sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CORRUPIO

Fotografia de Ian Britton

Esquecemos-nos sempre que o Outono costuma trazer consigo alguns efeitos desagradáveis, como as constipações e as gripalhadas (não, não estou a falar da famigerada gripá, que essa já enjoa, nem tenho intenção de me vacinar - tenho dito!): um bocado de frio, daí a nada cóf-cóf, atchim-atchim e tudo o resto vem atrelado.

Assim esta semana, nóc-nóc, aí estão elas a bater à porta do quarto do rapaz, que começou a queixar-se de dores de garganta. Foi às aulas munido de umas pastilhas, mas à noite já estava com uma daquelas carraspanas monumentais, lá entraram os comprimidos em acção, os sprays nasais, enfim todo o arsenal. Por via das dúvidas (até ver onde paravam as modas) ficou em casa, não é que a febre fosse muito alta. Mas mãe que é mãe preocupa-se (aliás, pai também), não vale a pena arriscar!

Só que a "excelência" agora tem um cargo importante com muitas responsabilidades e assuntos urgentes a tratar [leia-se: a viagem de finalistas da Páscoa do ano que vem (?!), que aulas e estudos são de somenos relevância...], portanto "se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé" e foi um corrupio de colegas a entrar e a sair durante dois dias. Tudo bem, nem me importei, que a febre estava controlada e melhorou das restantes maleitas. E não é que um desses visitantes, que nunca vi mais gordo, ao segundo dia perguntou, em alto e bom som, em pleno corredor: "Então mas isto agora é a casa do povo?!" Esta rapaziada tem cá uma lata...

BOM FIM-DE-SEMANA E DIVIRTAM-SE!
(para todos, mas especialmente aos que vão ao concerto dos DM!)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O CARTEIRO


Alexandre ("o grande", assim o alcunharam os colegas de liceu, dada a sua elevada estatura, mas também com alguma mesquinhez por ser um dos piores alunos da turma) era um rapaz pacato, educado, obediente, risonho, sem qualquer ambição de se tornar doutor: ele só queria trabalhar, namorar, casar, ter um ou dois filhos, talvez um cão. Não desejava nem mais nem menos do que uma vida semelhante à dos seus pais e avós...

Acontece que os tempos não estavam fáceis, encontrar o primeiro trabalho tornou-se numa tarefa mais árdua do que imaginava. Um biscate aqui e ali, pouco mais! Até que um dia a sorte lhe sorriu e foi chamado para carteiro dos correios. Falaram da crise, que para já era só temporário e a recibos verdes, mas no futuro (quem sabe?!) podia integrar os quadros da empresa. Aceitou, agradecido!

Orgulhoso da sua nova profissão e da sua farda, nem a grande sacola de couro lhe parecia pesar ao sair da estação a cada manhã. Concentrou-se afincadamente no trabalho para não cometer erros, mas aos poucos foi relaxando que o serviço não era difícil. Aprendeu a identificar as pessoas que contactava habitualmente no seu "giro" e cumprimentava-as: "Bom dia, D. Isaltina! Já a passear o Farrusco, antes que o calor aperte, não é?" ou "Ah, menina Graça, acho que hoje ainda não tenho carta para si!"; em alguns casos apenas com um leve aceno de cabeça, nem todos reconheciam o humilde carteiro. Mas, acima de tudo, adorava o movimento da cidade, calcorrear as suas ruas, olhar o céu e prever o tempo, ver as flores a florir nas varandas, o vestir e despir das árvores em estações que se repetiam e renovavam, o ondular das cortinas nas janelas onde alguns se escondiam timidamente. Não existia Sol nem chuva, luz ou sombra que o incomodasse. Era feliz e sentia-se realizado profissionalmente!

Até que chegou o dia em que foi despedido! Não queria acreditar. Chorou. O seu chefe lá pôs uns "panos quentes", que não era definitivo, que a empresa agora não podia suportar mais pessoal nos seus quadros por causa da crise, que os peritos legais afirmavam que a contratação poderia ser considerada suspeita, face à legislação vigente. Mas que daí a uns meses, talvez um ano, logo seria revista a situação...

Encontrei-o recentemente, mais de vinte anos volvidos, com uma farda nova e a puxar um trolley, mas não me reconheceu de imediato! Espantou-se quando o chamei pelo nome, mas depois o sorriso alargou-se: "Ah, menina Graça, há quanto tempo não a via!" Trocámos algumas palavras, sem pressa, mas era fatal que o tic-tac do relógio nos chamasse de volta à realidade. Despedi-me: "Fiquei contente de o ver, Alexandre, e de saber que conseguiu o emprego que tanto gostava!" E aí, pela primeira vez, vislumbrei um sorriso retorcido e meio irónico na sua face, onde já se espraiam algumas rugas: "Não, ainda não sou funcionário dos correios... o que vale é que são poucos a gostar deste serviço! As novas tecnologias não ajudam... 'É a crise', dizem eles!"

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CANUDOS E CANUDINHOS...

Um amigo meu, que tirou o curso de Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico (vulgo, IST), contou-me que teve um pesadelo repetitivo ao longo de vários anos, em que o obrigavam a voltar a fazer os exames das cadeiras a que já tinha sido aprovado. Na época até me ri, tal nunca me sucedeu!

Isto de rir de pesadelos alheios tem os seus custos (psicológicos, se assim os quiserem chamar!), uma noite destas essa assombrada aflição atingiu-me como um raio! Quanto mais explicava, menos as fantasmagóricas criaturas entendiam, acordei assustada! E, a bem dizer, nem acordada a perspectiva me alegrou...

Nem de propósito, ontem num jantar abordou-se o tema das novas licenciaturas/mestrados "Bolonha", fiquei a saber que os mais recentes estão um grau acima dos anteriores, sem qualquer razão mais plausível ou aparente do que uns simples decretos. (acordados na CE?!)

"Aprender até morrer" é uma coisa, mas reviver as longas horas de estudo e os nervosismos inerentes aos exames nunca tiveram graça nenhuma!

(estou-te a avisar, pesadelo, vai-te embora!!!)


Imagem recebida por mail.
(Obrigada, Nilza!)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

NÃO HÁ NADA MAIS IMPORTANTE?!

Até se poderia supor que o país está a viver num mar de rosas, sem desemprego, com uma justiça eficaz, um serviço nacional de saúde cinco estrelas, um ensino edificante, uma criminalidade controlada até ao nível dos suspeitos de corrupção, enfim, numa democracia digna desse nome, para os temas mais na berra voltarem a ser a avaliação dos professores e os casamentos gay - que já no ano passado foram alvo de todas as atenções, até à exaustão (julgavam os mais ingénuos)!

Há algo mais a acrescentar ao que já foi dito e repisado? NADA!!!

Excepto este vídeo de uma comediante americana, a que achei um piadão, mas que não recomendo aos mais sensíveis, dada a brejeirice do mesmo e a tradução muito mal amanhada (bolinha vermelha, portanto!) O:


Imagem da net.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

AFINAL É TÃO FÁCIL!

Aprender uma língua estrangeira agora é muito mais fácil, com a vantagem de que a aprendizagem se estende ao reino animal. Ou seja, se o aluno não entender muito de Inglês, pelo menos pode conversar com gatos e galináceos oriundos dessas paragens, como se verifica na página deste livro do 5º ano (note-se que, actualmente, até é suposto já terem dois anos de iniciação ao estudo do Inglês):


Para os que nunca tiveram esta fantástica oportunidade, aqui fica a tradução mais ou menos literal:

Meaow! - Miau!
Cheep! - Piu-piu!
Cluck! - Cacaracá!

(a mensagem da mãe na última vinheta fica à vossa inteira criatividade...)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ONDE ESTAVAM...

... no dia 13 de Julho de 1985? Ah, não estou a imitar aquele inexplicável Baptista-Bastos que, com a sua voz roufenha, perguntava o mesmo a todos os seus entrevistados (mas em relação ao 25 de Abril de 1974). Não! Aliás, até imagino que alguns seriam novos demais para terem recordações deste dia fantástico.

O mega-concerto - organizado por Bob Geldorf e Midge Ure - reuniu a maioria das bandas rock da época em dois grandes estádios (Wembley, em Londres, e JFK, em Filadélfia) e foi transmitido via satélite e em directo para as televisões de mais de 100 países do mundo, ao qual quase dois biliões de espectadores tiveram o prazer de assistir. O objectivo: angariar fundos para a fome que grassava na Etiópia, dadas as guerras e secas que assolavam aquele território africano! E, contra todas as probabilidades (até técnicas, de então!), o evento solidário mobilizou a população mundial, durante cerca de 16 horas (algumas em simultâneo nos dois estádios, com esporádicas apresentações também de Moscovo e de Sidney)!

O dia (e noite) de calor, a convidar a uma praia, passou-se frente ao ecrã, em casa da minha irmã, que na altura residia na zona do Castelo de São Jorge, a comer uns petiscos e a beber umas cervejolas, onde não faltou uma bela açorda alentejana (sopa de coentros, para os lisboetas!), confeccionada por um autêntico estremocense. Todos sensibilizados com a solidariedade e galvanizados pelos espectáculos "em palco"...

Há dias inesquecíveis, não há?! Fica a amostra:




UM EXCELENTE FIM-DE-SEMANA PARA TODOS!



Fotografia da net.

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PARABÉNS, CARLOS (dos iis)!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CAMPISMO SELVAGEM?!

No Verão passado o panorama do "campismo" nacional era este! Alguns campistas já debandaram para parte incerta, outros esperam "guia de marcha"...

O povo é sereno e aguarda que o campismo selvagem seja erradicado definitivamente do parque! Com rigor e justiça, para não pagar o justo pelo ganancioso, corrupto, incompetente, larápio, pecador, apelido à vontade do freguês.

Quantas barracas abanarão ou serão desmontadas? Algumas, supõe-se, mas a futurologia não reside aqui, embora a esperança nunca morra!

Ilustração de António Martins, recebida por mail (clicar na imagem, para ver melhor).
(Obrigada, Nilza!)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

BANHO DE GEL...

... ou gel de banho? Ontem experimentei os dois e, decididamente, prefiro o último, numa boa banheira de espuma...

Recentemente fui à médica de família, para tentar resolver um problema de tornozelos que tendem a inchar com o calor do Verão e ela decretou: "Então vamos fazer um 'check-up'!" Apeteceu-me grasnar como um pato (quoi-quoi?!), mas só torci o nariz e reclamei vagamente: "Oh, Drª..." Nem me deixou terminar a frase, começou a relatar a longa lista de análises e exames que me mandara fazer nos últimos meses... quer dizer... anos (como o tempo passa depressa, ai, ai!), mas, simpática, lá decidiu quais os mais urgentes, para já! (curiosamente, nenhum tinha nada a ver com os tornozelos...)

Familiares e amigas a insistir que "tem de ser" - todos a quererem certificar-se, por essa via, que o facto de me sentir saudável não é uma mentira piedosa para os acalmar, mas adiante! - lá fui. Resumindo, acabei a levar um banho de gel bem pegajoso, num três em um ecográfico, saí do gabinete ainda meio besuntada com aquela nhanha toda, com a sensação de ser um post-it-em-formato-humano!

(cheia de sorte, ainda por cima, porque esta técnica era bem mais suave que outra que apanhei há muitos anos, que parecia considerar as mamas das pacientes como uma trouxa de roupa muito suja, a esfregar convictamente no tanque improvisado pelas próprias costelas - quando as mamas e as costelas são as nossas, custa!)


Minha rica banheira...

Imagem daqui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

STELLA AWARDS


Recebi recentemente um mail que enunciava alguns casos merecedores do epíteto "Stella Awards" - que desconhecia completamente - que o povo norte-americano utiliza ao referir-se a processos judiciais bizarros. Embora tivessem um piadão, a maioria dos relatos são falsos, ou tão adulterados pela verborreia dos narradores que nada têm a ver com os factos.

O caso de Stella Liebeck é verídico e ocorreu em 1992, no Novo México: depois de ter derramado café quente sobre si própria, o que lhe provocou graves queimaduras e tratamentos de reabilitação durante cerca de dois anos, a mulher, que na época contava 79 anos de idade, processou a McDonald's com sucesso, obtendo uma avultada indemnização (sendo que o exacto montante é desconhecido, pois foi acordado extra-judicialmente entre as partes). A questão principal e que gerou mais polémica prendeu-se com o facto de ela retirar a tampa ao copo de café, enquanto o segurava entre os joelhos...

Então a própria pessoa não é culpada de uma atitude imprevidente?! Acidentes desta índole já têm acontecido, donde resultam queimaduras de maior ou menor gravidade, mas a probabilidade reduz-se a um... em 24 milhões. Estes americanos são loucos!

Como se abriu o precedente, não tardaram a surgir oportunistas pedindo indemnizações exageradas, para reais ou supostos danos. Julgavam que era só cá, não?!


Imagem da net.