segunda-feira, 19 de novembro de 2007

TRAVESSURAS DA MENINA MÁ

A paixão doentia que um modesto tradutor peruano nutre por uma misteriosa e ambiciosa menina, desde o momento em que a conhece - mas também ao longo das cerca quatro décadas seguintes - é o ponto de partida deste romance. Que, simultaneamente, evoca as transformações políticas e sociais ocorridas na Europa e na América do Sul, na segunda metade do século XX.

Os encontros e desencontros das duas personagens, Ricardo Somocurcio e Lily, percorrem vários cenários: Lima, Paris, Londres e Madrid, cidades onde o escritor também viveu grande parte da sua vida. Entrelaçando sentimentos como o amor e o ódio, a revolta e a resignação, a solidão e a mundanidade, Llosa desenvolve uma escrita madura, realista e por vezes crua, embora acessível.

A breve incursão pelo Japão, dominado por barões do crime, evidencia uma referência metafórica a Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru de origem nipónica - contra o qual o próprio Llosa concorreu e perdeu as eleições presidenciais de 1990 - posteriormente acusado de corrupção, enriquecimento sem causa e genocídio.

Este livro não suscitou grande polémica no Clube de Leitura, que quase todos gostámos de ler, se bem que vários de nós tivéssemos vontade de “puxar as orelhas” a Ricardito, o menino bom, pelo seu imenso masoquismo...

TRAVESSURAS DA MENINA MÁ
Mário Vargas Llosa (2006)
Círculo dos Leitores

CITAÇÕES:

"Naquele último dia do Verão de 1950 - eu acabava de fazer também quinze anos - começou para mim a vida a valer, a que divorcia os castelos no ar, as miragens e as fábulas, da crua realidade."

"Mas ela e todos os que vivem uma parte da sua vida em fantasias que constroem para abolirem a verdadeira vida, sabem e não sabem o que estão a fazer. A fronteira eclipsa-se-lhes por períodos e, a seguir, reaparece."

“- Não tenho assim tanta certeza, tio. Sim, é verdade, tenho uma profissão que me permite viver numa cidade maravilhosa. Mas lá, acabei por me converter num ser sem raízes, num fantasma. Nunca serei francês, mesmo que tenha um passaporte que diga que o sou. Lá serei sempre um métèque. E deixei de ser peruano, porque aqui ainda me sinto mais estrangeiro que em Paris."


*****
Próxima sessão no dia 26 de Janeiro, com o livro “Rio das Flores” de Miguel Sousa Tavares.

18 comentários:

  1. "Próxima sessão no dia 26 de Janeiro, com o livro “Rio das Flores” de Miguel Sousa Tavares"...

    Convidaram o Vasco Pulido Valente?

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  2. Esta tua iniciativa é louvável, Teté. Gostava de te poder acompanhar, infelizmente o livro que neste momento estou a "devorar" é o epílogo do Harry.

    Beijoca!

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  3. Pensámos nisso, Capitão! Mas parece que o Miguel deixou de falar ao Vasquinho, porque este disse cobras e lagartos do Equador, de modo que a "rapaziada" anda meio de candeias às avessas. Ficámos sem saber se o Vasco leu ou não leu o livro antes de dizer mal, mas pronto, estes intelectuais são mesmo assim...

    Mesmo assim foste rápido, Rafeirito, que o meu filho também está a ler, ontem ainda ia na página 130...

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  4. Pelo menos este último, o gajo disse que já leu...

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  5. E tu acreditas em tudo o que eles dizem, não é Capitão... ?! Eh, eh, eh!

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  6. ??? batatada num clube do livro virtual?? LOLOL! pago pra ver!!! LOLOL!

    Bem, bem, olha, eu li o Equador...e, apesar de ter gostado bastante (se bem que o estilo literário seja leve), não deixei de notar o quanto me fez lembrar os Maias e outras danças e contradanças do nosso Eça...
    Também li o e-mail que andou aí a circular acusando o MST de plágio...

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  7. O livro de que falas tem gravuras?
    Se tiver, estou interessado!

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  8. Ainda não li.
    Também não tenho lido quase nada, ultimamente...
    Nem sequer é uma questão de tempo - não me apetece. :|

    Um dia BOM e uma BOA semana, Teté!
    :)

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  9. Vanadis, olha eu não gosto do estilo trauliteiro do MST, mas uma coisa é certa: ele não precisa de plagiar ninguém, escreve e sempre escreveu muito bem! Outra coisa é ser influenciado pelos nossos grandes escritores, nomeadamente o Eça, que suponho que todos somos um pouco. O resto, é a invejazinha ridícula de sempre, como o livro fez mais sucesso do que seria de esperar, há sempre por aí um invejoso de serviço que se encarrega de dizer que é uma grande porcaria...

    Batatada por batatada, antes que seja virtual, que pelo menos assim ninguém se aleija...

    Ah, e claro, este clube não é virtual, embora em tempos tenhamos falado disso, lembras-te?

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  10. Ahn? Boa pergunta, mas acho que não, Rei da Lã! Contudo se tiver eu depois aviso-te, OK?

    Pois é Eduardo, às vezes é mesmo por fases, outras por falta de tempo. Mas deixa estar que depois recuperas o tempo de leitura perdido... Até lá, uma boa semana para ti também!

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  11. Acredito tanto num como noutro...

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  12. Ok, é verdade que de um modo ou outro somos todos influenciados pelo eça. Eu ganhei gosto à ironia graças ao eça!
    Contudo, o tipo de história, o desenrolar da história, o tipo esteriotipado de personagens...demasiado parecido com o Eça. Mas pronto, foi só a minha opinião.
    Não digo que ele não saiba escrever, sabe. Ou não fosse filhote da grande Sofia.
    Mas que não o aprecio, não. Paciência, não se pode gostar de tudo! Lobo Antunes incluido (ainda não percebi como é que o gajo vai conseguir amar uma pedra se nem um coração foi capaz, mas pronto...).

    Batatada virtual, até há muita! è ir até aos fóruns da Arca de Noé!!!

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  13. Olá, costumo ler sempre antes de adormecer, mas já há uns dias que nem pego em nada, viro-me para lá, abraço-me a mim, e, tento adormecer...já está um friozito e nem se pode por os braços de fora...
    Beijinhos muitos beijinhos...

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  14. Capitão, nesse aspecto, tens toda a minha concordância!

    Pois, Vanadis, ainda não li este, nem o Equador. O que li dele foram essencialmente crónicas publicadas em jornais e revistas. E não gosto do estilo trauliteiro que usa, quando as pessoas não estão de acordo com as opiniões dele, que algumas são bem controversas...

    Laurinha, apesar da chuva, aqui também está bastante frio, "cheira" a fim de Outono e terra molhada! Fica bem, nina!

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  15. Não percebi o comentário ao Lobo Antunes!
    Quanto a este livro deve ser muito giro, vai para a lista de espera...
    Há dois ou três anos que só consigo ler no Verão, quando estou na praia, aí leio compulsivamente. Espero um dia voltar à normalidade.
    Gostei do Equador. Também recebi o mail que andava para aí a circular por causa do plágio mas achei-o ridículo. Como também não liguei às críticas a propósito da falta de rigor histórico. Eu li o livro como um romance normal e gostei. Acho que o autor não tinha pretensões de rigor histórico.
    Quanto ao MST gosto imenso dele (embora às vezes use o tal estilo trauliteiro de que falas e a que não acho graça), gosto da irreverência dele (herdada do pai, a nossa geração deve ser a última a lembrar-se de Francisco Sousa Tavares embora nem toda...).
    Ainda estou para perceber o comentário sobre o Lobo Antunes... :(

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  16. Inês, também não entendi muito bem o comentário ao Lobo Antunes, supus que ela se estava a referir a um livro dele.

    Leio durante todo o ano, se bem que demore mais tempo a ler do que quando era adolescente, que aí não largava até acabar.

    É, também me lembro do Francisco Sousa Tavares, que era igualmente contundente nas suas críticas jornalísticas e políticas. Também não me parece que o MST quisesse fazer um relato histórico, é um romance enquadrado numa época, não tem veleidades dessas... E esses mails de gente invejosa deito para o lixo! Plágio para quê, se o homem escreve tão bem? Para escrever pior?!

    Jinhos!

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  17. Não li esse também.Estou as voltas com 3 livros ao mesmo tempo(é uma mania minha...).Mas,gosto de saber suas dicas.São boas até aqui.
    Beijo!

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  18. Deixa estar Kátia, que isso às vezes também me acontece! Começo a ler um, depois aparece um outro, às tantas tenho vários começados. Nos últimos tempos tenho tentado organizar-me, para isso não acontecer...

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)