segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

COMPRAS E EMBRULHOS

Nunca apreciei muito fazer compras, mas com o passar dos anos essa pouca apetência tem vindo a agravar-se. Nada de confusões: gosto de ter roupa, sapatos, malas e outros acessórios novos e de oferecer prendas de Natal e de aniversário a familiares e amigos - não se trata de mera sovinice! - é a atividade em si que me chateia!

O "trauma" talvez seja antigo, dado que a minha mãe e irmã são muito mais dadas a essas andanças, toca de parar em todas as lojas, vasculhar, sair e partir para a seguinte. Isto para além da minha mãe ter um gosto bastante diferente do meu: se eu escolhia qualquer peça, ela virava-se para a empregada e abanava a cabeça dizendo: "A minha filha tem muito mau gosto!" A maior parte das empregadas ficava sem saber bem o que dizer, outras sorriam e (disfarçadamente ou não) concordavam com ela, só algumas poucas lhe perguntavam: "Então mas não é ela que vai vestir (ou calçar)?" Claro que ela não simpatizava muito com estas últimas... Mas adiante!

Assim que pude, acabaram-se as compras com a mummy! Já teria cerca de 20 anos, quando uma amiga dessa altura (há amigas que são assim... passageiras!), ao saber que ia à baixa na demanda de presentes natalícios, se "pendurou" para me acompanhar, uma vez que pretendia oferecer um lenço de pescoço à mãe. Avisei-a que tinha várias compras a fazer, portanto ia demorar um bocado, mas ela não se importou. Naquele tempo já existiam dois ou três centros comerciais - o Apolo 70, o Imaviz e o Alvalade, pelo menos - mas ainda existia a tradição de percorrer as ruas da baixa lisboeta nesta quadra, onde a variedade era maior e os preços mais baratos. 

Lá fomos nós numa tarde de dezembro. Fui encontrando aquilo que queria e juntando sacos e ela nada! Via e olhava para os lenços, uns porque eram muito escuros, outros muito garridos, outros porque eram caros, nada lhe parecia adequado. Só sei que terminei as compras, fui com ela a todas as lojas e mais algumas que vendessem lenços, já não havia mais por onde escolher. E perguntei-lhe: "Então agora, o que é que queres fazer?" E ela, ainda hesitante, respondeu: "Olha, tenho impressão que o gostei mais, foi naquela primeira loja!" Ia-me caindo a alma aos pés, que por sinal já estavam bem cansados."Mas qual 'primeira' loja, se entrámos em tantas?" Obviamente, não sabia! De modo que fizemos o percurso todo inverso, ela já nem sequer se lembrava qual era o padrão que tinha gostado, ao fim de não sei quantas horas regressámos a casa, eu carregada e mais morta que viva e ela... de mãos a abanar!

Jurei para nunca mais, nem com ela, nem com mais ninguém (abri raras exceções ao maridão, mas esse ainda tem menos paciência que eu, de modo que não é problema)! Embora costume fazer as compras com calma, para evitar o stress, este ano não deu. Mas facto é que já me despachei da incumbência e até dos embrulhos - sim, porque isto de ir para as longas filas de alguns hipermercados e lojas é para masoquistas! E até é a parte mais divertida...

Agora resta aguardar serenamente que o dia chegue e que a festa familiar decorra o melhor possível, já que este tem sido um ano muito difícil para todos, por razões do domínio público e privado!

10 comentários:

  1. Ontem acabei por sofrer com os Centros Comerciais, não por lá ter entrado mas pelo caos de automóveis pelo qual tive de passar para sair e entrar em casa, tudo direito ao Centro lá da zona. Por isso é que compras são feitas ao longo do ano, sem stress. Beijoca, Teté!

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  2. Também não tenho pachorra nenhuma para compras, Teté. Esta época para mim era um martírio até há dois anos. Agora encontrei uma solução. As livrarias resolvem quase todos os problemas.

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  3. Agora imagina o que é viver perto do estádio do Benfica, RAFEIRITO, quando há jogos importantes... Garanto que também não tem muita piada! ;)

    Beijocas!

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  4. Para ser sincera, CARLOS BARBODSA DE OLIVEIRA, "adiro" mais aos chocolatinhos! Até porque a minha malta nem é muito de leituras... :)

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  5. já comprei e dei à putalhada da famelga. Ohhhhh, hora e meia perdida da minha alma :(

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  6. Xi, ca pressa, MOYLITO! Assim os putos não têm nada no sapatinho... ;)

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  7. dei aos pais para lhes darem a eles. têm que aprender a controlar a ânsia :)

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  8. Ah, bom, MOYLITO, tanta ansiedade na entrega parecia-me estranha... :))

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  9. Sei bem do que falas. A minha mãe sofre do mesmo mal que a tua, no que toca à parte de entrar em todas as lojas e remexer em tudo. Já eu sou muito mais objectivo, perdendo apenas o tempo necessário para escolher e pagar.

    Este Natal vai ser o pior dos últimos anos. Ora porque o dinheiro faz falta e é em menor quantidade ora porque até há dinheiro mas há que prevenir os tempos que se seguem. O que vale é que para ter comida na mesa e boa companhia só é preciso vontade :)

    Já me livrei dos centros comerciais mas ainda me faltam 2 ou 3 presentes para a malta mais velha da família. Os mais complicados, porque não querem ou porque não precisam de nada.

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  10. Pois, W, nesse aspeto também sou como tu: olho, gosto, provo (no caso de roupa) e, se fica bem, compro e acabaram-se as hesitações! :))

    Não tenho pachorra para gente que hesita e não se decide! Mas tenho a mesma dificuldade com alguma malta mais velha da família, de modo que normalmente ofereço chocolates, porque são todos uns gulosos... :D

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)