terça-feira, 25 de janeiro de 2011

EQUIPARAÇÃO?!?

Fotografia de Ian Britton

Desde que foram anunciadas as medidas de combate à crise, com cortes salariais e aumento dos impostos, que o patronato não descansa na constante tentativa de, também ele, obter os seus lucros e benefícios com a famigerada  época de contenção de custos. E o habitual choradinho que as empresas assim não se aguentam no mercado, já deu azo a que alguns até propusessem que os cortes salariais fossem extensivos aos trabalhadores das empresas privadas. Enfim, a costumeira visão para o negócio: ganhava o Estado, ganhavam os patrões (e o Sócrates ainda fazia o papel de mau da fita), quem se lixava eram os mexilhões do costume. Nada de novo, portanto!
Acontece que o governo não caiu nessa esparrela (ou não, totalmente!), mas como sempre se curvou ao poder económico anda a tentar dar um bónus de compensação aos "coitados". E este surgiu agora numa nova proposta do cálculo da indemnização, em caso de despedimento do trabalhador - assim, se até agora era calculada na base de um mês por cada ano de serviço, passa a haver um tecto de 12 meses; ou seja, se um fulano trabalhou 6 anos recebe 6 meses de indemnização, se trabalhou 12, 12, se 30, também 12. A justificação para esta alteração é equiparar a lei portuguesa à de alguns dos outros países europeus...
Claro que esta lei só será aplicável a novos contratos, e até é previsível que no futuro sejam poucos os empregados que se mantenham tantos anos ao serviço de uma única empresa - a tendência é cada vez mais despedir os mais antigos, tanto por ganharem mais, como por se irem desactualizando das novas tecnologias, mas facto é que normalmente eram bons funcionários, quando não já teriam sido demitidos. Mas enquanto trabalharam durante esses tais 20 ou 30 anos também envelheceram, pelo que dificilmente encontram nova colocação no mercado de trabalho. Um presente envenenado para a meia idade dos jovens actuais!
Enfim, estava a ver a notícia na televisão, governo e associações patronais visivelmente concordantes com a medida. E depois foi dada a palavra ao representante do sindicato (UGT), que resumiu a situação mais ou menos desta maneira: "Seria muito bom equiparar as leis laborais portuguesas às europeias, se também equiparassem os ordenados!" E mais não disse, porque deviam ter muitas outras notícias importantes para dar e... cortaram-lhe o pio!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

APANHADOS NA REDE

Em cena até dia 30 de Janeiro no Auditório dos Oceanos do Casino de Lisboa, a peça "Apanhados na Rede", de autoria do inglês Ray Cooney e encenada por Fernando Gomes e pelo malogrado actor/encenador António Feio, conta com um naipe de artistas bem conhecidos do grande público: José Pedro Gomes, Jorge Mourato, Cláudia Cadima, Sónia Aragão, João Maria Pinto, Joana Estrela e Eduardo Frazão.
João é um taxista lisboeta com a particularidade de ter duas famílias - Maria e a filha Joana vivem no Dafundo, enquanto Ana e o filho Diogo vivem nos Prazeres. Tudo decorre sem percalços até que os filhos adolescentes se conhecem via facebook e marcam um encontro. Simão Horta, hóspede e amigo de longa data que conhece o seu segredo, está de partida para umas férias na Carrapateira com o pai senil, mas João precisa do seu auxílio para impedir o encontro dos dois jovens. As peripécias e as mentiras sucedem-se a um ritmo alucinante, o que mantém o público atento e na expectativa até ao final: será que as mulheres e os filhos de João vão descobrir o seu segredo? Tchan, tchan, tchan, tchan...
A hilariante comédia promete (e cumpre!) muitas gargalhadas e momentos de boa disposição - Jorge Mourato  faz um papelão, sem desprestígio para os restantes actores - e também subirá aos palcos do Coliseu do Porto, nos dias 23 a 26 de Fevereiro. Não é garantido é que ainda existam bilhetes à venda,  pois fui ver no Sábado passado e a sala estava apinhada de gente, mesmo que a estreia já tivesse sido em Outubro, o que de alguma forma parece ser sinal que os portugueses se estão a reconciliar com o teatro. Certo é que, no final, os actores foram aplaudidos de pé!

Imagem da net.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CAMPANHA AO RUBRO!

Fotografia de Ian Britton

A campanha das eleições presidenciais do próximo Domingo está ao rubro... ou mais ou menos... OK, bastante chocha, apesar da habitual troca de acusações e insultos e de algumas crispações!
Mas para não dizerem que estou sem motivação para contribuir para este peditório... esta campanha, vou falar-vos do dever cívico de todos nós em eleger os nossos representantes democraticamente e blá blá blá... O quê?! Essa conversa já não pega?
Então mais a sério e resumidamente: desta vez a única razão que tenho para votar é a voz da minha consciência. E uma boa memória dos últimos 20 e tal anos. Portanto, por mais honesto que o actual presidente se afirme, julgo-o pela sua postura e acções (essas foram mais de 100 mil). E tenho de votar "CONTRA o cavaquistão!"
Ah e tal que ando aqui a tentar influenciar o pessoal? Nada disso! Nem vou referir o candidato que vou assinalar no boletim, que essa de botar para lá uns palavrões nunca foi para mim! E escusam também de me afiançar que ele ganha (ou ganhou) de certeza - pode ser, mas SEM o meu voto, para no futuro dormir de consciência tranquila...

BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!!!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DO MELHOR PAPEL SAI A ESCULTURA

Patty e Allen Eckman foram colegas na Art Center College of Design, nos Estados Unidos da América dos anos 70, e daí nasceu uma parceria para a vida, tanto profissional como pessoal- casaram.pouco depois de terminarem os estudos.

Ao longo de 12 anos trabalharam conjuntamente numa agência de publicidade enquanto criavam os três filhos, mas o stress do mundo publicitário não lhes agradava por aí além. Mas como mudar de vida?

Como o mundo dá muitas voltas e por vezes somos bafejados com um golpe de sorte, Allen descobriu que podia produzir um papel diferente de todos aqueles que utilizamos normalmente em diversas ocasiões, com características que permitiam que o modelasse, segundo um método que veio a desenvolver desde 1988.

Assim, desde essa época que o casal se empenhou na modelação e escultura de figuras de papel, dignas de figurar em qualquer museu, como se pode avaliar pelas fotografias.

Ambos fascinados pela vida selvagem, cultura indígena, conquista do Oeste e Guerra Civil americana, desenvolvem o seu trabalho em torno dessas temáticas, sendo que Patty também se inclina para flores e pássaros como motivo de inspiração. Contudo, muitas das suas obras são realizadas e assinadas pelos dois. Convém referir que algumas demoram largos meses até serem finalizadas...
Curioso ainda é que o interesse de Allen pelos povos nativos americanos partiu do momento em que, ainda criança, o avô lhe contou que a família tinha antepassados Cherokee.

O resultado do trabalho destes artistas é o que está à vista nestas esculturas brancas, leves e minuciosamente detalhadas. Mais, se visitarem o site de Patty e Allen Eckman e se desejarem aprender as suas técnicas, eles fornecem os ensinamentos e meios necessários mediante uma certa quantia (que não sei qual é). Evidentemente, atingir esta mestria não será para todos, mesmo que possuam grandes dotes artísticos, eheheh!
 
Imagens da net, provavelmente fotografadas pelos próprios autores.

(Obrigada, Gatinha, mais uma vez!)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ANDAR SOLITÁRIO ENTRE A GENTE...

Fotografia de Ian Britton

Na poesia de Camões era sinal de amor, de fogo que ardia sem se ver. Noutras épocas, tanto podia ser por opção como por exclusão da sociedade, mas agora cada vez mais é uma constante: não são só os telemóveis, os headphones, as consolas, os computadores ou a televisão que impedem de reparar no que se passa em redor, é uma nova era comunicacional que funciona melhor à distância do que na proximidade, mais no virtual do que no real.
Exemplos são muitos, em todas as faixas etárias - quem não conhece ninguém que não saia de casa para ficar postado em frente ao pequeno ecrã ou ao computador? Ou que ande por aí indiferente a tudo, excepto à música privada que toca nos seus ouvidos? Ou que passe horas perdidas em frente a uma PlayStation? Ou que prescinda de conversar, para teclar infindáveis SMS? Fica o alerta:


Independentemente de interesses e hobbies, a que todos temos direito, a única certeza é a de que a Vida só se vive uma vez e raramente se recupera o tempo desperdiçado. Mesmo que as modas sejam passageiras, ou venham para ficar...

CARPE DIEM!

(Obrigada, Gatinha!)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

MARINA

O que de início parece um suave romance juvenil, entre o jovem estudante Óscar Drai e a misteriosa Marina - que reside com o seu velho pai numa mansão antiga onde as velas ainda são a única fonte de iluminação - aos poucos vai-se transformando numa outra história, impregnada de grandiosas personagens do passado de uma Barcelona de outras eras, desaparecidas num incêndio inexplicável. A curiosidade juvenil leva a que ambos tentem seguir o rasto dos amores infelizes entre o grande empresário e a malograda cantora russa, desfigurada no dia do próprio casamento pelo seu vingativo tutor, percorrendo o cemitério e vasculhando as ruínas dos edifícios por onde passaram, encontrando algumas outras personagens sinistras pelo caminho. Até aqui nada de novo, romance que se preze tem a sua dose de mistério!
Embalada na leitura e quase a meio das 260 páginas de uma escrita pontuada por certos laivos poéticos, surge a primeira grande surpresa: numa deambulação nocturna por uma dessas ruínas do passado, os adolescentes começam a ser perseguidos por figuras de madeira, que ganham vida. Eles fogem esbaforidos e a ilusão de estar a ler um livro com pés e cabeça fugiu com eles! A partir daí sucedem-se cenas inspiradas em Frankenstein e Drácula, não desdenhando outros vampiros, monstros ou fantasmas. E pronto, o "suave" romance tornou-se num autêntico livro de terror! Até aparece lá uma Maria Shelley, como quem não quer a coisa...
Não vale a pena acrescentar mais ao enredo, o género fantástico não é para mim, mas para quem gostar fica a indicação. O que também não se entende é o porquê deste título ser classificado como juvenil em Espanha. Ainda por cima é de 1999, portanto anterior aos outros romances de Carlos Ruiz Zafón publicados em Portugal, quando os vampiros-e-companhia ainda não estavam na moda. Talvez daí a decisão editorial de só o publicar agora cá no burgo.
Resumindo: foi o primeiro livro gótico que li - e, certamente, será o último!

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A próxima sessão do Clube de Leitura foi agendada para dia 27 de Fevereiro, para discussão do livro  "Segue o Coração" de Lesley Pearse.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

GLOBOS DE OURO 2011

A 68ª edição dos Globos de Ouro decorreu morna, sem grandes novidades ou emoções, até porque muitos dos filmes ainda não estrearam nas salas de cinema nacionais. Christian Bale e Melissa Leo ganharam na categoria de actor/actriz secundários (ambos no filme "The Fighter") e  Annette Bening e Paul Giamatti na categoria de actriz/actor de comédia  (nos filmes "Os Míúdos Estão Bem" e "Barney's Version", respectivamente). Colin Firth arrebatou o Globo de melhor actor dramático - prémio certamente merecido, dado o nível de interpretações a que já nos habituou - em "The King's Speech".

Por sua vez, o Globo de melhor actriz dramática coube a Natalie Portman em "Black Swan".

"Toy Story 3" venceu o de melhor desenho animado, enquanto o filme dinamarquês "In a Better World" ganhou o de melhor filme estrangeiro.

Sem surpresas, "A Rede Social" foi o grande vencedor da noite, levando para casa alguns dos Globos mais relevantes: melhor filme dramático, melhor realizador (David Fincher), melhor argumento e melhor banda sonora. O que é no mínimo estranho, porque o filme vê-se bem, mas dificilmente nos convence como merecedor de tantos prémios importantes - e note-se que é a imprensa estrangeira (leia-se, não-americana!) que elege os vencedores dos Globos, portanto nem se pode alegar que foram os próprios americanos a "puxar a brasa à sua sardinha". Claro que é necessário ver os outros filmes nomeados para verificar se a atribuição foi justa, segundo a nossa perspectiva pessoal. "Os Miúdos Estão Bem" venceu na categoria de filme de comédia.
Resta agora aguardar que dia 25 de Janeiro sejam divulgadas as nomeações para os Oscar.

Imagens da net.

sábado, 15 de janeiro de 2011

NA MORTE DE VÍTOR ALVES

Alice Vieira escreveu este artigo de opinião, nas páginas do "Jornal de Notícias" de ontem, sobre a morte de Vítor Alves:
"Estava em Viseu, quando um SMS me avisou: "Morreu o Vítor Alves". Infelizmente era uma notícia daquelas que se esperam - mas que, no fundo, nunca se esperam. Porque todos os nossos amigos são eternos e, quando descobrimos que não são, temos muita dificuldade em acreditar. Vítor Alves pertencia àquele grupo de homens a quem devemos viver hoje em liberdade e em democracia. Para as gerações mais novas, isto parece um dado tão adquirido que nem lhes passa pela cabeça que alguma vez pudesse ter sido de outra maneira.
Mas foi. Durante muitos anos.
Até que um dia estes homens decidiram arriscar tudo - vida, liberdade, carreira, saúde, família - em nome de um sonho que, com desvios e loucuras e erros e recuos, ainda é o que hoje nos mantém vivos e actuantes.
Esta é uma dívida que nunca poderemos pagar - nem eles estavam à espera disso.
Mas é muito triste descobrir como as pessoas têm memória curta.
Foi vergonhosa a maneira como a morte de Vítor Alves foi tratada nos meios de comunicação - já para não falar das muitas horas de um velório quase vazio, quando deveria ter estado SEMPRE, em todas as horas, cheio de gente.
Atirada a notícia para o rodapé dos telejornais - que se enchiam do assassínio de Carlos Castro em Nova Iorque, com direito a um rol de jornalistas em directo, e entrevistas a meio mundo.
Reduzida, num jornal dito de referência, no dia a seguir ao enterro, a uma pequena fotografia em que se via a parte de trás do carro funerário e dois homens a ajudar a colocar o retrato junto do caixão - enquanto páginas inteiras continuavam reservadas ao crime passional de Nova Iorque.
Mas Vítor Alves não se meteu em escândalos, não morreu num hotel de luxo em Nova Iorque, não alimentou crónicas cor-de-rosa, nem sequer pertencia ao jet-set.
Pecados por de mais suficientes para o atirar para o limbo dos que não merecem mais do que uma breve evocação. Mas se calhar é aí que ele fica bem - ao lado dos que deram tudo pela pátria, e que a pátria, vergonhosamente, esqueceu."
Subscrevo inteiramente esta opinião, obrigada Alice por escrever o que precisava ser dito. Mas, sobretudo, obrigada a Vítor Alves e aos outros homens corajosos que, como ele, se empenharam pela liberdade e democracia em Portugal.

Imagem da net.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O TURISTA

Conciliando a espionagem com a acção e a comédia romântica, "O Turista" ("The Tourist", no título original) realizado por Florian Henckel von Donnersmarck - que também escreve o argumento em parceria - não tem as características dramáticas que inicialmente lhe pretenderam conferir. OK, há tiros, mortos e perseguições, mas há algum filme de espionagem que os não tenha?
Alexander Pearce, o banqueiro privado de um gangster (Shaw), desaparece misteriosamente com a dinheirama deste, deixando para trás a sua amante Elise. Esta encontra-se em Paris e é vigiada pelos serviços de inspecção de impostos britânicos - pois Pearce também deve 744 milhões de libras de impostos - que acreditam que ela sabe do paradeiro do fugitivo. Ao receber uma missiva do ex-amante, que a convoca para apanhar o comboio para Veneza, ela entra em contacto propositadamente com Frank, um turista americano de estatura semelhante a Pearce, no intuito de despistar os seus perseguidores. Simultaneamente, Shaw, também é informado por um dos seus espiões que o "casal" se dirige a Veneza. E começa a perseguição implacável...
Johnny Depp e Angelina Jolie dão vida às personagens principais no grande ecrã, coadjuvados por Paul Bettany, Timothy Dalton (que nos finais dos anos 80 protagonizou o famoso agente 007), Steven Berkoff e Christian De Sica (o apelido não é coincidência, é mesmo filho de Vittorio), entre outros. Aproveito a oportunidade para avisar as meninas que os gajos vão ficar a babar e não será propriamente pelas magníficas paisagens de Paris ou Veneza... (cóf, cóf)... nunca pensei escrever isto... mas a lambisgóia está super-sexy! O cinema e os seus efeitos especiais, certamente, mas pronto...
O argumento dá várias cambalhotas, algumas sem muito nexo e pouco credíveis, mas o filme dispõe bem. E, no fim de contas, é o que importa! Querem espreitar o trailer? Cá está ele:

UM ÓPTIMO FIM DE SEMANA PARA TODOS!!!

Imagem da net.