quarta-feira, 27 de abril de 2011

O CARTEIRO DE PABLO NERUDA

Alguns livros (e filmes) são assim: tanto cativaram leitores (ou cinéfilos), que quando os procuramos não os encontramos. Esgotam! E um dia, num bambúrrio de sorte, encontramos uma edição de bolso a um preço módico e não há que pensar duas vezes...
"O Carteiro de Pablo Neruda", de Antonio Skármeta, foi um desses livros - assim que o vislumbrei, num suposto breve passeio por uma livraria (já sei que não posso, sem incorrer em "consumismo"!), foi tiro e queda. E depois de folhear as primeiras das 140 páginas, percebi que a leitura iria ser voraz!
Filho de pescador, Mario Jiménez não demonstra a mínima apetência em seguir as lides da pesca, prefere pedalar na sua bicicleta. Mas o pai não está disposto a "fomentar a moleza" do jovem e, quando este por acaso encontra um anúncio para carteiro, não resiste em responder. Dado o analfabetismo generalizado na Ilha Negra (Chile), há apenas um cliente - Pablo Neruda. O deslumbre de Mario cresce com um "formidável", apesar dos avisos de Cosme, seu chefe: "Formidável? Recebe quilos de correspondência todos os dias. Pedalar com a sacola às costas é o mesmo que levar um elefante aos ombros. O carteiro que o servia reformou-se marreco que nem um camelo"; ou "o salário é uma merda". Mas ele aceita o cargo, com o entusiasmo dos seus 17 anos, em Junho de 1969. 
O fascínio que o carteiro tem pelo poeta leva-o a alguma impertinência, insistindo para que este lhe dê a conhecer as metáforas, com as quais pretende seduzir Beatriz, a rapariga por quem está profundamente apaixonado. A improvável amizade, lealdade e cumplicidade entre os dois homens floresce, no decurso de uma época conturbada da história chilena - a da ascensão ao poder de Salvador Allende até ao seu assassínio e os dias que se seguiram (1973). Mas nem por se tratar de um Nobel da Literatura ou de um político proeminente, a acção deixa de incidir no humilde carteiro...
Como se pode ler no prólogo, o enredo é ficcional, embora com algumas personagens verídicas, e demorou catorze anos a ser escrita: "Beatriz González, com quem almocei várias vezes durante as suas idas aos tribunais de Santiago, quis que eu contasse por ela a história de Mario, «não importa quanto demorasse nem quanto inventasse». Assim, desculpado por ela, incorri em ambos os defeitos."  
ADOREI! Agora... é só apanhar o filme a jeito!
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Ainda a propósito de livros, a 81ª  edição da Feira do Livro de Lisboa abre as portas dos seus stands amanhã, 28 de Abril, e encerrará dia 15 de Maio de 2011. No Parque Eduardo VII, para não variar...

22 comentários:

  1. Já vi o filme. Se bem me recordo, o actor que faz de carteiro tem a penca maior do que a minha, o que só por si é um feito!

    Beijocas!

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  2. A poesia não é de quem a escreve, é de quem a usa!

    [esta frase linda é do carteiro, muito assim de memória, e é apenas um dos momentos extraordinários do filme]

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  3. Bem, também vi o filme. O tema é interessante. Mas ao contrário do Rafeiro, não recordo a penca do carteiro, mas sim a beleza da Beatriz.

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  4. Também já vi esse excelente filme. Não me recordo do nariz do actor que faz de carteiro, só sei, que morreu pouco tempo depois de termirarem as filmagens.

    Ainda há pouco tempo estive com o livro na mão, mas fui dura comigo mesmo, e não o comprei. Sei, no entanto, que é um livro para ler mais tarde ou mais cedo. Talvez, até seja ideal para se ler e discutir no Círculo Literário.

    PS: Estou farta de ouvir falar da política portuguesa, hoje duas horas ao telefone com uma familiar no Porto, mas a Catarina e o Guilherme também já me começam a aborrecer.

    Agora vou ver um Krimi alemão, que são quase sempre péssimos, mas este foi filmado em Düsseldorf.

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  5. Nunca li o livro, mas adorei o filme que já vi pelo menos duas vezes. Comprar livros não é consumismo, Teté!

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  6. Também já li. Mas como muitos livros que li, preciso de reler. Muita palavra fica esquecida. Sou assim, desmemoriada. Sei , no entanto que gostei. O filme nunca vi. :)

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  7. Ainda não vi o filme nem li o livro mas tive pena :s

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  8. Comprar livros não é consumismo, Carlos, é só uma razão muito forte para pedir o divórcio.
    Perguntem ao meu "Kraut"!!!

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  9. Bem-vinda, CACAROL!

    Somos duas! :D

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  10. O actor "pencudo" morreu logo a seguir ao filme, RAFEIRITO, de modo que já não te faz concorrência... :n

    Beijocas!

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  11. Se o filme for tão bom como o livro, MOYLITO, tem de tudo, incluindo poesia... :))

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  12. A beleza de Beatriz é muito louvada no livro, em inúmeras metáforas, CARLOS! Mas como o filme ainda está para ver, não sei se vou achar mais notório a penca do actor ou a beleza da actriz... :)

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  13. Olá Teté, ora aqui está um livro que aguçou o meu interesse. Eu sempre gosto deste tipo de histórias cujo romance não é centro do enredo. Não que eu não goste de romance porque gosto, mas em quantidades QB e sem muitas lamechices.
    Se apanhar este livro vou sem dúvida fazer com tu e adquiri-lo. Aliás gosto de livros usados não sei porque. Parece que dão outra experiencia. Beijos e boas leituras.

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  14. Também soube que o actor tinha morrido logo a seguir às filmagens, EMATEJOCA, mas o livro é um "must"! Com ou sem Círculo Literário... que nem sei se provoca grande "discussão", especialmente para quem está longe da história do Chile dos anos 70... :)

    Quanto à política portuguesa, facto é que anda muita gente preocupada, o que acaba por se reflectir também na blogosfera. Mas acho que ainda muito mais está para vir, portanto é melhor estares preparada... :(

    O Gui ainda sei quem é, a Catarina nem por isso!

    Krimis também nunca vi... :D

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  15. Consumismo está entre aspas, CARLOS BARBOSA DE OLIVEIRA, mas de facto não resisto à oportunidade de comprar um livro que quero realmente ler, mesmo que ainda tenha uma longa fila de espera de outros pendurados na estante... ~xf

    O filme ainda hei-de encontrar! :D

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  16. Relê, que vale a pena, LUISA! Quanto ao filme, também ando a ver se o "apanho"... há muito tempo! :)

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  17. Bom, já tenho meio caminho andado, LOPESCA! :))

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  18. Razão para pedir divórcio, EMATEJOCA?!? Possivelmente deve depender do número de livros comprados!

    Mas já li sobre razões bastante mais irrisórias, portanto a surpresa é relativa... :D

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  19. Suponho que vais gostar, PSIMENTO! O romance está lá, mas a vida não é só romance. O "pano de fundo" pode ser histórico, mas também não é tema central. No fundo, o enredo gira em torno da vida de um humilde carteiro... :)

    Beijocas!

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  20. Não li, confesso. Mas vou colocar já na lista de "urgentes". E tentarei ver também o filme.

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  21. Acho que vais gostar, SUN! :D

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)