sábado, 27 de julho de 2013

O LIVRO DOS HOMENS SEM LUZ

Talvez não tenha sido a melhor leitura para trazer de férias, mas facto é que já tinha lido as primeiras páginas em Lisboa. Que, assim como assim, me lembraram vagamente o filme "A Janela Indiscreta", de Alfred Hitchcock, embora com umas tonalidades mais negras. Mas se no primeiro capítulo encontramos um homem solitário e amargurado - após a perda da mulher e da filha num incêndio - que passa os dias a seguir outros homens ou a observar a vida dos vizinhos da janela de um apartamento londrino, no segundo o cenário muda de figura: ainda em Londres, e durante os bombardeamentos da II Guerra Mundial, Joseph e a sua mulher Helena ficam soterrados num abrigo, construído debaixo da casa onde residiam e que se tornou num amontoado de escombros. Durante um tempo (propositadamente) indefinido, mas suficientemente prolongado para se assemelhar a uma história de terror.

Quatro capítulos e 214 páginas depois descobrimos os elos que unem as diferentes personagens, se bem que pelo meio e nas histórias entrecruzadas algumas pareçam fantasmagóricas ou sonhos e pesadelos resultantes de noites mal dormidas ou de passados mal resolvidos. Quer dizer, se bem entendi, porque não tenho a certeza de ter entendido todas as ligações, nas sequências de um tempo vago e longínquo.

Dito isto, gostei da escrita de João Tordo e da estrutura original do enredo que se completa tipo puzzle, à medida que vamos avançando na leitura. Mas não tanto das histórias sombrias, solitárias e soturnas dos "homens sem luz"...

Mesmo assim, espero que a próxima leitura seja mais adequada à beira-mar!

Citações:

"Compreendia que a nação se encontrasse em guerra; compreendia´até que o mundo inteiro se encontrasse em guerra. Mas não compreendia que inimigos eram estes que nunca tinha visto, e que lhes tinham destruído a casa, que era a única coisa que tinham."

"Nesses momentos de solidão - uma solidão tão potente e irrevogável que julgava ouvir vozes à distância - parecia-lhe que o único destino possível era extinguir a luz e deitar-se sobre o colchão, onde se abandonaria. Parecia-lhe que o único final era apodrecer." 

"Senti-me aterrorizado ao ver a gigantesca montanha de escombros, algo irreconhecível que não fazia lembrar uma casa, mas a imagem exacta do que acontece à própria existência dos homens, ruína atrás de ruína."

12 comentários:

  1. Nunca li nada dele.Mas gostei das entrevistas , escritas e orais.

    Com um título desses, não surpreende que as estórias sejam sombrias...

    Abraço e continuação de boas férias...e , se me permites, para compensar lê "Salve-se Quem Puder" de Lawrence Durrell

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    1. Também foi o primeiro livro de João Tordo que li, SÃO! Mas tens razão, com este título, já devia esperar... ;)

      Não esqueci a sugestão, mas para já trouxe os livros a ler e não tenciono comprar mais... :)

      Abração!

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  2. Como já tenho dito muitas vezes, à beira-mar já não leio! : ) Por razões tb mais que conhecidas ...

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    1. CATARINA, o meu "beira-mar" é mais na esplanada da praia ou da piscina, de vez em quando também adio a leitura e fico a observar a gente que me rodeia... :)

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    2. Ontem estive na casa de uma amiga e vi em cima da mesa da sala “As Três Vidas” de João Tordo. Claro que lhe pedi logo emprestado. Ainda não o acabou de ler; diz-me que está a gostar. E como sabe que gosto muito de Miguel de Sousa Tavares e teve conhecimento do lançamento do seu último livro que mo vai trazer quando regressar de férias! Será a sua prenda. Todos os anos recebo um livro de um autor português desta minha grande amiga! : ) Vivam as grandes amigas! : )

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    3. Bom, CATARINA, de Tordo só li este e o outro de Miguel Sousa Tavares também ainda não li (nem comprei). Demasiados livros para ler nos próximos tempos, vão atirar essas leituras para outra altura... ;)

      Mas se entretanto os leres, diz o que achaste! :)

      Vivam as grandes amigas! :D

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  3. Concordo, ler coisas que envolvam luz ou electricidade perto da água pode ser perigoso. Beijoca!

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    1. Ui, que sorte a minha eles não terem luz, RAUF! Já viste o perigo??? :)))

      Beijocas!

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  4. Tétéamiga

    Concordo contigo. O João Tordo (que escreve bem) neste O Livro dos Homens sem Luz é quase tétrico. Para se chegar a esse estado não e preciso mais do que tentar perceber um discurso de Sua Insolência o Palhaço que vive em Belém. É que homens sem luz nem conseguem encontrar o fim do túnel. Por pouca sorte minha comecei a ler o livro - e não o terminei. Mas o que li chegou-me para dizer já chega!

    Qjs

    Henrique

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    1. "Homens sem luz" não conseguem encontrar o fim do túnel, HENRIQUE, e alguns ainda se dão ao luxo de insolências e palhaçadas. Mas no caso do livro, mesmo que meio tétrico, era só ficção, na vida real cai muito pior. E, na realidade, também preferia que já chegasse! :P

      Beijos (e queijos)!

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  5. Creio que nunca li nada do João Tordo. Uma lacuna que tentarei preencher. Já ouvi elogios a Hotel Memória e Três Vidas, talvez comece por um deles, se bem que este também me deixou curioso.
    Beijinhos

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    1. Se gostar de leituras mais leves de férias, leia sem ser em férias, CARLOS, que pelo menos este é um bocado pesado... :)

      Beijocas!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)