sexta-feira, 30 de abril de 2010

ZUNZUNS

Não entendo nada de política económica, nem pretendo entender. Aliás, nos últimos tempos mal tenho visto noticiários. Mas aqui e ali oiço uns zunzuns que a situação económica portuguesa anda pelas ruas da amargura, que se inventam uns PECs e assim, mas não chega...

Como é que há-de chegar? Vai fazer 15 anos que vivo nesta casa, ainda me chegam notificações do tribunal pelo correio dirigidas ao antigo proprietário. Pior, já tive polícia à porta para as entregar em mão, de carão feito como se a "criminosa" fosse eu, e até um telefonema de um funcionário das Finanças a afirmar que o homem devia um balúrdio em impostos, que se soubesse como o poderiam contactar agradeciam. Expliquei que a única indicação que tinha era pôr as cartas na caixa de correio do vizinho de baixo, o que tinha feito, não fazia a mínima ideia onde ele morava, embora de vez em quando o visse aqui na zona a passear no seu carrão. (desconfio que topo de gama, mas disso também não percebo patavina!)

Entretanto os serviços das Finanças modernizaram-se e começaram a cruzar informações entre repartições. Nesse ano para receber o IRS foi uma cegada, tinha uma dívida antiga que nem sabia que tinha, pois tinha ido parar à morada anterior. Num montante irrisório, diga-se de passagem, mas com juros de mora rondava os 30 euros, tornados em 50, por via de multa. Andei de Pôncio para Pilatos (leia-se, entre as diferentes repartições) para resolver a situação. Consegui. Aí, um dia, o dito "cavalheiro" bateu-me à porta. Com uma grande lábia, que os serviços estavam péssimos, tinham feito umas confusões com ele, um simples empresário imobiliário. O que é que ele queria? Pois, que não me esquecesse de pôr as cartas que viessem na caixa do vizinho...

Como é que alguém consegue dormir descansado na sua almofada, quando deve 150 mil contos (ou euros, já não sei ao certo) às Finanças, é algo que me escapa! Nem como alguém se "esquece" de dar o novo endereço da residência, durante tantos anos... De uma coisa estou certa: é por causa destes lords que todos pagamos as favas!!! (ciganos?! pois, ainda teriam muito a aprender...)

Com ou sem zumbidos, tenham um

EXCELENTE FIM DE SEMANA!!!


Fotografia da net, de autor desconhecido.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

JANELAS QUE SE ABREM...

É comum dizer-se que "os livros são janelas abertas para o mundo", mas ignoro a origem da expressão, que existem muitas similares. Nem interessa muito! Certo é que concordo inteiramente e hoje abrem-se imensas janelas com a 80ª Feira do Livro de Lisboa, como de costume no Parque Eduardo VII. Até dia 16 de Maio, com horário entre as 12h30m e as 23h30m em dias úteis e das 11h às 23h30m em Sábados, Domingos e feriados. (grrrr, não há feriados que calhem em dias úteis, dahh!) Horário idêntico terá no Porto, cuja Feira começa a 27 de Maio e se prolonga até 13 de Junho, na Avenida dos Aliados. Tanto quanto consegui pesquisar na net, a de Coimbra está em curso até ao próximo Domingo e as algarvias estão agendadas lá para o Verão.

Dito isto, actualmente também existem outras janelas que ampliam os nossos horizontes (mais modestas, é certo!), identificando outras formas de ser, de estar, de sentir, de conhecer ou até de rir: estou a falar de blogs, evidentemente! A princípio ninguém sabe quem está do lado de lá desta janela transformada em ecrã, mas aos poucos vamos levantando a ponta do véu e desvendando "segredos" atrás de nicks mais ou menos encapotados. Nem sempre a visão ou compreensão é agradável. Tal como na vida real, também na virtual há gente mesquinha, agressiva, controladora, insultuosa até! Não peço desculpa por não lhes ligar nenhuma!

Acontece que não estou sempre atrás do teclado e do ecrã (alguém está?), muitos posts novos só vejo a horas tardias. E aí, sim, talvez a influência de uma moçoila que perguntou num blog alheio porque é que eu estava a comentar às 3 da matina, ou coisa, tenha contribuído para me deixar disso. Se não buzinou nenhum apito no ouvido dela, no meu buzinou! Aqui, tirei logo a hora a que chegam os comentários, que ninguém tem nada a ver com isso. Além de que o número de blogs que costumo visitar aumentou e não dá para comentar todos, no dia seguinte logo se vê se ainda lá estão, eheheh!

Afinal de contas, se a interactividade blogosférica se torna em obrigação e assunto sério, vira uma chatice...

A fotografia é minha, a serigrafia é cá de casa, mas só me lembrei de a fotografar depois de ler/ver este post da Marta, porque, tal como ela, adoro as janelas (e os telhados) da Maluda!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

ANTES E DEPOIS, PÁ!

Chico Buarque compôs "Tanto mar" em comemoração ao 25 de Abril de 1974, em Portugal. Canção proibida pela censura brasileira, em época de ditadura, e que soava assim:



Poucos anos depois, não esmorecendo na motivação, modificou a letra e explicou:



Tomara que essas sementes ainda resistam e que todos entendam que a Revolução não aconteceu em vão...

(estou a repetir-me? ah, pois é! mas os vários "descambares" revolucionários têm porta certa onde bater...)


Fotografia da net.

terça-feira, 27 de abril de 2010

DURA LEX, SAD LEX

Já aqui referi que Stieg Larsson era um activista dos direitos humanos que, entre outras causas, defendia acerrimamente a igualdade entre sexos ou raças. Assim, empenhou parte da sua vida a desmascarar grupos da extrema-direita sueca, o que lhe valeu várias ameaças de morte, ao revelar (como jornalista, conferencista e co-autor de um livro) os aspectos mais tenebrosos dessas organizações. Como morreu repentinamente de ataque cardíaco, aos 50 anos, chegou a ser ponderada a hipótese de homicídio, o que nenhum relatório médico ou policial confirmou.

Bom, mas se ele já era conhecido na sua terra natal pelo seu activismo político, depois de morrer e do posterior sucesso da trilogia "Millennium", a sua fama expandiu-se a nível mundial. Até aqui nada de especial, mas o que se seguiu parece um filme de argumento duvidoso: desde 1972 que Stieg vivia com Eva Gabrielsson (também ela activista), sem terem filhos ou casado de papel passado. Uma das razões óbvias era proteger a companheira das ameaças que lhe dirigiam, porque segundo as leis suecas (da época?) para casar tinham de registar a morada oficial do casal - o que, convenhamos, não é a melhor ideia para quem foi várias vezes ameaçado de morte por grupos radicais.

Consta que o escritor escreveu um testamento nos anos 70, em que legava todos os seus bens a um movimento socialista, mas que o tribunal sueco não considerou válido, por falta de requisitos formais. Assim, perante a lei, foram considerados seus herdeiros o pai e o irmão - Erland e Joakim Larsson, respectivamente - com quem mantinha apenas contactos esporádicos. Aí começou a luta de Eva nos tribunais, não só pelo apartamento de Estocolmo onde viviam em conjunto e respectivo recheio, como pelos direitos de autor dos livros do companheiro, onde alegadamente também colaborou. Resumindo: ela acabou por ficar com a casa e os tarecos, os familiares com o restante montante exorbitante.

Curioso é que, tal como um mágico a tirar coelhos da cartola, a história não acaba aqui: ao herdar o laptop do malogrado escritor, ao ter acesso aos documentos como possível colaboradora (há quem afirme que foi Eva a escrever e Stieg a engendrar o enredo e a pesquisar), ela pode estar com "a faca e o queijo na mão" para publicar pelo menos mais um volume da série, senão mais três. Mas porque é que ela faria isso, se o resultado do seu trabalho iria directamente encher os bolsos daqueles familiares, que em nada contribuíram para a obra e nunca ligaram às causas que ele e ela defenderam?

Não me compete criticar decisões de tribunais estrangeiros (mesmo em relação aos portugueses é relativo), mas, no mínimo, parece-me ridículo que ao fim de 32 anos de vida em comum ainda se questione se @ companheir@ tem direito a herdar os bens. Há leis muito tristes nesta Terra...


Fotografia Eva Gabrielsson e Stieg Larsson em jovens, da net.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

É JÁ AQUI!

A ideia inicial era dar uma voltinha por Sintra e comer umas queijadas.

Embora alguém garantisse que o Castelo dos Mouros, lá no alto da serra, ficava apenas a meia hora de distância a pé (por uns atalhos), acabámos por decidir um passeio mais calmo, até ao Palácio de Seteais: "É já aqui! E o caminho é plano!", assegurou o mesmo.

"Plano inclinado!", acrescentei a meio do percurso. Mas lá chegámos! (confesso que um "bocadinho" mais afogueada que os restantes companheiros!) Como para baixo "todos os santos ajudam", aproveitei para ir tirando umas fotos:

Nesta, o Palácio da Pena, vista do arco do Palácio de Seteais.

Ainda no jardim de Seteais, uma visão parcial do Castelo dos Mouros.

O Palácio da Regaleira

Outro pormenor do mesmo Palácio...

... logo sucedido por esta fonte natural...

... até regressar à vila e ao comércio tradicional (para turistas)! Onde comemos as deliciosas queijadas, perto do ponto de partida.

Adorei a companhia e o passeio! (embora, em relação a este último item, as minhas pernas não concordem inteiramente, vamos lá ver se não entram em greve nos próximos dias...)

domingo, 25 de abril de 2010

ELES VOLTARAM...

Há muito, muito tempo, era eu uma adolescente... já existiam multinacionais em Portugal.

Assim, no dia 1 de Abril de 1974, depois da hora de almoço, um empregado recentemente admitido naquela multinacional apresentou-se ao serviço. Foi recebido pelo seu chefe hierárquico, um inglês que adorava o nosso tintol, que apresentava sinais evidentes desse seu gosto no nariz vermelhusco e na fala entaramelada, que lhe perguntou: "Então começa a trabalhar no Dia das Mentiras?" Mas a azáfama era grande, que a empresa estava em mudança de instalações, havia muito encaixotanço em curso, com os altos funcionários americanos, franceses e ingleses a dar as ordens e o pessoal a acarretar as tralhas. Mudaram!

O 25º dia amanheceu com a Revolução! Assustados perante o "perigo vermelho", metade desses chefes de alto gabarito pegaram nas malas e apanharam o primeiro avião de volta à sua terra natal. Os restantes ainda permaneceram o tempo suficiente para observar que existem revoluções em que florescem cravos vermelhos nos canos das metralhadoras, sossegadas, sem carnificinas nas redondezas. Mas via contrato muitos regressaram também ao seu país, as chefias estavam desfalcadas e, durante algum tempo, não houve director internacional que parasse muito por cá, nem os "qualificados" tinham vontade de vir. Os trabalhadores iam desempenhando as suas funções.

Até que a direcção competiu a um mais teso, que já tinha posto ordem na sucursal de um país-terceiro-mundista-qualquer. Não desistiu após um primeiro desaguisado: contratou dois guarda-costas, discretos, que o acompanhavam até à porta dos locais onde ia! Entre outras funções, competia-lhe reunir com os administradores das empresas que não pagavam, que eram mais que muitas. Contudo, nessa época, ainda era frequente os pagamentos serem em dinheiro vivo e, para azar do homem, estava no local e hora errada, quando uns meliantes (FP's ou quejandos) resolveram assaltar as instalações de uma delas. E lá teve que se encostar à parede com as mãos no ar, como o restante pessoal, petrificado, pensando que chegara o seu último dia de vida. Não foi, mas, por via das dúvidas, no dia seguinte também apanhou o avião!

A historieta não será exactamente assim, mas surgiu em torno de uns pires de caracóis e de umas imperiais, com muita gargalhada à mistura! E sim, foram os caracóis que voltaram, que os outros duvido...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

GOSTAR DE LER...

... não é crime, nem sinónimo de ser intelectual ou "rato de biblioteca", sempre com o nariz enfronhado nos livros!

Hoje é o Dia Mundial do Livro! Os "dias de..." são tantos que até chateiam, mas desta vez vou abrir uma excepção e dar-lhe ênfase. Porquê? Simples: a 80ª Feira do Livro de Lisboa abre as tendas já no próximo dia 29 e estou aberta a sugestões de leitura. Embora já tenha algumas "na manga".

Ou seja, o que vos proponho é que indiquem um, dois, três ou mais livros daqueles que adoraram ler. Adorar mesmo, o que normalmente significa que não o(s) largaram até chegar à última página! Inteiramente ao vosso critério...

Entretanto, tenham um ÓPTIMO FIM DE SEMANA!!!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A RAPARIGA QUE SONHAVA COM UMA LATA DE GASOLINA E UM FÓSFORO

Por diversas razões, Lisbeth Salander resolve afastar-se da Suécia (e de Mikael Blomkvist) durante cerca de um ano. De visita a uma ilha até presencia um tornado (que não foi apelidado de "tromba d'água", só por não ser habitual na zona!), embora esse seja mero pormenor no segundo volume da trilogia Millennium, de Stieg Larsson, intitulado "A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo".

Porém, pouco depois de regressar à sua terra natal, torna-se suspeita de triplo homicídio. A perseguição policial que se segue - a par da de jornalistas e investigadores, na sua maioria convencidos da sua culpabilidade - dá o mote à acção, em que apenas Blomkvist e escassos amigos acreditam na sua inocência.

Se bem que o primeiro livro da série Millennium - "Os Homens que Odeiam as Mulheres" - tenha princípio, meio e fim, neste volume apercebemo-nos que ficaram algumas pontas soltas pelo caminho, que obtêm agora novos contornos e seguimento, encaixando-se como peças de um puzzle ao longo das suas 611 páginas.

Obviamente não se pretende revelar o final, que de final tem pouco (ou, enfim, é só parcial!), mas a conclusão de Lisbeth Salander (personagem baseada em Pippi Langstrump - aka Pipi das Meias Altas - da escritora infantil Astrid Lindgren, como se torna notório...) só pode ser uma: "Não há inocentes. Há apenas diferentes graus de responsabilidade."

Urgente, agora, é adquirir o terceiro volume desta leitura absolutamente viciante...

terça-feira, 20 de abril de 2010

AQUI HÁ GATO!!!

Apesar da "atracção fatal" por montras de livrarias, neste caso não foram os livros a prender a minha atenção! E não, o bichano não era embalsamado, nem de peluche (ou pelúcia, para os fundamentalistas do bom português) ...