quinta-feira, 29 de maio de 2008

A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS

A Tons de Azul e a Jasmim aconselharam vivamente a leitura d' "A Rapariga que Roubava Livros", de Markus Zusak, que por sinal já se aconchegara aqui na prateleira dos "próximos a ler".

A narração compete a uma figura macabra: a Morte! Que não se assemelhando a uma ceifeira cadavérica, encapuzada de preto de foice na mão, vai observando a "estranha natureza dos humanos", num dos períodos mais negros da Humanidade - o Holocausto! Num zelo incansável recolhe 40 milhões de vidas (embora actualmente alguns pretendam "apagar" essa realidade histórica), enquanto de passagem encontra a pequena Liesel Meminger três vezes.

A menina, de 9 anos, assiste ao último suspiro do irmão mais novo, quando ambos vão ser entregues pela mãe a famílias de adopção, por circunstâncias que só posteriormente nos são reveladas.

Na Rua Himmel*, nos arredores de Munique, encontra um novo lar na casa dos Hubermann, onde reina uma Rosa aparentemente despótica e de linguajar ordinário, submetendo um Hans doce e compreensivo, pintor de paredes quase sempre desempregado, a ganhar alguns cobres como acordeonista. O crime dele? Pertencer aos 10% da população alemã que não concordava com os ideais de Hitler. Este pai adoptivo vigia o sono pejado de pesadelos da rapariga e, mesmo sendo pouco instruído, vai-lhe ensinando as letras e as palavras, através do primeiro livro que ela "roubou" (ou achou?), perdido na neve após o funeral do irmão: "O Manual do Coveiro"!

Muitas outras personagens se entrelaçam neste enredo: Rudy, o grande amigo, deslumbrado pelo atleta negro Jesse Owen; Max, o pugilista judeu encafuado na cave da família, devido a uma promessa antiga; a infeliz mulher do Presidente da Câmara, que deixa a janela da biblioteca aberta para que a rapariga possa entrar, sair ou roubar; e, claro, uma série de nazistas empedernidos.

Julgava-me incólume a emoções tão avassaladoras, desde que na adolescência li o"Diário de Anne Frank" ou "O Meu Pé de Laranja Lima", com os quais chorei desalmadamente. Erro! Uma lagriminha à toa sempre escorrega de vez em quando, mas um caudal interminável assim à conta de um livro, pois, desde essa época...

Sem pretender desvendar o final, fica uma única citação:

"Sabem, as pessoas podem dizer-lhes que a Alemanha nazi foi edificada no anti-semitismo, um líder um tanto ou quanto zeloso, e uma nação de fanáticos empanturrados de ódio, mas tudo isto teria dado em nada se os alemães não adorassem uma actividade especial.

Queimar.


Os alemães adoravam queimar coisas. Lojas, sinagogas, Reichtags, casas, artigos pessoais, gente assassinada e, é claro, livros. Eles apreciavam realmente uma boa queima de livros [...]"


*******
* Como alguns certamente sabem, "himmel" significa "céu" na língua alemã. E não é que os habitantes da rua acreditavam que nunca iriam ser bombardeados, porque ninguém se atreveria a bombardear o "Céu"?

28 comentários:

  1. Vejo que gostaste do livro! :)
    Considero que está muito bem escrito e a sua história realmente consegue emocionar.
    Os livros que descrevem momentos do Holocausto são sempre impressionantes.

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  2. Não gostei, TONS DE AZUL: ADOREI!

    Já não chorava assim há muitos anos, por causa de um livro...

    Em pequeno àparte: o prof. de português do filhote arranjou um filme/documentário sobre o "Diário de Anne Frank", que começou a passar na aula, mas teve de findar a sessão, porque metade da turma já estava a chorar compulsivamente...

    Como dizia o poeta: "Quem não se sente, não é filho de boa gente!"

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  3. Parece ser um livro muito interessante e eu como ando sempre a ler (tenho todo o tempo do mundo), vou ver se vejo esse livro na blblioteca.
    Beijos :)

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  4. é um assunto demasiado presente na minha vida para ter estofo, neste momento, para falar com esta senhora (a morte)! tenho ouvido excelentes criticas, quem sabe um dia!

    ("A menina, de 9 anos, assiste ao último suspiro do irmão mais novo...")

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  5. Ah, CONCHITA, este livro é uma emoção pegada! Ou, pelo menos, assim o senti!

    Quanto a teres todo o tempo do mundo, não és a única, ando para escrever sobre isso mas ainda não ganhei coragem. É que a temática dá pano para mangas...

    Jinhos! ;)

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  6. Não sei que te diga...

    Tem um bom dia, Teté!

    Bjs.

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  7. INÊS, nem eu própria estava com estofo para tanto, só que ainda não sabia... ;)
    Mas se e quando o pegares, vais ver que não consegues parar de o ler! (lenços por perto são aconselháveis)

    Sem palavras, CAPITÃO?
    Tem um bom dia tu também!
    Bjs.

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  8. Vou lê-lo tambem e depois digo-te o que pensei.....mas pelo que dizes deve ser mesmo muito interessante.

    Beijokitas

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  9. eu era capaz de bombardear o ceu!
    quando era mais novo tive a sensação que isso estava a acontecer quando experimentei peta-zetas e sofri bastantes impactos no palato (ceu da boca) acompanhados de estalos!

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  10. eu lembro-me dessas petazetas ò vicio...alto bombardeamento, xiii...

    o livro encheu-me de curiosidade, mas não o vou ler. Não tenho mesmo estofo. Tb não consegui ler o diário de ann frank. Tal como não consegui ver a lista de shindler (fiquei mal disposta logo no inicio). Tal como não consigo ler nada que se relacione com o holausto...todos têm alguns traumas, esse é um dos meus... ;-)

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  11. Adorei o livro, li-o quase de rompante! comoveu-me muito, lembrei-me das noites que passei em branco a ler, à luz do candeeiro a petróleo, o meu pé de laranja lima, tinha então 8 ou 9 anos.

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  12. Fiquei curiosa com o livro, mas estou como a outra Inês, não sei se tenho estofo para isso agora. Talvez um dia...
    Mas vou dá-lo ao meu marido que tem o holocausto como um dos temas preferidos, aliás toda a história desse período. Já agora podes-me dizer se a qualidade da tradução é boa? É que ele é um "chato" nessas coisas...

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  13. PARISIENSE, mune-te de lenços, OK?
    Mas quando o leres, diz-me o que achaste, mesmo que seja daqui a uns tempos, noutro tema qualquer...
    Jinhos, nina! :)

    Peta-zetas, VÍCIO??? Nunca tinha ouvido falar, mas aqui o filhote já me explicou... :)

    VAN, também me emociono imenso com livros e filmes que se relacionem com o holocausto. Mas vejo, e leio, porque é bom que as pessoas não se esqueçam que aquela realidade existiu - por mais que alguns a pretendam "apagar".
    Não te vou contar a história toda, porque de qualquer das formas ias chorar à mesma com o "resumo"... ;)

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  14. JASMIM, esse li-o mais tarde, lá para os 13 ou 14 anos, e foi um autêntico dilúvio lá em casa...
    Agora, já mais "crescidinha" julgava que estava imune a essas emoções, mas afinal não...

    INÊS, pois da tradução não te sei dizer, não notei nada assim de muito aberrante.
    Mas se ele gosta do tema, tem lá muitas datas (suponho que de trabalho de pesquisa do autor) que vão acompanhando o enredo, não notei nenhum desfasamento histórico - se bem que não saiba as datas dos bombardeamentos, como é evidente.
    Jinhos!

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  15. Alguém que não lembro quem já me falou desse livro.Li também "meu pé de laranja lima" e o "Diário de Anne Frank" e também chorei horrores.Esse é provável que eu leia,apesar de estar a preferir coisas mais alegres(pois,já sou triste de natureza e alimentar é coisa que não devo...assim me dizem...).De todo modo registro que poderias ser uma crítica literária,pois escreve de um jeito que deixa a todos com vontade de ler para ver se é isso mesmo ou se consegue ter uma concepção diferente.Parabéns!
    Beijo e cheiro pra ti!

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  16. Xi, KÁTIA, crítica literária, eu??? :)))

    Não és nada triste por natureza, amiga, só que há momentos menos bons na vida de todos nós...

    Mas se leres este livro, vais ficar "por conta da emoção", se bem te conheço virtualmente...

    Jinhos, nina!

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  17. Ora aqui está um livro que tenho que ler.

    É curioso como qualquer regime totalitáriozinho que se preze tem a sua fogueira ou index... os livros são perigosos: transmitem ideias!!!

    beijos

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  18. Nem mais, LEONOR!

    Quando nos querem "lavar o cérebro", é preciso evitar a todo o custo que as pessoas leiam pensamentos diferentes daqueles que nos pretendem impingir... :)

    Aliás, a própria Igreja Católica tem uma longa tradição nessas práticas!

    Jinhos!

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  19. agora apareceu-me aqui uma duvida à porta e como nao sou de negar ajuda a quem precisa deixei-a entrar...
    porque é que tu, ja sabendo a historia, fim e tudo isso, ainda vais ler o livro? nao tinha mais piada ler sem saber nada? :x

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  20. Achas que o ia ler se soubesse o fim, FAUSTO?

    O fim, só soube no fim de o ler...

    Mas já sabia que estas histórias da II Guerra Mundial acabam por me emocionar imenso (qué pra não dizer "fazem-me chorar baba e ranho")...

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  21. olá
    este foi o último livro que li e achei fantástico. tal como tu, chorei. Mas tb ri muito.
    Adorei.
    boas leituras

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  22. Bem-vinda, PATRÍCIA!

    Também adorei este livro! E pelos vistos os leitores da blogosfera (e não só)são unânimes quanto a ele...

    Continuação de boas leituras para ti também! :)

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  23. Anónimo6/27/2008

    A minha Cunhada, que é expert em boas leituras, diz que esta a adorar ler o livro, tenho que o ler também...
    Depois digo o qeu achei

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  24. Então faz isso, anónimo/a!

    Por mim, gostei muito! Mas claro que as pessoas têm gostos diferentes... ;)

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  25. a anónima de cima8/05/2008

    Finalmente terminei a leitura, entre as poucas horas livres que disponho e as muitas ocupadas que consegui "roubar", lá fui avançando. O livro é realmente um encanto com um final absolutamente delicioso...E muito bem escrito!

    É outra visão do Holocausto do ponto de vista de uma pequena Alemã..a melhor Sacudidora de Palavras a que compreendia o verdadeiro significado delas...

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  26. A ANÓNIMA DE CIMA, ainda bem que gostaste!

    Por mim, foi dos livros que gostei mais de ler nos últimos tempos e tenho lido livros excelentes, este ano!

    E sim, é uma outra visão do Holocausto!

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  27. "Pertencer aos 10% da população alemã que não concordava com os ideais de Hitler"

    Estou chocado com esta frase!
    É o mesmo que dizer os 10% de Portugueses que não concordavam com Salazar...

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  28. É preciso ver o contexto histórico, BRUNO! A Alemanha tinha perdido a I Guerra Mundial, teve pesadas "multas" a pagar aos vencedores, a moral do povo alemão estava pelas ruas da amargura, enquanto trabalhava incansavelmente para recuperar o país. E aí surgiu um homem a clamar pela dignidade do povo, a incentivá-lo a ter orgulho na sua pátria, a trabalhar arduamente por ela. E foi eleito democraticamente em 1933.

    Não tenho dúvidas que Salazar, de início, também tinha imensos apoiantes, que Portugal também vinha de uma I República "sem rei nem roque", que também vivenciou uma I Guerra Mundial ditada pelos republicanos. Mas o ditador português nunca foi eleito e, com o avançar dos anos, demonstrou uma enorme incapacidade de modernização, a muitos níveis. No final de cerca de 40 anos de governação, com mais uma guerra inglória em várias frentes nas "colónias", só os métodos pidescos lhe conseguiam garantir o poder...

    Chocado, não percebi porquê... ;)

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)