quinta-feira, 4 de julho de 2013

CINOFOBIA


Nunca tive medo de cães, não tenho qualquer fobia em relação a eles. Se desde pequena fui habituada a lidar com cães - a certa altura a minha avó tinha sete cães e um gato (e desse eu pelava-me de medo na época!) - depressa aprendi que cão que ladra também morde, num incidente a caminho da escola primária: ia com a minha irmã e uma amiga para as aulas da tarde, um cão da vizinhança desata a ladrar e a correr na nossa direção... até afinfar a bocarra na pernoca da nossa amiga. Sorte nossa, azar dela! Mas sem dúvida um episódio marcante...

Episódios com cães agressivos foram vários, uns mais caricatos que outros: lembro-me de um antigo namorado da faculdade, que sofria da fobia, a correr desvairado em volta de um carro com um minúsculo canídeo a tentar alcançar-lhe as canelas; da estúpida cadela de uma amiga me ter mordido o sapato durante um lanche, com receio que eu lhe roubar os ossos da refeição (explicação dos donos); de uma das minhas sobrinhas ter sido mordida pelo cão de outros miúdos conhecidos, enquanto brincavam; de outra amiga que mandou abater o cão, que um dia se virou a ela e lhe fez um lanho no braço, por ciúme da bebé que acabara de nascer (explicação da própria). Ou seja, são episódios esparsos, acumulados ao longo de anos, nenhum deles me faz ter receio destes animais. Embora costume estar atenta a cães desconhecidos.

Durante as mini-férias-algarvias-de-junho, assim que cheguei ao estacionamento da praia vi as alcachofras naquele tom lilás tão característico da primavera junina. Apesar de nem sequer estar muito virada para sessões fotográficas, lá saquei da máquina, tirei uma, cliquei no zoom para esta e ainda cliquei mais uma vez. Coisa de menos de um mínuto, acompanhado por um ruído estranho, depois transformado num nítido rosnar, acabou num cão a sair debaixo de uma auto-caravana próxima e a correr na direção das minhas pernas. OMG, mais do mesmo?!?

Nestas situações, grito que nem uma desalmada. É certo que os cães ficam mais excitados, mas se houver um dono por perto pode ser que os acalme. Mas do que me diz a experiência é que os donos consideram sempre o seu bicho de estimação tão querido, manso e fofinho, que raramente intervêm. A cena prolongou-se por vários minutos, comigo a gritar em stéreo e sem o deixar aproximar-se dos meus tornozelos - não, não era muito grande, o focinho dele apontava para aí - só o meu marido tentou acalmar-me, a uma certa distância. Como não parei com a gritaria (já tinha recuado vários passos, mas o raio do animal continuava a tentar morder-me), o dono acordou da sesta e lá disse da janela com imensa sabedoria, sem sair da auto-caravana: "Não mostre medo, que ele é manso!" "Muito!"- pensei vagamente no meio da confusão momentânea. Entretanto o meu marido já se estava a aproximar devagar, trazia o chapéu-de-sol ao ombro, aí o dono lembrou-se de chamar o amoroso canídeo: "Viens ici... VIENS ICI!" Obedeceu ao segundo chamamento.

Já vínhamos embora, quando o tanso dono de tão "mansa" criatura resolveu ainda dar-nos uma didática instrução sobre como lidar com cães: "É preciso calma e não mostrar medo!" Cansada de gritar, nem respondi. "Pois, mas o seu cão é que a tentou atacar, sem ela ter feito nada!" - respondeu o maridão.

Continuo sem a tal de cinofobia, mas ando a desenvolver outra em relação a donos de animalejos tão "estimáveis"...

26 comentários:

  1. Donos responsáveis não têm essas atitudes, Teté.
    E os bichinhos têm que ser educados e controlados para não incomodarem outras pessoas.
    Tão simples quanto isso.
    Beijocas!

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    1. Concordo, PEDRO! O problema não é este ou aquele cão, é inteiramente dos donos que não os educam ou controlam! Também acho que tem essa simplicidade toda! :)

      Beijocas!

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  2. Tenho medo dos cães que não conheço e não gosto que se aproximem de mim alguns que conheço, com raras exceções.

    Não gosto de ver cães à solta e, se por acaso, vejo alguns sem trela (o que não é permitido a não ser nos espaços com vedação existentes nos parques para o efeito) chamo a atenção dos donos. Quando me dizem que são mansos, respondo que, por lei, não é permitido, que dá direito a multa.

    Não grito mas fico parada. Como somos seguidores da lei, de uma maneira geral, encontros deste género não são frequentes.

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    1. Não considero que seja medo estar atenta a cães desconhecidos, CATARINA, afinal de contas podem ser perigosos e a atenção nunca é demais. Mas também prefiro que os donos não os tenham soltos e que os mantenham com trela. Imagina que havia por aqui uma loja, que tinha um cão (pequeno) à porta, mas que ladrava a toda a gente que passava. Não me admirou nada que a loja fechasse, por mim nunca lá entrei... ;)

      Mansos podem ser para os donos e mesmo assim nem sempre! Mas realmente não é muito frequente ter chatices com cães ou donos.

      Mas também só grito se percebo que a intenção do bicho é atacar-me, como foi o caso. Não há pachorra para bichos quezilentos! :P

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  3. Os cães não são estúpidos. Porque a estupidez é "virtude" humana. Daí que os donos dos cães "que não fazem mal" se comportem como esse franciú, convencidos de que o animal é inofensivo. Até pode ser que seja; mas nunca será sempre!
    Sobretudo quando "pensa" que desconhecidos lhes estão invadindo o seu espaço. O cão, evidentemente!
    Não o adjectivaste com um vernáculo popular "daqueles"? Ao dono, evidentemente.

    Beijokas sorrindo sem dentadas.

    §-será que fotografámos as mesmas alcachofras?

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    1. Nem estou a dizer que são, KOK! Pelos vistos, há mais donos estúpidos do que seria desejável... o que se reflete nos bichos!

      E sim, deve ter sido óbvio para o cão que lhe invadi o espaço! Na volta fez xixi para cima das alcachofras e considerou que era espaço dele... :)))

      Não adjetivei ninguém com vernáculo nenhum, só gritei. E depois de gritar, fiquei sem fala durante uns largos minutos... ;)

      Beijocas sorridentes (e também sem dentadas!)

      § - as mesmíssimas, certamente, quando lá voltares tem cuidado com o cão, se é que não arejaram já para outras paragens! :)))

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  4. Eu tive um pânico irracional de cães até já depois dos 30 anos feitos, mas era uma transferência psicológica. Agora, claro, tenho um certo cuidado , mas o normal que se tem face a animais que podem ferir.

    E uma coisa que me irrita e me faz refilar a sério como os/as donos/as é o inevitável "Ah, não morde!". Respondo sempre: "Não pode garantir isso, é um animal! Pode assustar-se, pode por qualquer motivo ter um comportamento que não é habitual. Eu tive uma dálmata linda e uma doçura e que por causa de ser branca com pintas negras atraia toda a gente , tanto crianças como adultos e eu respondi sempre a quem lhe queria fazer festas e perguntava se mordia: Até hoje nunca mordeu, mas não posso garantir que o não faça!"

    Enfim...

    Beijufas felinas, que eu adoro tudo quanto é felino - embora já tenha sido arranhada, rrss

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    1. Cuidado é bom e também tenho, SÃO! Apesar de tudo também me dou muito melhor com gatos, tinha medo do Tareco da minha avó que não era nada dócil, até porque tinha de lidar com aqueles cães todos no dia a dia, mas depois mais velhote até acalmou (sobreviveu a todos os cães). :)

      Mas até o meu Nicky, que era um gato caseiro e mimado, um dia arranhou o advogado da minha mãe (que se pelava de medo de gatos), quando ele tentou fazer-lhe uma festa. Então como é que com os cães não é igual? Só que com mais ou menos arranhadela, a malta ainda pode, com algumas dentadas de canídeos pode ser uma grande chatice...

      E sim, mesmo que o cão seja manso, não convém ser muito chateado com festas de pessoas desconhecidas! Que aqui nem foi o caso...

      Beijocas e sweet dreams! :)

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  5. Não é preciso ser-se cinofóbico para se apanhar um susto dos grandes, numa situação dessas, Teté!
    Cães em locais públicos, sejam grandes ou pequenos, de raça ou rafeiros, mansos ou bravos, deviam andar açaimados! Mai nada!

    Linda a cor anil dessas alcachofras. Belo contraste primaveril! Um cão de dentes arreganhados e a beleza espontânea da Natureza! :))

    Beijocas!:)

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    1. Bom, nem digo tanto, JANITA, mas que pelo menos os donos os tenham pela trela... É pedir muito, sejam eles mansos ou dados a quezílias com os que passam por perto?!?

      Era para ser contraste primarevil, mas dadas as recordações associadas... passei! :)))

      Beijocas!

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  6. Também não tenho medo de cães, mas eles por vezes passam-se... Os gatos são de longe muito mais fofos...

    Beijinhos e ronrons (sem raufs raufs para não te pores a gritar...)

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    1. Ai passam, passam, GRAÇA! E concordo contigo, os gatos desde que ninguém vá lá chatear, não costumam ser dados a ataques destes! :)

      Beijocas ronronadas (e sem raufs)! :D

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  7. eu não tenho fobia mas, como fui mordida por um enorme 'pastor alemão' quando tinha 7 anos tenho medo, muito medo :)

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    1. O medo é daquelas coisas que nos faz bem, TÉTISQ, quando não excessivo ao ponto de se tornar fobia! É lógico que a maior parte dos cães não andam por aí a atacar as pernas de quem passa, mas prestar atenção às movimentações daqueles que circulam por perto é uma precaução desejável, para evitar chatices maiores... :)

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  8. Já apanhei alguns sustos, mas nada que me fizesse ter medo a sério e nunca fui mordida...na verdade também evito os lulu's que normalmente são super mansinhos para os donos, mas nunca fiando até porque muitos donos já foram atacados...como diz a São, são animais e nunca se sabe quando e porquê se vão passar dos carretos...mais vale prevenir que remediar.

    Há tempos lá na "aldeia" ao andar por uma rua diferente do habitual havia um cão que ladrava imenso e não me deixava passar, eu ia prá esquerda, ele ia prá esquerda, eu ai prá direita e ele ia prá direita, ainda andámos a "dançar" uns segundinhos, que para mim pareceram horas, até que lá apareceu o dono a dizer que não tivesse medo porque o cão não fazia mal a ninguém, apenas se achava o dono da rua...do mal o menos eheheh

    Linda a cor das alcachofras :)

    Beijinho e ão ão (fogeeeeee eheheh) :)))

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    1. Também nunca fui mordida a sério, MARIA! Mas presto (mais) atenção quando vejo cães por perto. Curiosamente, os mais "agitadinhos" costumam ser os mais pequenos, mas nunca fiando... E de vez lá acontece mais uma desgraça, de uma criança ou idoso que foi atacado por um ou mais cães, com danos irremediáveis. Não era para as pessoas prestarem mais atenção, particularmente os donos dos cães?

      Este não se devia julgar o dono da rua, mas das alcachofras. Mas se se tivesse limitado a ladrar, tinha-me ido embora (às arrecuas, mas pronto!). Mas não foi o caso... :P

      Beijocas, sem fugas (que sei que "ladras", mas não mordes)! :)))

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  9. De facto sempre ouvi dizer que não devemos mostrar receio... mas está quieto oh mau... quando passo por cães que não conheço só eu sei como a minha pulsação acelera. Mas disfarço... disfarço bem. Por aqui não há casa que não tenha cão, incluindo a minha que até tem dois. Por vezes os bichos estão soltos e desses, os que mais me irritam são os pequenos rafeiros que desatam a correr junto às nossas canelas ladrando furiosamente... :)

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    1. Percebo isso lindamente, LUISA, mas se o bicho está a tentar chegar perto das tuas canelas, adeus a todas as teorias de não mostrar medo! E pelo que percebo estás a falar de cães aí das redondezas, que até te conhecem de passagem, que ladram por ladrar a todos os que passam. O que já de si é desagradável, mas este nunca o tinha visto mais gordo... e muito menos me lembraria de lhe dar "instruções" em francês! :)

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  10. Como há tempos escrevi no Cr, o problema não são os cães, mas sim os seus donos, esses sim muitas vezes uns verdadeiros animais!
    Foi uma bela aventura, Teté :-)
    Beijinhos

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    1. E com isso concordo a 100%, CARLOS! O cão pareceu-me estúpido, mas o dono muito mais, com as suas teorias de não mostrar medo, quando estava a ser atacada... ;)

      Para aventuras... prefiro outras mais agradáveis! :D

      Beijocas!

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    1. Bom fim de semana, PEDRO! :)

      Beijocas!

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  12. Bem... eu devo vir fazer o papel do diabo :P
    Ando a ensinar o meu cão a andar sem trela na rua. Dessa forma anda mais à vontade (não anda à vontadinha) e obriga-o a estar muito mais atento a mim. Não tem permissão para se afastar de mim mais que 1 a 2 metros. Por incrivel que pareça, deixou de puxar sempre que vê outros animais (ele gosta de socializar e não faz mal a uma mosca, mas com trela puxava sempre, agora senta-se e espera que eu dê ordem para se aproximar).

    A única coisa que ainda não consigo evitar é que ele queira dar beijinhos às pessoas que mostram interesse em conhece-lo. Se não lhe derem importância ele não liga, se o chamarem, podem contar com um labrador de 40kg no colo em menos de nada :)

    Em relação aos cães dos outros, nunca tive problemas com nenhum, talvez porque nunca mostrei medo e sou sempre o primeiro a avançar para os cumprimentar (fazer festas). Ainda no Sábado, apareceu um pitbull cachorro no café e devo ter sido dos poucos que fui para a brincadeira com ele. A malta só por olhar para ele até se punha em sentido... não acredito em animais maus, apenas em donos maus.

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    1. A questão é que o cão estava à solta... e o dono a fazer a sesta dentro da auto-caravana! E até percebo que o bicho achou que lhe estava a invadir o "terreno", mas nem o vi, distraída que estava com as alcachofras e a vista para o mar. Mas de uma coisa podes estar certo, o bicho não era nada simpático. Só um dono parvo, para achar que o bichinho não faz mal nenhum, quando nitidamente está a tentar morder-me as canelas. Curiosamente, pelas experiências que tive, os bichos mais pequenos são os mais quezilentos... e os donos acham-nos sempre uma fofura! :S

      Mas como disse, W, não tenho medo de cães: embirro é que eles andem a ladrar e a rondar-me as pernas, em tom de ameaça! Quando são simpáticos e não denotam o mínimo de agressividade, passo perto e até faço festas, se o bicho está disposto a brincar... :)

      Agora uma coisa é certa: ando a embirrar mais com os donos do que com os cães, porque a obrigação deles é fazer com que o animal não incomode ninguém. Aliás, desconfio que se o meu marido não se estivesse a aproximar, ainda por cima com o chapéu de sol ao ombro (não, não era ameaça, íamos para a praia), o fulano nem se lembrava de o chamar. Viu perigo, pró queriducho, daí a preocupação... :P

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  13. Eu já tive gato mas agora tenho cão, acho muito mais fácil controlar o cão que se bem educado é bem previsível. Passeio o meu cão todos os dias e tenho muito cuidado com ele pois assim como as pessoas têm medo dos cães , nós também temos medo de encontrar outros cães soltos que podem vir criar problemas com o nosso que vai preso...
    Nós que adoramos os nossos cães temos a tentação de os deixar livres passeando alegremente ao nosso lado mas na verdade tudo seria muito mais tranquilo se todos cumprissem a regra/lei de que o cão tem que estar preso quando anda na rua.
    É assustador e injusto ir pela rua fora com o cão preso e ser surpreendida por um outro que aparece solto e que se chega ao nosso, há sempre uma grande tensão e por vezes confusão porque o preso sente-se ameaçado por estar em desvantagem perante o outro.
    No inverno na praia andam soltos muitos cães que normalmente não são problemáticos e como estão todos em igualdade de circunstancias eles aproximam-se amigavelmente e seguem os seus caminhos sem problemas.
    Educar o cão é fundamental pois ás vezes um cão com trela se não for educado arrasta o dono e o problema mantém-se.
    xx
    Eu sou apologista de trazer o meu com a trela quando andamos pela cidade.

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    1. O que acontece, PAPOILA, é que os gatos habitualmente não andam pela rua a tentar atacar pernas alheias. Nem os vadios costumam fazer isso e, mesmo em casa, os gatos não costumam atacar ninguém - desde que as pessoas não se metam com eles.

      Em cães tens de tudo - os simpáticos, meigos, brincalhões e bem educados pelos donos e os outros. E entre os outros ainda há os agressivos. Se são só quezilentos, ladram muito e não mordem... pois, quem adivinha? Sei que não gosto que cães venham a correr na minha direção, venham a ladrar ou não, mas podes crer que distingo se vêm por brincadeira, no entusiasmo de farejar (esses é mais em passinho de corrida) ou não...

      Claro que educar o cão é fundamental, o problema é que há quem não o faça e, pior, como há donos que acham o seu bichinho tão simpático e fofucho, mesmo quando o bicho está a ser agressivo com alguém ou outro animal, saem-se com estas de "ele não faz mal!", em vez de o prenderem, agarrarem ou chamarem imediatamente. Olha, prefiro ver placas de "O cão morde!"

      Mas é como digo, cada vez tenho menos paciência é para donos que não os sabem educar... ;)

      xxx

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)