Em abono da verdade, o trilho não corre no meio da lagoa dos Salgados, mas na sua berma, dividindo a paisagem entre canaviais e ervas rasteiras e secas. Do outro lado destas, erguem-se as dunas que se espraiam no extenso areal frente ao mar. Assemelha-se a uma divisão entre norte e sul, entre plantas verdes e vicejantes num ambiente fresco em clima ameno e aquelas que rastejam douradas nos desertos, sem nome ou categoria, servindo apenas de habitação a cobras, lagartos e outras bichezas afins.
É sem espanto, portanto, que a lagoa transborde de vida e passarada, enquanto na aridez desértica apenas se topem um ou dois pássaros a cruzarem os céus a grande velocidade. Andorinhas e pardais, essencialmente, que as gaivotas preferem a lagoa ou o mar, ali é que não param.
Observar os pássaros não é exatamente um hobby que tenha, o que não impede que quase todos os anos percorra este trilho, no intuito de tirar umas fotos. Mas tem sido quase sempre uma desilusão, este ano não foi exceção, suponho que o excesso de turistas e curiosos não seja muito vantajoso, quer para a simples observação, quer para conseguir captar boas imagens. As aves esvoaçam muito, que querem? Ficou decidido que lá voltarei em setembro, que talvez num ambiente mais calmo seja mais fácil "caçar" a passarada.
No entanto, não deixa de ser frustrante ver lindas fotos de flamingos e garças captadas no local, enquanto da minha máquina só saíram patos, gaivotas e tartarugas. E não é que não goste dessa bicharada mais comum, como é evidente, mas conseguir flagrar uma ave dessas espécies mais raras é quase como ganhar um troféu. Há que insistir, portanto, em setembro lá voltarei!
E nessa altura publicarei todas as melhores imagens que conseguir fotografar, que é para não ficarem com a sensação que tenho a mania da patada... (que foi essencialmente o que consegui fotografar!)
Entretanto, fiquem com as tartarugas. Ou serão cágados?