Mostrar mensagens com a etiqueta Tradições. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tradições. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de março de 2015

O MEU AMOR É VERDE

Há nomes muito bem escolhidos e o desta loja de plantas captou a nossa atenção. A tal ponto que o maridão me deu de presente este lindo e pequenino cato, para juntar à reduzida "coleção" deste ano - ainda não plantei nem a salsa, nem os coentros da praxe, mas está para breve. Para compensar, já floriu timidamente uma primeira orquídea, mas os botões existentes prometem muitas mais. 

O espaço onde fica a loja de "O Meu Amor É Verde" (não, não se trata de nenhuma clubite aguda num estádio de futebol), foi outra agradável surpresa, onde já não punha o pé desde os meus tempos de esbórnia - ou seja, vai para cerca de 30 anos. Remodelado e adaptado aos novos tempos: a praça da Ribeira.

Da velha tradição do cacau - que, diga-se em abono da verdade, nunca bebi - aos chefes e restaurantes de gabarito vai um grande passo, mas foi essa a opção para o local. E não me parece que ninguém se possa queixar, alguns dos melhores e mais famosos paladares da gastronomia nacional estão ali representados, além da sofisticação de alguns pratos gourmet.

A multidão pode ser um incómodo, pessoalmente visitámos sempre "fora de horas" - tanto quanto percebemos o serviço é "non stop" - portanto nunca tivemos problema em sentar, que o espaço é bastante amplo. Ainda longe de termos provado todos os pitéus, os que mais nos surpreenderam pela positiva foram:

as bochechas de porco preto, com puré de batata, couve lombarda e bacon, no restaurante de Henrique Sá Pessoa;

e o pudim de Abade de Priscos da chefe Marlene, que assim à primeira vista pode parecer uma porção diminuta, mas é tão docinho que chega perfeitamente.

Cacau para quê... se nem gosto de leite?!? 

sábado, 17 de agosto de 2013

QUE GRANDE GALO!

Num alegre convívio de fim de tarde - entre amigos que vão e vêm de férias - às tantas o tema da conversa incidiu no galo de Barcelos. Um deles, que andou a passear pelo Norte do país, referiu que tinha passado um ou dois dias em Barcelos e que tinha visto milhares deles à venda. Dos tradicionais, em todas as cores, e outros que ele denominou de "criativos mal dispostos". Segundo ele, as figuras são feitas em barro pelos oleiros da região, mas depois são pintadas e decoradas por outros - e se a maioria segue a pitoresca tradição, há quem os pinte todos só de um tom, ou com riscas, em jeito de bandeira (nacional ou estrangeira) ou até à vontade do freguês. Ainda há quem os faça de feitios mais inusitados, com 3 bicos ou mais (ou menos) não sei o quê. Ainda nos rimos com a historieta... 

Como sou curiosa destas novidades, lá fui espreitar os galarós e garnisés "estilizados" de outras formas e feitios - via net - e deparei com uma forma ainda mais criativa de divulgar a cerâmica da região: um galo de Barcelos "astronauta".

A experiência foi bem sucedida, mas esperemos que fique por aqui! Quando não, vão chover galos destes do céu e outros galos cantarão... no toutiço dos (mais) desprevenidos!

BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!

Imagem da net.

sábado, 8 de junho de 2013

PASSEIO NO ELEVADOR DA GLÓRIA...

... sai caro, como a São evidenciou em comentário ao post onde o referi: 3,60 €, ida e volta por pessoa. Porque não dá hipótese de ser só subir ou descer, tem de se comprar logo o conjunto. Isto para quem não tem passe, quanto aos módulos não sei se tornam a viagem mais barata. Mas adiante: fomos à mesma, que nenhum de nós se lembrava qual foi a última vez que entrámos lá. Neste ou noutros - no de Santa Justa tenho apenas a vaga noção de ter andado uma vez, em miúda. E a esse também está programado ir, já que funciona simultaneamente como um dos miradouros da cidade, em geral, e da baixa pombalina, em particular.

A ideia de os vestir a condizer com as festas lisboetas foi brilhante: por um lado, porque os vândalos dos gatafunhos os têm como um dos seus alvos preferidos, que lhes deixaram muitas mossas e "cicatrizes" pavorosas; por outro, porque o projeto vencedor do concurso camarário, da autoria de Mariana Cidade, tem tudo a ver com a emblemática da cidade - azulejos e calçada portuguesa. A bem dizer, nunca vi tanto frenesim a fotografar elétricos e afins. E não era a única tuga  entusiasmada com os 'cliques', no meio dos turistas... 

Refira-se que o passeio em si é bastante curto, mesmo que o funicular circule a passo de caracol - nos dois sentidos. Certo é que, pelo que pude observar, vem muito mais carregado na subida do que na descida. O que tem toda a razão de ser, basta um pequeno tropeção numa pedrinha da calçada e é rebolar por ali fora, num instante se chega lá abaixo, sem ajuda de santo nenhum. Mais rápido, inclusive. E se o pavimento fosse menos irregular, até se podia fazer como nas pistas de neve: pôr um saco de plástico no chão, sentar o rabiosque em cima e, ala que se faz tarde, escorregar até aos Restauradores. (num desporto radical, ainda não suficientemente explorado!)

Voltando aos trajetos nos dois funiculares, mesmo com a mesmíssima "velocidade", na descida a viagem foi aprazível e à vontade, se bem que estivesse perto da lotação escarrapachada no interior (salvo erro, 22  lugares sentados e 11 de pé). Na subida já foi encher até fartar, não sei se pelo volume dos turistas (alguns bem grandes e fortes, para não dizer gordos!), mas de certeza que os viajantes duplicavam a lotação. Tanto que quando chegou lá acima o motor ficou a roncar um bom bocado... não sei se em protesto!

(embora ainda não tenha visto ao vivo, as "fatiotas" no elevador da Bica são estas, numa fotografia do facebook.) 
Lindas, também! 
  

terça-feira, 16 de abril de 2013

A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR... VIRGOLINO?

Justino, Fabiano ou Ercílio? Como herança já todos temos os apelidos de família, nem sempre muito simpáticos e agradáveis, ou que se prestam a confusões e chistes variados. Essa herança é garantida, então para quê ainda castigar a criancinha à nascença com um nome próprio que lhe fica para a vida, porque uma tia-avó, uma madrinha ou qualquer outro familiar insiste que é lindo, além de uma homenagem a um ente querido, normalmente já velhote ou falecido?

Julgava que essas tradições de outrora já estivessem mortas e enterradas, quando um dia destes e em conversa com algumas amigas, cada uma tinha uma ou mais histórias recentes para contar de recém-nascidos batizados com nomes estapafúrdios. Fartámo-nos de rir, mas provavelmente a tal Oscarina vai achar menos graça às piadolas que se adivinham nos colegas de escola...

E nestes momentos vem sempre à baila uma outra amiga, que há cerca de 20 anos aceitou, contrafeita, que o filho mantivesse o nome do pai, do avô, do bisavô, sabe-se lá de que mais antepassados. Contava ela, desanimada: "É que nem no pediatra passa despercebido. Estamos na sala de espera e começam a chamar o menino Carlinhos, o menino Paulinho e o menino Luisinho. E por fim anunciam - que entre o senhor Virgolino!" 

Faz hoje 21 anos que o meu filho nasceu, mas os nomes dele foram escolhidos com antecedência e de acordo com o maridão: mais ninguém deu palpites! Ele nunca se queixou, por serem nomes comuns. A originalidade, se quiser marcar a diferença, será devida à sua própria personalidade...


Bob Dylan - aqui num programa televisivo quando tinha cerca de 22 anos de idade - na canção "Blowing in the wind", que foi referência para uma geração inteira! E não é que o filhote até gosta?

Imagem da net.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

LOUCURA?

"Loucura é repetir a mesma coisa vezes sem conta, esperando de cada vez um resultado diferente."
Albert Einstein

Não se sabe exatamente porque razão, mas enquanto primeiro-ministro Cavaco Silva resolveu acabar com o Carnaval. Não se sabe, mas imagina-se que na sua habitual falta de sentido de humor não entendesse uma tradição popular tão antiga de cerca de dois séculos... ou mais! Não existiam leis que estipulassem que a terça-feira era feriado nacional, era apenas um costume de longa data, de modo que decidiu unilateralmente acabar com a tradição. Decorria então o ano de 1993. 

O fiasco foi enorme! Se até aí a contestação ao seu governo decorria maioritariamente na Assembleia da República, ela passou para as "ruas": tanto adversários como correlegionários não acataram de bom grado a medida, sucederam-se desobediências de ministros, autarcas e demais funcionários públicos, tornando-se no Carnaval mais contestatário de sempre no país. Em consequência dessa determinação (e de outras que se seguiram) abandonou a liderança do partido no final do mandato, antecipando os maus resultados nas eleições seguintes. Aí, acertou na 'mouche'!

Então porque é que 20 anos depois aparece um Passos Coelho - "El-Rei Dom Koelhone Esfolado Intéaotutano", na versão carnavalesca de Torres Vedras - com a mesma fixação? Como era de prever, foi novamente cilindrado! Não lhe bastava a experiência de Cavaco ou a do ano passado? Não! Insistiu, com a hipocrisia  de sempre e o blablabá da produtividade em tempos de crise e tal. 

Com tanta gente temerosa de perder o emprego (e o seu sustento!), supus que desta vez a injustiça passaria  "em branco". Mas não! O "feriado" existiu para a maioria da população e os poucos trabalhadores de serviço a pegar no batente ainda se divertiram com as máscaras e as cabeleiras dos colegas mais ousados... Quer dizer, os que não ficaram ainda mais indignados e irritados com o PM e a sua desnorteada governação...

Bingo!

Imagem de Vlad Rodriguez, artista peruano residente em Miami.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

SOB O SIGNO DA SERPENTE

Comemora-se hoje um novo ano chinês, desta vez sob o signo da serpente, que vem substituir o do dragão. Como não sou entendida em astrologia, muito menos chinesa, fui espreitar o que vaticinam  os gurus da especialidade sobre este ano que termina a 30 de janeiro de 2014. Não cheguei a nenhuma conclusão! Para além de preverem que é propício a ampliar conhecimentos e estudos, já que a sabedoria é uma das características do signo, as opiniões são muito díspares. Cautela (contra ataques viperinos) e planeamento também são palavras de ordem, mas assim como assim são conselhos úteis para todos os tempos...

Por cá festeja-se o Carnaval, tradição antiga mas de má memória para alguns dirigentes atuais (e passados?!?), que teimam em acabar com os festejos, por decreto. Só pode ser inveja: com tanto Carnaval que nos oferecem o ano inteiro, temem a concorrência e a animação popular numa festa de três dias, em que não são protagonistas. Nem convidados, para lá de algumas caricaturas normalmente pouco abonatórias. Já não se pode ser "pobrete e alegrete"

Enfim, os decretos só servem para alguns funcionários públicos - nem sei em quem pretenderão mandar, quando privatizarem tudo o que estiver ao seu alcance - já que as escolas, vários contratos coletivos de trabalho e muitas câmaras municipais estipulam que terça-feira será feriado. Ou seja, goste-se ou não do Carnaval, certo é que o tratamento entre "filhos e enteados" mantém-se. Em nome da produtividade em clima de austeridade (serve para tudo!), prevendo-se algumas "cabeleiras loiras" a trabalhar... afincadamente!

BOM CARNAVAL!

Imagem do facebook.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

QUAL O DIA DO (vosso) ANIVERSÁRIO?

Sempre tive boa memória para datas de aniversário, normalmente nem preciso de agenda. Isto em relação a familiares e amigos, porque já os filhos destes memorizei com maior dificuldade. Nos primeiros tempos de blogosfera também pedi aos amigos virtuais que dissessem qual era o dia dos seus anos, de modo a poder parabenizá-los devida e atempadamente. Manias...

Vários anos volvidos, reitero o pedido. Não porque esteja esquecida das desses amigos dos primórdios - muitos deles há muito abandonaram as lides blogosféricas, como foi o caso do Rei/Capitão, que hoje faz anos - mas porque entretanto novos bloguistas e comentadores surgiram e desconheço algumas das suas datas de aniversário. Atenção que o pedido é apenas para o dia, não para o ano... (que a idade de cada um importa pouco e nem sempre corresponde à inscrita no B.I. ou no C.C.) Eheheh!

Depois de andar seca e meca à procura de uma agenda - esgotadas, não sei se por maior procura ou se devido a menores stocks - lá consegui encontrar uma a contento! Que já está a postos, para anotar tudinho, incluindo os vossos aniversários.  

Para quem  não gostar de divulgar a data, de festejar ou de ser parabenizado (bem sei que a palavra ainda não existe no português de Portugal, mas para lá se caminha!), ora, é seguir em frente. Mas por estes lados a vida comemora-se e felicita-se sempre... Só há uma, temos de a aproveitar o melhor possível! 

A primeira imagem é da net.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

AS LUZES NA CIDADE...

Desde miúda que todos os anos por esta época saíamos de casa depois de jantar, para ir ver as luzes natalícias nas ruas de Lisboa. O meu pai detestava sair à noite, mas esta era uma das raras exceções que concebia. Era um entusiasmo pegado: não só pelo inusitado passeio noturno, mas como pelo fascínio de observar de perto as pequenas lâmpadas coloridas a cintilar. A baixa pombalina era sempre a mais iluminada, mas o passeio estendia-se por outros pontos da cidade. Comentávamos se gostávamos mais desta ou daquela rua ou zona, nem sempre concordávamos, mas voltávamos a casa felizes e satisfeitos!

Tradição que mantive depois de casar, com o maridão, o filhote e, na maior parte das vezes, a minha mãe. Naquele primeiro ano da maior árvore de Natal da Europa (megalomanias!) o trânsito e a confusão era tanto, que teve menos piada que nos anteriores. Nem sei se repetimos a passeata no seguinte...

A fotografia é giríssima, certamente profissional (da net, mas desconheço o autor!) - a minha máquina não dava (nem dá) para sofisticações do género. Certo é que mesmo que o rapaz adolescente já não tivesse vontade de ver as luzes na cidade com os "velhotes", continuámos a ir os três.

Numa invenção alucinada (?!?), em 2011 a CML "apagou" as luzes e substituiu-as por "obras artísticas" que vislumbrámos de passagem e a desistência foi unânime!

OK, durante o dia até pode ter a sua piada, mas à noite... interessa a alguém? Esta até era das melhorzinhas, que no marquês de Pombal a aberração foi completa. O "artista" deve ter considerado que faltavam por ali uns sinais de trânsito... e deu nisto (à luz do dia, que ao luar nem pensar!):

Segundo consta, a CML pagou 150 mil euros pelos mamarrachos pela inovação, mas em 2012 mudou de ideias: puxou os cordões à bolsa e lá arranjou mais uns cobres para iluminar as ruas lisboetas, embora longe da pujança de outrora - menos luzes, mas bem localizadas e bonitinhas...
  
Imagino que não terá nada a ver com as eleições autárquicas do próximo ano, até porque os atuais partidos no poleiro governamental permanecem em queda livre junto do povo (lisboeta ou outro). Nem o apoio do tal Relvas a outro candidato à presidência da CML os deve assustar, que cheira a "presente" envenenado.

Mas gostei do que já espreitei. A voltinha anual aguarda melhores noites!

Fotos da net e do facebook (LISBOA Live).

domingo, 11 de novembro de 2012

VIVA O MAGUSTO!

O que se pode acrescentar à lenda e à tradição do magusto de São Martinho? A lenda reza que ele era um jovem soldado romano em serviço na Gália e, quando num dia tempestuoso um mendigo semi nu lhe pediu esmola, não tendo mais nada para lhe oferecer, não hesitou em cortar com a espada a sua própria capa em dois, entregando-lhe metade. E aí a tempestade desapareceu e fez-se sol...

O curioso das lendas (desta e de outras!), é que atualmente ninguém consideraria isso um milagre. Mas chegou até hoje, associada a uma tradição de castanhas e vinho, água-pé ou jeropiga, que fazem parte do repasto do dia, em comemoração. Alimento e bebida de pobre noutras eras, hoje em dia nem tanto! Com variantes de terra para terra, mas normalmente envolvendo um convívio e partilha entre a população.

Pesquisei na net, não encontrei nada de novo que já não soubesse, e considerei que não merecia publicação. Isto até ver, por acaso, um programa televisivo em que a apresentadora se limitou a papaguear tintin-por-tintin o que tinha lido num site juvenil, o que foi notório por algumas ressalvas. Ora bem, para quê ter trabalho, se 'tá tudo tão "explicadinho" na net?

Mas venham as castanhas, sempre bem-vindas nesta casa...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

TRADIÇÕES CONTRADITÓRIAS?

A tradição anglo-saxónica dita que hoje é "dia das bruxas", portanto há que esculpir caras ou monstros aterradores em abóboras, mascarar os miúdos de bruxas, feiticeiros ou fantasmas, para eles iniciarem um peditório noturno de doces pela vizinhança. OK, cada um tem direito a ter as suas tradições. Levar com elas importadas da estranja já não é tradição, mas também não sei que nome lhe dar...

Facto é que em muitas escolas primárias portuguesas, nos últimos anos, se elege este "dia das bruxas" para algumas brincadeiras alusivas, nomeadamente a nível de trabalhos manuais ou desenhos, eventualmente com máscaras à mistura. Ao gosto ou a pedido dos professores que assim o entendam. Nada que traga mal ao mundo!

Contudo, os mais tradicionalistas criticam veementemente esta importação de tradições alheias. Porque, segundo eles, a tradição portuguesa reza que as crianças sigam esse périplo de porta em porta - mas a 1 de novembro e dia de Todos os Santos - pedindo "pão-por-Deus". Curiosamente (e segundo a wiki) essa tradição teve origem em Lisboa, em 1756, devido à miséria que grassava na cidade um ano após o terramoto, e que rapidamente se generalizou a todo o país. Faz todo o sentido!

Estranho é que nem em criança me lembro desse peditório supostamente tão tradicional, muito menos em adulta: nunca nenhuma criança me bateu à porta a pedir doces! Nem de "pão-por Deus", nem de Halloween. Então... qual é a contradição?

BOM FERIADO PARA TODOS!

Colagem de imagens da net.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O DESTINO DAS ALCACHOFRAS

Na noite de santo António, rezava a tradição que se devia queimar a flor de uma alcachofra silvestre, replantá-la num vaso ou canteiro, regar a terra e esperar que voltasse a florir - se tal acontecesse, era sinal que o amor do/a jovem era correspondido, se não... nem por isso! Uns referiam que devia ser queimada na própria fogueira de rua nessa mesma noite, outros não eram tão específicos sobre o local onde se queimava. Certo é que tinha de ser nessa noite, para o "presságio" ser fiável!

Sempre achei piada a estas tradições populares - em miúda, uma coitada de uma alcachofra ainda foi vítima dessa minha vontade de saber o que o destino me reservava. Floriu! Nunca percebi o porquê de umas reflorirem e outras não. Mistérios...

Agora... comem-nas! Nunca provei, nem a a vontade é muita. Também não queimei mais nenhuma. Prefiro ver os campos salpicados pelo tom lilás das suas corolas. Certo é que as alcachofras deixaram de ser apenas procuradas no santo António: a "perseguição" agora é orquestrada pelos grandes mestres de culinária e por gastrónomos de gosto requintado.

Alguém já provou... e gostou?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

TRADIÇÕES PERDIDAS?

O menino retratado na foto nasceu em 1905. Como na época já o Carnaval era tradição popular (e não só!) - e sendo filho, neto e sobrinho único - as tias solteiras faziam questão de o mascarar a rigor desde a mais tenra idade, arrastando-o para festas, corsos, fotógrafos e tudo o mais houvesse, durante os três dias de festejos. Não admira, portanto, que o meu querido e amado avô detestasse todo o espírito carnavalesco...

Por seu turno, a minha mãe também não simpatizava. O pai recusava-se a que a menina fosse mascarada (como a minha avó gostaria, mas sem coragem para se rebelar!) e, com sorte (ou azar?!), ia com uns tios ricaços e todos pomposos ao Coliseu ver o circo, num camarote de primeira, mas impedida de brincar com a restante criançada, por "poder incomodar" os amigos do tio (mais uma vez, a tia não tinha palavra a dizer sobre o assunto)!

Com antecedentes destes, está bom de ver que nunca nos mascararam em crianças, a mim e à minha irmã, mesmo que pedíssemos e quiséssemos. Mesmo assim, fartámo-nos de brincar ao Carnaval, que o meu pai, que nunca tinha tido a oportunidade de o fazer em criança, entrava no espírito folião e gozava tanto ou mais que nós, em sessões de cinema que incluíam filmes, desfile de máscaras e concurso, números de circo ou de magia e uma enorme brincadeira nos intervalos: serpentinas, papelinhos, pequenos sacos de serradura para atirar a quem aprouvesse. A minha mãe já alinhava, embora não gostasse da ideia do meu pai atirar os saquinhos a raparigas jeitosas...

Já o filhote e as minhas sobrinhas sempre tiveram a liberdade de participar conforme a sua vontade. E sempre gostaram de se mascarar, participaram em corsos e festas, essas sessões de cinema  / espetáculo / concurso de máscaras é que, infelizmente, já não existiam! Boas recordações de todos estes anos (incluindo as fotografias do meu avô, com arzinho enfastiado no fotógrafo), ninguém as tira.

Agora que as pretendam tirar às gerações de crianças atuais e vindouras, à conta da famigerada crise (quando é não estivemos metidos numa?!), consegue irritar-me ainda mais com a falta de discernimento e a arrogância sobranceira da cambada que nos governa, totalmente alheada e desinteressada das tradições do povo português... Levo a mal, o desaparecimento do Carnaval!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MAÇÃS ASSADAS

Sem castanhas e vinho também se faz o São Martinho! Com maçãs assadas e um cálice de Porto que, não sendo da tradição, caem sempre bem.
Castanhas à venda não faltavam, mas como os meus homens (eheheh, soa um bocadinho mal, mas pronto!) iam chegar tarde e elas são  boas é quentinhas, toca de mudar a ementa da sobremesa. Assim, enquanto bebericava o líquido castanho avermelhado, fui untando um pirex de ir ao forno com margarina e derreti um pouco da mesma num púcaro e em lume brando. Lavadas as maçãs reinetas, com uma faca afiada - há quem use um descaroçador, mas eu não tenho - escava-se um furo de lado a lado no centro de cada maçã, para retirar as sementes. Colocam-se no tabuleiro, e deita-se uma colher de sobremesa de açúcar no buraco, depois uma colher de sopa com a margarina derretida, outra de vinho do Porto e mais outra de sobremesa de açúcar para finalizar este "recheio". Et voilá! Coloca-se no forno a 200º e é esperar que elas assem, enquanto se aprecia o que sobrou do precioso néctar...
O tempo varia consoante os fornos e a preferência por mais ou menos assada, eu que gosto delas quase desfeitas regulo para 25-30 minutos. No final, é só colocar uma colher de chá de geleia de marmelo no centro de cada maçã. Esta por acaso é de compra e não é tão boa, no ano passado a minha irmã ofereceu-me no Natal um frasco de uma geleia que fez em casa, que era simplesmente divinal! Espero que este ano tenha a mesma lembrança, eheheh!
E pronto as belas castanhas ficarão lá mais para o fim de semana, mas as deliciosas maçãs serviram de consolo...
BOM APETITE!