sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DIAS DEMAIS!

Ontem foi Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama, hoje é Dia Mundial da Poupança, amanhã Dia de Todos os Santos, Domingo Dia de Finados, e 2ª feira Dia Mundial do Homem. E acabam por aí os dias especiais no mês de Novembro? Não! Ora vejam lá:

11 - Dia Internacional da Ciência e da Paz e Dia de São Martinho;
14 - Dia Mundial da Diabetes;
16 - Dia Internacional para a Tolerância;
21 - Dia Mundial da Televisão;
24 - Dia Nacional da Cultura Científica;
25 - Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres;
29 - Dia Internacional da Solidariedade com o Povo Palestino.

Como se estes dias todos não bastassem, hoje ainda é Dia das Bruxas (Halloween), cuja enorme tradição neste recanto à beira mar plantado é... praticamente nula! Alguém se lembrou, aqui há uns anitos, que se calhar era bom implantá-la aqui, sempre se vendiam mais uns chapéus e umas máscaras fora da época carnavalesca - pronto só de bruxas, monstros, feiticeiros e fantasmas, mas não se pode ter tudo. A criançada fica encantada que é mais um dia para a brincadeira e menos outro de aulas, além de que a maioria adora mascarar-se. Os professores alinham. E os pais lá têm de andar a correr à última hora, para encontrar a indumentária apropriada para tal comemoração. E a gastar dinheiro, está claro, que é o principal objectivo dos comerciantes. Consumismo no seu melhor, já que os portugueses não sabem ao certo o que se festeja! E a Wikipédia também não consiste em grande ajuda, crê-se que a sua origem remonta a festas pagãs e celtas, que ao longo dos séculos foram sendo alteradas para se encaixarem nos rituais cristãos.

Enfim, com tantos dias por tudo e por nada, alguém liga a estes calendários?

Tenham um ÓPTIMO FIM DE SEMANA!!!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

GARNISÉ

Foto de Ian Britton

Um dia destes, o filhote de 16 anos lembrou-se de me perguntar, enquanto estava a preparar o jantar:
- O que é que achavas, se eu pró ano fosse estudar para os Estados Unidos?
- Nada! Ainda é cedo para isso, não tens maturidade para tanto - respondi.
Saiu da cozinha zangado, a chamar-me "mãe galinha" e outras coisas que tais.

Na verdade, não fiquei com problemas de consciência, porque já não o vejo como um pintainho no meu ninho, mas ainda não o consigo encarar como adulto, a desenrascar-se sozinho numa terra distante se alguma coisa correr mal. E, é evidente, não pretendo alojar na minha casa um marmanjão americano, em sua substituição, num intercâmbio não sei das quantas...

Alguns amigos vão? Pois, que bom para eles!!! Ou não?!

Por incrível que pareça, a Inês (sem ser a anja), enviou-me esta cantilena diária de todas as mães, que se aplica quase inteiramente:




Ah e tal, que o rapaz está preso à perna da mesa por pais retrógrados? Ná! Só que ainda é cedo para viver o "sonho americano" em toda a sua pujança...

A SOMA DOS DIAS

Desconhecendo as obras de ficção de Isabel Allende, "A Soma dos Dias" (2007) surge na sequência de "Paula", onde em 1995 iniciou a sua autobiografia, recordando factos da sua infância e juventude, a par da história de antepassados e do próprio Chile, enquanto acompanhava de perto a doença e morte da filha.

Apesar das suas fortes convicções políticas de esquerda e feministas, a escritora aparece-nos como uma mulher dividida entre dois mundos: se por um lado crê em Deus e nas tradições familiares rígidas do país onde cresceu, por outro as suas relações de amizade estendem-se a representantes de outros cultos religiosos, em busca de todo o misticismo ao seu alcance; na luta pelo amor e pelos seus, não deixa de recorrer a todas as superstições possíveis e imaginárias, da astrologia ao lançamento de búzios, do espiritismo a experiências com beberagens alucinógenas numa tribo de índios; quando ergue uma fundação para ajudar os mais carenciados, com parte do fruto do seu trabalho, imaginamos que não seja particularmente mundana ou fútil, mas essa é uma presunção errada - sente imenso a falta de um espelho ao viajar para locais inóspitos, a cirurgia plástica é-lhe imprescindível para esconder as rugas, "barrigas de aluguer" parecem-lhe normalíssimas e não dispensa umas milhentas terapias, para ela e para os seus.

Parte dessa dualidade de mulher temperamental, apaixonada e lutadora, notória no decorrer das 358 páginas do livro, é explicável pela vivência em dois continentes culturalmente diferenciados, quando após 45 anos de América do Sul casa com um norte-americano e passa a residir na Califórnia, enfrentando problemas reais inimagináveis no círculo de familiares e amigos, mas permanecendo atenta também às suas raízes políticas.

GOSTEI!

Seguem algumas citações:

"No princípio da minha relação com Willie perguntei-lhe se íamos ter um 'amor aberto' - eufemismo para infidelidade - ou monógamo. Precisava de o saber, porque não tenho tempo nem vocação para espiar um amante volúvel. «Monógamo. Já experimentei a outra forma e é um desastre», respondeu-me sem hesitar."

"Ela suportava pacientemente a necessidade patológica de domínio daquele homem, as suas manias de solteirão [...] tinha de aceitar as regras de convívio: silêncio, reverências, tirar os sapatos, não tocar em nada nas águas-furtadas, não cozinhar, porque ele se sentia incomodado com os cheiros, não telefonar e muito menos convidar alguém, o que seria uma falta de respeito mortal. Tinha de andar em bicos de pés. A única vantavem que oferecia o bom homem eram as suas ausências. [...] Quando lhe disse adeus, ele replicou-lhe que não aparecesse em nenhum dos lugares onde haviam estado juntos."

"«Depois dos cinquenta, a vaidade só serve para sofrer», assegura-me essa mulher com fama de bela. Mas a fealdade da velhice assusta-me, e tenciono combatê-la enquanto me restar saúde. Foi por isso que estiquei a cara com cirurgia plástica, uma vez que ainda não descobriram maneira de rejuvenescer as células com um xarope."

"Tranformaram-se em refugiados no seu próprio país [os habitantes pobres de Nova Orleães, após o furacão], abandonados à sua sorte, enquanto o resto da nação, estupefacta perante as cenas que pareciam tão remotas como uma monção no Bangladesh, perguntava a si mesma se a indiferença do governo teria sido igual se a maior parte dos lesados fosse branca."

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

CRISE OUTONAL


Saí para visitar mais um jardim lisboeta - desta vez o Parque Madre de Deus - num passeio sem grande história: a equipa de futebol juvenil local defrontava a da Ameixoeira, para gozo e excitação de familiares e amigos, num polidesportivo a que não prestei grande atenção; em duas mesas próximas sentavam-se vários idosos, rodeados de vizinhos ou mirones, que comentavam os emocionantes jogos de sueca; algumas mulheres conversavam umas com as outras, enquanto deixavam os cães correr à solta entre o arvoredo.

Localizado numa das colinas da cidade, o bairro - composto por pequenas vivendas bem pintadas e muitas delas floridas ou arborizadas - debruça-se sobre o Tejo, embora a visão da encosta lateral seja a dos ciprestes que ensombram o cemitério do Alto de São João. A sensação é a de estar parado no tempo, fora do bulício citadino, mesmo que quase no centro dele. Tirar fotos no local não constitui segredo para ninguém, ainda por cima nesta época do ano, em que a própria Natureza se encarrega de fornecer uma verdadeira paleta de cambiantes.

Então qual foi a crise?! Tosse, espirros, olhos lacrimejantes e Puff!!! instalou-se a crise outonal! Só algumas horas depois voltei ao activo, que o raio do PC é temperamental...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

TU CÁ, TU LÁ!

"[...] As mulheres, depois de passarem por aqueles brevíssimos segundos em que são tratadas por 'Menina', passam de imediato - sejam casadas, solteiras, viúvas ou amigadas, sejam velhas ou novas, gordas ou magras, feias ou bonitas, ricas ou pobres - à categoria de 'Senhora Dona'."
Alice Vieira, na crónica "Senhoras donas, por favor!", publicada no Jornal de Notícias de 7 de Outubro de 2008.

A escritora explica, mais adiante, que "[...]uns estranhos ventos sopraram pelas cabeças das gerações mais novas que fizeram o 'Dona' ir pelos ares ou ficar no tinteiro". E, acrescento eu, quando não é o "Dona" a ficar e o "Senhora" a desaparecer. O que tem a sua piada, quando telefonam a perguntar se é de casa da Dona Maria, o que dá logo vontade de responder que já não vivemos em monarquia ou que a coitada da rainha já se finou. Quer dizer, daria, se telefonemas desses não chovessem diariamente.

Prossegue a crónica: "Quando recebo daqueles telefonemas que me querem impingir tudo o que se inventou à face da terra - desde 'produtos' bancários que me garantem vida farta, até prémios que supostamente ganhei por coisas a que nunca concorri - sou logo tratada por 'Senhora Alice'. Respondo sempre: 'Trate-me por tu, se quiser; ou só pelo meu nome, se lhe apetecer; mas nunca por Senhora Alice'."

Ora não podia estar mais de acordo! "Nuestros hermanos" não são dados a tratamentos pomposos e tratam-se todos por tu, sem que isso seja sinónimo de má educação. Aqui, qualquer borra-botas quer usar um título antes do nome, como se ele acrescentasse algo de ilustre à personagem. Assim, o que não falta cá nesta terrinha é gente que se intitula de doutor, engenheiro, etc., etc., sem sequer ter efectuado qualquer licenciatura - e sim, conheço até quem tenha cartões de visita, onde consta a habilitação académica inexistente.

Por outro lado, é necessário dizê-lo, tratar alguém só por Senhora A ou Dona B sempre foi considerado falta de educação. "Essa é a mulher da hortaliça!", costumavam ensinar aos putos antigamente, significando que essas designações só eram usuais em praças e mercados, com o seu linguajar tão próprio...

Fora do exercício da própria profissão, não vejo razão para as pessoas não se tratarem por tu, desde que educada e civilizadamente. Para acabar de uma vez por todas com salamaleques desnecessários!

BOM FIM DE SEMANA!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

MOITA-CARRASCO

Bom, na verdade não sabia a origem da expressão "moita-carrasco", mas sempre a ouvi desde criança.

Assim, lá fiz uma pesquisa na net para tentar localizar a sua proveniência, a pedido de centenas de comentadores... vários... bem, só um! Mas como a curiosidade sobre o linguajar em bom português nunca acaba por estas bandas, meti as mãos no teclado (e no dicionário) e toca a investigar.

Como palavra composta, há que conhecer o significado de cada uma, individualmente:

Moita - mata espessa de plantas de pouca altura; maciço de arbustos.

Carrasco - algoz; verdugo; executor; (em sentido figurado) homem cruel; desumano; tirano.

Crê-se que carrasco começou por ser um apelido, que acabou a ser atribuído aos indivíduos que executavam as penas de morte, devido a um deles usar esse nome.

Assim, a expressão popular de "moita-carrasco" pretende significar um silêncio absoluto ou teimosia em não falar, como podem constatar neste texto*:

"Ora teria sido esta figuração de impenetrabilidade [das moitas] que, há uns séculos atrás, deve ter servido para exemplificar o mutismo a que os carrascos estavam obrigados (há especialistas que explicam esse silêncio como necessário de forma a evitar que alguém pudesse descobrir quem estava debaixo da máscara, que os carrascos usavam durante as execuções)."

As coisas que (agora) eu sei...



... e todos os visitantes deste "canto" também!

*******
* O link do blog citado desapareceu, mas foi escrito por Tinta Permanente.

Fernando: adorei espiolhar estas "origens" e o resultado pareceu-me plausível.
Diferenças de linguagem existem entre norte e sul, mas aqui não é o caso! :)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

LUZES APAGADAS

Fotografia de Ian Britton

Abomino luzes inteligentes! Devido a um factor muito simples: é que elas de inteligentes não têm nada! A malta bem lhes explica, com bons modos, "olha que ainda estou aqui, ainda é cedo para te apagares..." e elas 'moita-carrasco', nem se dignam responder!

Concordo que a intenção é boa, que poupar energia é preciso, mas caramba, algumas apagam-se em 5 segundos, o que é muito pouco tempo para quase tudo. Desconfio ainda que a esse espírito de poupança está associada uma verdadeira forretice do cliente da EDP que paga a conta, que indica ao electricista, num arrobo de magnitude: "Tem razão, 3 segundos é capaz de ser pouco... programe 5!" E este, que afinal não é um electricista encartado, mas o vizinho do 3º esquerdo que está desempregado e faz uns biscates a preços bem módicos para aumentar os seus magros proventos, lá monta o moderno sistema como pode, por vezes apontando os sensores para o lado da lua...

Assim, as ditas luzes inteligentes dão uma iluminação deficiente, que obrigam os tugas a andar às apalpadelas e a saltitar de um lado para o outro, na esperança de serem apanhados por um sensor que se digne cumprir a função a que se destina. Isto na melhor das hipóteses, porque as cenas mais caricatas são passadas em WCs de locais públicos, a meio de uma necessidade fisiológica, a tentar dançar um salero só com os braços, para encontrar o rolo de papel higiénico.

Quer dizer, danças de salão e casas de banho não combinam, né?!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

EMOÇÕES FORTES

Já nem vou referir a busca pelo príncipe encantado de outrora (?!) - que até é salutar que as adolescentes e mulheres percebam que se trata de pura ficção - mas algumas escolhem namorados tão emocionantes, simpáticos e engraçados, que a vida delas passa a ser um mar... negro! Na cara, no corpo, por todo o lado...

Conversa de uma colega de escola para outra, que exibe um olho roxo:
- Que te aconteceu?
- Foi o meu namorado...
- Ahhh!!!
- ... mas também lhe dei com o computador em cima!
- Ahn?! ... (glup) ... Pois... então, OK!
(parece que o rapaz ainda teve de ir ao hospital levar uns pontos na tola)

Conversa de mãe para filha, igualmente negra, roxa e de todas as cores:
- Se acabares o namoro, ofereço-te as botas que tu queres.
(ela acedeu, mas, de caminho, confidenciou a alguém que conhecia vagamente: "Vou receber as botas e fingir que já não namoro com ele. Eu amo-o muito, não vou acabar!")

Conversa de patroa para empregada (numa lavandaria):
- O que tem no braço? (nódoas negras bem visíveis)
- Ah, o meu home é muita macho! - respondeu, ufana.
(para espanto da patroa, uma outra também levantou a camisola, revelando a "macheza" do seu próprio companheiro)

Conversa de uma vizinha para a outra:
- Mas o seu marido bate-lhe?!
- Qué que quer, ele às vezes já vem com os copos...
- Comigo, dava-lhe logo com a primeira coisa que estivesse à mão!
(foi outro que foi parar ao hospital, que a primeira coisa que estava à mão era o candeeiro da mesinha de cabeceira...)

Conversa entre alunos do secundário:
- Epá, a X faltou às aulas da tarde...
- Ah, ela foi acabar o namoro com o Y (conhecido traficante de droga, com cadastro na polícia).
- E então?
- Então foi com umas amigas, que ficaram à espera até começar a ouvir um estanderete de gritaria e coisas a partir e... fugiram com medo!

Há histórias reais, presentes e passadas, que nos parecem surreais ou imaginadas para argumento de um filme de terror...

domingo, 19 de outubro de 2008

ARCO-ÍRIS EM DUPLICADO

Esta noite sonhei com o arco-íris. Que surgia multi-colorido, em cores vivas e brilhantes, brilhantes demais mesmo, até se descobrir que por detrás da nuvem umas canetas se entretinham a pintalgá-lo. Alguém explicava que se tratava de uma nova experiência científica, mas para o que servia ainda não se sabia. Nem o motivo interessava muito, já que o efeito era alegre e agradável à vista.

Como sempre, em todos os Domingos que se imaginam pacatos (excepto pelo futebol, mas essa já é outra conversa que agora não interessa nada), lá saímos à rua para comprar pão e outras pequenas coisas que faltavam na despensa. Ao sair do supermercado, eis que lá estavam eles, a sorrir-nos no céu cinzento: dois simpáticos arco-íris!!! (o segundo mal se nota na fotografia, mas foi o melhor que se conseguiu...)

Será que desenvolvi um sexto sentido para adivinhar a aparição de arco-íris? Enfim, não acredito em bruxas, mas... toda a gente sabe que "las hay"!

Assim, passei o dia a pensar nestes sonhos com poderes divinatórios e, consequentemente, neste filme e música:



BOA SEMANA PARA TODOS E... BONS SONHOS!!!