quarta-feira, 11 de março de 2015

OLHOS GRANDES

Margaret (Amy Adams) é divorciada, mãe de uma menina com 8/10 anos de idade e tenta ganhar a vida como pintora - além dos seus quadros, também faz retratos em feiras. Nos finais dos anos 50 do século passado estava longe de ser o modo de vida mais usual para uma mulher. Precisamente numa feira conhece Walter Keane (Christoph Waltz), que alegadamente estudou pintura em Paris e que vende quadros das paisagens que pintou por lá. Os dois iniciam um ligeiro romance, mas quando o ex-marido de Margaret exige a custódia da filha por a mãe não lhe dar condições de vida "adequadas", Walter surpreende-a com um pedido de casamento, resolução de todos os problemas - ele é um bem sucedido vendedor imobiliário. Durante cerca de 3 anos o casamento parece decorrer sem grandes problemas, o novo marido da pintora é até bastante empenhado em vender os quadros dela, que têm uma característica especial - todas as crianças são retratadas com uns olhos excessivamente grandes, desproporcionais. Mas como não há bela sem senão, um dia Margaret descobre que o marido se faz passar pelo pintor dos quadros dela: dono de uma grande lábia e vendedor exímio, consegue preços fabulosos e faz negócio até com posters, postais, etc.

Tímida e ingénua, inicialmente ela deixa-se levar, até porque conseguem uma vida bastante mais confortável, para não dizer luxuosa. Mas o marido impede-a de contactar ou de dizer a verdade a quem quer que seja, de modo que ela é quase uma prisioneira na própria casa. Quando ele acrescenta ameaças, ela acaba por fugir com a filha para outro país, mas entretanto já passaram quase 10 anos. Bom e então, o que é a história tem de mais? Ora, foi baseada num caso verídico que deu grande celeuma na época e é sempre bom que as jovens que hoje arrebitam o nariz e com ar enjoado afirmam não ser feministas, saibam como as mulheres eram tratadas há 50/60 anos. E que se não fossem elas lutarem pelos direitos de todas nós - ainda longe de serem iguais, como já referi no post anterior, mas a anos-luz destas discriminações - bem que as mulheres atuais ainda estariam a sujeitar-se a maridos prepotentes em toda a linha.

O filme de Tim Burton obtém um modesto 7/10 na IMDb, mas vale a pena tanto pelas atuações dos dois excelentes atores, como pela caricata história em si. Às vezes a realidade suplanta a ficção mais imaginativa...

Imagem de cena do filme da net.

16 comentários:

  1. Ainda não vi, mas está na minha lista para esta semana.
    Beijinhos

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    1. Vale a pena ver os dois atores em ação, CARLOS. :)

      Beijocas

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  2. Waltz tem dois Óscares inteiramente merecidos, a ela não conmheço.

    Obrigada pela informação, até porque já estava interessada em ver.

    As idiotas ( sou mais dura do que tu) que acham o feminismo actualmente sem sentido são iguais a quem nunca lutou pela liberdade e não respeita quem o fez !

    Beijinhos, Teresinha

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    1. É outro erro crasso, essa de achar que a liberdade está garantida, SÃO. Só nos resta ir chamando a atenção...

      Beijocas!

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  3. Há muitas pessoas que vivem completamente "a leste do paraíso", sem sensibilidade para questões importantes como a liberdade ...custa a crer, mas é verdade!
    xx

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    1. Verdade, PAPOILA. O problema é que a dão por garantida,porque nunca foram privados dela...

      xxx

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  4. Parabéns atrasados, mas sinceros! Tenho andado um pouco ausente e não me apercebi do teu aniversário.

    Não é fácil fazer perceber a essas jovens de nariz arrebitado como as mulheres eram tratadas nesses tempos...à pouco tempo falei com uma menina minha amiga de 36 anos que é psicóloga sobre os bailes de garagem, sobre os namoros e a liberdade que não tínhamos, ela riu e disse que outras pessoas falam sobre isso, mas que lhe custa a crer...não continuei a conversa.

    Beijinhos

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    1. FLOR DE JASMIM, ninguém pode estar a tempo inteiro atrás do teclado e votos de parabéns vêm sempre a tempo. :)

      Quando a vivência é outra, há quem não acredite na falta de liberdade das raparigas de outros tempos. Mas fazer o quê?

      Beijocas

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  5. Um filme de Tim Burton, com Christoph Waltz, de certeza que vale a pena ver.
    Beijocas

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    1. Acertaste, PEDRO, vale mesmo! :)

      Beijocas

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  6. Há actrizes (e actores) que vivem na sombra (e de alguma maneira nas sobras) dos grandes colegas de profissão porque estes são mais queridos da produtoras e, sobretudo, das distribuidoras de filmes.
    Laura Linney, Emely Blunt e Mark Ruffalo são só exemplos; e é também o caso de Amy Adams.
    Sem retirar mérito a qualquer "monstro" (Merryl Strip ou Jack Nicholson) é certo que há diversos comediantes (e não só americanos) que interpretam magistralmente as suas personagens.
    Se não "quisermos" ir mais longe bem podemos considerar alguns portugueses e também brasileiros que nos "entram casa adentro" todos os dias desde que lhes abramos a "porta" (ou a janela televisiva).
    Dirás: tanta conversa para què? Afinal vais ou não ver o filme?
    Claro que irei muito embora não vá já a correr.
    Beijokas desenhadas com sorrisos GRANDES!

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    1. É,KOK, o mundo é "pequenino" para tanta estrela,algumas acabam por ficar à sombra, mesmo que não fiquem atrás das outras em termos de representação. Mas é também assim noutras profissões, né? Há o fator sorte, que por vezes faz uma enorme diferença... :)

      Uma grande e sorridente beijoca para ti!

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  7. ~
    ~Tomei nota. Que bom é ter um filme assim recomendado!

    ~ ~ Dias aprazíveis e felizes. ~ ~

    ~ ~ ~ ~ Beijocas amigas. ~ ~ ~ ~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. Ai, MAJO, com os filmes que vão por aí com tantas explosões e sangreira, é um alívio poder ver algo diferente - e não é que eu vá ver esses filmes, claro! :)

      Beijocas e dias felizes para ti também!

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  8. Não consegui vê-lo quando passou por aqui, mas ainda espero vê-lo. Mais não seja por ser do Tim Burton. :)

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    1. Nem sempre gosto dos filmes de Tim Burton, TONS DE AZUL,mas deste gostei... :)

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)