terça-feira, 29 de junho de 2010

MEIA HORA PARA MUDAR A MINHA VIDA

"Desde criança que o Sr. Vicente Mascarenhas sonhava com o teatro.
O pai ainda tinha tentado tirar-lhe esse «vício» do corpo.
- Olha que não é a fazeres de palhaço que ganhas a vida! - repetia-lhe muitas vezes.
- Por acaso há palhaços que ganham muito bem a sua vidinha - murmurava às vezes o avô, que vivia com eles."

Ainda jovem recém-casado e com a fortuna que herdara do avô veio conhecer a cidade, donde nunca mais saiu, dando asas ao seu sonho: encontrou um casarão com quintal no meio de um bairro popular e ali mesmo colocou em cena uma peça de Gil Vicente - "O Auto da Feira" - que foi muito bem recebida pela vizinhança. A casa passou a ser conhecida por Feira, em homenagem a essa estreia e os actores amadores chamados pelos nomes das personagens que interpretavam no palco. É lá que nasce Branca-a-Brava, quando a mãe (que representa o papel) entra em trabalho de parto durante a actuação, aplaudida no final por um público que mais não ouve que as deambulações por trás da cortina, entretanto encerrada.

Em "Meia Hora Para Mudar a Minha Vida" Alice Vieira retrata a vivência de  alguns grupos de Teatro amador que, com esforço e perseverança, conseguem colocar em cena obras teatrais a cair no esquecimento do povo. 153 páginas que se lêem num ápice e das quais gostei imenso, mesmo que  eventualmente enquadradas numa literatura dita juvenil. (para ser franca, até me comovi em alguns capítulos, mas não vou explicar porquê, quem quiser que leia...)  
Por falar em Teatro amador e em Gil Vicente, ontem assisti a uma peça intitulada "As Mulheres Vicentinas", num auditório da Igreja da Portela, escrita e encenada por professoras do Instituto de Odivelas e protagonizada pelas alunas do 9º ano. Afinal, o "pai do teatro português" continua igual a si próprio e intemporal, quase 500 anos após a sua morte...


 Parabéns a todas as participantes, miúdas e graúdas!

9 comentários:

  1. acredito mesmo que o Gil Vicente continue igual há já muitos anos!

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  2. Eu faço parte de um grupo recreativo que também tem teatro amador e acredita Tété é preciso muita força de vontade e disponibilizar muito do seu tempo livre para se fazer isso.
    Eu tiro o chapéu a esses actores amadores.

    Vou ver se nas férias consigo ler alguns dos livros que tenho para ler....

    Beijokitas

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  3. Parece ser interessante, vou tomar nota :)

    Beijinhos :)

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  4. O que é bom nos livros da Alice Vieira é que, mesmo que tenham uma vertente mais juvenil, se lêem muito bem na adultice :D, sem aquela sensação de "bolas, isto é um bocado infantil".

    Eu terminei de ler A ilha debaixo do Mar, da Isabel Allende. :) ADOREI!!!!!!!!!! É o melhor livro dela (dos que eu já li) e não é a Isabel Allende tradicional, digamos assim. Muito, muito, muito bom mesmo.

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  5. É incrível, ou talvez não, mas nunca li nada da Alice Vieira !
    .

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  6. Os ossos devem estar iguaizinhos, VÍCIO, a obra renasce sempre... :))

    PARISIENSE, sei perfeitamente que actores amadores têm de disponibilizar grande parte do seu tempo livre, mas o teatro também é empenho. Admiro todos, especialmente esses! :D
    Beijokitas!

    Toma nota que vale a pena, FERNANDA! :)
    Beijinhos!

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  7. Quanto à Alice Vieira estamos de acordo, VANI! :D Embora juvenil não queira dizer exactamente o mesmo que infantil (que ela também tem, mas esses nunca cheguei a ler), só significa que podem ser lidos/compreendidos por adolescentes... :)
    Quanto à Isabel Allende só li dois livros dela que gostei - por sinal os mais auto-biográficos - ainda tenho de ler a ficção dela para poder dar opinião... ;)

    RUI, sou fã tardia da Alice Vieira - ela escreve essencialmente livros infantis ou juvenis (tem excepções) - já eu tinha passado essas fases! Do que li gostei, neste, especificamente, parece-me ter um grande carinho pelo teatro amador e vicentino...
    Até podem estar ambos fora de moda, mas há quem continue a amar! :))

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  8. belíssimos actores e argumentistas, pelo menos temos. parece-me é que andam a recrutá-los no sítio errado. ali na zona de S. Bento respira-se genialidade em termos de ficção...

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  9. Por acaso acho que o que abunda na zona de S. Bento é bestialidade, MOYLITO! :e

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)