Quem será ele? Aceitam-se pistas...
Imagem da net.
domingo, 3 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
FALSAS PLUMAGENS
Como todos sabem hoje é dia das mentiras, portanto preparem-se para ouvir um chorrilho delas. Ou seja, mais do que as habituais, vale que a 1 de Abril a maior parte denuncia um tom de brincadeira!
Então porquê falsas plumagens? Pois, como já devem ter reparado, não se tratam de verdadeiras aves, mas sim de asas, penas e bicos pintados em mãos humanas...
A tradicional sabedoria do mocho,
a sagacidade da águia,
a verborreia do papagaio,
a postura do flamingo,
a vaidade do pavão,
o colorido das araras e
a elegância do cisne saem da imaginação e criatividade de Guido Daniele, um artista italiano que desenvolveu uma técnica de body painting, nomeadamente a que se dedica à pintura de animais (vários, mas aqui optei apenas pelas aves, para dar uma breve amostra) em mãos e que designa de handimals. Estes trabalhos já participaram em diversas exposições, campanhas publicitárias e desfiles de moda, como podem verificar no site de Guido Daniele.
UM EXCELENTE E COLORIDO FIM DE SEMANA PARA TODOS!!!
Fotografias recebidas por mail, creio que da autoria de Francesco Radino.
(Obrigada, Su!)
quinta-feira, 31 de março de 2011
MOMENTOS COR-DE-ROSA
"Há uns segundos breves, na vida de todos os dias que não padeçam de nevoeiro ou chuva, em que o Sol, no seu poente, como que acenando um derradeiro adeus em beleza, matiza céu e terra de cor-de-rosa.
É um instante fugaz, indeterminado, alheio ao mecanismo monótono dos ponteiros do relógio; mas, para aquele homem, que talvez fosse poeta, conquanto não soubesse fazer versos, esse momento cor-de-rosa na vida do mundo ocupava todas as horas do dia, antes na expectativa, depois na recordação."
António Victorino d'Almeida, no conto "Um Caso de Bibliofagia", in "Os Devoradores de Livros"
Andava triste. Desalentada, sem saber porquê. Ou melhor, até sabia. Era aquela rotina, aqueles gestos diários e repetitivos, aquela mecanização do quotidiano em que se movia como um autómato. Um dia, outro e outro, todos em fila indiana, já eram tantos que lhes perdera a conta. Cumpria as suas tarefas sem ímpeto e sem garra, no final chegava à janela, indiferente, apenas para constatar que lá fora também as tonalidades pardacentas tomavam conta da rua, de quando em vez caía uma morrinha acinzentada. Sentava-se no sofá e abria um livro, para desistir da leitura poucas páginas volvidas. Ligava a televisão, mas no ecrã só desfilavam desgraças alheias até à exaustão, tanto reais como ficcionais. Fechava o aparelho e os olhos, apetecia-lhe dormir e só acordar noutra era planetária. Não adormecia.
Naquele fim de tarde folheava um álbum de fotografias à toa, quase sem reparar nas imagens. E foi nesse exacto instante que decidiu sair do remanso do sofá e agir. Dirigiu-se ao armário e tirou de lá a caixa escondida no fundo da prateleira. Hesitou ainda uma fracção de segundo, antes de levar o primeiro aos lábios. Voltou para o sofá, onde se estendeu, indolente, cerrando novamente os olhos. E, com a embalagem ainda firme na mão, foi colocando um a um na boca, como se fosse um ritual...
Adormeceu, finalmente! Pairava-lhe um leve sorriso nos lábios entreabertos, de onde pendia um fio de baba castanha que pingava no tapete, exactamente em cima dos bombons "mon chérie" que tinham sobrado...
quarta-feira, 30 de março de 2011
(DES)ILUSÕES...
(atenção: o diálogo que se seguiu a este encontro chocou todos os presentes, pelo que foi classificado para maiores de 100 anos de idade - daí não ser aconselhável reproduzi-lo, no todo ou em parte!)
Imagem recebida por mail.
(Obrigada, Marilú!)
terça-feira, 29 de março de 2011
CONSUMISMOS...
Há vários anos, uma tia contou-me os problemas que tinha tido com um cartão de crédito. Como inglesa, quando os cartões de crédito apareceram no Reino Unido ela aderiu a um, satisfeita por lhe dar oportunidade de trocar os sofás da sala e de fazer mais umas comprinhas para a casa. Mas, como muitas vezes acontece nestes casos, esticou-se. Quando as primeiras contas apareceram eram elevadas, foi protelando alguns pagamentos, mas continuava a usar o bendito plástico sem grandes preocupações, já que ganhava bem. Como é habitual no sistema bancário, os juros dessas dívidas também foram aumentando, até que um dia descobriu que o próprio ordenado não chegava para fazer face à quantia de que era devedora. Aí, assustou-se! E, sem ver outra alternativa, pôs o meu tio a par da situação. Ele, português de uma geração habituada a fazer poupanças, mesmo auferindo uma remuneração inferior à dela, prontificou-se a pagar o montante devedor, desde que ela prometesse deixar de utilizar o dito cartão. E assim foi: ele pagou (ela depois fez questão de lhe devolver o dinheiro, em suaves prestações), enquanto ela garantiu a sua promessa cortando o plástico em pedacinhos.
Vem isto a propósito de quê? Que há muita gente por aí que caiu na mesma esparrela da minha tia e agora anda aí "ó tio, ó tio", sem ninguém que possa abonar? Também, mas pronto, não é novidade para ninguém que a sede consumista dos últimos anos muito contribuiu para isso e alguma daquela inveja de "se o vizinho tem, porque é que não hei-de ter?", idem! Com os bancos e outras instituições de crédito a facilitarem esse endividamento, mas agora não vem ao caso...
O que realmente queria evidenciar com o exemplo acima é que qualquer comparação do meu tio com a CE ou a Merkel, em relação ao nosso país, não passa de mera coincidência, por mais tendência que tenhamos em acreditar em milagres, em D. Sebastiões a aparecerem em dias de nevoeiro, em salvadores da pátria. A única e exclusiva preocupação dessa "gente" é com os credores, fecham os olhos às constantes mudanças das regras do jogo (mesmo que usurárias), exibem uma enorme indiferença perante as populações em geral. Importante é manter o sistema em vigor e castigar exemplarmente os culpados pelo não cumprimento.
Nem sequer é necessário entender muito de política ou de economia para perceber isto. Escusado será dizer que também ninguém precisa de amigos assim!
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segunda-feira, 28 de março de 2011
DESPOJOS DE INVERNO
Aos 17 anos, Ree Dolly tem ao seu cuidado os dois irmãos, Sonny e Ashlee, de 12 e 6 anos respectivamente, e a mãe, uma mulher alheada do mundo devido a uma grave depressão. Mal tendo dinheiro para o sustento da família, a jovem vê-se ainda confrontada pelo xerife, que a avisa que o pai, suspeito a aguardar julgamento pela produção caseira de drogas pesadas, pagou a fiança dando como contrapartida a casa onde residem e, se não se apresentar a tribunal na data marcada, ficarão sem ela. O pai entretanto desapareceu e ela resolve procurá-lo. Mas depara-se com uma barreira de silêncio e múltiplas ameaças - por parte de familiares e vizinhos, que supostamente também se dedicam ao mesmo negócio de drogas - caso continue a meter o nariz onde não é chamada...
Um drama duro e por vezes violento, realizado por Debra Granik (que em colaboração com Anne Rosellini, também assina a adaptação do argumento, baseada no livro de Daniel Woodrell), que conta com Jennifer Lawrence e John Hawkes nos principais papéis e que foi nomeado para quatro Oscars este ano, sem ter ganho nenhum. Vejam o trailer:
Um retrato de uma América pobre e desencantada, que luta pela sobrevivência à margem da lei, muito distante do habitual "sonho americano". Interessante, mas deprimente.
Imagem de cena do filme da net.
sexta-feira, 25 de março de 2011
SAIR DA TOCA...
... até os animais gostam! Mas estes não saíram propriamente da toca, mas sim da moto-serra de Randall D. Boni em confronto com troncos de madeira.
A escultura - porque é disso que se trata - começou por um dos lados do tronco de uma árvore e prosseguiu na sua mimetização da vida selvagem madeira fora.
Gazelas e ursos,
mochos (ou serão corujas?)
e raposas,
perus e gansos
convivem harmoniosamente nas mesmas árvores esculpidas minuciosamente, graças à arte e engenho do escultor norte-americano, neste trabalho executado em 2009. O aspecto final foi este, mas as fotografias parciais fazem mais justiça ao pormenor:
Ao longo dos últimos 20 anos, Randall D. Boni tem-se dedicado a estas esculturas com moto-serra, em temáticas que incidem sobretudo na vida selvagem ou indígena, executando diversos trabalhos por encomenda e ensinando a sua arte a alunos interessados. Como podem verificar no seu site aqui.
Entretanto também já está na hora de sairmos da toca, para todos gozarmos um...
EXCELENTE E DIVERTIDO FIM DE SEMANA!!!
Imagens da net.
quinta-feira, 24 de março de 2011
CONTRA-CENSOS?!
Os formulários dos Censos 2011 já foram distribuídos à população em geral - de porta em porta, por jovens identificados - nem a todos em particular, até porque o método é falível. A entrega deverá ser efectuada em papel ou via net, neste último caso recebendo o cidadão um código específico de acesso. Suponho que quase ninguém recusará o preenchimento da papelada: as estatísticas são úteis para dar uma ideia geral do estado da Nação e, de 10 em 10 anos, nem é pedir muito.
O primeiro problema prende-se precisamente com o acesso ao site: estava entupido 2ª feira, ontem continuava. Pronto, OK, pode ser que após esta fase inicial resolvam isso.
O segundo, e a meu ver mais grave, serão os falsos dados que o Instituto Nacional de Estatística irá analisar, quando muitos recibos verdes forem tomados como trabalho por conta de outrem (sem as respectivas regalias, mas o que é que isso interessa?), os sem-abrigo como residentes no prédio mais próximo do local onde costumam pernoitar (leiam aqui) e, cerejinha no topo do bolo, que o sucesso escolar tenha sido tão estrondoso nos últimos anos - graças às maravilhas das Novas Oportunidades, a cursos equiparados ao 9º ou 12º do ensino oficial e até a algumas dificuldades administrativas impostas aos professores que pretenderam "chumbar" alunos desinteressados, desmotivados e cábulas (novamente, no ensino obrigatório) - que, tirando meia dúzia de velhotes analfabetos, bem podemos passar por um povo culto e letrado...
Não tenho nada contra os censos e logicamente vou responder (isto é, se o endereço fizer o favor de abrir)! Mas que nestes moldes me parecem um contra-senso e uma mascarada, "para europeu ver", lá isso é certo... Mais, agora com um governo demissionário, nem sei quem vai ser o "bode expiatório" desta farsa!
Imagem recebida por mail.
(Obrigada, Marilú!)
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quarta-feira, 23 de março de 2011
VAMOS DAR À LÍNGUA?
"Desembestou. Cego da cabeça aos pés, atirou-se ao abismo. Infelizmente, as ensanchas do Zimbro eram outras. Tinha raiva, tinha dentes, tinha unhas e fôlego. Contra tais armas, que podia a sanha de um pobre mortal, gordo e lustroso? Servir de bombo da festa... É que nem a primeira acertou! Ágil e musculado, e com a maleabilidade de uma cobra, o inimigo furtou-se à sua fúria e ripostou a valer ao golpe esboçado. Depois, foi o bom e o bonito! A seguir a uma saraivada de investidas traiçoeiras, meia dúzia de navalhadas de liquidar um homem. Só visto! No fim da luta, quando já não podia mais e se confessou derrotado, sangrava e gemia tanto que até um polícia, em baixo, na rua estreita, se comoveu. O clube, esse, parecia doido de alegria. [...]
Fugiu desvairado pelos telhados fora. A lua, cada vez mais branca lá no alto, olhava-o com desdém. A cidade, adormecida, parecia um cemitério sem fim. Da torre duma igreja saía um pio agoirento."
Miguel Torga, no conto "Mago" do livro "Bichos" (1940)
Adivinham quem foi o autor destas palavras, sem recurso à net? Pertencem a um livro de um grande escritor português, que pretendo reler em breve.
Há muito tempo que estava para dar resposta ao desafio literário do Rui da Bica, mas ainda não tinha calhado. Mas é limpinho que a resposta é fácil, sobretudo para quem cair na tentação de fazer uma pequena batota internética. Adiante!
Portanto, para complicar um bocadinho mais, fica o desafio de encontrarem sinónimos para as palavras sublinhadas no texto a bold - vale tudo, até utilizar vários termos para dizer o mesmo, em gíria ou calão, e nem é necessário que se enquadrem no sentido da citação. Um ou vários, conforme quiserem. Uma inspiração moylística, está claro!
Toca a dar asas à nossa língua. E à vossa imaginação e teclado...
A imagem é da minha amiga Teresa, a quem mais uma vez agradeço a lembrança e a simpatia!
ADENDA a 24/03: O autor do texto já está identificado a verde. Graças ao contributo dos comentadores Paulofski, Moyle, Rui da Bica, Carlos Barbosa de Oliveira e Psimento (e do meu), apuraram-se os seguintes sínónimos:
Cabeça - cachimónia, mona, cachola, carola, tola, moca, cabeção, coco, cocuruto, capacete, bola, cérebro, miolos, e mente;
Festa - comemoração, celebração, folia, festança, farra, festejo, pandan, ramboiada, arraial, boda, banquete, festim, afago e carícia;
Bonito - jeitoso, belo, engraçado, gracioso, lindinho, giro, formoso, gostosão, giraço, janota, lindo, dândi e borracho;
Luta - peleja, liça, pancadaria, briga, porrada, Assembleia da República (eheheh!), batalha, guerra, pugilato, combate, contenda, discussão, debate, embate, confronto, desavença e travar-se de razões;
Doido - maluco, demente, varrido, louco, alucinado, marado, apancado, doidivanas, tresloucado, ensandecido, alienado, idiota, insensato, tonto, desajuizado, sem juízo, doente mental, com pancada (na bola), miolo mole e mal-cozido;
Branca - alva, pálida, clara, brilhante, deslavada, cândida, pura, desbotada, limpa, lívida, esquecimento (temporário), madeixa ou cabelo branco, de raça caucasiana e da cor da neve, do leite, etc.;
Pio - piado, pipilo, pipiar, assobio, fala, de assobios, chilreio, voz, chio, grito, piedoso e caritativo.
Continua em aberto, para quem quiser acrescentar mais algum sinónimo!
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