
Marina mantém uma relação com Lourenço (inspector da PJ, casado com Gilberta), cuja sogra tem propensão a acidentes, precisamente quando planeiam românticas viagens a Paris ou Londres. Influenciável - e farta de passar Sábados e Domingos sozinha em caselas - ao ver uma série inglesa que relata "a história de uma governanta que aos fins-de-semana despia a farda, metia-se num comboio, saía numa estação em que nunca tinha estado, enfiava-se num hotel e passava a ser Miss Marion Garth, ainda prima afastada de um primo da rainha Isabel, que ali procurava paz e sossego" resolve partir para aventuras do género. Assim, surgem Maria Eduarda, Francisca e Odete, as outras personalidades do seu Eu, também elas muito diferentes entre si, tanto nas vivências imaginadas, como no visual correspondente. Essas passeatas solitárias dão azo a conhecer outros homens, em conquistas efémeras das personagens com que se disfarça...
Mas a vida de Marina está prestes a dar uma grande reviravolta: já nem lhe bastava o sufoco das contas para pagar (5.373,45 euros, de um IRS atrasado), da sua tumultuosa vida amorosa onde Henrique de Castro Ataíde entrara após um pequeno arrufo com o inspector, a morte repentina da mulher deste de ataque cardíaco (nem por isso o "lugar" de esposa ficou vago, que a sogra ficou a tomar conta do genro e dos netos), quando dois agentes da Polícia Judiciária a vão buscar a casa, por suspeita do homicídio do amante: "uma seta cravada no peito e uma espada molhada de sangue no chão foram os sinais e vestígios de quem matou Lourenço. Crime horrendo e sórdido, faltaram adjectivos aos agentes que reportaram o caso para qualificar a dimensão." O interrogatório que se segue é efectuado por D. Querida Flor, que tem o digníssimo posto de "mulher do chefe"!
Os crimes e os mistérios não páram por aqui, todos têm algo a esconder, num enredo com um ritmo alucinante, cheio de pistas em várias direcções, mas em que dificilmente se descobre quem é o violento assassino. Cabe ao inspector Luis Couto Pinto prosseguir com a investigação, que envolve corrupção dentro da própria PJ, um estranho incêndio, trigémeos com percursos diferentes e regressões a vidas passadas, a par de múltiplas relações amorosas inconfessáveis! Será que consegue deslindar o caso no meio de todo este imbróglio?
Super-divertido! (pelo menos para quem considera que rir e ler, em simultâneo, não são actividades incompatíveis...)
CITAÇÕES:
"Nunca vi velha que mais vezes caísse na cozinha do que a sogra do Lourenço.
Também já perdi a conta às pernas que ela partiu.
E às pneumonias."
"No fundo, no fundo, o que acontecia é que ela andara à procura do homem ideal, não podia era confessá-lo ao estupor gigante da Querida Flor. Era esse o impulso que a movia, que movia toda a gente, a procura da metade ideal. E de facto não tivera sorte..."
"Perdera os três homens que alguma vez amara. Mas toda a gente parecia insensível a esse facto. Afinal, a Querida não tem coração. Tem um corpo do tamanho do Entroncamento, uma voz do tamanho da feira da Malveira, uns pés do tamanho da linha do Tua não desactivada.
Mas coração é que não. Coração é que não."
"[...] A minha vida é uma merda! Já fui interrogada duas vezes na Judiciária, arrancada da cama como uma marginal, olhada como uma 'serial killer'."
Eu ando por aqui ainda tentado terminar meu livro :) e esse deve ser bom . Boa leitura . Já diziam que uma casa sem livros é uma casa sem janela . Tem coisa melhor do que viajar sem sair do lugar ?Beijo
ResponderEliminarConfesso que os livros policiais não são o meu estilo favorito mas, ainda assim, parece-me interessante.
ResponderEliminarBeijinhos!
Não gosto de ler livros policiais mas, este é muito especial (tanta mulher como autora), e por isso, tenho de o ler sem falta!
ResponderEliminarBeijinhos, Teté!
rir e ler ao mesmo tempo é praticamente obrigatório, digo eu, mas há por aí muitos Jorges de Burgos que não acham o mesmo.
ResponderEliminarAdoro policiais e suspense...
ResponderEliminarDeve ser bem divertido sem duvida.
As vezes também me apetecia sair por ai fora e fazer como ela "ser outra".
Beijokitas
Ola Teté!
ResponderEliminarSou católica, mas não sou crente!
É contraditório, mas verdadeiro!
Admiro o Bento VXI, porque é um homem de grande inteligência e cultura. É um filósofo na boa linha alemã. E como prezo muito a cultura do país, onde vivo, adoro este homem, que promove a paz e a reconciliação.
Agora vou até Duisburg!
Estranho a Alice Vieira também entrar como co-autora
ResponderEliminarLá estou eu duas vezes. Por favor, Teté, tira-me!
ResponderEliminarHá dois selinhos brasileiros para ti no "ematejoca azul"!
És muito rápida a ler :)
ResponderEliminarParece interessante
Lá vou eu hoje deixar a bolsa e a vida nas livrarias: entrar de leve numa cidade e sair como um burro de carga é o meu destino. Ainda bem, a mota tem malas...
ResponderEliminarBeijo e bom fim-de, Teté.
Ui, MYLLANA, não queria nada ter tantas janelas como livros! E depois, para os limpar??? :)))
ResponderEliminarBeijocas!
É sobretudo divertido, MATCHBOX32, porque a personagem mete-se numa "camisa de 11 varas", à conta de tentar imitar a tal governanta da série inglesa... :D
Beijinhos!
Este não é bem um policial (embora meta crimes e polícias), EMATEJOCA, é mais uma comédia...
Beijinhos!
Não é obrigatório, MOYLITO! Mas de vez em quando sabe lindamente... :D
E não apetece a todas, PARISIENSE? Daí ter tanta piada a confusão onde ela se mete, por assumir outras personalidades nos fins-de-semana... :) Beijokitas!
ResponderEliminarOh, EMATEJOCA, para mim todos os que promovam a paz e a reconciliação são bem-vindos! Do Papa ao mais humilde cidadão!
Nem lhe retiro nenhum mérito em termos de inteligência e cultura, note-se!
Continuo a achar é que a Igreja Católica (e não só, evidentemente!) precisava de se modernizar, e muito, em relação a muitos aspectos do quotidiano das gentes...
Mera opinião, como é óbvio! :)
A Alice Vieira já foi co-autora de várias outras obras, TERESA DURÃES: "O Código d'Avintes", "Os Novos Mistérios de Sintra" e "Eça Agora", por exemplo... ;)
Já tirei a duplicação, EMATEJOCA!
ResponderEliminarQuanto aos selinhos, acabei de os pôr em dia, acho... ;)
Nem por isso, LOPESCA! Este e o anterior são livros com menos de 200 páginas e fáceis de ler... :)
Com calhamaços (os livros não se medem aos palmos, certo?) às vezes demoro um tempão... ;)
Olha, SUN, é coisa que nunca me acontece! (`_^)
Vou acumulando tantos, no Natal, nos anos, dos que vêm com o jornal ou a revista, que só compro um ou outro de vez em quando, se estiver especialmente interessada.
Quero ver se ainda consigo ir à feira, mas é só para bisbilhotar, ou eventualmente tentar encontrar dois ou três que me faltam em colecções...
Jinhos e bom fim-de!
Sempre gostei de ler crimes, mistérios e tudo acompanhado com uns chocolatinhos. Divertido, melhor, descontrai.
ResponderEliminarO meu mal é ir sempre às últimas páginas espreitar se resolvi ou não o enredo.
Beijinho, Teté
Isabel
Eh, eh, eh, também faço isso, ISABEL! Neste caso não me valeu de muito, que nem assim percebi... :)
ResponderEliminarBeijinhos!
ihihihih, estou a começá-lo agora, não contes, não contes!! :D
ResponderEliminarÉ que não conto mesmo, VANI!!! :D
ResponderEliminarPara empezar pido perdón porque leo portugués pero no lo escribo. Me llamó la atención la portada del libro y cuando vi que estaba escrito por varias mujeres, no pude resistirme a entrar en la librería para ver si era de fácil lectura y comprobé que sí. Ya estoy acabando el tercer capítulo y me encanta, porque me siento identificadísima con la forma de razonar...(qué remedio, soy mujer...)
ResponderEliminarBesos a todas las opinantes, aunque no sé qué pinta aquí el Papa, (¿o no llegué aún a ese capítulo?)