Este filme decorre numa época pouco documentada, logo a seguir à II Guerra Mundial e até ao início dos anos 60, em que o anticomunismo primário estava ao rubro, com o McCarthismo e o código de Hays (um sistema de censura que proibia expressamente que no grande ecrã surgissem cenas de nudez, prostituição, violência excessiva, alcoolismo, blasfémia, ou seja, tudo dentro da moral e "bons" costumes vigentes). Em Hollywood, esta "caça às bruxas" do século XX foi particularmente feroz, colocando centenas de atores, atrizes, argumentistas, músicos, produtores, realizadores e por aí adiante na tristemente famosa lista negra.
Dalton Trumbo era, em 1947, um dos argumentistas de maior nomeada, mas ao recusar-se a responder perante uma comissão parlamentar de inquérito (e denunciar os colegas suspeitos de serem simpatizantes comunistas), foi preso e posteriormente impedido de trabalhar. Teve de se mudar da sua magnífica casa à beira lago, com toda a família, para uma mais pequena e citadina, onde acabou por arranjar um esquema para escrever argumentos de segunda categoria: bastava arranjar alguém que assinasse por ele. Às tantas o trabalho era demasiado e chamou alguns dos seus colegas em idênticas circunstâncias para o ajudarem na tarefa. O que ganhavam estava longe das quantias generosas de outros tempos, mas pelo menos dava-lhes para sobreviver e sustentar a família - no caso de Trumbo, mulher e três filhos. Apesar de todas estas dificuldades ganhou dois Oscares, confortavelmente sentado no sofá da sua sala, que só muitos anos depois viria a receber fisicamente (um dos quais, já postumamente).
Enfim, como já referi, este período negro da história da América, em geral, e de Hollywood, em particular, não costuma ser tema dos filmes hollywoodescos. Quiçá por vergonha, mas há quem diga que ainda é um assunto fraturante nos grandes estúdios cinematográficos. Também não é costume ver algumas das suas estrelas retratadas tão impiedosamente, como John Wayne ou Edward G. Robinson. Por seu turno, Kirk Douglas ou Otto Preminger, os primeiros a dar oportunidade a Trumbo assinar os argumentos com o seu próprio nome, passado o período mais conturbado, saem bem vistos no ecrã.
Quem está de parabéns é Bryan Cranston pela sua genial interpretação, que já lhe valeu a nomeação para o Oscar de melhor ator deste ano. Que é improvável que ganhe, já que todos os entendidos dão como certo que seja Leonardo diCaprio a levar para casa a cobiçada estatueta. Seja como for, a nomeação já não é de desprezar. E por falar nisso, estão lembrados que a cerimónia da entrega dos Oscars é já na madrugada da próxima segunda-feira? Vou estar atenta, as usual (se bem que, este ano, só tenha visto este filme dos nomeados)...
BOM FIM DE SEMANA!
(cinéfilo ou não...)
Imagem de cena do filme, da
net.