terça-feira, 22 de julho de 2014

BEBÉS, PRECISAM-SE!

A questão já não é de agora: em 1985, quando visitei Paris, estava em curso uma campanha de sensibilização para os casais terem mais filhos: viam-se outdoors por todo o lado, com lindos e rechonchudos bebés. Já lá vão muitos anos, não me lembro ao certo as regalias que os governantes de então prometiam, mas tanto quanto se sabe a campanha resultou - a França é atualmente dos países europeus que tem uma maior taxa de natalidade. Na época, em Portugal, o problema nem sequer se punha...

Nos últimos anos, de vez em quando, os políticos nacionais falaram no assunto, à medida que os nascimentos de crianças portuguesas foram diminuindo. Homens engravatados, saídos de gabinetes ministeriais (e não só), dando ao caso uma relevância "séria" que anteriormente se desconhecia. Segundo consta, o atual governo encomendou um estudo a especialistas e tudo, que não se sabe quanto custou, mas também não vale a pena entrar em picuinhices... E mesmo sendo um estudo encomendado a amigos partidários, as conclusões não foram escamoteadas: por este andar a população vai decrescer em grande nos anos vindouros, mesmo que haja uma maior esperança de vida para os mais idosos.

Ah, mas o mais curioso é que o estudo foi encomendado, mas medidas concretas para, mesmo que tímida e parcialmente, tentar resolver o problema... está quieto. Alguém se lembra de receber subsídio pelo(s) seu(s) filho(s)? Quando o meu  filho era pequeno, nós recebíamos. Era pouquinho, pelas minhas contas dava para umas boas botas para o inverno, com sorte também para umas sandálias para o verão - mas sempre era melhor que nada. Cortaram! "Venderam-nos" que havia famílias muito mais carenciadas e acreditei piamente, até achei justo. Depois trocaram o nome a tudo e fiquei na dúvida se o subsídio ainda existia para as famílias mais numerosas ou se tinha sido substituído por outros regimes. Mais tarde, deram um corte no Rendimento Social de Inserção, com a desculpa que era tudo gente rica. OK, há sempre quem se aproveite das falhas do sistema, mas daí a serem todos... é preciso ter lata!

Aí apareceram os problemas no BES/GES e o raio que o parta - os governantes lavaram as suas mãos, que era Banco Privado e tal, não podiam fazer nada - e toca de falar novamente da natalidade, que os portugueses tinham de ter mais filhos. Que era preciso ir com calma, porque ao certo ainda não sabem que benefícios podem dar aos novos pais, recém saídos (tomara!) da crise e tal. Mas talvez se consiga baixar um pouco o IRS do próximo ano aos que têm mais filhos e subir aos que não têm! Quer dizer, o facto de terem mandado os jovens emigrar, acentuarem a precariedade no emprego, o próprio desemprego e as múltiplas mexidas que fizeram no código de trabalho a favor do patronato e de salários mais baixos não tiveram nada a ver com o caso, que agora "estudam" como resolver.

Não sendo economista ou perita em natalidade, de uma coisa estou certa: nenhum casal que o deseje deixa de ter um filho devido às (más) condições que lhe são impostas. Talvez deixe de ter o segundo ou terceiro... Mas, excluindo impossibilidades médicas e/ou físicas, o que vão procurar é condições melhores para eles próprios e que permitam proporcionar às suas crianças, adolescentes e jovens adultos um futuro melhor... Ser pai ou mãe não é isso (também)?

Imagem do facebook.

25 comentários:

  1. A baixa natalidade é o maior drama que estamos a viver e do qual não iremos recuperar nos próximos 50 anos!
    Se não surgirem outras políticas na área do emprego e flexibilidade de horários, na redução de impostos, na criação de creches e JI a preços acessíveis será uma tragédia nacional!
    Os meus netos são filhos da TROIKA e duma mãe desempregada!
    Em França, há muitos anos, três filhos já eram considerados para aplicação de benesses a famílias numerosas - descontos em transportes, espectáculos, redução de impostos, descontos em creches, etc!
    Em Lisboa o meu neto com 3 anos não tem lugar nos JI autárquicos do bairro!

    Abraço

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    1. Claro que quaisquer medidas que pretendam incentivar nesta área vão demorar algumas décadas até darem bons resultados, ROSA. Mas basta ver o bando de engravatados encafuados em gabinetes a "estudarem" o assunto, completamente alheados sobre o que PPC está disposto a fazer - que deve ser muito pouco, que o homem só vê cifrões, depois de dizer amén à Merkel - para perceber que para já não vão fazer rigorosamente nada de útil. Exceto aumentar o IRS a quem não tem filhos, como "castigo"! O que no mínimo é inominável, pois nem sempre é por vontade própria...

      Mas enfim, suponho que podemos esperar todos sentados (ou por um próximo governo) até que sejam tomadas medidas que realmente beneficiem os futuros pais e, consequentemente, os respetivos filhos...

      Abraço

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  2. Mais um «fait-divers» para distrair o pessoal e criar mais um grupo de trabalho para os fulanos do PSD/CDS/BPN receberem mais umas massas. Porque de resto eles estão preocupados com a falta de criancinhas como eu estou preocupada com a distância daqui ao Pólo Norte!...

    Beijinhos, Teté!

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    1. Também me parece, GRAÇA, que a "preocupação" é pouca ou nenhuma. Excetuando as massas a mais, para estudarem o assunto... :)

      Beijocas

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  3. Como diz a Rosa,isto é dramático. Só que entre as conclusões do estudo e as decisões de quem governa vai um abismo. Em França ( também para completar a lista da Rosa) as mulheres antecipam a reforma, não sei bem se em um ou dois anos por cada filho que têm.

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    1. Pois, LUISA, em havendo vontade, certamente encontrariam medidas eficazes. Mas estes "estudos" parecem para inglês ver... ;)

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  4. Cada vez mais se complica a vida dos contribuintes, a minha está muito complicada.

    Beijinho e uma flor

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    1. A vida está complicada até para nascer, FLOR DE JASMIM, isso sim...:S

      Beijinhos floridos

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  5. Curioso, também, é o governo ter encomendado o estudo mas considerar a implantação das medidas muito difícil.
    No entanto, não é uma questão de dinheiro.As medidas mais efectivas para aumentar a natalidade, passam por alterações no regime laboral e da segurança social,que o governo não quer tomar.
    Beijinhos

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    1. Como já disse, a "encomenda" parece para inglês ver, CARLOS, já que não há vontade nenhuma de implementar medidas no sentido de reverter a situação... :P

      Beijocas

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  6. Não serei a pessoa mais indicada para opinar pois não vejo que alguma vez vá contribuir para a taxa de natalidade deste país. Mas, talvez por isso, deveria haver quem tivesse condições de compensar essa minha falta de contribuição. Dito isto, não deixei de esboçar um sorriso irónico quando comecei a ouvir referências na comunicação social ao estudo e à equipa de trabalho que mencionas. Parece mais uma anedota… durante anos, faz-se tudo (não digo que intencionalmente o que será em si, talvez, ainda mais grave) para que, na verdade, só tenha filhos quem realmente os quer muito e agora é um problema?! A população está envelhecida? Que estranho… (por mais que todas as medidas dos últimos anos promovam a mortalidade, o raio dos velhos e dos médicos é que insistem em contrariar! Uns não morrem e os outros ajudam!). Por mais reacionário que pareça, dou comigo a pensar na frase do outro: “ isto é um país de brincadeira!”

    Beijinhos,
    FATifer

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    1. Infelizmente, é isso mesmo: parece anedota.Ou então uma benesse para os amigalhaços "peritos" na matéria... De qualquer das formas, a tua opinião é tão válida como todas as outras, mesmo que irónica em relação aos "desmancha-prazeres" de velhotes e médicos... ;)

      Beijocas

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  7. Quanto ao duplo critério sobre gastos acho-o repugante : primeiro , acusaram o povo português ( e não só) de viver acima das sua possibilidades e tivemos que suportar um discurso moralista e um "Governo " apoiado pelo reformado de Boliqueime a armarem-se em juízes e missionários, fazendo-nos amargar as passas do Algarve.

    A Famiglia Espírito Santo arromba com tudo , incluindo parte da economia portuguesa - além dos 900 milhões da PT e de muitos outros da Caixa Geral de Depósitos - e todos os figurões do Poder v~em garantir a pés juntos que está tudo bem e que o Banco é uma fortaleza. E deste rameiro da Banca ainda não ouvi dizer que viveu acima das suas possibilidades!!

    Afinal, sai caro andar a brincar aos pobrezinhos na Comporta e veremos se não são aqueles a quem Ricardo Espírito Santo acusou de não quererem trabalhar por optarem pelo subsídio que vão ter que pagar as suas trafulhices.

    Quanto à natalidade, pois a minha proposta é que Passos e o bando do Poder e arredores, incluindo a Comissão, comecem a ir para a cama fabricar crianças pois têm todas as condições e mais algumas para as criarem com qualidade de vida!!

    Bons sonhos e que estejas bem :)

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    1. A ideia nem era falar no BES/GES, etc.e tal,mas achei uma coincidência extraordinária irem buscar este assunto (que tem barbas) nesta altura, SÃO. Sei lá, talvez porque o outro fosse mais "indigesto", quando vem ao de cima um ANO depois do outro se ter esquecido de pagar os impostos... :)

      Quem sabe se eles distribuírem fasciculos do Kama Sutra à população, não haja um ligeiro acréscimo de nascimentos? Era um começo...

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  8. Não se pode escamotear o facto de existir uma relação directa entre o decréscimo na natalidade e as condições socio-económicas que o País oferece, Teté.
    Não seria irresponsável ter (mais) filhos quando se tem dúvidas de lhes poder proporcionar uma vida condigna?
    Respondendo à pergunta que coloca, sim, ser pai/mãe é muito isso.
    Beijocas

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    1. Claro que é, PEDRO: os casais têm de ter um mínimo de condições para ter filhos, mais não seja para não serem acusados de irresponsáveis e irem todos parar a instituições... ;)

      Beijocas

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  9. A taxa de natalidade no ano passado foi de 10,28/população de 1.000. Tem tb decrescido nos últimos anos.

    Criar uma criança até aos 18 anos custa aproximadamente 250 mil dólares.


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    1. Suponho que aqui ninguém faz ideia de quanto custa criar um filho até aos 18 anos, CATARINA: todos os anos tem havido mudanças (reduções) nos salários e condições de trabalho (mais exigentes), cortes nos subsídios que existiam para as crianças pequenas, escolas a fechar, aumentos de propinas nas faculdades, etc. e tal, de modo que é impossível fazer contas.

      Segundo estes estudos a taxa de natalidade de Portugal no ano passado foi a mais baixa da UE - 7,9 por cada mil habitantes...

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  10. ~
    ~ ~ Mais uma palhaçada de PC, como bom lacaio de Bruxelas...

    ~ ~ ~ ~ Beijocas. ~ ~ ~ ~

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    1. É, também me pareceu mais uma "palhaçada", MAJO, para evitar outras mais gritantes (enquanto se finge que há preocupação com o assunto)...

      Beijocas

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  11. Isto é vai uma crise !... Se as cegonhas não têm onde os entregar e lhes restar como última hipótese os políticos (que são os únicos que os podem sustentar), daqui a 30 ou 40 anos os nossos filhos ou netos estão desgraçados ! : (((((( rsrsrs
    .

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    1. Livra,que ideia tenebrosa, RUI: só os políticos a reproduzirem-se, que país acabaríamos por ser?!? :D

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  12. Com medíocres no poder não é de esperar que tomem boas decisões.

    Beijokas (ainda) sorrindo.

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    1. Pois, destes políticos é melhor não esperar nada de bom, KOK! Depois de tanta "vacina", só se fossemos muito lerdos das ideias... :P

      Beijocas (também ainda) sorridentes!

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  13. A França é o país da revolução sexual de 60... desde então tem produzido adolescentes que crescem num ambiente com um tipo de liberdade sexual que nós aqui ainda não sonhamos, porque somos mais conservadores e ainda reprimidos em alguns sentidos educacionais. Lá fala-se de sexo, por cá é o que é... Portanto é naturalíssimo que lá uma campanha de natalidade resultasse. Teria-me feito bem ter nascido lá :D Aqui adiei, adiei e nada de natalidade...

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)