segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SEGREDOS BEM GUARDADOS...

Não será segredo para ninguém que faz hoje quatro anos que me iniciei nesta experiência inesquecível que é a blogosfera. E, não sendo segredo, não significa que todos saibam ou se lembrem da data - significa que a constatação do facto está apenas à distância de um clique. Aliás, há sempre quem se esqueça da data do próprio aniversário e as dos seus familiares ou amigos, para já não falar na do clássico dia de casamento, como é que se ia recordar da do próprio blogue? Alheio então... 
Já aqui escrevi várias vezes que considero a verdadeira data de começo deste blogue o dia 17 de Junho de 2007, quando o recomecei, partindo apenas dessa experiência ocasional, numa época em que estava simplesmente a apanhar bonés! (como ainda estou às vezes, diga-se em abono da verdade!) Mas pronto, quatro anos volvidos, depois de partilhar muitas brincadeiras, emoções, indignações e opiniões, entre saberes e sabores variados, o balanço é nitidamente positivo. Claro que sendo a blogosfera uma pequena parte do mundo real, por trás de cada nick há gente para tudo - por vezes as palavras enganam mas, com o tempo, as máscaras também caem... 
Então, afinal, quais são esses segredos bem guardados? Pois, estou certa que todos conhecem uma das estátuas mais emblemáticas dos EUA, situada no Monte Rushmore, em Keystone no estado do Dakota do Sul, que representa quatro presidentes norte-americados - George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln - da autoria do escultor Gutzon Borglum e inaugurada em 1941. Contudo, só recentemente foram divulgadas as imagens do que está do outro lado da famosa estátua, como a fotografia ilustra:

Quanto pormenor, hein???

Imagens recebidas por mail.
(Obrigada, Gracinha!)

domingo, 28 de novembro de 2010

LÓGICA DA BATATA!

A surpresa não foi muita, uma vez que todos os dados já foram lançados pelos actuais (des)governantes, mas há pequenos pormenores que fazem uma enorme diferença: como é do conhecimento geral, os ordenados da função pública foram reduzidos, consoante o escalão de rendimentos dos funcionários, entre 5 e 10%. Mas, à última hora (da aprovação do OE, leia-se!), afinal abriram uma excepção - as empresas públicas também continuavam obrigadas a reduzir as despesas salariais nos tais 5% , mas tinham a liberdade de escolher quais os salários a reduzir.
Teixeira dos Santos, com a costumeira cara de pau, declarou perante as câmaras televisivas que cabe à administração dessas empresas decidir onde cortar nessas despesas. À administração, pá?!? Pensei estar a ouvir mal, mas não! O resto do filme é um déjà vu: os administradores mantêm os seus salários chorudos - mesmo que a sua administração resulte em avultados prejuízos anuais para a empresa - e vão cortar nos dos funcionários do costume!
Ah e tal que esses gestores ganham mal (?!?) comparativamente aos do sector privado? É provável! Mas também dá para imaginar a longa fila de empresários privados a ambicionar contratar administradores com queda para o prejuízo... 

Imagem encontrada no Facebook, de autoria de António Sabão (obrigada, Vício e Sun, pela informação!)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

VERDADEIRO OU FALSO?

Fotografia de Ian Britton

Este desafio é antigo, mas o Psimento resolveu fazer com que renascesse das cinzas, instigando-me a participar no segundo round. Mas é simples, basta adivinhar quais das seguintes afirmações são falsas - sabendo-se à partida que são 3:
1. Em criança tive aulas de piano mas, de ouvido duro, hoje nem consigo tocar o "Frére Jacques";
2. Num aniversário ofereceram-me um peixinho vermelho, que no dia seguinte estava a boiar no aquário, pois todos lhe deram comida, com receio que me esquecesse;
3. Troco mails pessoais com uma amiga quase diariamente e há largos anos, mas raramente reenvio os que circulam por aí;
4. Adoro caril de gambas, só de sentir o aroma da especiaria fico com "água na boca";
5. Certa vez encontrei uma mulher que confundi com a minha própria mãe, só pela voz percebi que não era;
6. Participei com diferentes equipas em vários Rallys-Paper e ganhámos medalhas e diversos prémios, incluindo um peru vivo;
7. A única vez que fui ao antigo Estádio da Luz assistir a um jogo de futebol gostei do resultado (o Benfica ganhou por 2-0), mas não do banho de multidão;
8. Se em Londres a peça "A Ratoeira", baseada num conto de Agatha Christie, se manteve décadas em cartaz, na noite em que a  fui ver, em Lisboa, o público era apenas constituído por 11 pessoas;
9. Quando a época natalícia acaba, sinto um enorme alívio por já não ouvir "Jingle Bells" em todo o lado;
10. Odeio touradas!

Como sempre, desafio todos os visitantes a prosseguir a brincadeira, o que é tarefa bem mais árdua: têm de inventar 3 mentiras para envolver entre 7 verdades e assim confundir a perspicácia dos vossos comentadores. Mas essa é decisão vossa, obviamente! Para já, agradecia que tentassem adivinhar as minhas mentiras... e olhem que desta vez até facilitei, eheheh!
Entretanto, a Licas lançou outro desafio/concurso: enviar-lhe até dia 10 de Dezembro um conto subordinado ao tema "Num Natal este facto ou acontecimento mudou a minha vida", que está aberto a todos os que desejem participar, como podem verificar aqui.

DIVIRTAM-SE!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

CASAMENTEIRA...

Fotografia de Ian Britton

Lembram-se da Magui (aka, Margarida Menezes), aquela rapariga que fundou o Clube das Virgens? Que a princípio não angariou nenhuma sócia, mas assim que se tornou mais mediática as candidatas subiram em flecha, contando actualmente com cerca de 40? Então, como a fama tem destas coisas, a Magui já foi convidada para posar em roupa interior e a escrever crónicas para o Correio da Manhã (em jeito de diário) e até escreveu um livro - intitulado "Sim, sou virgem, e então?" - para além de ter participado em programas televisivos de grande audiência, como este: (entre outras propostas mais estranhas... digamos assim!)


Óbvio que não tenho nada contra (ou a favor) das opções da Magui ou da criação do seu Clube, mas como eterna desconfiada de quem embandeira em arco certas características do foro íntimo, paira no ar alguma incredulidade, em vez de sinos de Igrejas ou da fragância das flores do bouquet nupcial: afinal esta encantadora criatura pretende encontrar o seu "príncipe encantado" ou trata-se apenas de uma campanha de marketing de si própria? E caso encontre o dito príncipe, demite-se?  Isto, evidentemente, se o CM não estiver interessado nas crónicas das suas experiências seguintes...  
Dito isto e após buscas exaustivas, para as más-línguas não começarem por aí a afiançar que nem sequer me empenhei como casamenteira, talvez tenha descoberto o perfil  ideal para ela: OK, não parece ter um metro e oitenta, ostenta mais pneu que músculos, já ultrapassou os 30 anos e certamente não vem montado num cavalo branco - mas também, nos tempos que correm, onde é que punham a estrebaria? - mas tem popó, é solteiro e vontade de manter um relacionamento. Não chega?


Se resultar, depois digam-me a data do enlace (ou do juntar dos trapinhos, que não sou esquisita!), para anotar aqui na agenda, ao lado desta última: "Estar alerta a filmagens em alegres convívios, porque mesmo entre amigos o filme pode ir parar ao YouTube!"

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SERES HUMANOS OU RATOS?

Já houve tempos em que aderir a uma greve significava prisão e despedimentos. Mesmo assim, os trabalhadores continuavam a lutar, com coragem e determinação, para conquistar direitos mínimos. Depois houve outros em que as greves se sucediam atrás umas das outras, por dá cá aquela palha, em que sindicatos e partidos políticos manipulavam a populaça, consoante os seus interesses, justos ou só para promover a arruaça e a confusão.
Os tempos mudaram! Os escândalos de novas Donas Brancas - só que disfarçadas de banqueiros respeitáveis, com o aval do Banco de Portugal - mais umas negociatas ardilosas que ninguém entendeu muito bem (ou, pelo menos, eu não entendi!), fizeram a verdade subir à tona de água como o azeite: muitos portugueses viviam acima das suas possibilidades reais e as dívidas para pagar amontoavam-se! Além que coube também ao "nobre povo" pagar todas as facturas de gente que fez desaparecer milhões impunemente, nesta nação doente e vergada ao capital. Como resultado, os salários da função pública foram reduzidos, os impostos aumentados, as SCUT - mesmo sem alternativas viáveis, que não coloquem em perigo a vida dos utilizadores e dos cidadãos residentes na zona - passaram a ser pagas, a par de uma série de outras medidas que só contribuíram para sacrificar ainda mais os que trabalham e/ou têm mais dificuldades.
Ah e tal, que a greve não resolve?! Pois não! Mas protestar sempre é melhor do que ficar de braços cruzados, ou em constantes lamúrias e queixumes sobre a infelicidade desta crise ou dos políticos que elegemos! Afinal de contas: somos seres humanos ou ratos?

O mural da imagem é antigo (pescado na net) e de tempos revolucionários, mas desta vez concordo inteiramente: esses ricos banqueiros, administradores, economistas, governantes, empresários, etc. e tal, que por incompetência, ambição, corrupção ou sabujice nos meteram a todos neste berbicacho, que paguem o que devem! A que propósito é que a população tem de arcar com as dívidas contraídas por essa maltosa? Daí a minha solidariedade com todos os grevistas, que hoje forem para a rua protestar...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

MAIS MULHERES ASSASSINADAS!

Fotografia de Ian Britton

Já aqui referi este assunto, mas nunca é demais repetir. Se há dois anos por esta altura já tinham sido assassinadas 43 mulheres pelos seus companheiros ou ex-companheiros (que no final de 2008 registaria 46 homicídios), em 2009 estes números tiveram tendência a diminuir. O que mesmo assim não vale de muito, porque 29 casos ainda são demasiados, tendo em conta que estamos a falar de seres humanos mortos por mãos sanguinárias. Que não voltam ao convívio dos seus familiares e amigos, devido à violenta crueldade de um homem que se julgou dono e senhor da vida daquela mulher, como se vivesse em plena época feudal ou esclavagista. Mas pronto, sempre havia a ténue esperança que estas situações começassem a tornar-se menos frequentes ou quase inexistentes, com uma maior consciência de cada um na sociedade actual.
Engano! Ontem foram divulgados os dados de 2010 (provisórios, logicamente, uma vez que o ano ainda não acabou) e já se contam 39 mulheres assassinadas, mais 11 vítimas mortais associadas - supõe-se que de pessoas que estavam com elas ou as tentaram defender durante o crime - e ainda mais 37 tentativas de homicídio. Assim, tudo leva a crer que os números ficarão próximos dos de 2008 (os mais elevados desde 2004, altura em que o Observatório de Mulheres Assassinadas começou a registar estas estatísticas), perfazendo já um total de 247 assassínios!
E quem são esses cobardes assassinos? Os do costume: na grande maioria  são os companheiros - expressão genérica para  marido, homem com quem se vive em união de facto, amante ou namorado; ou os ex-tudo-isso, o que ainda é pior, porque significa que nem após um divórcio, separação ou final de relação elas estão livres desses brutamontes! 
Chamem-me radical ou feminista se quiserem, mas fulanos desta laia de macho-latino-de-trazer-por-casa, que lavam a honra que nunca tiveram com banhos de sangue, era mesmo encarcerá-los definitivamente, a "partir pedra" para ganhar o seu sustento. Mas não, daqui a uma década já andam por aí a assobiar  para o ar como meninos do coro, até encontrarem a próxima vítima...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

MATARAM O SIDÓNIO!

Este romance de ficção de Francisco Moita Flores baseia-se em factos verídicos da História de Portugal, nomeadamente no assassínio de Sidónio Pais a 14 de Dezembro de 1918 na Estação do Rossio, fundamentado  num documento impresso em 1921 e assinado por Asdrúbal d'Aguiar - a autópsia do Presidente e os exames periciais do vestuário e da arma (supostamente) utilizada. Lançando uma nova luz sobre o trágico acontecimento.
Ao longo de 291 páginas, o escritor revela a dura realidade que se vivia na época, numa Lisboa enlutada tanto pela morte de cerca de 7 mil soldados portugueses na batalha de La Lys, durante a I Guerra Mundial, como pela pandemia gripal denominada "espanhola" (antecessora do vírus H1N1), que matou à volta de 100 mil cidadãos no país. "Aquele ano de 1918 fora parido nas entranhas do sofrimento. Nunca tantas lágrimas escorreram pelos rostos de Portugal inteiro. Sidónio quisera dominar com algemas e cárceres os protestos dos opositores, e choravam mulheres e filhos o cativeiro dos seus homens, da Flandres soprava o vento gélido de uma guerra medonha, feita do lamaçal das trincheiras, onde as balas matavam menos do que a sífilis e o tifo, a tuberculose e a pneumónica. La Lys não foi a batalha de todos os prantos."  Ao perfil autoritário do presidente, que incendiava ódios e paixões, aliava-se um povo analfabeto e ignorante - "Disse ao Félix, que lá está, para pôr um aviso em letras grandes na porta: NÃO SE ENCONTRA AQUI O CORPO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Mas não teve efeito nenhum. A esmagadora maioria não sabe ler e tem sido uma manhã de doidos!" - e uma polícia que só conhecia um único método de investigação criminal: torturar os suspeitos até eles confessarem! "E aquilo que mais o surpreendia era a indiferença com que os juízes, perante hematomas e equimoses, por vezes ferimentos profundos, decidiam o caso sem que passasse pela cabeça de algum fazer a simples pergunta: «Como é que isso lhe aconteceu?»".

Para não destoar do ambiente explosivo, lanço a BOMBA! (leia-se, divulgação do final!) Portanto, se estão interessados na leitura do livro, PAREM POR AQUI!
A conclusão é simples: ao contrário do que foi divulgado nos jornais da época, baseados em fontes testemunhais e policiais, não foi José Júlio da Costa quem matou Sidónio Pais. O homem encontrava-se presente no local, confessou e negou várias vezes o crime, descobriu-se mais tarde que sofria de esquizofrenia. Nunca foi julgado, embora permanecesse preso durante largos anos, finalizando os seus dias internado no Hospital Miguel Bombarda. E como se prova esta conclusão? Através da autópsia e restantes exames periciais! Aliás, nem o Presidente proferiu a célebre frase: "Morro, mas morro bem. Salvem a Pátria!", como os que o rodearam testemunharam - os ferimentos infligidos não eram de molde a permitir-lhe falar... (Moita Flores também desenvolveu esta temática na sua tese de doutoramento, pelo que a conclusão não é de todo desconhecida nos meios académicos, o que certamente gerará polémica entre historiadores.)
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No Clube de Leitura houve unanimidade - todas gostámos! A próxima sessão está marcada para dia 15 de Janeiro de 2011, com "Marina", de Carlos Ruis Zafón.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CONTOS... COM CHOCOLATE!

A receita é simples: juntam-se seis escritoras a uma editora, seis histórias diferentes, mistura-se muito chocolate, mexe-se bem... et voilá - o livro nasce! "Chocolate - Histórias para ler e chorar por mais"  está nas livrarias para o provar!
A apresentação decorreu ontem ao fim da tarde, no restaurante do Corte Inglês em Lisboa, repleto de amigos e fãs das autoras - Alice Vieira, Catarina Fonseca, Isabel Zambujal, Leonor Xavier, Maria do Rosário Pedreira e Rita Ferro. Após algumas breves palavras da editora, Joaquim Letria deu início à sessão, no ambiente informal da sala, confessando que as receitas (sim, porque essas também constam no livro!) lhe abriram o apetite para novas gulodices e leituras...
A "raparigada" (a palavra não existe?! devia existir!) trocou mais algumas impressões com o público (e entre elas), ao que se seguiu uma sessão de autógrafos bastante concorrida! Claro que a "reportagem" fotográfica ficou a perder com tamanha afluência, nem as escritoras conseguiam ficar muito sossegadas entre beijos e abraços, daí a melhor ser a do cartaz, suponho que de Bernardo Coelho
Dos contos e do livro só escreverei depois de ler, mas cheira--me bem... a chocolate!

Um fim de semana DELICIOSO, para todos!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SALTA-POCINHAS

Naquela manhã, ele seguia pela rua de mão dada com a mãe, que o ia levar à escola. O dia cinzento e triste, o caminho atapetado de folhas mortas, a obrigação de aprender a ler e a fazer contas com a velha professora, que distribuía lambada ao mínimo engano, revoltavam-no! Porque é que já não podia ir para a praia e brincar com o balde e a pá na areia e mergulhar no mar, como no Verão? A poça de água negra, mesmo em frente à porta do edifício, deu-lhe o ensejo de se manifestar: saltou para ela de pés juntos, com as suas galochas de plástico, borrifando de lama todos os que se encontravam em seu redor! Valeu-lhe uns açoites da mãe no local e um castigo ao canto da sala de aula, com orelhas de burro!
Cinquenta anos volvidos, noutra manhã outonal e enquanto percorria o rumo habitual, relembrou essa sua revolta infantil. Já não estava lá a mãe para lhe dar a mão ou os açoites, mas a saudade era enorme!  Como  por acaso, bem em frente ao portão onde se dirigia, a poça imunda e negra parecia estar exactamente no mesmo sítio...
Olhou em volta. Não viu ninguém. E saltou para dentro dela com ambas as botifarras! O chafurdo lamacento não atingiu vivalma. Com um sorriso nos lábios, marchou até ao quartel, onde foi prontamente cumprimentado: "Bom dia, meu comandante!"