso carnavalesco aqui na Estrada de Benfica, com todos os miúdos das escolas das redondezas que quisessem participar. Da infantil e da primária (ou básica), com o apoio da junta de freguesia e a participação activa de educadores, professores, pais e alunos, do ensino público ou privado. O trânsito era desviado para vias alternativas. Nas manhãs de sexta-feira de Carnaval, a animação era garantida!
Assisti a quase todos esses desfiles de putos mascarados. Por vezes as máscaras obedeciam a um tema proposto pela escola ou pela professora da turma, outras nem tanto. Espantalhos, palhaços, cowboys, princesas, espanholas salerosas. simples legumes ou cartas de jogar, lá seguiam todos ufanos das suas indumentárias, mais ou menos buriladas. Todos, é força de expressão, porque alguns poucos "mais velhos" recusavam-se a alinhar no corso, muito sérios já em crianças... Adiante!
Eram acompanhados por uma banda e iam cantarolando umas cançonetas no caminho. Alguns vizinhos quezilentos protestavam do barulho, do trânsito desviado, contra o Carnaval, a vida, a crise, sei lá que mais. Uma manhã por ano e não aguentavam que miúdos e graúdos se divertissem. Uma maioria barulhenta, é certo, mas que até lhes dava motivos para resmungar.
O corso não acabou devido a eles, mas a umas eleições autárquicas. Os novos detentores da autarquia nem quiseram saber da trabalheira de voltar a organizar tal coisa. Gente mais séria, evidentemente! Mas aposto que os resmungões da praxe ainda não sossegaram e encontraram outras razões para os seus queixumes.  Tempos divertidos que já lá vão...
   
BOM CARNAVAL!

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

NOVAS OPORTUNIDADES... FUTEBOLÍSTICAS???

Epá, se estas oportunidades existissem quando eu andava no liceu, suponho que metade da rapaziada da turma desaparecia por "artes mágicas", como até algumas meninas se aventuravam a dar uns chutos na bola: bastava escapulirem-se a uma série de disciplinas chatóides - Matemática, Francês, Ciências, História, Físico-Química, Geografia, a falta de jeito para Desenho ou  levar com  "Os Lusíadas" do Camões, para dividir em orações - para a fila ser interminável...
E não, naquela época os futebolistas não levavam para casa ordenados milionários, esses já são "modernices"!

Evidentemente também é um alívio que estas "oportunidades" surgissem tão recentemente, porque desconfio que até o meu filhote e muitos colegas que jogavam com ele à bola as iam aproveitar...

Fotografia recebida por mail.
(Obrigada, Palicha!)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PORREIRO, PÁ!

Fotografia de Ian Britton

Sinceramente, não esperava boas notícias durante as férias! Nomeadamente sobre as notas do filhote, que foi a exame a três cadeiras do 12º ano: a Língua Portuguesa já sabíamos que tinha tido 12 (o que lhe baixou a média de 15 para 14, mas quando a média nacional foi de 8 vírgula qualquer coisa, nem é mau de todo!); e a História que chumbou sem estar à espera, bem como o Inglês (opcional, ou nem tanto, já que a "opção" partiu da escola...) que anulou a matrícula,  ambos em segunda época.
Ele para mim, quando soube que tinha chumbado a História, com um 7, que nem era equivalente às notas que tinha tido nos testes do período: "Oh, mãe, se calhar o prof até me quis ajudar, que se me desse o 9 eu ficava com média de 10!" O mesmo professor que lhe disse que se ele não sabia estudar a disciplina, também era incompetente como Presidente da Associação de Estudantes. "Ah, sim, chumbar um aluno deve ser para o ajudar! Acorda, pá!", exclamei assim a dar para o irritada. Adiante!
Os exames não lhe correram muito bem, especialmente o de Inglês - para o qual ele acha sempre que não é preciso estudar, porque já sabe tudo - mas safou-se com um 10 entre escrita e oral. A História, que o vi estudar, embora o exame incluísse o "tratado de Lisboa" do Sócrates (isso é História?! talvez da carochinha...), teve 18! E sim, desta vez louvei com um "Porreiro, pá!"
Agora o plano B que já tinha arquitectado para o caso de chumbar não funciona, curioso é que não tinha o A, para a hipótese de passar... e ainda está na dúvida sobre onde se vai inscrever! Mesmo assim, para nós, foi o melhor "presente" que nos podiam ter oferecido...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

EXAMES À PORTA...


... e lá vem mais uma polémica, que francamente não entendi: o Ministério da Educação resolveu permitir aos alunos que chegaram ao limite de idade da escolaridade obrigatória (15 anos) que se proponham ao exame do 9º ano. Lá andaram as televisões num virote, a entrevistar os "especialistas" do costume (incluindo aquele sindicalista bigodudo), quase todos a concordarem que só contribuía para o facilitismo no ensino, para  as escolas se desembaraçarem da presença dos adolescentes mais velhos, para "dar" certificados de habilitações a quem não os merece, etc. e tal.

Acontece que nada disso é novidade: tive vários colegas de liceu que, por estarem dois ou três anos atrasados, por opção própria ou dos pais, resolveram completar os estudos liceais fora do ensino oficial - inscreveram-se em escolas de preparação aos exames e fizeram um 2 em 1, ou um 3 em 2. Com esforço deles, evidentemente! E exames "Ad Hoc" para adultos de ingresso na Faculdade também já existiam, não sei como é agora mas a única condição era terem o exame da 4ª classe. Queimar mais etapas do que todos esses anos de escolaridade é impossível, certo é que muito poucos conseguiam passar e entrar - e também não é garantido que todos esses concluíram a licenciatura. Então para quê esta indignação toda?!

Já aqui referi o que penso sobre as "Novas Oportunidades" e o mesmo se diga sobre aqueles cursos profissionalizantes para alunos que andam a engonhar sem conseguir terminar o 9º ano, que dão direito ao diploma com um grau de exigência muito menor - são uma treta! A isso chamo facilitismo! A possibilidade de qualquer pessoa poder fazer um exame, em igualdade de circunstâncias com os restantes estudantes pré-universitários, independentemente da sua escolaridade, é uma questão de justiça! Que nem sequer é para todos, porque autodidactas não existem por aí aos pontapés...

Imagem da net.

terça-feira, 1 de junho de 2010

JOÃOZINHO DA VOZ DOCE

Há alcunhas que não funcionam para atazanar a vida das pessoas, mas como uma imagem de marca que fica para a vida inteira. Carinhosa, até!

É o caso de "Joãozinho da Voz Doce", professor de Educação Musical do Liceu D. Pedro V (depois passou a chamar-se Escola Secundária, porque o que os MECs, MEICs e afins souberam fazer foi trocar os nomes, os números aos anos, etc. e tal) e do qual todos os antigos alunos se lembram. João Chafes, assim se chamava ele, era um professor empenhado, que incentivou muitos discípulos a participarem no coro de canto coral, com ensaios à hora do almoço, aos Sábados, quando desse.

Claro que também tinha de aturar os desafinados, como eu e muitos mais, durante as aulas. Lembro-me de um puto cheio de estrica - o Gica - combinar com o pessoal: "Hoje vamos todos desafinar!" E desafinávamos como ó caraças, propositadamente, e o professor cheio de paciência só dizia: "Vamos repetir!" E lá voltávamos nós:

"Minhas botas velhas cardadas,
palmilhando léguas sem fim,
quanto mais velhinhas e estragadas,
tanto mais vigor sinto em mim."

Até que no final, ele dizia: "Está melhor!" Ao fim de várias repetições...

A certa altura, começou a colocar num placard da sala de música, a "anedota da semana": normalmente era um recorte de jornal, tipo cartoon, um pouquinho simplório. Vai daí que numa turma mais inventiva, na época do Carnaval, combinaram que alguns iriam lá ler a anedota e largar uma bombinha de mau-cheiro. Dito e feito! Nem com isso se atrapalhou: mandou os alunos fazerem um teste, que ficassem sossegadinhos, que ele tinha de ir à secretaria. E lá ficaram todos a aturar o pivete que eles próprios provocaram, enquanto ele foi arejar!

Durante um jantar de antigos alunos do liceu, em que graças às "intempéries" nem todos se reconheceram - mais velhos, mais gordos, mais carecas ou com cabelos brancos, desmemoriados - tentando perceber os elos que em tempos nos ligaram, TODOS se lembravam do "nosso Joãozinho". Bons professores nunca se esquecem, nem no coração dos desafinados...


A fotografia encontrei no blog de João Gonçalves, "Portugal dos pequeninos", aqui.