Desta vez não é para adivinhar: trata-se mesmo de Alfred Hitchcock, na foto esculpido nas areias da Fiesa 2008, subordinada ao tema "Hollywood". Ideia antiga, de homenagear aqui grandes personagens do cinema, da literatura ou da história, ao virar o centenário da postagem. Raramente concretizada, diga-se de passagem, tanto quanto me lembro só Jane Austen (com o seu livro "Orgulho e Preconceito", que deu azo a uma série da BBC ) e Agatha Christie obtiveram entrada. E este já é o 900º post do Quiproquó...
Nem de propósito, encontrei este exemplar num escaparate de uma livraria, quando já tinha prometido a mim própria não comprar mais livros, enquanto não adiantasse os que se encontram em fila de espera na estante a pedirem para ser lidos. Não resisti! Além da filmografia completa do mestre, ainda a um preço convidativo e quase simbólico (para os preços de mercado dos editores portugueses, escandalosamente caros) de 9,99€?
Não é exactamente um livro de leitura, mas antes de consulta, que relata parcialmente a vida de Hitchcock, a par de algumas características comuns aos seus filmes (medo das alturas e quedas, protagonistas loiras, o fetiche por algemas ou amarras, várias fobias, o simbolismo de escadas, chaves e pássaros, ângulos de câmara, etc. e tal), episódios durante as filmagens e fotografias de algumas cenas das películas ou de bastidores. Resumindo, um autêntico achado!
A longa carreira de Alfred Hitchcock iniciou-se em 1925, ainda com o cinema mudo e em Londres, onde em 1929 realizou o primeiro filme sonoro - "Chantagem" ("Blackmail"). Só em 1939, pouco antes do início da II Grande Guerra Mundial, se mudou para Hollywood, a convite de David O. Selznick, o que conferiu um novo alento e potencial ao trabalho do talentoso cineasta. "Rebecca" (1940) foi a sua primeira obra nos EUA, e valeu-lhe uma nomeação ao Oscar (seguir-se-iam outras cinco, sem nunca ganhar a ambicionada estatueta), terminando a carreira em 1976 com "Intriga em Família" ("Family Plot"), num total que perfaz 57 filmes, sem contar com os da série televisiva que apresentou na década de 50. Viria a falecer 4 anos depois, não sem antes ter sido agraciado com o título de cavaleiro pela rainha de Inglaterra e homenageado com um prémio de carreira pelo American Film Institute. Casou-se com Alma Reville em 1926, mulher que o acompanhou até ao final da sua vida.
Não vi todos os seus filmes, suponho que nenhum dos mudos, mas os que mais me agradam ainda hoje foram realizados nas décadas de 40 e 50: "Rebecca", "A Casa Encantada", "Chamada para a Morte", "O Homem que Sabia Demais", "A Mulher que viveu Duas Vezes", "Janela Indiscreta" são alguns deles.
"A força de Hitchcock como realizador reside na capacidade de visualizar os seus medos e desejos subconscientes e de transformá-los em pesadelos insones no ecrã. Muitos espectadores partilham os seus medos e desejos subconscientes, e é exactamente por isso que Hitchcock permanecerá na consciência do público durante muito tempo", resume Paul Duncan, o autor deste livro.
BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!!!