quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MAÇÃS ASSADAS

Sem castanhas e vinho também se faz o São Martinho! Com maçãs assadas e um cálice de Porto que, não sendo da tradição, caem sempre bem.
Castanhas à venda não faltavam, mas como os meus homens (eheheh, soa um bocadinho mal, mas pronto!) iam chegar tarde e elas são  boas é quentinhas, toca de mudar a ementa da sobremesa. Assim, enquanto bebericava o líquido castanho avermelhado, fui untando um pirex de ir ao forno com margarina e derreti um pouco da mesma num púcaro e em lume brando. Lavadas as maçãs reinetas, com uma faca afiada - há quem use um descaroçador, mas eu não tenho - escava-se um furo de lado a lado no centro de cada maçã, para retirar as sementes. Colocam-se no tabuleiro, e deita-se uma colher de sobremesa de açúcar no buraco, depois uma colher de sopa com a margarina derretida, outra de vinho do Porto e mais outra de sobremesa de açúcar para finalizar este "recheio". Et voilá! Coloca-se no forno a 200º e é esperar que elas assem, enquanto se aprecia o que sobrou do precioso néctar...
O tempo varia consoante os fornos e a preferência por mais ou menos assada, eu que gosto delas quase desfeitas regulo para 25-30 minutos. No final, é só colocar uma colher de chá de geleia de marmelo no centro de cada maçã. Esta por acaso é de compra e não é tão boa, no ano passado a minha irmã ofereceu-me no Natal um frasco de uma geleia que fez em casa, que era simplesmente divinal! Espero que este ano tenha a mesma lembrança, eheheh!
E pronto as belas castanhas ficarão lá mais para o fim de semana, mas as deliciosas maçãs serviram de consolo...
BOM APETITE!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A REDE SOCIAL

Não foi um grande entusiasmo que me motivou a ver este filme, mas apenas mera curiosidade. Além de alguma controvérsia que certamente vai gerar - a história é real ou fictícia? E a resposta é NIM, ou seja, nem uma coisa nem outra! Baseado no livro do jornalista Ben Mezrich "The Accidental Bilionaires - The Founding of Facebook, a Tale of Sex, Money, Genius and Betrayal", adaptado ao cinema por Aaron Sorkin, "The Social Network" (no título original) foi realizado por David Fincher.
Mark, um jovem caloiro de Harvard, gaba-se do seu talento informático e inteligência a Erica, mas isso não a impede de terminar o namoro. Nessa noite o rapaz embebeda-se e escreve no seu blogue que ela é uma cabra, enquanto inventa uma espécie de jogo (Facemash) que envia a alguns colegas, para escolher a rapariga mais sensual entre fotografias verdadeiras retiradas de várias bases de dados universitárias. O que imediatamente se transforma num enorme sucesso entre os estudantes e congestiona a rede ao ponto desta cair (ou crashar). A faculdade castiga o aluno, mas as raparigas também o excluem de qualquer convivência. Como se não bastasse, o seu melhor amigo, Eduardo, recebe um convite para se juntar a uma irmandade elitista, o que ele também muito ambicionava. Quase simultaneamente, três membros de outra comunidade de elite (muito apreciadas nos States) convidam-no  para programar um projecto de comunicação que têm em mente - Harvard Connection. Aceita, o que afirma ser fácil, mas durante cerca de dois meses protela a sua execução. Até que estes se confrontam com The Facebook, com uma série de adeptos ao fim de poucas horas, constando como fundadores os nomes de Mark, Eduardo e dois outros rapazes. Entretanto, o jovem empresário falido Sean Parker combina um encontro com os dois estudantes e fornece-lhes algumas ideias para se expandirem. Mas enquanto Mark as aceita incondicionalmente, Eduardo desconfia da fama do empresário boémio, envolvido com drogas, o que provoca o princípio do desentendimento dos dois amigos. O resultado final  da rede social é sobejamente conhecido, mas o argumento incide primordialmente nos processos judiciais a que deu azo. Como é notório: 


Gostei, mas dificilmente será um dos filmes da vida de alguém! Nem de Mark, "retratado" aqui como um nerd pouco vocacionado para relações sociais, cuja ambição desmesurada - não especificamente por dinheiro, mas pelo reconhecimento da sua genialidade - o leva a trair o próprio amigo... (o spoiler entre a ficção e a realidade ficará para depois, que não vos quero estragar o prazer de ir ao cinema...)
Apesar de pouco conhecidos, Jesse Eisenberg e Andrew Garfield (um gato, mesmo!) interpretam os principais papéis segura e credivelmente, enquanto Justin Timberlake, num papel secundário, recebe mais louros. É a vida!

Não se fazem 500 milhões de amigos sem se encontrarem alguns inimigos? 
(Hummm... para que é que alguém precisa de 500 milhões de amigos? Na verdade, nem um nem outro têm... mesmo tendo em conta que ambos estão lá desde os primórdios!!!)

ADENDA COM SPOILER:
Resumindo: o filme parte de alguns factos reais - Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin e dois outros colegas fundaram o Facebook no começo de 2004, sendo que a idealização informática coube essencialmente a Mark e a Eduardo o financiamento inicial; os gémeos Cameron e Tyler Winklevoss e Divya Narendra convidaram Mark para um projecto idêntico, mas que se confinava às paredes de Harvard; tanto estes últimos como Eduardo processaram posteriormente Mark em tribunal, mas ambos os processos foram decididos extra-judicialmente, com o pagamento de avultadas indemnizações; Sean Parker foi afastado da função de presidente do Facebook, após ter sido preso pela posse de cocaína. Tudo o resto é mais ou menos ficção, para manter o interesse do público! 

Imagem de cena do filme da net.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

JANTAR COM AMIGOS

"Dinner with Friends" é o título original deste telefilme de 2001, realizado  por Norman Jewison e baseado na peça premiada de Donald Marguiles, que se desenrola em ritmo de diálogos sobre o casamento e a amizade.
Gabe (Dennis Quaid) e Karen (Angie MacDowell) formam um casal feliz e bem sucedido, que se dedica à gastronomia e à edição de livros e artigos de culinária, enquanto cria dois filhos e mantém uma relação muito próxima com outro casal durante mais de uma década. Contudo, ao convidarem Tom (Greg Kinnear) e Beth (Toni Collette) para mais um jantar gastronómico, fruto de uma aprendizagem efectuada por terras italianas, Beth aparece só com os seus filhos, desculpando-se que o marido está em viagem. Embora entusiasmados a relatar as suas peripécias em Roma, percebem que a amiga está distraída e esta acaba por confessar que Tom encontrou outra mulher e o processo de divórcio está em curso. 
Esta confissão choca o casal, que tende a tomar partido por um ou outro, o que começa a pôr em causa o próprio relacionamento. Com o desenrolar dos acontecimentos, a sensação de terem sido traídos pelos amigos agudiza-se, não só por estes ocultarem aspectos importantes da sua vida a dois, como por secretamente nutrirem  uma certa inveja por um casamento que consideravam perfeito: o deles!
O tema em si dava uma longa discussão sobre o que é um casamento perfeito. Que, no meu modesto entender, só existe em contos de fadas! A principal diferença entre os dois casais do filme (muito semelhante aos da vida real), é que um está apostado em envelhecer em conjunto a todo o custo, enquanto o outro só sente a adrenalina e o "rejuvenescimento" com um novo parceiro... (claro também que os elementos do casal podem não ter a mesma perspectiva ou surgirem outros imprevistos que determinem a separação)
Também acredito que a verdadeira amizade não acaba após um divórcio alheio (nem que fosse próprio)! Essa é aquela questão que nunca vou entender, porque amizade não tem grau ou posto de antiguidade, muito menos é sinónimo de confessionário. Mas se alguém quiser explicar, até agradeço!  

Imagem de cena do filme da net.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

DRAGÕES INVISÍVEIS

Apesar do frio que já se fazia sentir, sentámo-nos na esplanada para um lanche ao entardecer. Os patos nadavam calmamente no lago, fugidios como sempre à máquina fotográfica. O empregado entregou a torrada "com muita manteiga" na mesa atrás, reparei vagamente que o pedido era o número 3, na nossa era o 2. Irrelevante, já que a nossa chegou poucos minutos depois. Aí, o tal cliente "preferido" avisou: "Cuidado com os pombos, que sujam tudo", acenando a cabeça na direcção do pequeno telheiro de ripas metálicas. Não vislumbrámos nenhum pombo, mas concordámos educadamente...
- Quem é que faz as nuvens no céu? - perguntou logo de seguida. Após uns segundos de silêncio, respondi sorridente: "Não sei, mas tenho a certeza que eu não sou!" Duvido que tenha ouvido, porque imediatamente explicou que eram os "dragões que pairam no ar e invisíveis para os olhos humanos, como tantas outras coisas que nos rodeiam e não vemos". 
O homem falava enquanto mastigava a torrada, julguei ter percebido mal. Mas não! Porque apanhando desprevenidos dois ouvintes calados, desenvolveu a sua teoria do universo em mutação movido a dragões e cobras, que os cientistas não sabiam explicar, com a imensa verborreia de uma pessoa culta e bem falante, mas que entrou em "curto-circuito".
Loucos à solta a precisar urgentemente de medicação devem existir por aí bastantes, não sei se devido à própria solidão ou a qualquer outro imperativo de alheamento da realidade. Mas também não descartámos a hipótese de termos sido alvo de uma qualquer brincadeira ou experiência: na dúvida, terminada a ligeira refeição, desejámos "boa tarde!" ao fulano e ala que se faz tarde... 
Há encontros demasiado estranhos, sem ser no mundo da bola!!!

sábado, 6 de novembro de 2010

BOOKCROSSING

Já tinha ouvido falar vagamente de bookcrossing, quando recentemente li um post da Papeladas que explicava melhor os objectivos da iniciativa. Mesmo assim a ideia não me seduziu por aí além, até porque estimo demasiado os meus livros para os largar por aí ao deus-dará.
Coincidência ou não, ontem o Rui da Bica sugeriu esta acção, congeminada do outro lado do Atlântico (mas não interessa muito para o caso!), a ter lugar já na próxima segunda-feira, dia 8 de Novembro. E resolvi aderir! Note-se que não vou "esquecer" nenhum dos livros da minha estante, mas por sinal tenho dois ou três repetidos, vou "abandonar" um para quem o queira apanhar...
Resumindo: basta deixar o livro num local público, com um bilhetinho dentro das suas páginas a esclarecer que não foi esquecimento mas bookcrossing e que deve ser  devolvido "à rua" depois de lido. (não me parece essencial que seja o mesmo livro, embora isso caiba a cada um decidir, na esperança que não seja aquele calhamaço antiquado que ninguém teve vontade de ler!)
Há ideias fantásticas! Que talvez resultem...

BOAS LEITURAS!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CAMINHAR ENTRE GENTE

Fotografia de Ian Britton

Então ontem, após mais um banho de gel, resolvi regressar a pé para casa - sim, porque com as enormes chuvadas a carripana meteu água, não me apeteceu conduzir um lago ambulante. O percurso não é longo, nos tempos de liceu (até mais distante) fazia-o diariamente, conhecia cada estabelecimento comercial como a palma da minha mão. Como o Natal está a chegar, dar uma espreitadela às montras não me pareceu má ideia, inclusivamente antevendo os presentinhos da época.
A tarde fantástica de céu azul e temperatura amena convidava ao passeio, mas do dito comércio tradicional reconheci muito pouco: o bazar do senhor Jorge (será?) cheio de flores artificiais à porta e uma vitrina com tampos de sanita baratos - que rica prenda, hein?; uma sapataria que permanece incólume, com um aspecto limpo arejado; a de electrodomésticos idem; três mercearias que exibem maçãs vermelhas, dióspiros laranjas e uvas verdes (brancas onde?) em escaparates à porta, que prendem a atenção dos transeuntes pelo colorido e pelo ténue aroma - numa delas, o empregado cumprimentou-me; as farmácias modernizaram-se e as padarias têm um ar mais asseado do que antigamente. 
Mas tudo o resto?  As lojas que sobreviveram ao tempo parecem escuras, feias ou até sujas, com as montras atravancadas de objectos de gosto muito duvidoso, que nunca viram um espanador em cima. No pronto a vestir, por exemplo, impera uma moda do género que a minha mãe seria capaz de usar há 30 anos. As que desapareceram deram lugar a estabelecimentos de comes e bebes, algumas com pomposos nomes de pastelaria ou cervejaria, mas que tresandam às tascas antigas - cheiram a vinho e a fritos gordurentos quando se passa por perto, com poucas excepções! Evidentemente também não faltam lojas de chineses ou indianos, sendo que essas são indefinidas em relação ao ramo de comércio. A escapar à "regra" só uma de bicicletas, mesmo que a maioria dos residentes na zona já tenha pouca pedalada para essas andanças!
Fica sempre a dúvida de como o comércio tradicional quer competir com a enorme e poderosa concorrência se não faz nada por se modernizar. O que resta e agrada é aquela convivência rotineira, de pessoas que se conhecem e param para cumprimentar ou trocar algumas palavras, tratando-se pelos nomes próprios, como reminiscência de uma velha aldeia perdida no mapa do tempo...

BOM FIM DE SEMANA!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

AS MINHAS ILUSÕES

Fotografia de Ian Britton

Hora sagrada dum entardecer
De Outono, à beira-mar, cor de safira,
Soa no ar uma invisível lira...
O sol é um doente a enlanguescer...


A vaga estende os braços a suster,
Numa dor de revolta cheia de ira,
A doirada cabeça que delira
Num último suspiro, a estremecer!

O sol morreu... e veste luto o mar...
E eu vejo a urna de oiro, a balouçar,
À flor das ondas, num lençol de espuma.


As minha Ilusões, doce tesoiro,
Também as vi levar em urna de oiro,
No mar da Vida, assim... uma por uma...

Florbela Espanca, in "Sonetos"

Apenas uma sensação muito presente neste Outono, que a poetisa explanou bastante melhor que eu... (o que não é tão difícil assim!)
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

LÂMPADAS E CANDEEIROS!

Aqui há pouco mais de três anos, ao fim de várias semanas de obras em casa, depois de tudo limpo e arrumado, o foco de luz que iluminava a secretária e o computador partiu e pifou. OK, já tinha uns dez anos de serviço praticamente diário, obviamente este tipo de candeeiro não dura para sempre. Nem sequer era especialmente caro ou sofisticado. Mas pronto, embora não desse jeito mais uma despesa naquela altura do campeonato, resolvemos que compraríamos um que combinasse melhor com a nova decoração.
Assim, num final de tarde, fomos ao centro comercial e lá descobri um candeeiro de secretária com umas linhas estilizadas, cor de aço e que ainda por cima ocupava menos espaço. Ouro sobre azul, com a desvantagem de ser bem mais carote que os restantes em exposição na loja. Nenhuma exorbitância, evidentemente, mas com um preço excessivo para a sua funcionalidade. Convenci o maridão, porque "é coisa que não se compra todos os dias" e subsequente blablablá.
Este Verão, a lâmpada fundiu. Entretanto, a loja do centro comercial fechou. Percorremos todas as grandes superfícies à procura de uma lâmpada idêntica e nada! No comércio tradicional, um lojista avisou-me que é comum fecharem algumas fábricas destes consumíveis "lá fora", daí desaparecerem do mercado. Luzinha ao fim do túnel, uma amiga informou-me que a loja ainda existe num outro centro comercial. Mas, quer dizer, a única esperança é que ainda possuam material em armazém, porque quanto ao resto vou reclamar de quê?
Se não gostasse tanto de ter uma boa iluminação em casa, já tinha optado pela luz das velas! Porque os "azares" com lâmpadas e candeeiros domésticos têm sido tantos, que se acreditasse em fantasmas à solta... nunca dormiria sossegada! Buuuuhhh...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

TRAÇOS (COM) SENTIDOS

Castelos distantes e irreais, gentes do nosso dia a dia ou criaturas fantásticas de formas voláteis ou monstruosas, a preto e branco ou com todos os coloridos imaginários, são preenchidos por traços finos, cheios ou luminosos nas pranchas de um sonho denominado 9ª arte. Com ou sem palavras a acompanhar!
Richard Câmara foi o autor em destaque nesta edição - o castelo do "rei esquecido" da fotografia saiu da sua caneta -  subordinada ao tema "O Centenário da República", mas vários outros trabalhos impressionaram pela sua criatividade e execução, de que seguem meros exemplos:


Além dos ínúmeros e divertidos cartazes, com frases mais ou menos humorísticas sobre a República, a caricatura também marcou presença.



  
"As Caretas da República", livro que reúne caricaturas e cartoons de Pedro Ribeiro Ferreira e Ricardo Galvão, com textos de Luis Miguel Pereira, em que se realça o protagonismo de cada um dos políticos ao longo do último século, chama a atenção do público. (aqui escolhi estas dos primórdios, porque muitas das restantes vemos quase diariamente na televisão - para não enjoar, topam?)



Por outro lado, o mais antigo filme de animação português realizado por Joaquim Guerreiro, estreado em 1923 e desaparecido pouco depois, também é exibido numa sala, após uma reconstituição efectuada por   Paulo Cambraia em 2001 e baseada em fotocópias dos desenhos originais. Muito curioso!

O Festival não se restringe ao tema, no piso inferior podemos constatar a participação de artistas de outras nacionalidades...

... em sinuosos labirintos onde se interligam culturas e tradições várias, com o toque de magia de quem dá vida e cor...

... a outros planetas!

Passo a palavra, porque o 21º FIBDA merece uma visita atenta! E prolongada, pelo menos para todos os que amam a BD...