terça-feira, 21 de maio de 2013

NO ESTRANHO MUNDO DE...

... uma escritora compulsiva, que ao longo de cerca de 40 anos escreveu mais de 700 livros. Desta vez não é nenhum enigma, apenas a apresentação do novo livro de Alice Vieira - "O Mundo de Enid Blyton" - que decorreu ontem ao final da tarde na livraria Buchholz, próxima do marquês de Pombal. Como o título indica, trata-se da biografia da famosa escritora britânica Enid Blyton. Nem por isso particularmente elogiosa... mas já lá vamos!

O convite chegou assim, atraente e apelativo, para aqueles que na infância foram vidrados nas aventuras dos  "Cinco" e dos "Sete" e das "Gémeas" e do "Colégio das Quatro Torres", entre tantos outros. Sobre esse fascínio infantil, já escrevi aqui, faz tempo.

Após umas breves palavras da editora, da apresentadora Cristina Ovídio e da leitura de alguns pequenos textos incluídos nas suas páginas - subordinados ao tema "Quem foi, para mim, Enid Blyton?" - de autoria de algumas das pessoas presentes, chegou a vez de Alice Vieira explicar as dificuldades que teve na pesquisa dos dados. Segundo ela, sem net teria sido impossível desenvolver a biografia, já que existe apenas uma outra oficial (supervisionada de perto por uma das filhas de Enid), e contactar os clubes de fãs que mantém até hoje, que organizam reuniões anuais e publicam algumas revistas periódicas. Mesmo nesses, encontrou algumas restrições: não se podia falar sobre o valor literário da sua obra. É que apesar da sua imensa dedicação à escrita e dos milhões de livros vendidos em todo o mundo, a inglesa nunca obteve nenhum prémio.

Sumariamente, os presentes também ficaram a conhecer as facetas menos abonatórias da mulher que viveu para escrever, mas que aparentemente estagnou nos 12 anos de idade depois do pai abandonar a família:  influenciou várias gerações de crianças, mas mantinha as próprias filhas à distância; traiu e chantageou o primeiro marido, nunca mais lhe permitindo ver  as meninas; embora o segundo marido permanecesse ao seu lado até morrer (já ela sofria de Alzheimer, morrendo cerca de um ano depois, num lar), não mantinha laços familiares ou de amizade com ninguém. Cerejinha no topo do bolo - odiava criancinhas por perto! 

Estas e outras "pérolas" estarão patentes nas 199 páginas da biografia, mas claro que do livro só falarei depois de o ler. Mas acrescento desde já que adorei a capa de Maria Manuel Lacerda, que me recordou o estado completamente decrépito daqueles que ainda resistem nas minhas prateleiras, depois de tantas vezes lidos e relidos...

A primeira imagem é da net, a segunda a do convite, a última colagem é a das fotos possíveis na apresentação.

26 comentários:

  1. Vi este livro sobre a escritora inglesa ontem, mas como já sabia esses pormenore da sua vida , não comprei.

    E devo dizer: adorei, adorei, "Os Cinco ", que li todos.

    Abraços, linda



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    1. Ó, SÃO, eu li e reli todos os que apanhei à mão da escritora, que foi a minha favorita durante toda a minha infância. E isso não muda, nem que ela tivesse morto a tiro a família inteira! No fundo, a vida pessoal de um escritor não interessa minimamente à maioria dos seus leitores, apenas o resultado do seu trabalho. Mas que não a imaginava nada assim, lá isso... :)

      Abraçinho!

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    2. Que exagerada, Teté! Chiça! : )))

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    3. Nem é exagero, CATARINA! O leitor até pode detestar o escritor em si, reprovar o seu comportamento ou crimes (pronto, OK, aí é um bocado exagero!), mas não impede que em tempos tenha sido o seu escritor favorito. O tempo não volta para trás, muito menos muda o passado.

      É possível que se deixe influenciar pelo que agora sabe dele e deixe de o ler (comigo não acontece, se bem que obviamente agora não tenha grande interesse em reler os livros da Enid, mas em razão da idade), mas não invalida ou muda o que em tempos adorou: os seus livros! :)))

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  2. Quem diria? Esta é a prova que nem tudo o que parece, é.

    Seja como for, Enid Blyton encantou-me com as suas histórias :)))

    Beijinho :)

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    1. É verdade, MARIA!

      Encantou-te a ti e a gerações de crianças no mundo inteiro, nada disso muda ao sabermos que pessoalmente não era grande simpatia... :)))

      Beijocas!

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  3. Engraçado como esta escritora conseguiu unir a minha geração e a dos meus filhos!
    Os meus livros foram lidos avidamente por eles...
    Quanto a saber todos estes pormenores pouco abonatórios não sei se vale a pena!
    Afinal o que se fica a ganhar?

    Abraço

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    1. Acredito que não se ganha nem perde nada, ROSA! Como aliás em nenhuma biografia, das quais nem sou grande leitora. Mas sendo Enid fiquei com curiosidade... :)

      Também a li compulsiva e exaustivamente, mas a geração do meu filho e sobrinhas nem lhe pegou... Suponho que devido a muitas outras solicitações e entretenimentos. Para mim, eles leem todos pouco. Têm outros interesses, não há volta a dar.

      Abraço

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  4. Recuso-me a comprar e a ler livros desta escritora - Alice Vieira. Sou de birras, bem sei, e perdoe-se-me por isso. Mas a "senhora" agendou, em tempos, por duas vezes visitas à "minha" escola por altura das "nossas" semanas da Biblioteca e das duas vezes faltou sem avisar defraudando assim as expectativas dos alunos e o trabalho dos professores. Por isso, para mim: chumbada!

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    1. Ó, GRAÇA, isso não parece nada da Alice, que por sinal conheço vai para mais de 15 anos: ela é amorosa!Nem deve ter havido outra escritora que percorresse o país de lés a lés para falar com alunos de inúmeras escolas e incentivá-los à leitura. Agora já não, porque embora ainda tenha imensa energia, óbvio que já se cansa mais aos 70 anos de idade...

      Claro que pode ter acontecido, que imprevistos nunca faltam na nossa vida! Mas que é estranho, é... :)

      Beijocas

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  5. Os livros da Enid Blyton vieram para ficar, a minha irmã agora com 9 aninho feitos em Abril, já vai para para o terceiro das Quatro Torres :) A minha irmã representa mais uma nova geração a ler os livros dela, fantástico não é?

    Eu que até virei os livros do Harry Potter com alguma sofreguidão, pergunto-me se é sucesso literário de época ou se conseguirá atravessar assim gerações.

    Beijocas

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    1. Ainda bem, POPPY, que a tua irmã te segue nas leituras! :)))

      O meu filho e as minhas sobrinhas não lhes pegaram, e na verdade foi dito na apresentação que embora os livros dela se continuem a vender, nos últimos anos tem havido um decréscimo de interesse. Mesmo assim, não sei se a Rawling se vai manter no "top" de vendas tantos anos quanto ela... :)

      Beijocas!

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  6. Fui um fã dos seus livros....ainda os tenho ali. Mas por trás de uma grande escritora há sempre um mundo desconhecido que, muitas vezes, nos surpreendem. E não é caso único....

    Quanto à Alice Vieira, Teté, vais desculpar-me não não tenho um opinião muito favorável sobre ela. Eu que até já falei com ela algumas horas....


    Beijinho

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    1. Claro que não é caso único, JP, o facto de ser um escritor que vende muito não faz dele ou dela uma pessoa simpática e sociável. Mas isso não impede que continuemos a gostar do que escrevem... :)

      Quanto à Alice, como já disse, conheço-a há mais de 15 anos e gosto muito dela! Mas claro que cada pessoa pode formar a sua própria opinião, o que por vezes também depende das circunstâncias... ;)

      Beijocas!

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  7. O que eu adorei ler os livros dos cinco... :) E ninguém é perfeito.

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    1. Também eu, LUISA! Nem imaginas quanto, metida numa cama em repouso absoluto durante uns meses, não sei o que seria de mim sem a sua companhia... :)

      E claro que ninguém é perfeito!

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  8. Também os li todos!
    É estranho que ela tenha sido assim tão distanciada dos filhos, das crianças e até das pessoas...mas por outro lado podemos pensar que se ela não fosse assim também não teria escrito aqueles livros...
    As pessoas são um todo cheio de qualidades e defeitos!
    Diverti-me muito e imaginei muitas aventuras com os livros dela.
    xx

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    1. Mas é isso mesmo, PAPOILA, se ela fosse uma pessoa mais sociável e uma mãe mais presente, não teria tido tempo para escrever tanto... :)))

      Estranhei porque não fazia o mundo dela nada assim, mas isso não tira pedaço à enorme aventura em que me meteu na infância e que perdura até hoje: ler por prazer! :)

      Não fomos só as duas, que entre os relatos lidos na apresentação não faltaram as ceias à meia-noite, a exploração de matas das redondezas e aquela mania dos clubes misteriosos... :D

      xxx

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  9. eu apesar de em criança ler o que me chamava a atenção numa biblioteca itinerante da Gulbenkian, que normalmente tinha muitos dessas colecções, nunca fui muito adepta dos livros da senhora. Mas, lembro-me que li alguns da Alice Vieira...

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    1. Eu da Alice li poucos, TETISQ, uma vez que ela começou a escrever para um público infanto-juvenil quando eu já tinha 20 anos. Os da Enid é que papei todos os que apanhei à mão... :)

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  10. Confesso que não fui grande leitor de Enid Blyton...
    Beijinhos

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    1. Pois eu fui, CARLOS! :)

      Beijocas!

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  11. Tb li todos os livros dos cinco e dos sete. Até fazia explorações à procura de tesouros quando passava alguns dias na casa dos meus avós. Eu e uma prima. Já não tenho esses livros. Tal como quase todos os outros... desapareceram.
    Não sou dada a biografias e muito menos quando tomo conhecimento de facetas menos simpáticas sobre um autor que sempre admirei pela sua criatividade.
    Alice Vieira veio a Toronto creio que há dois anos. Quando li o e-mail com a informação da sua apresentação na Gladstone Library já esta tinha terminado.

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    1. E não fazíamos todas, CATARINA? Infelizmente, grande parte dos meus também desapareceram, pois a minha mãe guardou-os numa caixa na garagem e esta foi assaltada, levaram uma série de brinquedos e livros - que era o que lá estava! :)

      Também não sou dada a biografias, mas esta tenho curiosidade de ler. Precisamente por ser uma escritora que ainda hoje muito admiro... como tal!

      A maior parte dos livros de Alice Vieira são para um público infanto-juvenil (também tem poesia e outros géneros, mas são menos), de modo que as tuas prateleiras não perderam muito! :D

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  12. Uma companhia assídua durante tantos anos, Teté.
    E que inspirou tantas aventuras, estimulou a imaginação a tanta gente.
    Beijocas!

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    1. Verdade, PEDRO! E estimulou muitas gerações de jovens de todo o mundo... :)

      Beijocas!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)