terça-feira, 20 de agosto de 2013

TODOS NA MODA?

Joe Zee era até há bem pouco tempo um ilustre desconhecido para mim. Até entrar em minha casa, via televisão, como guru da moda americano e diretor criativo da revista "Elle"  (há 20 anos, como faz questão de salientar!) e apresentador do programa "Todos na Moda". O projeto traduz-se em auxiliar estilistas com dificuldades financeiras e ajudá-los a relançar as suas coleções nas lojas da especialidade. Meritório, é certo, mas também não fica nada a perder com a projeção televisiva...

Mais estranho é que, em muitos casos, não havia necessidade de ser um expert para identificar o problema: qualquer merceeiro de bairro também explicava isso, só com as contas aprendidas no ensino básico! Assim, para conferir um maior gabarito ao programa, Joe Zee acompanha o processo de produção de uma mini-coleção, apontando erros, mas também dando sugestões e arranjando reuniões para uma eventual comercialização do produto final. 

Candidatos a ter o apoio técnico do homem não devem faltar, imagino que os seleciona para o programa consoante o talento demonstrado. Mas como é que um perito cai na asneira de tentar aconselhar uma fulana jovem, a refletir a imagem de uma puritana à moda antiga, mas que só gosta de desenhar lingerie - em alguns casos mais do que ousada, noutras a lembrar o soutien das nossas avós - e ainda por cima a quase totalidade do investimento de 200 mil dólares é da responsabilidade do totó do namorado? Claro que ela ignorou completamente as opiniões de Joe Zee e o resultado final foi um fiasco... 

Embora não nutra a mínima simpatia por gurus (de moda ou outros!), não creio que a reputação dele saia manchada com este desaire. Mas o ego exacerbado da "criativa" que não se toca, calculo que também saia praticamente incólume. Já adivinharam quem se vai lixar à grande e à... americana?!?

Imagem da net.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

TERREIRO DO PAÇO REVISITADO...

A ideia era simples: dar uma volta pelo Terreiro do Paço (remodelado) ao final da tarde, petiscar por ali qualquer coisinha e esperar pela primeira apresentação do espetáculo multimédia de luz, cor, "teatro" e música a incidir no arco da rua Augusta e prédios adjacentes, aprazada para as 21h30m. No último dos 10 dias em que esteve em exibição, como convém...

A sessão fotográfica até começou lindamente, pois esta ave andava a chapinhar nas águas do Tejo, indiferente à multidão que por ali passeava. Se era uma garça ou uma cegonha é que não  identifiquei ao certo, que os meus conhecimentos (ainda) não chegam a tanto e ambas pertencem à mesma família.

O espetáculo em si iria decorrer no outro lado da praça do Comércio, a estátua de D. José nem fazia parte do cenário de fundo, apenas o próprio monumento e os edifícios que o ladeiam. Como a maioria saberá, desde 9 de agosto deste ano que se pode visitar o cimo do arco, que dada a sua altitude e localização privilegiada serve de miradouro tanto para a baixa pombalina, como para o Tejo e a margem Sul. Visita essa que ficará para outra ocasião!

As estátuas do topo representam a Glória a coroar o Génio e o Valor, e são de autoria do escultor francês Célestin Anatole Calmels (segundo a wikipédia). É a partir delas, da construção do monumento e das restantes esculturas representativas de alguns dos capítulos da nossa História  - de Viriato, Nuno Álvares Pereira, Vasco da Gama e Marquês de Pombal (estas de autoria de Vitor Bastos, ainda segundo a wiki) - que gira todo o argumento desta encenação multimédia. O Douro e o Tejo, como rios que limitavam a região povoada pelos Lusitanos, também estão presentes no arco como no espetáculo. 

Mas a minha prestação fotográfica acabou aqui, porque com o anoitecer e a escuridão propícia para o evento, a máquina resolveu descansar, tal e qual turista que mesmo em férias se deita com as galinhas... Restou-me, portanto, procurar no YouTube um breve apontamento vídeo que desse ideia da dimensão da projeção, aqui na sequência dedicada a Vasco da Gama:


Muito bom! Mas devo esclarecer que, mesmo que ao vivo seja mais avassalador, dificilmente se consegue abarcar toda a projeção...

"Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas" é a tradução da expressão latina inscrita no topo. Será que hoje em dia ninguém entende latim?

domingo, 18 de agosto de 2013

STRANGERS IN THE NIGHT

Esta é daquelas músicas que me lembro desde criança, a tocar no primeiro gira-discos - então novinho em folha - e até já meio roufenho a "saltitar" no prato, de tantas vezes o disco ser ouvido. Curiosamente, também deve ser a canção que mais cantei no duche (já que a desafinação não me permite cantar em mais lado nenhum...)! 

E não é que um dia destes ouvi o meu filho (coitado, também desafinado, que isto deve ser de família!) a cantarolá-la debaixo do chuveiro? Estranho, no mínimo...

Como suspeito de ligações à Máfia e a outras negociatas pouco claras, pode não ter conquistado a simpatia do grande público, mas certo é que "A Voz" de Frank Sinatra lhe granjeou um lugar de destaque nos anais da história da música do século XX. E inúmeros fãs, evidentemente, que ignorando ou desdenhando esses "ataques" ao homem, nele só viam o cantor e "A Voz" com que durante muitos anos nos brindou:


Imagem da net.

sábado, 17 de agosto de 2013

QUE GRANDE GALO!

Num alegre convívio de fim de tarde - entre amigos que vão e vêm de férias - às tantas o tema da conversa incidiu no galo de Barcelos. Um deles, que andou a passear pelo Norte do país, referiu que tinha passado um ou dois dias em Barcelos e que tinha visto milhares deles à venda. Dos tradicionais, em todas as cores, e outros que ele denominou de "criativos mal dispostos". Segundo ele, as figuras são feitas em barro pelos oleiros da região, mas depois são pintadas e decoradas por outros - e se a maioria segue a pitoresca tradição, há quem os pinte todos só de um tom, ou com riscas, em jeito de bandeira (nacional ou estrangeira) ou até à vontade do freguês. Ainda há quem os faça de feitios mais inusitados, com 3 bicos ou mais (ou menos) não sei o quê. Ainda nos rimos com a historieta... 

Como sou curiosa destas novidades, lá fui espreitar os galarós e garnisés "estilizados" de outras formas e feitios - via net - e deparei com uma forma ainda mais criativa de divulgar a cerâmica da região: um galo de Barcelos "astronauta".

A experiência foi bem sucedida, mas esperemos que fique por aqui! Quando não, vão chover galos destes do céu e outros galos cantarão... no toutiço dos (mais) desprevenidos!

BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!

Imagem da net.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A GAIOLA DOURADA

Ainda pensei se valeria a pena escrever sobre este filme, que tantos amigos já viram e até destacaram nos seus blogues: que recorde, pelo menos a São, a Rosa e o Carlos! Mas o filme merece mesmo ser destacado, pois traduz-se em 90 minutos bem passados, com umas boas gargalhadas e até uma lagriminha ao canto do olho aqui e ali.

José (Joaquim de Almeida) e Maria (Rita Blanco) emigraram para Paris há 30 anos, e desde então ai têm trabalhado, ele nas obras, ela como conciérge no prédio chique onde também residem, enquanto criam os seus dois filhos, Paula (Bárbara Cabrita) e Pedro (Alex Alves Pereira). Eles são pessoas simples, honestas e trabalhadoras, sempre prontos a ajudar os outros e, como tal, muitas vezes abusam da sua boa vontade, não lhes dando o devido valor. Até ao dia em que recebem uma carta, a comunicar-lhes a morte do irmão de José, que entretanto lhes deixou em testamento a quinta de família nas margens do Douro vinhateiro e a empresa a ela associada. Com uma condição: eles terão de regressar a Portugal e tomar conta do negócio.

Os filhos exultam com a notícia, a mais velha porque finalmente a mãe vai ter a casa que tanto almejava em Portugal, o mais novo porque "estão cheios de massa", mas nem um nem outro mostram vontade de regressar à terra dos pais, que eles nem conhecem - aí, o entusiasmo deles também esmorece! Por um acaso, a irmã de Maria descobre o que se passa e a notícia chega aos ouvidos da comunidade portuguesa que os rodeia e até dos seus empregadores. E todos fazem tudo por tudo para que eles abandonem a realização desse sonho, que ainda não tiveram coragem de divulgar... 

Podem ver o trailer aqui, já que não é permitido fazer a incorporação no post.

Gostei muito! A realização e o argumento são de Ruben Alves, também ele um luso-descendente, o que certamente confere uma maior credibilidade ao modo de ser e de pensar dos emigrantes portugueses em França, ainda que com traços caricaturais e humoristas. A pontuação de 7.4/10 na IMDb (raro em filmes franceses) reflete bem o sucesso obtido nas salas de cinema francesas e portuguesas. A interpretação dos atores é excelente, de notar também a participação de Maria Vieira num papel secundário, e as cenas em que contracena com Roland Giraud, Chantal Lauby e Lannick Gautry: simplesmente hilariantes!

Imagem de cena do filme da net.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O INQUILINO

BOM FERIADO, FÉRIAS OU TRABALHO!
(riscar o que não interessa)

Cartoon da banda desenhada "Mafaldinha", de Quino.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

PARA FINALIZAR O CAPÍTULO...

... fotográfico das férias de julho, eis mais algumas fotos captadas por esses dias. A piscina não costumava estar assim tão sossegada, esta com o reflexo das árvores e dos edifícios na água já foi tirada a uma hora tardia. Muitas horas passei por lá a ler, a mergulhar e a aquecer ao Sol...

Raro também é não passar  por esta porta, normalmente depois de dar uma vista de olhos pelas "novidades" das múltiplas lojinhas... que não diferem muito de ano para ano! Muitas "chinesices", a preços baratinhos, mas mais caros que nas lojas de chineses. E do outro lado da fortaleza de Santa Catarina?

Pois, há um antigo poço, que se destaca no contraste da profusão de flores junto ao muro do forte. Resta portanto descer uma escada até à praia da Rocha ou à marina. Uma vez contei os degraus, já não me lembro quantos são, mas sei que são bastantes!

E as gaivotas que se perfilam na praia ao meio/final da tarde, todas viradas na mesma direção, como se pertencessem a um batalhão e estivessem a cumprir ordens? 

Ao anoitecer podemos ver os barcos turísticos, de pesca ou de recreio a repousar da sua faina no rio Arade, junto à zona ribeirinha de Portimão.

A cegonha, essa, repousa no seu ninho de sempre.

Já em Albufeira, tenta-se cativar os turistas pelo humor, 

pelo inusitado ou

pelos artistas de rua, sempre muito apelativos para quem passa, especialmente se estiverem a demonstrar a sua veia artística ao vivo!

Um pôr de Sol num campo de golfe até pode ter a sua beleza. Como nenhum de nós pratica o desporto, a volta até foi mais para ver onde ficava uma exposição de animais exóticos: cobras, lagartos, tarântulas e outras bichezas do género. Não é que estivesse particularmente interessada, mas numa pesquisa internética apressada, alguém concluiu que os bilhetes de entrada custavam 24 euros. E custam, para packs familiares, mas os promotores do evento não foram tão tontos assim! Até 31 de agosto, para quem apreciar o convívio com essa bichadarada...  

Em Setembro há mais férias (I hope)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

TRUZ-TRUZ!

Se vos dissesse que ontem tive visitas para o jantar, uns familiares ingleses que não via há treze anos, e que a primeira coisa que fizeram quando chegaram a minha casa foi descalçarem-se e deixar o sapatos à porta, estaria a mentir ou dizer a verdade? Pois é, estaria mesmo a relatar um facto. Mas essa não é nenhuma tradição inglesa, mas sim de alguns povos orientais. Acontece que eles são ingleses, mas passaram os últimos 10 anos a viver na Tailândia... O meu primo (direito) ainda me perguntou se podia deixar os sapatos na escada, ao que respondi que era melhor não!

Entretanto, vou ver se dou uma voltinha pelas vossos cantinhos, que este fim de semana não dei as da praxe, ocupados que estivemos todos a receber os nossos familiares. Dá trabalho, mas é sempre uma alegria rever aqueles de quem tanto gostamos...

Imagem da net

domingo, 11 de agosto de 2013

TERESINHA

Maria Bethânia é e sempre foi uma das minhas cantoras brasileiras preferidas. Lembro-me de uma das poucas "discussões" que tive com o meu avô ser sobre ela: segundo ele, a artista era tão feia, que devia ser proibida de cantar. Por essa ocasião ele já era velhote e viúvo, estava mais amargo do que sempre o conheci. Bem o tentei convencer do disparate que estava a dizer, que a beleza não tem nada a ver com a voz e, apesar de tudo, nem considerava Bethânia esse expoente de fealdade que ele dizia. Teimoso, continuava a insistir e a "discussão" parou por ali. Só muitos anos depois percebi que tentar mudar a mentalidade de homens de uma determinada época (ele nasceu em 1905), não faz o menor sentido - cresceu numa família burguesa, com convicções religiosas, políticas e sociais muito marcadas, a que uma (grande) dose de machismo não era alheia. Nada do que eu dissesse iria mudar a sua opinião... 

Simultaneamente, esta música faz-me lembrar umas férias de verão num parque de campismo de Lagos, quando andava na faculdade. Creio que em 1982. O grupo era grande, quase todos aos pares, fui com uma amiga. O meu último namorado descartara-me umas semanas antes ou coisa, mas ela ainda estava pior: a recuperar de uma depressão, após um casamento "relâmpago" de 3 meses seguido de divórcio. E se bem que acompanhássemos normalmente o grupo, algumas vezes percorríamos a pé o caminho da praia ao parque. E ela cantava várias músicas da Bethânia no percurso, entre elas esta "Teresinha" (só soube mais tarde como se intitulava), que me parecia muito próxima dos meus últimos desaires amorosos (sendo que o "não" nem sempre foi meu) - longe que estava do "príncipe encantado" do liceu e de conhecer aquele que "só me chamasse de mulher"!


De alguma forma, a amizade com essa minha amiga dura até hoje, se bem que atualmente não sejamos muito próximas. Mas a lealdade e o apoio em momentos menos bons nunca falhou, aconteceu que os rumos foram diferentes. Cada uma de nós encontrou o compagnon de route que nos faltava, mas certo é que longe também vão os tempos dos contos de fadas da nossa infância, que invariavelmente terminavam com a frase "casaram e foram felizes para sempre"...

post-scriptum - não sei se dá como contributo para o desafio lançado pelo Carlos no blogue "crónicas on the rocks", sobre canções de amor, mas esta seria a minha escolha!

Imagem da net.