Alice Vieira, na crónica "Senhoras donas, por favor!", publicada no Jornal de Notícias de 7 de Outubro de 2008.
A escritora explica, mais adiante, que "[...]uns estranhos ventos sopraram pelas cabeças das gerações mais novas que fizeram o 'Dona' ir pelos ares ou ficar no tinteiro". E, acrescento eu, quando não é o "Dona" a ficar e o "Senhora" a desaparecer. O que tem a sua piada, quando telefonam a perguntar se é de casa da Dona Maria, o que dá logo vontade de responder que já não vivemos em monarquia ou que a coitada da rainha já se finou. Quer dizer, daria, se telefonemas desses não chovessem diariamente.
Prossegue a crónica: "Quando recebo daqueles telefonemas que me querem impingir tudo o que se inventou à face da terra - desde 'produtos' bancários que me garantem vida farta, até prémios que supostamente ganhei por coisas a que nunca concorri - sou logo tratada por 'Senhora Alice'. Respondo sempre: 'Trate-me por tu, se quiser; ou só pelo meu nome, se lhe apetecer; mas nunca por Senhora Alice'."
Ora não podia estar mais de acordo! "Nuestros hermanos" não são dados a tratamentos pomposos e tratam-se todos por tu, sem que isso seja sinónimo de má educação. Aqui, qualquer borra-botas quer usar um título antes do nome, como se ele acrescentasse algo de ilustre à personagem. Assim, o que não falta cá nesta terrinha é gente que se intitula de doutor, engenheiro, etc., etc., sem sequer ter efectuado qualquer licenciatura - e sim, conheço até quem tenha cartões de visita, onde consta a habilitação académica inexistente.
Por outro lado, é necessário dizê-lo, tratar alguém só por Senhora A ou Dona B sempre foi considerado falta de educação. "Essa é a mulher da hortaliça!", costumavam ensinar aos putos antigamente, significando que essas designações só eram usuais em praças e mercados, com o seu linguajar tão próprio...
Fora do exercício da própria profissão, não vejo razão para as pessoas não se tratarem por tu, desde que educada e civilizadamente. Para acabar de uma vez por todas com salamaleques desnecessários!
BOM FIM DE SEMANA!
A Alice, com quem já tive o prazer de conviver, é sempre uma frescura!
ResponderEliminarTalvez por viver pertinho das dunas de S. Jacinto...
Ouviste, ó tu?
;)
Adoro a Alice Vieira! E a filha, looool! Hoje andei à procura do bacalhau da Catarina, mas não encontrei... =(
ResponderEliminarJá fui tratada por Dona. Passei-me. Já me trataram por senhora. Fiquei fora de mim. LOOOOL! Mas, realmente, esta mania de dar titulos a toda a gente!!!
Por acaso é refrescante, o hábito de nuestros hermanitos se tratarem todos por tu e pelo nome! Lembro-me, do tempo em que estive em badajoz (até parece que foi assim há tanto tempo loooool), de ter ido ao gabinete do chefe do laboratorio dizer-lhe que o estavam a chamar ao telefone. Como manda a suposta boa educação em tugal, tratei-o por Professor. Ele estava de costas e nem se virou!! Não deu por mim!! Chamei, Carlos! E ele virou-se logo, Si? E esta?
A primeira vez que me trataram por “sr” numa loja, olhei para trás a ver com que estavam a falar! (dessa nunca me irei esquecer). Concordo que temos um excesso de formalismos no trato o que baralha completamente pessoas de outros povos “mais práticos”, por assim dizer. Nós, no entanto, sabemos fazer a distinção entre tratar por “tu” e por
ResponderEliminar“você”, outros há (brasileiros) que nem por isso!
Penso que caminharemos para simplificar e eliminar certos formalismos mas, como dizes, enquanto alguns fizerem questão em se promover à custa de graus académicos que não têm, essa simplificação vai encontrar sempre resistências. Eu, nesse particular, nunca fiz qualquer questão, isto é, só faço questão quando vejo que o “ser” com quem interajo está (como costumo dizer) “armado em pessoa” e me vejo obrigado a “metê-lo no seu lugar”, por assim dizer… felizmente isso é raro (sim talvez tenha sorte…)
Beijinho e bom fds para ti,
FATifer
Interessante este texto da Alice Vieira.
ResponderEliminarQuando estou em Portugal costumam-me chamar "menina", que também nao gosto.
Saudacoes outonais!
Querida concordo com o que escreves.Penso que s formalidades devem existir e as formas "práticas" que são comumente utilizadas assassinam a língua.
ResponderEliminarQuanto a isso:
"Concordo que temos um excesso de formalismos no trato o que baralha completamente pessoas de outros povos “mais práticos”, por assim dizer. Nós, no entanto, sabemos fazer a distinção entre tratar por “tu” e por
“você”, outros há (brasileiros) que nem por isso!"
Hahahahaha.Boa,boa!
Mas,o que é uma gota no oceano?(A minha no caso...É cada um no seu cada qual.
Beijos viu Teté!Bom final de semana!
;)
Então um bom FDS, Sra. Dona Teté!
ResponderEliminar(fugindo para longe)
Acho que aqui tenho alguma coisa a dizer. Posso? Pois, com licença, cá usamos o "tu", mas também o "usted", do que não padecemos, com certeza, é de tratamentos pomposos. Quando tenho de me dirigir a um português que não conheço nunca sei como fazer, porque parece-me ridículo isso do senhor doutor ou senhor engenheiro. Mas desta margem, a uma pessoa mais velha do que eu, se não conheço ou não tenho confiança com ela, trato-a por "usted", o mesmo que faz comigo (mal que me pese) uma pessoa mais nova.
ResponderEliminarBeijos e bom fim-de-semana!
Ouvi muito bem, REI! E sim, a Alice Vieira é muito simpática, que também já tive o prazer de falar com ela. :)))
ResponderEliminarXi, VAN, essa soou um bocadinho mal... :D
Tive uma directora que dizia sempre "dona" é para quem tem cães e gatos e eu não tenho...
Não simplifica muito mais as coisas as pessoas tratarem-se pelo próprio nome, sem usar títulos académicos ou nobiliárquicos ou funções que desempenha? Pessoalmente, acho que sim... ;)
Claro, que estes formalismos excessivos dão azo a que apareçam uns cromos a auto-intitular-se isto ou aquilo, dizendo que são o que não são, FATIFER. E também não suporto gente armada em "carapau de corrida", a puxar dos "galões". Mas, normalmente, não dou muito troco! :)
Jinhos!
Pois é, EMATEJOCA, lembro-me da minha avó chamar "menina" a uma mulher quase da idade dela, pelo simples facto de ela nunca ter casado. Mas também não gosto que me tratem por "menina", mas essa, hoje em dia já acontece pouco... :)))
ResponderEliminarSaudações outonais para ti também!
Sim, em termos profissionais, fazem sentido KÁTIA! Ninguém vai a um médico e começa a tratá-lo tu cá, tu lá. Nem um aluno a um professor, etc e tal. Mas se se encontrar um médico ou um professor, por exemplo, num círculo de amigos, não faz sentido esse tratamento formal.
Beijocas, nina! :)*
A fugir para longe porquê, Senhor D. RAFEIRO PERFUMADO? :)))
OK, SUN, já entendi! Mas vais a uma loja e não achas má educação se te perguntarem o que é que queres, não é? Respondes e não pensas mais no assunto. Nem a lojista está a avaliar se tens mais ou menos idade, a não ser que sejas já bastante velhinha, né?
ResponderEliminarQuanto a pessoas mais velhas, e aí incluo aquelas que têm a idade da minha mãe e acima, não aquelas que têm apenas mais meia ou uma dúzia de anos, obviamente que também não as trato por tu, mas aí já é por uma questão de respeito.
Mas se querem abreviar a fórmula do Senhora Dona, não é preferível dizerem apenas o nome directamente? Alguém te trata por Senhora Sun, ou Dona Sun, aí na tua terra?!
Beijocas!
Se no fundo concordamos, Teté. Cá não há esse formalismo "classista". São só diferenças de respeito, mas tanto faz que a pessoa tenha mil diplomas ou nenhum: é a idade o que conta. Ainda lembro, sem eu saber, o ofendido que se sentiu uma vez um português porque o tratei -eu pensava que com respeito, he!- por senhor Luís. Foi depois que eu soube... e fiquei siderada. Mas nego-me a tratar a ninguém por senhor doutor. Até aí! Se se ofendem, é com eles.
ResponderEliminarPenso que detrás do post ai unha cheia de angustias causadas pela idade. E também o: Senhora Dona... recorda-me o: Senhora de... tão franquista e atrasado. O tratamento vêm do grão de amizade, de idade e de carinho... E agora mesmo estou pensando em saudar a Margaret Tacher, toparem numa festa com Ana Botella, ou... Abraçar, por exemplo, a Mercedes Sosa, unha grande senhora e dona com tudo meu respeito e meu carinho.
ResponderEliminarUm saúdo!
Olá, mim num gostas que tratem a mim por senhora, começo a olhar à roda e pergunto qual senhora? só está aqui a laura!... mas tenho uma amiga que não é capaz de me chamar laura, chama-me simplesmente senhora D. laura, é muito mais velha que eu e da fina flor da sociedade e...já lhe pedi ó dona m j , trate-me por laura; não senhora a senhora é digna de respeito e consideração e não trato ninguém por tu...eu rio-me ...deixo pra lá..adoro eu cá tu lá educadamente, claro..beijinhos ó tu tété...
ResponderEliminarEstou sempre a aprender contigo Teté!
ResponderEliminarBeijinhos :)
gostei muito
ResponderEliminarparabéns pela iniciativa
http://www.arte-e-ponto.blogspot.com
Ora um bom Domingo pra tu e pra eles e pra elas e tá tudo tratado por hoje...beijinho da laura...
ResponderEliminarSenhora Dona Teté, acho que tens toda a razão. Mas não é fácil perder hábitos adquiridos durante a canalhice. A coisa vai lá, mas ainda há-de demorar uns tempos:)
ResponderEliminarBem, você não precisa se preocupar com problemas deste tipo. Tem um apelido minúsculo e que nos passa a sensação de delicadeza, carinho. Não combina com "senhora" e muito menos com "dona".
ResponderEliminarDona Teté. Altamente fora do contexto. ;)
Um beijo!
P.S.: E esta estátua aí da foto, hein? Uma gata! ;)
Não acrescento nem uma virgula Tèté.....concordo plenamente contigo.
ResponderEliminarNeste país não sei porque cargas de água é que toda a gente tem de ter outra coisa além do nome dela......
As pessoas valem pelo que são e fazem e não pelos "titulos" que tem.....mas isso fora daqui!!!!!
Beijokitas
sem duvida! era bem melhor toda a gente se tratar por tu porque, parecendo que não, existe uma grande diferença entre tu e você!
ResponderEliminarvê um exemplo:
O Diretor Geral de um Banco, estava preocupado com um jovem e brilhante Diretor que, depois de ter trabalhado durante algum tempo com ele sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia. Então, o Diretor Geral do Banco chamou um detetive e disse-lhe:
- Siga o Diretor Lopes durante uma semana, durante o horário de almoço.
O detetive, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:
- O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o seu carro, vai a sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho. - Responde o Diretor Geral:
- Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.
Logo em seguida o detetive pergunta:
- Desculpe. Posso tratá-lo por tu?
- Sim, claro! - respondeu o Diretor surpreendido!
- Bom então vou repetir: O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.
Pois, estás a ver que acabamos por concordar, SUN? E sim, estás até mais à vontade para tratar só pelo nome, que a maioria do pessoal sabe que em Espanha funciona assim... (`_^)
ResponderEliminarJinhos!
Angústias causadas pela idade, CONDADO? Eu ou a Alice Vieira? (`_^) Também concordamos que se o tratamento cheira a bafio (é antiquado), o melhor é usar apenas o nome, em vez de formas simplificadas, que antigamente só eram usadas por pessoas de pouca cultura e educação...
Abraçar a Tatcher é que não convém muito, que dizem que ela é de ferro! (as outras não sei quem são, mas pela amostra...)
Pois, LAURINHA, mas uma coisa é a pessoa não conseguir, porque não está habituada, outra é estar cheia de "caganças" e cometer argoladas destas... Jinhos para ti, nina!
ResponderEliminarNo caso será mais com a Alice Vieira, CAPRICCIO, que ela é que explicou bem a questão! :)))
Beijoca!
Bem-vinda, CARLA SILVA E CUNHA!
Hummm... qual iniciativa?
OK, já lá dou uma saltada ao teu cantinho...
Olha, agora é que reparei, LAURINHA, que os meus caixotinhos estão no lugar! Que bom, assim mantenho a casa limpa... :)))
ResponderEliminarJinho para ti!
Pois esperemos que vá depressa, Senhor D. MOYLE, que gente cheia de "galões" e presunções complicam-me com os nervos... ;)
Também acho que não combina, OLIVER, mas há sempre um engraçadinho ou outro... :)))
Ficou boa a foto, não ficou?
Beijocas!
PARISIENSE, não há um ditado que diz "presunção e água benta, cada qual toda a que quer"? Parece que cá pelo burgo ninguém se acanha a servir-se de presunção.
ResponderEliminarQuelle tristesse! E que bimbalhada, ao mesmo tempo!
Beijokitas, nina!
Um exemplo bem elucidativo, VÍCIO!!! :)))
É ir ao Norte...Lá tratam-te sempre por 'menina';)
ResponderEliminarEu detesto o Dona...
Xiiii, é bom que não me tratem assim muitas vezes, que afino num instante.
Bjs, Menina Teté ;)
Pois, SAFIRITA, mas menina também só tem graça em criança, né?!
ResponderEliminarOu, pronto, por aquelas pessoas que nos conheceram desde crianças, e assim continuam a chamar, mais pela força do hábito... ;)
Beijoca, menina! :)))