Rachel é uma rapariga que tem um problema de alcoolismo, desde que não conseguiu engravidar, ainda agravado com a traição do marido, que a trocou por outra: Anna.
Entretanto já se passaram dois anos e, apesar de já ter perdido o emprego devido aos copos a mais, Rachel apanha todos os dias o comboio para Londres, para que a sua senhoria não desconfie que está desempregada. É nesse trajeto diário que ela passa por Witney - onde viveu durante os seus anos de casada - e, dada uma habitual paragem no percurso, começa a reparar numa casa em tudo semelhante à sua antiga, no casal que lá vive e na sua aparente felicidade. No entanto, a romântica imaginação de Rachel sofre um rude golpe, quando ela vê outro homem a beijar a mulher no jardim da casa e, mais ainda, quando é divulgada a notícia que Megan (a dita mulher) desapareceu sem deixar rasto. Para piorar um pouco a situação, ela sabe que nessa tarde deambulou pela aldeia, perdida de bêbeda, mas por mais que tente reavivar a memória - falando com o ex-marido Tom ou com o estranho homem ruivo que a ajudou a levantar-se depois de uma queda - não há maneira de se lembrar de nada.Ou será que há?
As 318 páginas estão escritas tipo diário, intercalando entradas das três mulheres, mas com datas por vezes desfasadas. Curiosamente, não há uma identificação do leitor com qualquer delas: Rachel é uma alcoólica infeliz, Anna a mulher que "rouba" o marido a outra sem qualquer espécie de remorso e Megan uma espécie de dondoca entediada... pelo menos antes de desaparecer (e de ficarmos a conhecer alguns aspetos do seu passado). Mesmo assim percebe-se porque é que este livro esteve (e suponho que ainda está) nos tops de vendas, pois dificilmente conseguimos parar a leitura deste enredo tão burilado até chegar ao final engendrado por Paula Hawkins. Houve quem o considerasse previsível, pessoalmente não podia discordar mais: para mim foi uma autêntica surpresa. Gostei!
Citações:
"Sentia-me sozinha na minha infelicidade. Tornei-me solitária, por isso bebia um bocado, e depois cada vez mais, e então tornei-me ainda mais solitária, porque ninguém gosta de estar ao pé de uma bêbeda."
"O vazio: isso sou eu capaz de compreender. Começo a acreditar que nada há que possamos fazer para o remediar. Foi o que aprendi com as sessões no psicoterapeuta: os buracos na nossa vida são permanentes."
"Havia algo de estranho ali, mas acabei por perceber que era só eu."











