sexta-feira, 4 de julho de 2008

TUDO ISTO É TRISTE, TUDO ISTO É FADO?

Foto de Ian Britton

Não sou apreciadora de fado, não tanto pelos gemidos das suas guitarras, mas pelas letras que dão aquela incómoda sensação de desgraça iminente ou de triste sina de dor pungente e inevitável, que os portugueses tanto parecem gostar. Ou, pelo menos, assumir como sua tradição!

Estando a acabar de ler um livro (força de expressão, mas pronto), a páginas tantas recordei-me de uma BD que li há muitos anos - não me lembro quem era o autor, mas suspeito que francês, pois a acção decorria em Paris - que contava uma história absolutamente contrária a este sentir lusitano. Em traços largos, um homem bem sucedido, com um emprego, uma casa e um carro invejáveis, casado com uma mulher lindíssima, enfim, com tudo aquilo com que quase todos sonham para si, começa a sentir-se deprimido e triste, arrastando-se com problemas existenciais cada vez mais prementes, sem que ninguém lograsse compreender o porquê de tamanha crise. Talvez da meia idade, topam? Assim, aos poucos vai perdendo os amigos, o emprego, a mulher divorcia-se, perde todos os seus bens, às tantas encontra-se sem cheta, sozinho no mundo. E se quer sobreviver, tem de partir da estaca zero, novamente. E lá consegue um emprego bastante inferior ao antigo, onde trabalha mais e ganha menos, uma casinha nos subúrbios, um carrito utilitário e casa com uma fulana que, tendo sido a única a ajudá-lo durante esses tempos conturbados, sem sombra de vestígios da beleza da anterior mulher, possui uma alegria natural contagiante. E acaba feliz, no final!

Digamos que é mais o meu estilo de encarar o mundo. Nem sempre essas vidas aparentemente fascinantes e glamorosas correspondem à felicidade...

Por tudo o que referi sobre o fado, hesitei várias vezes em colocar aqui este vídeo, de que não gosto particularmente - tem a tal faceta dramática -, mas a canção é lindíssima, tendo entrado na banda sonora do filme "A Raiz do Medo" (Primal Fear, 1996), constando que a pedido do próprio Richard Gere, que se encantou com ela. Um grande filme também, por sinal!

Canção do Mar - Dulce Pontes



BOM FIM DE SEMANA!

* PARABÉNS, PELO FIM DO CURSO (VERDADEIRO), FAUSTO! :)))

25 comentários:

  1. A canção muito bonita, vi o filme, lembro-me.
    Bom fim de semana

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  2. É, JASMIM, também acho!

    A letra é de Ferrer Trindade, esqueci-me de dizer no texto e acho que não aparece no vídeo, mas a interpretação também é fantástica. :)

    Jinhos!

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  3. Gosto muito da canção do mar, sempre gostei desde menina :-)).

    E a-d-o-r-e-i a raiz do medo!! Adoro o edward norton e acho o richard gere um bonitão hehehe...a raiz do medo foi um dos melhores filmes que já vi, sem sombra de dúvida.
    E a cançao do mar, uma das mais bonitas que já ouvi.

    PARABENS FAUSTO!!!!!!!!!!!!!!!

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  4. Vou mandar apreender este blogue!

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  5. VAN, gosto da canção, adorei o filme, o espírito do "faduncho" é que não me entra muito na tola... ;)
    O Gere é mais charmoso que bonitão, no meu entender! E o Norton não ganhou o Óscar, mas merecia (não podem ganhar todos, é evidente)!
    Não podiam faltar os Parabéns ao Fausto, né??? Ainda há nesta terra quem se esforce para tirar um curso a sério... :D

    Ai, REI, mas então porquê???
    E a que organismo burocrát... quer dizer, estatal, me devo dirigir para reclamar da apreensão?
    Vá, não sejas mau pra mim... :)*

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  6. Tambem não sou muito amante de fado, até porque como boa africana gosto de musica alegre.
    Mas há fdos que gosto de ouvir.
    E acho que a Dulce Pontes tem uma voz espectacular e esta canção é muito bonita.

    Parabens ao teu amigo Fausto pelo curso e bom fim de semana.
    Beijokitas

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  7. Eh, eh, eh, PARISIENSE, hoje andamos todos numa onda de parabenizar... :)))

    Antes isso, que a chorar com "fadunchos", embora goste de alguns, como este...

    Beijokitas!

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  8. O melhor do fado é mesmo o tinto a acompanhar!

    Um FELIZ fds!

    Beijoca
    E um sorriso só para ti

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  9. Ah, esquisitices para quê, SORRISOS EM ALTA?

    Também vai bem com uma cervejinha...

    :)))

    Beijoca!

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  10. Gosto é da música da que gosto, sem etiquetas. Como do resto das coisas de que gosto. Disto gosto também. Já estou a ver o Fausto ai com essas ondas do mar na BB!

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  11. As etiquetas são complicadas mesmo, SUN!

    E não faz bem de aproveitar as ondas para o BB? (`_^)

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  12. Filme excepcional!Assisti todos com Richard Gere,adivinha porque?hehe
    ;)
    Ah!Teté,eu também não sou muito chegada a fados não.Fico lenhada de tão triste.Dá vontade de morrer.Lol,lol

    Mas,essa canção...mmmmm é linda!
    Hoje voltava pra casa com ela a tocar no carro--tem horas que o povo daqui pensam que sou Tuga,pois vivo a escutar as músicas daí,lol--tive como trauma o desprazer de escutar Amália Rodrigues na infância.Digo desprazer,não por ela--cantora maravilhosa--e nem pelas canções---em sua maioria muito lindas--mas,pelo o que me despertavam,a vontade de chorar sem parar e também de sumir da face da Terra,daí o desprazer.Mas,gosto da Dulce.Acho que ela revolucionou a maneira de cantar fados e por isso eu ando sempre a escutá-la.

    E que bom gosto tem o Richard hein?Além daquele charme,ufff
    ;)
    Beijo,beijo querida!E um tin tin para o Fausto!

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  13. KÁTIA, não gosto de fadunchos e de tristezas, aprecio que as pessoas tenham apetência para a felicidade, que me parece o mais importante...

    Sobre o livro escreverei depois!

    O Richard Gere é um charmosão??? Não! Nunca tinha reparado... :)))

    Jinhos, nina!

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  14. Ou com sangria
    ou whisky
    ou chouriço assado

    O que é preciso é comes e bebes!

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  15. Olá nina tété, o fado pelo que sinto nos auscultadores, a musica embala ehhhhhh, e mais tarde quando puder, direi se gosto ou não, mas quandoa s pessoas estão tristes, o fado mostra-lhes que não estão sós... Há gostos para tudo e é uma canção Nacional...Assim...haverá sempre gostos para tudo e cada um gosta do que gosta, e nem conheço a letra desse fado mas vi a Dulce Pontes muitas vezes na tv a cantá-lo...beijinhos.

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  16. Nem tudo o que brilha é ouro...já diz o velho ditado...

    :))
    Concordo completamente contigo. A depressão é um dos sinais, se não for um caso realmente físico (ausência da produção de qualquer coisa a nível cerebral), de que se deve alterar qualquer coisa nas nossas vidas. É preciso é encontrar o caminho.


    Fado...pois...experimentar escutar A NAIFA! Conheces?!

    ;))

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  17. Teté

    Já fiquei a conhecer este versão, não conhecia...

    Claro que essa é uma visão do fado, mas não é a única, acho que estás a ser injusta...

    Não tendo sido um género musical que ouvisse na minha juventude, sempre me disse alguma coisa a voz da Amália, no entanto, agora descubro novos santores, descubro sobretudo toda a poesia que passa pelo fado e, alguma dela, muitissimo boa e dou por mim a gostar bastante, confesso`.
    É um género musical que se aprende a gostar e não será certamente para todas as horas, mas é interessante.
    Não fui ver o filme do Carlos Saura, tenho que o apanhar em DVD. Mas tenho o CD: devias experimentar ouvir: do fado tradicional às coisas mais espantosas, raizes e futuros, está lá de tudo um pouco. É um projecto francamente interessante

    beijinhos, boa semana

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  18. Cá estou!! Emprestei o portatil no fds por isso é que ainda nao tinha cá vindo ;)
    Obrigado pelos parabens a todos e um obrigado especial à tete por ter dado uma atencao extra a mim ;)

    O dinheiro nao traz felicidade mas ajuda muito :P

    Beijinho

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  19. Nem mais, SORRISOS EM ALTA! Vai com tudo isso e ao gosto do freguês... :)))

    LAURINHA, a tourada também é nacional (que à espanhola é outra coisa) e nem por isso deixo de abominar touradas...
    O que eu não gosto é do espírito do fado, da desgraceira que está para acontecer, não do fado-música-canção em si... que os há lindíssimos! ;)
    Jinhos, nina!

    Pois é, SU, há caminhos que nem todos entendem...
    E gaiolas douradas ou de ouro, não deixam de ser gaiolas!
    Não conheço, mas já vou dar uma espreitadela! :)
    Jinhos, amiga!

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  20. É possível que esteja a ser injusta, LEONOR! Mas faz parte da visão que tenho do "fado": só desgraças, amores não correspondidos, tudo "fatal como o destino".

    Mas claro, não tem a ver com as músicas ou os poemas (concordo que os há lindíssimos) é aquela fatalidade toda que me aborrece, como se deixar cair os braços e viver amargurado por esse tal de destino fosse o melhor modo de estar na vida... - óbvio que há excepções, até com fados satíricos!

    Também não vi esse filme do Saura, mas até aí houve polémica, "porque é que há-de ser um espanhol a fazer um filme sobre o NOSSO fado?" Alguém (refiro-me a realizadores, produtores, etc., como é óbvio) se lembrou ou achou interessante? Então porque é que depois se arvoram em mártires e injustiçados???

    Também quero ver se vejo...

    Jinhos!

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  21. FAUSTO, merecida! :)))

    No caso da BD não era a questão do dinheiro em si, era a insatisfação do homem pela vida que levava - que para a maioria pareceria quase "de sonho".

    Cada um com a sua própria noção de felicidade, certo? A dele era mais lutar para alcançar, do que ficar lá no alto do poleiro a "pavonear-se"... ;)

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  22. Eu gosto imenso desta canção. Por ser triste é que me encanta!
    O filme nunca o vi.

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  23. Também gosto muito desta canção. É incrivelmente potente cantada pela Dulce.
    Do filme, o título diz-me qualquer coisa, e sabia do pedido do Richard, mas não posso jurar que tenha visto. Fiz mal, com certeza, que a dupla Norton/Gere parece-me potente também.

    As aparências iludem mais do que queremos acreditar; às vezes o glamour e vida faustosa são uma máscara para esconder a infelicidade extrema. Eu ando a treinar para não deixar a nebulosidade do fado (aqui visto como sina) tolher-me o livre arbítrio e o poder de abraçar tudo a que tenho direito, poder esse em que, por vezes, não acredito tanto quanto deveria. Por isso se diz que a vida é uma aprendizagem constante: saber onde pisamos e o que não queremos, parece-me um bom início de estrada. O resto vai-se revelando, e a felicidade há-de estar numa curva qualquer.

    Beijocas

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  24. embora erradamente assim chamado, o único fado de jeito é o de Coimbra. a guitarra soa melhor e não tem aquelas leras de faduncho tasqueiro lisboeta...

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  25. TONS DE AZUL, se puderes vê, que o filme é muito bom (pelo menos para quem gosta do género policial, de lutas em tribunal, etc. e tal).
    Tristezas encantam-me pouco, mas também gosto muito deste fado, interpretado pela Dulce... :)

    SAFIRA, a dupla do filme é portentosa mesmo.
    É isso mesmo que não gosto, dessa sina (fado) que somos todos uns coitadinhos, que não podemos fazer nada para alterar esse "destino".
    Não será por cruzar os braços ou aparentar ser aquilo que não se é realmente, que a situação melhora.
    Há que tentar e insistir, se é a nossa felicidade que está em causa!
    Ah e tal não está nos conformes do que os outros acham? Hélas! Temos pena... ;)
    Beijoca!

    Ora aí estamos em completo desacordo, MOYLITO! O de Coimbra tem aquela faceta de serenatas antigas (sem o tal espírito tasqueiro), mas as vozes de falsete dos machos latinos desagradam-me bastante... :)

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)