No dia 25 de Abril de 1974 não estive na rua: tinha 15 anos acabados de fazer e uma enorme otite que me fez passar dois dias de cama. Os sons da revolução soavam-me apenas como ruídos de fundo, quando só desejava silêncio. Com tantos dias para adoecer, logo havia de calhar naquele que tanto mudou a minha vida e a de todos os portugueses. Daí não ter gratas lembranças do dia. Mas depois de passada a maleita recordo com muita emoção a felicidade que reinava na minha casa, no liceu, nas ruas, em todo o lado. A alegria das pessoas era contagiante. Diária. Parecia que finalmente a todos nos era permitido ter grandes esperanças. E quer estas se viessem a concretizar ou não, só a possibilidade era uma fonte de alegria...
Só voltei a sentir o mesmo clima de alegria generalizada durante a Expo 98, mas mesmo assim longe da dos tempos da revolução de cravos. É pena que essas sensações positivas não se repitam mais vezes. Ou que alguns, hoje de barriga cheia, não deem grande valor à liberdade que nos foi concedida a partir desse dia agora longínquo, por um grupo de militares corajosos.
A Sophia de Mello Breyner Andresen expressou-o como ninguém no seu poema "25 de Abril":
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"
25 de Abril, SEMPRE!
Água com fartura, a regar este cravo da esperança.
ResponderEliminarSempre, EMATEJOCA! :)
EliminarEu tinha 17 anos e uma filha com 5 meses, meu marido fazia parte dos militar em Lisboa, quando ouvi no rádio, fiquei confusa, falavam muito em militares nas ruas de Lisboa, a minha cunhada (irmã do meu marido)veio ter comigo a chorar, aí o meu coração estava prestes a disparar, apertei minha filha nos braços e chorei imenso, até ao momento em que ela me explicou mais ou menos o que estava acontecer.
ResponderEliminarBeijinho Teté, boa semana e viva a liberdade.
25 de Abril, sempre, Teté!! E bem vermelho como o cravo!
ResponderEliminarBeijinhos revolucionários...
~~~
ResponderEliminarEnvio um beijo amigo num cravo vermelho perfumado.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarDesculpa Teté, escrevi uma gralha e retirei o comentário.
ResponderEliminarBelissíma escolha este poema de Sophia.
Que nunca nos falte a liberdade.
Beijinhos
Que bom é ter havido alguém como Sophia para sentir por nós e escrever esta maravilha que nos faz pensar na espera, nessa prolongada e mesmo dolorosa espera. Que nós não vivemos ou nem sabíamos que existia. Que apenas conhecemos porque alguém a disse fazendo-a nossa. E quem nos dera habitar a substância do tempo!
ResponderEliminarCom um PR a sério a celebrar.
ResponderEliminarBeijocas
Mantenho a esperança de dias ainda melhores :)
ResponderEliminarBlog LopesCa | Facebook
Para mim não teve qualquer significado, até porque vivia fora. O significado que teve depois foi algo muito negro....por isso é um dia que para mim não tem o significado que tem para os portugueses que viviam em Portugal .
ResponderEliminarMas tenho a esperança que melhores dias venham e que estas celebrações não sejam só para ser bonito.
Excelente poesia da Sophia !
ResponderEliminar