segunda-feira, 30 de julho de 2007

HISTÓRIAS DO FIM DA RUA


Tal como suspeitava, não li tanto como desejava estas férias. A ventania da primeira semana não ajudou, depois de dois mergulhos nas ondas algarvias, lá ia com o livrito para o bar da praia – qualquer que ela fosse, ainda vou falar sobre esse assunto um dia destes! – cinco ou dez minutos depois começava a aparecer o pessoal. Como nunca leio em viés, nem me parece sensato exigir que fiquem todos mudos e quedos até acabar o capítulo, pois, lá ficava o livrinho em espera, com um marcador a meio.
Gostei do “Danças e Contradanças” da Joanne Harris, que já tinha começado a ler em casa, mas com obras e partida para férias ainda estava numa fase inicial. Pessoalmente, adoro contos! Parece-me que as editoras portuguesas não apostam muito nisso, mas claro, é lá com elas...
Actualmente estou a ler um policial, cheio de americanices, que sem ser desagradável, é de uma previsibilidade assustadora. A menina casta tem um psicopata atrás dela, vem o salvador agente do FBI, paixão assolapada, etc. e tal.
De permeio, só o Mário Zambujal para me fazer rir ou sorrir.
“Histórias do Fim da Rua”
Mário Zambujal, 1983
Edição de 2006, da Oficina do Livro
Não sei porquê, aquele Dedé Justino que “é um desses frequentes convencidos que as mulheres desmaiam à sua passagem”, fez-me lembrar o Dâmaso do Eça, em “Os Maias”. 100 anos depois, ainda é engraçado, claro que bem mais modernaço... Anos 80, sim, pois, moderno não é muito, mas hilariante no retrato de uma sociedade portuguesa em mudança, mas arreigada a tradições e a preconceitos de um passado recente.
Este livro despertou-me curiosidade, até pela simples razão que o escritor viveu muitos anos na rua onde cresci. Não é dessa rua que ele fala neste romance, mas a caricatura da população que a habita parece-me idêntica ao mundo real da época, naquela como em muitas outras de Lisboa ou de qualquer cidade do país.
Conheço o Mário Zambujal, ao vivo e a cores, mas apenas de passagem. Curiosamente, a recordação mais marcante que tenho do escritor, prende-se com o seu terceiro livro, “À Noite Logo se Vê”. Então, nos finais dos anos 80, estava eu a iniciar o meu primeiro emprego a sério e andava a ler esse livro. Estava completamente de língua de fora, a tentar perceber a utilização dos computadores, mas ia sempre de livrinho atrás, como ainda hoje em dia tenho a mania. Acontece que para além do título, a capa ostentava uma pintura de uma mulher nua. A boa da empregada da limpeza, que mal sabia ler, mas era uma cusca de primeira apanha, conseguiu soletrar o título, viu a pintura e pás!, vai de divulgar a toda a gente que eu lia livros pornográficos. Eu a pensar que estavam todos a ser solidários, que apareciam na minha sala com uma desculpa ou outra, ou a perguntar se estava tudo bem, nada, só queriam ver o livro pornográfico... Vá que a excursão não foi maior, porque a Guida, leitora compulsiva, percebeu logo a confusão da outra e pôs termo à emocionante história da nova-empregada-que-gosta-de-literatura-porno...
Mas enfim, o Mário Zambujal está “perdoado” por este pequeno quiproquó, prova é que o continuo a ler com prazer. Aos bons malandros, tudo se perdoa!

16 comentários:

  1. "Danças e Contradanças" também já li há uns tempos, como a maior parte dos livros de Joanne harris (já leste A Praia Perdida?)...
    Os contos são uma forma de escrita e de leitura de satisfação rápida, informação aparentemente ligeira, com uma dinâmica muito mais concentrada e elevada. Uns dizem que são o "fast food" da literatura, outros dizem que são as pequenas pérolas. sei que concentrar tudo para quem não tem o dom do resumo é um feito hercúleo! :)

    Vou experimentar a tua sugestão assim que o encontrar! : ) Adorei o episódio da dedução da empregada de limpeza! Hilariante!

    É assim que vamos construíndo a nossa manta de retalhos da vida...aos poucos e poucos...bocadinhos de lembranças e de felicidades...

    Beijinhos grandes grandes.

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  2. Bem vinda de volta!! Afinal para que zona do algarve foste?
    Eu adoro contos. Se são fast food da literatura ou pequenas pérolas, depende do conto, né? Mas adoro contos.

    Essa empregada de limpeza é o maximo. Incrivel como as pessoas julgam as outras pela aparencia, primeira e errada impressão e como descontextualizam as coisas...

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  3. Su, foi o primeiro livro que li dela, este estava em promoção no Círculo dos Leitores e aproveitei para ficar a conhecer, uma vez que já várias pessoas me tinham dito bem da escritora. E francamente, gostei!
    Hoje ou amanhã arranjo-te um comentário sobre a Sombra e o Vento, fica prometido...
    Jinhos e boas férias!

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  4. Vanadis, pois andei entre Portimão e Faro, mas essencialmente naquela zona entre Armação e Albufeira.
    Tive pena foi de não ter chegado a ver a magnífica estátua de que falaste, em Faro, mas não deu tempo...
    Mas as estátuas de Albufeira, tirando lá uma com 3 golfinhos, também são um pavor!
    Há um mau gosto na estatuária nacional, que chega a ser deprimente!

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  5. os teus livros pornográficos descrevem as cenas ao pormenor? :P

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  6. Não, Vício! Nem em pormenor, nem sem ser em pormenor, que os meus "livros pornográficos" são muito sui generis...

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  7. Olá, cá estás de volta... fizeste-me falta!

    Também gostei da Praia Perdida, mas o livro que mais gostei dela foi 'Cinco quartos de laranja', empresto-to.

    Bjs

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  8. Pois, Faro, esquece, praia de faro nesta época, foge!! A não ser que vás de barco (mas ás sete tens de estar de volta). Há areal e bares em toda a linha.

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  9. Aninhas, agradeço o empréstimo, mas fica para depois, que por enquanto tenho montes de livros em fila de espera a aguardar leitura...
    Amanhã nos caracolitos, vá bene?

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  10. A Faro só fui visitar uma amiga, meteu piscina privada, mas não praia...
    Não deu foi tempo de ir visitar a famosa estátua!

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  11. Por falar em Algarve ainda não vou de férias mas esta sexta a Domingo vou até Manta Rota. Não conheço...eu de Algarve é mais de Lagos para Sagres, sobretudo Sagres e depois subindo Odeceixe!

    xxx

    OK. Fico à espera da tua "crónica" da Sombra do Vento. Para ser o próximo FORA DA PRATELEIRA DA TEIA!
    : )

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  12. Ana Ferreira10/03/2009

    Olá. estou a pensar ler o livro "histórias do fim da rua" para depois fazer um trabalho para português. Achas que é um bom livro? beijo grande :)

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  13. Anónimo2/26/2013

    Podem me dizer qual a intençao de Mario Zambujal em escrever o livro"Historia do Fim da Rua"? E a sintese do livro , nao percebi!? Afinal falava do que? A historia do casal ... expliquem-me .Obrigada!

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  14. ANA FERREIRA E ANÒNIMO: o livro é um romance de comédia de costumes e retrata a sociedade lisboeta dos anos 80, nomeadamente naquela rua. Mas o melhor é lerem, que tem apenas 164 páginas (nesta edição) de leitura fácil e acessível a todos. E sim, fala da história do casal, mas não só. As sínteses podem encontrar (ou não) nas contracapas dos livros, aqui dou meras opiniões pessoais e subjetivas, que não são exatamente para copiar em trabalhos de português! :D

    Bons trabalhos!

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  15. Anónimo2/27/2013

    Eu já li, mas nao foi com a atenção necessária, agora preciso de fazer a ficha de leitura do livro e estou um pouco atrapalhada, mas eu comprrendo que não me posso dizer tudo. Era uma situaçao de emergencia!

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    1. Não posso e não devo, porque além de não ser professora de português, também já li o livro à bué (julho de 2007) e para além de ter uma ideia genérica do seu enredo e de o achar divertido, estou longe de recordar pormenores!

      Vá, boa sorte para a tua ficha de leitura!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)