terça-feira, 18 de outubro de 2016

O VOO DAS ÁGUIAS

"Esta é uma história verdadeira sobre um grupo de pessoas que, acusadas de crimes que não cometeram, decidiram fazer justiça pelas próprias mãos", elucida o primeiro parágrafo do prefácio.

A história decorre no Irão, durante um curto período de tempo - de 5 de dezembro de 1978 a 17 de fevereiro de 1979 - que, no entanto, deve ter parecido muito longo para as personagens envolvidas. Viviam-se então os dias que antecederam a revolução iraniana e os primórdios da mesma, com toda a instabilidade que qualquer revolução acarreta - manifestações de rua, jovens armados com armas que não sabem usar, assaltos, piquetes e por aí adiante.

A EDS, uma empresa norte-americana de sistemas de processamento de dados encontrava-se representada em Teerão, trabalhando directamente com o governo iraniano. Contudo, este deixa de pagar os serviços que lhe são prestados e a empresa admite a hipótese de retirar o seu pessoal do país. Mas a decisão final levou o seu tempo a tomar e dois dos principais executivos da sucursal são presos. Sem qualquer acusação formal, apenas umas vagas (e infundadas) suspeitas de corrupção - com o país em constante agitação, governos a caírem e ex-ministros  a serem igualmente presos, vale tudo. E para os tirar de lá? Ou à força ou pagando uma exorbitante fiança de 13 milhões de dólares (sem que com isso os dois homens pudessem abandonar o país). Vai daí que Ross Perot, o fundador e presidente da EDS, tivesse reunido um pequeno grupo de voluntários entre os seus colaboradores em Teerão, liderados por um oficial de elite na reforma, no intuito de salvar a vida dos dois executivos.

Grosso modo, é esta a história que Ken Follett escreveu em 1983, relatando as aventuras e desventuras desta fuga rocambolesca nestas 480 páginas. Acontece que a grande vantagem da ficção sobre a vida real é precisamente poder moderar os percalços, sem os tornar repetitivos: ali há um magote de estudantes armados, lá adiante uma tribo pouco amistosa, na fronteira um grupo de contrabandistas. E chega! E a meio caminho um furo no pneu também é suficiente. Aqui, perdi a conta aos encontros com iranianos pouco amistosos (que também os há, note-se, alguns ajudando até na fuga) e só furos nos pneus são uns 4 ou 5. Resumindo: o livro é interessante, mas aqui e ali um pouco maçador. Mas enfim, foi o próprio Ross Perot que pediu a Follett que o escrevesse e, se este o fez, é porque achou que tinha pernas para andar...

16 comentários:

  1. Parecem muitos furos :) (mas é melhor não dizer nada, depois de anos sem furos, há algum tempo, num curto período de meses apanhei com três furos seguidos, fiquei cheia deles)

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    1. Pois, REDONDA, isso dos furos às vezes é um-azar(furo)-nunca-vem-só, mas nestas quantidades só em relatos reais - e más estradas iranianas,imagino!

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  2. Mais uma sugestão que registo de bom grado.
    Beijocas

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    1. A sua lista deve estar longa, PEDRO! :)

      Beijocas

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  3. Um autor que eu aprecio bastante mas este ainda não o li e fiquei curioso.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.
    Andarilhar

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    1. Pessoalmente prefiro ficção, FRANCISCO, mas para quem gosta de histórias reais não há dúvida que esta foi atribulada... ;

      Abraço

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  4. Livros que me aborreçam, são logo postos de parte.
    Longe vai o tempo em que lia tudo o que me aparecia.
    Agora, antes de comprar um livro, vejo bem se é o género que leitura que me agradará.
    Esse, acho que de acontecimentos políticos e de politiquices já há que chegue na vida real. Ainda que o livro seja baseado em factos verídicos, como dizes.
    Quando li o título pensei que fosse sobre outros voos. :)

    Beijocas Teté, e boas leituras.

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    1. O livro não era aborrecido, JANITA, aqui e ali era um pouco repetitivo. Como (quase) todas as revoluções, acho.

      Outros voos ficarão para outros livros... :)

      Beijocas

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  5. No romance não estou interessada, mesmo que tenha pernas para andar.

    Boas leituras sem furos, Teté 😘

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    1. Está longe de ser um romance, EMATEJOCA, mas percebo o teu desinteresse. De um modo geral também não costuma ser escolha que faça... ;)

      Boas leituras para ti também!

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  6. Tb li este.
    Ken Follett é um dos escritores na minha lista “dos mais lidos”. Agora estou ansiosamente à espera que seja lançado o seu novo livro (setembro 2017) que fará parte da trilogia Kingsbridge (Os Pilares da Terra, Um Mundo sem Fim) com o título “A Column of Fire”.

    Bjos

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    1. Também já li outros livros de Ken Follett, mas ainda não me meti nas trilogias, que salvo erro são duas, uma das quais tem volumes de 700 e mais páginas - uma amiga minha até se lesionou com um desses livros... ;)

      Beijocas, CATARINA!

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  7. Gosto de livros que relatem histórias reais. Acho que vou gostar deste
    Beijinhos e bom FDS

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    1. Então certamente que também gostará deste, CARLOS! :)

      Beijocas e bom fim de semana!

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  8. Este é um escritor que gosto bastante. Ainda não li este, mas pelo que contas parece-me que vou gostar também.

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  9. Também sou fã de Follett, JOANA. Este, para mim, não foi dos livros que mais gostei... ;)

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)