quarta-feira, 13 de maio de 2009

VERGONHA NA CARA?

Fotografia (e composição) de Ian Britton

O jornalismo tem regras. Muitas. Quem, quando, o quê, onde, como e porquê são as básicas para escrever qualquer artigo. Para conseguir obter a notícia tem de se falar com todas as partes envolvidas, para manter a isenção necessária, mas nem todos concordam em prestar declarações. Adjectivação, opinião própria ou só uma "piadola" relacionada com o assunto não contribui em nada e o mais certo é algum chefe de redacção ou editor riscar com a caneta (de qualquer cor) esses (des)interessantes arroubos de jornalistas imaturos. Que não faz parte da "linha editorial" e está a andar! Eventualmente, podem-se acrescentar algumas informações adicionais, mas mainada!

Em Portugal, o jornalismo de isento passa a cinzento! Excepções existem algumas, em cronistas mais notáveis (ou notórios?), tal e qual verdadeiras estrelas neste circo. E esses têm liberdade para teclar o que lhes dá na real gana, mas por vezes estão vergados ao poder político, ao patrão, aos partidos, sem os quais não tinham sobrevivido na profissão. Murros na mesa? Nada! Uma criticazinha leve e é um pau!

Daí ser tão bom ver e ouvir indignações como esta, sem papas na língua, que os jornalistas não são iguais em todo o mundo...



Caso idêntico ao que chegou aos jornais portugueses, mas, sabe-se lá porquê, nunca teve desenvolvimento! Se alguém souber, que elucide...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

VIRGINDADE!

Ao ler o último post da Licas, que refere Margarida Menezes (também conhecida como Magui) e o seu "Clube das Virgens", não pude deixar de constatar que há muita mulher fútil nesta terra. Então a Magui (26 anos) resolveu ficar virgem até ao casamento - até aí nada contra, que cada um(a) é livre de decidir como bem entender. Criou o Clube em Janeiro de 2008, com estatutos e regulamentos específicos, e intitulou-se presidente do mesmo - o que também não surpreende! Não encontrou aderentes. Entretanto, alguém se lembrou de a convidar para um debate sobre o tema "desejo" e a comunicação social considerou que tinha interesse entrevistá-la, pelo que a sua postura ganhou uma certa notoriedade. Daí até aparecerem 15 sócias foi um ápice, num país em que toda a gente ambiciona "tempo de antena" e impera a carneirada...

Então e quem é o príncipe encantado dos sonhos da Magui? Um homem sincero, leal, inteligente, culto, honesto, atraente, bom companheiro e com excelente sentido de humor, que partilhe interesses comuns e que a ame e respeite? PIIIII! Errado! A "estampa" que ela deseja encontrar deve corresponder às seguintes características: metro e oitenta de altura, olhos claros, dentes direitos e brancos, "corpo Danone" e até 30 anos; como atributos deve ser romântico, bom dançarino e saber escrever poesia. AAAAAH!

Mas, há sempre um mas, ao ler esta historieta relembrei uma um pouco diferente, de uma antiga colega de liceu. A rapariga era (e é) inteligente e culta, mas desde muito cedo teve paixões assolapadas, que normalmente começavam e acabavam num vale de lençóis, namoros intermináveis com fulanos bem giraços, com algumas "facadinhas" de parte a parte. Mas cada um sabe de si, não é verdade? O ideal dela passava também pelo rapaz-homem "estampa", acrescentando-lhe ainda o predicado de ser ou ter família endinheirada. Ao 27 anos, depois do seu milionésimo desaire amoroso, decidiu que chegara a altura de casar, ainda não sabia era com quem. Com algum provincianismo pelo meio, suspeitou que o facto de não se ter mantido pura e casta até ao casório, de alguma forma contribuira para a falta de pretendentes momentânea e mudou de estratégia. Falaram-lhe de um emigrante na Suiça, que vivia muito bem, até tinha terras lá na aldeia, mas que andava um bocado triste, sozinho lá longe da família, depois do divórcio. Escreveu-lhe, solidária, dizendo que também tinha sofrido alguns desgostos e que o compreendia. Resumindo: depois de cartas para lá e para cá (na época ainda não existia net em Portugal, OK?), de múltiplos telefonemas, de se encontrarem uma meia dúzia de vezes nas curtas escapulidas que ele conseguia no emprego, marcaram o casamento. Para onde ela ia "casta", apesar daquela única vez em que um homem desprezivel "abusara" dela e do seu amor...

Viveu os preparativos do casamento como se fossem um conto de fadas, o vestido assim para o pedido, o deslumbrante do dia, o terceiro para depois da cerimónia, a viagem de núpcias, a fabulosa casa que ele lhe alugara até terminar o curso que frequentava, das perspectivas de emprego que teria na Suiça. Mas do noivo, népias! E quando alguém lhe chamou a atenção para tanta dondoquice junta, limitou-se a escarnecer "das invejas"!

O casório durou seis meses, casou recentemente pela terceira vez...




Fotografia da net.

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PARABÉNS à minha mana e cunhadito, que completaram hoje 24 anos de casados!

domingo, 10 de maio de 2009

PARA QUEM QUERIA CONCHINHAS...

... e sol, mar e praia, as da fotografia até souberam lindamente, se bem que não fossem exactamente essas que estivessem em mente: amêijoas à Bulhão Pato, um dos petiscos mais tradicionais da cozinha portuguesa que, segundo consta, deve o seu nome à homenagem de João da Mata ("chefe de cozinha do velho Hotel Bragança") a Raimundo António de Bulhão Pato, poeta e ensaísta do século XIX*. Adiante!

Se a intenção não era essa, teve de ficar por aí, com o gostinho de ser numa esplanada à beira-mar na Praia da Rocha. Os meteorologistas (e pessimistas) de serviço já tinham avisado que o tempo ia estar instável, logo de manhã choveu e trovejou, mas à tarde até levantou e...

... se não fosse a ventania, até tinha dado para chapinhar os pézinhos, no mínimo. Mas quando o convite do areal se traduz numa espécie de tempestade em pleno Saara, o melhor é inventar outras distracções: ler, ver televisão ou comer...

... e estas sardinhas assadas, em início de época, até já estavam bem apetitosas!

'Tá-se mesmo a ver que não tenho jeito nenhum para bruxa (aceitam-se outras opiniões, evidentemente!), mas numa acertei em cheio: de regresso a casa, viemos a ouvir os "Beatles" durante quase toda a viagem!!!


* in "Tesouros da Cozinha Tradicional Portuguesa", das Selecções do Reader's Digest.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

TROCAR DE TINTAS!


Não simpatizo com troca-tintas, mas vou experimentar estas (ou minimamente parecidas?), para desanuviar!

BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!




Fotografia da net.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

NÃO SENTEM NO AR...

... o cheirinho da Primavera?

O edredon já saíu da cama, encontra-se a caminho da lavandaria, para depois se anichar no armário até ao próximo Outono. As t-shirts e as camisas de manga curta entram em acção, dispensando as malhas com um ligeiro tom de soberba: "Pfff! Não são precisas para nada!" Estas vingam-se com a ajuda do vento, seu fiel companheiro ao longo dos tempos, soprando de modo a provocar ligeiros arrepios nas peles mais sensíveis, tornando-as novamente necessárias.

E a Natureza grita: "venham para a rua fotografar a minha beleza e as minhas diversas tonalidades!", acompanhada pelo cântico das árvores, das flores, dos pássaros, das águas do lago, dos barcos coloridos, enquanto o sol e o céu sorriem, aprovando o chamamento. E as máquinas fotográficas apressam-se a cumprir esse desejo, não sabem para que lado se voltar, se para o jardim, se para os animais, tamanha é a euforia exibida...

Quando as máquinas finalmente descansam - com umas imperiais fresquinhas à frente e uns pires de tremoços a acompanhar - após cumprida a tarefa proposta, trocam conversas e comparam as imagens conseguidas.

- E esta o que é? - indaga uma, curiosa.

- Ah, apenas uma lagartixa tímida, que me pediu para lhe fotografar o sorriso... de longe! - esclarece a autora.

(sem quaisquer conotações clubísticas, evidentemente! :) )

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O RIO FRIO

O segundo romance de Joaquim Almeida Lima, intitulado "O Rio Frio", decorre no ambiente rural da serra de Montemuro, numa pequena aldeia próxima de Cinfães, banhada por um dos rios que desagua nas margens do Douro.

O livro retrata uma época não muito distante - entre finais dos anos 60 e meados dos 70 - onde a inocência e o medo imperam, no evoluir de um povo inculto e totalmente submisso à Igreja e ao Estado. Medo dos mancebos que vão às sortes para serem incorporados num serviço militar e partirem para a guerra colonial, lá longe, em terras de África. E de toda a família que os vê partir, limitando-se a rezar para que voltem, por vezes em regressos transtornados pelo que viram ou foram obrigados a fazer naquelas paragens longínquas da sua aldeia. A inocência (ou a ingenuidade?) vai-se esbatendo, aos poucos...

Simão Pedro é um rapaz com sorte, no meio dos seus azares: filho único e órfão de pai, faz o 5º ano do liceu*, estudos muito superiores aos dos seus conterrâneos, o que lhe confere um cargo no posto de correios de Cinfães; ao cegar de uma vista, devido a uma pedrada no olho esquerdo durante uma brincadeira de infância, fica livre do serviço militar; e Maria Inácia, "moçoila apetitosa" que trabalha na taberna do Ti Messias, corresponde ao seu pedido de namoro, exigindo apenas o maior respeito. Acabam por casar!

Mas, há sempre um mas, alguns anos mais tarde - com a guerra do ultramar sem previsão de fim satisfatório - Simão Pedro é novamente chamado para ir às sortes. Casado, pai de três filhos pequenos e já chefe dos correios da vila levava a vida que sempre ambicionara. Desesperado, recorre a todos os seus conhecimentos, desde o médico que o declarou inapto até ao cónego Missas, mas o medo também bate à porta desses senhores, que pretendem manter-se acima de qualquer suspeita, não querem pessoas "com poderes especiais a fazer perguntas". Desconsolado e revoltado com as hipocrisias, não obtém qualquer resultado, exceptuando umas promessas de rezas. Após ser dado como apto para o serviço militar, o dilema do personagem avoluma-se. Terá de abandonar a família e o emprego que tanto gosta, dê por onde der. Mas vai andar aos tiros em África ou dar "o salto" para França? Será carne para canhão ou desertor? Dúvidas que nenhum homem devia ter de ponderar...

A D O R E I !!! (tanto pela história, como pela escrita singela e despretensiosa, mas muito envolvente)

CITAÇÕES:

"- Não tenhas ilusões, Maria Inácia, a gente vai para lá uns putos e vem de lá uns monstros. É o que eles fazem da gente. Não fazem de nós homens, como eles dizem, porque um homem não faz certas coisas. Agora os monstros sim, são capazes das maiores brutalidades. Mas eu não quero falar mais disto, desculpa, minha irmã, mas falar disto não me faz bem."

"Tanta fotografia em todo o lado, um jazigo que não uma moldura, um sorriso que já não quer dizer nada. Como pode sorrir assim quem já morreu? Sabia essa pessoa que um dia desapareceria? Decerto saberia, sabemos todos, mas fingimos esquecer, se não, a vida não valia nada. Mesmo assim, sempre acabamos por pensar, o tempo passa a correr e um dia será a nossa vez de habitarmos, sorridentes, um jazigo em forma de moldura. E dirão de nós: coitados, já se foram."

"Havia já quem dissesse: 'Eles que venham cá mexer nas minhas terras que eu os corro à sachada'. E não era por falar, que para aquela gente os animais e a terra vinham logo a seguir a Deus e aos filhos - o que se compreende, se pensarmos que estamos a falar do seu ganha-pão."


* Actual 9º ano.

Obrigada, Inês! (a outra, não a Anja)

terça-feira, 5 de maio de 2009

BIMBALHADAS!

Não sei dizer ao certo há quanto tempo comprei a Bimby, mas há 4 ou 5 anos, no mínimo! A máquina foi cara, mas achei que valia a pena e continuo a achar. Curiosamente, os homens não alinharam muito na ideia (éramos umas 5, em duas reuniões de exemplificação), que as mãezinhas deles cozinhavam muito bem, sem precisar daquele "motor turbo" na cozinha, faziam tudo com as próprias mãos. Pois, na era da pedra lascada!

Na verdade ninguém precisa, mas que dá um jeitaço a quem prepara diariamente as refeições familiares, não restam dúvidas. Tritura, rala, mói, liquidifica e bate claras, enquanto sopas, sumos, massas, doces ou comezainas mais elaboradas se executam rapidamente ou durante o timing em que a maquineta fica a trabalhar sozinha.

Talvez se possa imaginar o porquê do livro de receitas não poder ser comprado, só oferecido com a compra da dita, no caso específico, com uma série de receitas espanholadas e mal traduzidas.

Eis senão quando, na passada semana, o jornal "Público" lança um livro de receitas próprias para a Bimby, longe de baratinho, 11 euros cada. Recebi não sei quantos mails sobre o assunto, mas o livrito desapareceu num instante das bancas de jornais, a algumas nem chegou... Ou o jornal dimensionou mal a publicação ou os "pobres" tugas não prescindem da Bimby como artigo de primeira necessidade! E isso, acho estranhíssimo...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

100 PERSONALIDADES MUNDIAIS

Na pintura (onde não encontrei assinatura) encontram-se retratadas mais de cem personalidades mundiais, o objectivo é verificar quantas conhecemos.

Não sei a resposta para este "enigma" - se assim lhe pudermos chamar - mas identifiquei cerca de quarenta com certeza, mais umas poucas com dúvidas. Desconfio que a tela terá sido pintada por um artista anglo-saxónico ou norte-americano, com algum pendor cristão. Devido às personagens representadas, em que duas ou três me parecem bíblicas, senão mitológicas...

Diz o mail que reconhecer 25 ou mais já é sinal de se estar bem informado, mas bom mesmo era acertar na maioria! (espero que a imagem abra ao clicarem nela)

Obrigada, Isa!

sábado, 2 de maio de 2009

BATEM LEVE, LEVEMENTE...

Fotografia de Ian Britton

... como quem chama por mim, mas é a Aninhas que surge calmamente, na casa dos 50... para o festim!

Conhecemos-nos aos 11 anos, como colegas de turma, mas nunca brincámos com bonecas, porque éramos mais dadas a outras brincadeiras: mata, elástico, apanhada, barra do lenço ou tudo que envolvesse correrias desbragadas no recreio. Creio que bolas não eram permitidas, tratando-se de uma escola só para raparigas, se não até futebol "marchava". Podia não ser o cúmulo da feminilidade, mas quem é que quer saber disso quando tem essa idade?

Conversámos, rimos, discutimos, chorámos, cantámos (aí a dar para o desafinadas, mas pronto!) ao longo de todas as etapas da vida, preciso de te dizer que não existe muita gente com uma amizade assim?! Com a minha mana a integrar todo o percurso conjuntamente, excepto nas cantorias de chinfrim? - espertinha, ela...

Fica aqui o vídeo que escolhi para ti:



P A R A B É N S , A M I G A ! ! !


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O poema de Augusto Gil, onde parte do texto foi baseado, intitula-se "Balada da Neve" (suponho que conhecem, mas coloco para quem quiser espreitar...)