terça-feira, 13 de abril de 2010

NÃO FOI ERRO DE 'CASTING'!

Alice Vieira apresentou o seu último livro - "Meia Hora Para Mudar a Minha Vida" - na segunda feira passada, pelas 18 horas e 30 minutos, na Academia de Santo Amaro.

A escolha do local relaciona-se com o tema do livro: o teatro de amadores, expressão que a autora prefere a teatro amador, pois designa todos aqueles que amam o Teatro. A ponto de, com muito sacrifício e empenho, depois de um dia de trabalho "lá fora" ainda subirem ao palco à noite, para encarnar outras personagens...


Mas não só, porque como o próprio editor notou nas palavras escritas, há uma clara alusão àquela Academia:
"A casa ficava no meio de um bairro popular da cidade, no alto de uma colina, mesmo ao lado de um miradouro onde se dizia que, em tempos muito antigos, as mulheres iam dizer adeus aos marinheiros que partiam para as descobertas - e esperar por eles no regresso.
Via-se o Tejo ao fundo e, desde o primeiro espectáculo, a casa caiu nas boas graças da vizinhança, que, a partir daí, sempre se encarregou de encher a sala."

A apresentação propriamente dita ficou a cargo de Virgílio Castelo, que em meia dúzia de palavras, quase poéticas, explanou a convicção inexplicável dos actores, que entre alegrias, angústias e incertezas entendem que, a cada momento, "aconteça o que acontecer, nascemos para isto". Onde acrescentou que "viver na memória dos outros é o único paraíso a que os actores têm acesso".

Sobre o livro, esclareceu: "Se em vez de nome próprio todos tivéssemos alcunhas como as personagens da Alice Vieira, pedidas por empréstimo a Gil Vicente, talvez a organização do mundo desse menos trabalho: ninguém poderia representar um papel que não fosse aquele para o qual tivesse nascido. Não teríamos erros de casting, como tantas vezes nos queixamos, na política, na sociedade, nas empresas, nas instituições, etc."

Não, não foi erro de casting, que ele desempenhou lindamente o seu papel! Pena não lhe ter tirado uma fotografia de jeito, que as da plateia para o palco saíram... impróprias para consumo... (para dizer o mínimo!) As minimamente aceitáveis foram tiradas momentos antes do início do lançamento, no pátio da Academia, enquanto a escritora convivia alegremente com alguns amigos e familiares.

Voltarei a escrever sobre o livro, depois de o ler...

Post-scriptum - na primeira fotografia com Manuel Luís Goucha e Victor de Sousa, na segunda com a filha, Catarina Fonseca.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

LONDRES 4EVER!

Fotografia de Ian Britton

Londres, Abril de 1977 (viagem de finalistas do liceu)!

Dia 1
Chegámos entusiasmados! Instalaram-nos num hotel de estudantes, cujo gerente é muito antipático, o que lhe valeu logo a alcunha de "boca de sapo". Houve trocas e baldrocas com os quartos - individuais, o que é uma grande chatice!
À noite estávamos na conversa no meu quarto e batem à porta. Dissemos "entre!" e surgiu um negro enorme, com aspecto de ter acabado de sair do duche (as casas de banho são no corredor), ainda envolto num roupão turco e com uma toalha na cabeça, a reclamar que não conseguia estudar com a nossa barulheira. Com ar de gozo, obviamente, porque como é que se estuda no duche?!
Assustámo-nos um pouco, mas baixámos o tom de voz!

Dia X, Y e Z
A primeira saída, com o professor a acompanhar, não nos convenceu: o grupo era muito grande, em Picadilly parecia um saloio a gritar - "agarrem-se uns aos outros!" Mas partiu à desgarrada, assim que vislumbrou uma "Sex Shop" nas redondezas. Muito didáctico...
Um carteirista fanou a carteira da minha irmã no metro, sem ela dar por nada. Lá nos quotizámos para ela não ficar sem dinheiro nenhum!

Decidimos seguir em grupos mais pequenos e percorremos o centro da cidade de lés a lés, a pé, com um mapa na mão! Ao fim do dia estranhámos que as meias brancas estivessem pretas. (de tanta poluição?)
Passeámos ao longo do Tamisa, sentámo-nos nos bancos de Hyde Park, visitámos o Museu da Cera, de História Natural e outros, fomos a um pub típico e ainda patinámos no gelo. Aqui uma amiga torceu um pé, mas não foi muito grave e felizmente já nos últimos dias. E no Madame Thussauds também houve quem se assustasse com um Beefeater, que afinal não era de cera...
Dos grandes armazéns londrinos - Marks & Spencer e Selfridge - a Portobello, demos as voltas da praxe e comprámos umas prendinhas para os familiares, consoante os nossos bolsos limitados.
Uma noite resolvemos fazer uma 'dancing party' num dos quartos, carregámos a escassa mobília para outro e toca a dançar! O "boca de sapo" não gostou, fartou-se de vociferar contra os portugueses e chamou a polícia. Não era caso para tanto, que esta não encontrou nada de anormal a assinalar!

Mas numa seguinte fomos a uma bôite a sério (hoje chamam-se discotecas), éramos novamente muitos e fizemos o gosto ao pé. Tanto na dança, como no regresso ao hotel, coisa aí para duas horas de caminho...
Ah, o estudante negro e matulão ainda nos convidou para uma festa no quarto dele, mas declinámos, por já termos este programa!

Dia 10 de Abril de 1977
Comemos mal durante todos estes dias - uns hamburguers, salsichas e ovos estrelados nuns Wimpys e afins, para além dumas latas e coisas que trouxemos de casa, a acompanhar as fatias de pão do pequeno almoço do hotel, de que nos servíamos à fartazana. Mas o mesquinho do "boca de sapo" deu ordens no self-service para que limitassem as fatias de pão que podíamos tirar (só duas), o que coincidiu com o Domingo de Páscoa, em que esteve tudo fechado na cidade! Uma amiga mais esfomeada saiu à rua em busca de comida, mas voltou duas horas depois completamente desiludida. Estivemos reunidos na sala da TV/convívio, onde só passaram filmes sobre a vida de Jesus (mais actuais dos que os passam nas nossas, mas isso é mero pormenor), para entreter a fome ficámos até às tantas da matina a ouvir e a contar anedotas.

Regresso a casa
Alguns saíram para umas últimas compras, soubemos que quatro deles foram presos pela polícia num grande armazém, por gamarem anéis de pechisbeque, caixas de fósforos e um guarda-chuva! (voltaram uns dias depois com um carimbo no passaporte, com uma inscrição de "personna non grata"!) Não sei se pelo nervosismo causado pela notícia, a viagem de regresso a casa decorreu muito mal: o vôo, numa companhia dinamarquesa (será que ainda existe?) foi turbulento e várias alunas se sentiram mal, mas alguns patetas de serviço encarregaram-se de pular no meio do avião, apesar dos apelos das hospedeiras para se aquietarem. Resultado: três meninas desmaiaram e foram as primeiras a sair do avião assim que aterrou, em braços. Quando pus os pés em terra ainda julguei que era mentira!

Apesar de tudo, Londres continua a ser uma "Cidade da Minha Vida", daquelas em que sempre fui muito feliz, como diria o Malato! Não foi a primeira nem a única vez que visitei, embora esta seja a mais memorável. Também não sei se serve como resposta ao desafio lançado pelo Carlos Barbosa de Oliveira, nas suas "Crónicas do Rochedo", mas que me deu muito gozo relembrar, lá disso não restam dúvidas...

domingo, 11 de abril de 2010

UM SONHO POSSÍVEL

Baseado numa história verídica, "Um Sonho Possível" ("The Blind Side", no título original) retrata a mudança de vida de um adolescente negro, pouco instruído e sem residência fixa, ao ser acolhido por uma família da alta sociedade norte-americana. Por mero acaso, o físico imponente do jovem e o seu jeito para jogar basquete capta a atenção do treinador desportivo de uma escola cristã, que convence os restantes membros da direcção a aceitá-lo como aluno, apesar das reticências destes ao analisar o seu cadastro escolar.

Um dia, quando vai buscar o seu pequeno filho à escola, Leigh Anne (Sandra Bullock) vê-o a conversar com aquele "gigante" e fica intrigada, mas só algum tempo depois encontra o rapaz a vaguear numa noite de invernia, vestido apenas com uma t-shirt e uns calções. E quando ele lhe diz que não tem onde ficar, ela toma a decisão de o levar para sua casa, uma mansão luxuosa numa zona chique de Memphis. Aos poucos, o tristonho e ensimesmado Michael Oher (Quinton Aaron), que todos conhecem pela alcunha de "Big Mike", começa a sorrir e a confiar mais nos que o rodeiam, apesar de alguma maledicência sobre a sua "adopção" - os preconceitos do costume, lá como cá! Mas o caso vai mudando de figura, à medida que o jovem se torna num importante jogador da equipa escolar de futebol americano...

Realizado por John Lee Hancock, que também adaptou o argumento do livro de Michael Lewis, conta ainda no elenco com Kathy Bates, Tim McGraw, Jae Head e Lily Collins, entre outros.

Menos lamechas do que seria de esperar, um caso de vida que dá que pensar: será que as instituições dos países ditos civilizados têm capacidade de resposta para auxiliar as crianças que nascem em meios desfavorecidos e disfuncionais?Hummm... muito duvidoso! Eis o trailer:




Imagem de cena do filme da net.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

CRIATIVIDADE FOTOGRÁFICA

Algo se quebra dentro de nós,

quando vemos um Mundo esparramado e maltratado,

onde a nefasta mão do Homem não pára, para respeitar a Natureza ou os seus semelhantes.

Queremos esquecer e isolamo-nos em ilhas só nossas, em que ninguém possui a chave para lá entrar. Somos livres, mas essa liberdade tem o amargo travo da solidão...

Começamos a construir o percurso a preto e branco, tentando retirar as pedras do caminho, mas o espelho devolve-nos a imagem nuns tons sépia em que descremos...

Um dia, finalmente, acabamos por pintar o mar que enfrentamos da nossa cor preferida...

... e derretemos!

Erik Johansson é um jovem estudante sueco apaixonado pela manipulação da fotografia digital, em que trabalha como freelancer. É o autor das sete fotografias apresentadas, mas tem muitas mais, como podem ver aqui.

ADOREI a criatividade e o engenho! As "legendas", meio toscas, foram as que saíram no momento, mas tenho a certeza que muitos poderão fazer bastante melhor. E sim, este é mais um DESAFIO para quem o quiser apanhar, pegando numa, em todas ou noutras fotos do autor, sem esquecer de o referir...

DIVIRTAM-SE!!!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

NÃO HÁ PAZ NESTA CASA?

Fotografia de Ian Britton

Andam uns a sonhar com o sol e o calor, para arrumar os kispos e os sobretudos no roupeiro pelo menos até ao próximo Outono, e outros a correr para a neve! Assim, o filhote e os colegas da escola partiram Domingo em viagem de finalistas para Andorra, mais propriamente para Pas de la Casa. Num entusiasmo pegado, como é normal...

Para além de um atraso de duas horas na partida (e consequentemente na chegada) só por um breve momento conseguimos falar com um deles e saber que já lá estavam, mas a chamada caiu logo a seguir. Soubemos que ele tinha visto o jogo do Benfica (eheheh, coitado, até ali o Benfica persegue o meu lagarto preferido!), num bar "tuga". A partir daí, silêncio, nunca mais soubemos nada da rapaziada: o local tem má rede e os contactos telefónicos (ou de sms) são difíceis.

Contava ter notícias mesmo que esporádicas, mas aí lembrei-me que quando fui na minha viagem de finalistas de liceu, a Londres (ainda hei-de escrever sobre esse assunto), não as demos a ninguém, porque as chamadas telefónicas eram caras e não íamos especialmente endinheirados, além de que os telemóveis (ou afins) só existiam em filmes de ficção científica. Portanto, resolvi que ia dedicar o meu tempo a Lisbeth Salander e ao preenchimento dos papéis do IRS (acaba já dia 15, para quem envia pela net), para além das actividades habituais.

Entretanto telefonou a mãe de um grande amigo do meu filho - daqueles poucos com quem nunca perdeu o contacto desde os 5 anos de idade, pois frequentaram sempre as mesmas escolas - a perguntar se sabia alguma coisa deles. E aí complicou, porque se estou ligeiramente preocupada, ela tem razões para estar muito mais: o filho saiu de Lisboa constipado (ou assim supunha), o seu estado agravou-se durante a longa viagem, chegou lá com um grande febrão e foi directamente para o médico, que lhe diagnosticou uma amigdalite e proibiu-o de sair do apartamento. Muito calma está aquela mãe, mas já não sei até que ponto a falta de novidades não será para não nos alarmar, julgando que estamos alheados do problema...

Acabou-se o suposto sossego: aquela conversa de "no news, good news" é uma treta!!!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

BEIJOS INFLAMADOS

Quem não se lembra do olhar compungido de José Rodrigues dos Santos ao noticiar, na abertura do Telejornal, mais casos da "pandemia" da gripe A (aka, H1N1 ou gripá) anunciada durante o Verão passado? Em que os números cresciam a olhos vistos, sem no entanto se dar conta dos doentes que entretanto se curavam? Enfim, longe ser o único, o assunto foi batido de toda a maneira e feitio pelos media, tornado sensação, pondo em pânico a população - já de si tendencialmente queixosa e enfermiça na sua imaginação - e depois... PUFF!... o "papão" eclipsou-se!

Para lá de todos os possíveis contornos de conspiração de indústrias farmacêuticas, negociatas governamentais e sei lá que mais, consta que este ano o número de casos de gripe (A + a outra) até diminuiu significativamente, em Portugal! Hummm... assustar a malta com doenças e divulgar cuidados higiénicos básicos parece que ainda dá resultado...

Mas vá, enquanto o pessoal continuar a conviver, tocar e beijar, sem entrar em paranóia que vai cair para o lado no momento seguinte, não é grave!


Composição fotográfica na net, de autor desconhecido.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO?!

O antigo namorado de uma amiga minha - que só vi uma única vez nos últimos 20 anos e ao qual dei o meu endereço de mail, após uma breve conversa amistosa - tornou-se meu amigo no Facebook recentemente. Até aqui, nada demais!

Ele é membro activo de várias causas (não tenho nada contra, obviamente!), desde políticas ou religiosas (budista ou coisa), em favor dos animais ou até de artes marciais (não perguntem, que não sei quais, para mim são todas iguais!) e sexta-feira enviou-me um mail. Em inglês, que é a língua em que ele escreve, pois afirma ter muitos amigos estrangeiros, embora seja alentejano de gema. Acho um bocado possidónio, mas pronto, ele é que sabe.

Com o que me fartei de rir foi com a mensagem (em spam, o que a tornou ainda mais deliciosa...), em que avisava que fazia anos no dia seguinte e que este ano prescindia de prendas. "Olha, está preocupado com a crise!", pensei momentaneamente. Mas, logo a seguir, acrescentava um link para onde todos os seus "amigos" deviam enviar donativos - uma das muitas causas que defende com "unhas e dentes" - em compensação de pouparmos no presentinho dele... E ainda enviou segundo mail, com o mesmo teor, não fosse o primeiro ter-se extraviado...

É impressão minha, ou há gente com uma GRANDE LATA?!

E por falar em aniversários (e não, não tem nada a ver com o "cromo" anterior!):

PARABÉNS, FATIFER!!!


Imagem da net.

domingo, 4 de abril de 2010

VELHAS TRADIÇÕES...

Na ceia de Natal a tradição manda que se sirva bacalhau cozido com batatas e grelos ou peru recheado, para além do belo bolo-rei, das filhós e das broas assim em jeito de sobremesa. Vinhos conforme a ementa escolhida.

A Passagem de Ano já se sabe que se celebra com champanhe (muito!), as comezainas ficam ao critério de cada um, mas convém que haja fartura, nunca se sabe se à última hora não aparece um convidado desgarrado...

Na Páscoa é o cabrito com batatinhas assadas que se apresenta à mesa, entretanto já foram distribuídos ovos de chocolate pela criançada, e amêndoas açucaradas de vários tipos aos restantes, mas no final também não pode faltar o folar.

Nos santos populares a bela da sardinha assada, com batatas cozidas e salada (ou em cima do pão), clama o seu lugar, depois de um caldo verde, enquanto marcham os copos de tintol, cerveja ou sangria, sem esquecer uma entradita de chouriço assado... só para aconchegar!

No São Martinho são castanhas e vinho (ou água-pé)! E não há aniversário que se preze sem bolo de anos e uma taça de espumante a acompanhar, a multiplicar por tantos familiares e amigos quantos aqueles que tiver. Claro que os maluquinhos da bola não desdenham de uma paragem nas roulottes, para uma refeição ligeira de pregos, cachorros, torresmos ou afins, bem regados com uma ou duas belas imperiais. E os cinéfilos também adoptaram aquela americanice de engolir um hiper-balde de pipocas durante a sessão, enquanto sorvem um copázio de coca-cola.

Resumindo: as tradições engooooordam!!!


Fotografia da net.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

CAIR COMO UMA PATA!

Fotografia de Ian Britton

Não conheço a origem da expressão "cair como um pato", que aliás deve ser algo burilada, como as de "estar fresca que nem uma alface" (porquê esse legume e não um outro qualquer?) ou "ser esperta que nem um alho" (não me parece grande esperteza acabar no tacho!), entre tantas em que a língua portuguesa é pródiga. Adiante!

Vem isto a propósito do dia das mentiras! Ora se ninguém mentisse, até teria piada tentar descobrir as alheias em jeito de comemoração anual. Como está longe de ser o caso, a sugestão óbvia seria a de que o calendário apontasse uma data fixa para só se ser sincero e verdadeiro. Talvez fosse duro de encaixar, mas pelo menos sempre era uma variante...

Traumatizada por cair sempre como uma pata nas mentirolas do 1 de Abril - já li algumas na blogosfera, ai, ai! - tentei concentrar-me para não duvidar de tudo e de todos. Enfim, depois logo se vê quem foram os brincalhões.

Mas se alguém souber a origem da expressão, que faça o favor de alvitrar!

(Ah, e não, não vou para fora de fim de semana prolongado, como alguns sortudos!!!)