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sexta-feira, 15 de julho de 2016

MAIS AZULEJOS QUE MARÉS?

Numa passagem recente pela Ericeira e ao percorrer uma única rua (ou ruas que "colam" umas nas outras), o meu maior espanto foi a profusão de azulejos ali existente, quase todos eles com motivos marítimos ou religiosos - quer dizer, o santo da devoção de cada um, suponho.

Ora vejam lá esta mini-coleção, mesmo tendo em conta que procurava um restaurante e não andava propriamente à cata da azulejaria local:

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Esta imagino que seja uma figura mítica, talvez um Tritão, que sereia barbuda é pouco provável...

E as figuras religiosas, com ou sem legenda a acompanhar.

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Os simpáticos golfinhos também ficam bem em qualquer casinha, não é verdade?

Tenham um...

FABULOSO FIM DE SEMANA!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

MASSA A MAIS...

... é no que dá!

Em Washington, uma florista septuagenária recusou-se a vender flores para o casamento de uns clientes gay, alegando ser contra a sua religião. Nem vou perorar sobre o que aconteceria se na loja de roupas, no restaurante, na ourivesaria, etc. e tal, todos tivessem recusado prestar serviços ao casal homossexual - ou seja, a lei permite este tipo casamento, mas se os negociantes dissessem que não, lá se ia o casório prás urtigas...

Mas nem é isso que me faz mais confusão. E se também for contra a sua religião vender flores a casais de outras religiões ou de outras raças, por exemplo? Aquilo é States, e com a justiça ninguém brinca em serviço, de modo que a mulher foi processada pelo procurador-geral e pelo casal. E é aí que surge a "brilhante" ideia de apoiar a "coitadinha", que à conta das custas do processo pode ficar sem negócio e sem casa e mais não sei o quê, tendo já conseguido angariar mais de 100 mil dólares de vários doadores.

Desculpem lá: se por acaso tivessem um dinheirinho a mais na carteira, que vos permitisse fazer doações que ajudassem outras pessoas ou animais, iam oferecê-lo à florista que não quis vender as flores ao casal gay?!? Com tanta gente pobre, doente, carenciada e crianças e animais ao abandono? Pois, até parece "pecado"!


quinta-feira, 25 de julho de 2013

A LUA MUDOU...

... e a eventual futura rainha de Inglaterra pariu o primeiro filho. Ela e o marido declararam estar muito felizes, como é normal. It's a boy... George?!?

... e o Papa Francisco decidiu visitar o Brasil, quando as contestações populares andam pelas ruas e a influência da Igreja Católica diminuiu significativamente... Será que chega para acalmar os ânimos exaltados?

... e na Tugolândia, uma espécie de governo irrevogavelmente desacreditado pelas medidas de austeridade seguidas durante dois anos, regressa após uma remodelaçãozeca e com o apanágio do presidente da República?

OK, vou ali dar mais uns mergulhos... e já volto!

quinta-feira, 14 de março de 2013

HABEMUS SOSSEGUM?

Desde que Bento XVI decidiu demitir-se do seu cargo, muito se escreveu e falou sobre a sua sucessão. Católicos e não católicos, muitos alvitraram sobre quem deveria ser o novo Papa. E, claro, não faltaram cartoons e fotomontagens mais ou menos humorísticos nas redes sociais, alguns dando mais ênfase à situação política que se vive, do que ao facto ou ao processo em si. Eis alguns deles:

Aqui a proposta era descobrir o "infiltrado". Ui, ui, que difícil!

Que afinal não era o único, se bem que por outras razões...

As mentes mais imaginativas tentaram visualizar o que se passava no conclave,

a causa da demora nas votações ou,

os mais delirantes, se o resultado não seria realmente surpreendente!

E enquanto a dúvida estava instalada, houve até quem pensasse nesta hipótese, igualmente remota. (mas não tanto quanto a anterior!)

Nada disso, o novo (?!?) Papa foi escolhido sem grandes delongas e vai apelidar-se Francisco - está para ver se Chico para os amigos, mas também não interessa nada. Esperemos que o seu pontificado decorra num clima de paz e de compreensão entre (e pelos) povos, o que eventualmente até será pedir muito...



Imagens do facebook.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

DESVENDAR MISTÉRIOS?

Fotografia de Ian Britton.

Apanágio do Papa Bento XVI poderá ser desvendar os mistérios que envolvem a vida e morte de "Jesus de Nazaré", numa trilogia baseada nos textos bíblicos, cujo último volume dedicado ao nascimento de Cristo tem causado alguma polémica. Livro que não pretendo ler, sendo que os ecos de quem leu ou folheou debitam o pormenor de que retirar o burro e a vaca do nosso presépio seria mais consentâneo com a realidade da época! As decorações natalícias já estão todas a postos cá em casa, mas retirar a bicharada do local da sua efémera saída anual está fora de qualquer cogitação. Ficam e... mainada! (neste e nos anos vindouros...)

Portanto, só me resta "desvendar" a autoria dos postais que me foram gentilmente enviados por todos os participantes no passatempo "Mistério... num cartão?", entretanto devidamente identificados.:

01 - TONS  DE AZUL
02 - SÃO
03 - NINA
04 - RAFEIRO PERFUMADO
05 - CATARINA
06 - TETÉ
07 - GRAÇA
08 - EMATEJOCA
09 - SAFIRA
10 - CARLOS BARBOSA DE OLIVEIRA
11 - MARIA
12 - POPPY

Tenham um BOM DIA

segunda-feira, 2 de maio de 2011

PEREGRINAÇÃO

Católicas fervorosas, as duas vizinhas combinaram ir a Fátima em Maio desse ano, em peregrinação. Uma já ultrapassara os 70, a outra andava lá perto. Raramente se ausentavam das redondezas do bairro lisboeta onde moravam, excepto em curtas férias à terra que as vira nascer. O calor apertava naquela Primavera, mas mesmo assim não desistiram do projecto, arrancaram de casa quase de madrugada. e puseram-se a caminho: seguiam movidas pela fé!
Após uma longa caminhada, chegaram a um restaurante famoso pela boa comida caseira, onde resolveram almoçar e retemperar as forças. Assim que entraram, afogueadas, suadas e já com os pés a reclamar do esforço, deram de caras com a nora de uma delas! Não tinham avisado ninguém das suas ideias peregrinas, de modo que a incredulidade e a surpresa do encontro foi simultânea. Esta saudou-as, mas  não se conteve e perguntou:
- O que é que estão aqui a fazer?
- Estamos a caminho de Fátima - respondeu a sogra, um pouco hesitante, perante o evidente espanto da nora, patente nos seus olhos arregalados. "Já viémos a pé desde Lisboa", acrescentou a amiga, com uma ponta de orgulho. O silêncio durou apenas alguns segundos.
- E o seu filho sabe disso? - as mulheres engasgaram e não deram resposta imediata, pelo que opinou - Certamente não vai gostar nada. Ainda por cima com esta caloraça, já viram?!
Apesar de preocupada com esta peregrinação, com vários compromissos profissionais agendados para aquela mesma tarde, não teve outro remédio senão despedir-se das senhoras, alertando-as para eventuais perigos (leia-se, dando-lhes uma ligeira "descasca").
Nunca se soube ao certo a conversa que se seguiu entre as duas crentes! Mas, depois do lauto almoço, apanharam a camioneta, em Vila Franca de Xira,  de volta a casa...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

EXPULSA DO CONVENTO!

Maria Jesús Galán não era uma freira como outra qualquer: quando lhe pediram para organizar o arquivo da biblioteca do convento, achou que a tarefa seria mais fácil com um computador. Deram-lho e ela concretizou o pedido em tempo tão útil que até recebeu um prémio de mérito das entidades regionais. O que não agradou nada lá às restantes freiras de Santo Domingo, em Toledo - Espanha, pois passou a ser conhecida como "Irmã Internet" por também ter aderido ao Facebook, onde encontrou centenas de amigos. Nem à hierarquia eclesiástica de Toledo, que resolveu expulsá-la ao fim de 35 anos de serviços em nome da Igreja. Explicações? Nenhuma!
Assim, aos 54 anos regressou a casa da mãe, anda à procura de emprego compatível para as suas qualificações e... multiplicou os seus amigos internautas de centenas para milhares! Segundo consta, afirma que não está especialmente preocupada: "Nasci feliz, vivo feliz e morrerei feliz!"  E está disposta a viajar e conhecer o mundo...
Acho graça a estas invejas conventuais, que trocam o mel com o fel nos ingredientes da doçaria. Coisa para Gordon Ramsay esganar alguém. A Igreja Católica não precisa, determinada em dar tiros no próprio pé ou... em suicidar-se!

Imagem da net.

domingo, 31 de outubro de 2010

AS FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO

Mesmo não apreciando livros ou filmes de terror, abro uma excepção para romances históricos. Por mais gloriosa e feérica que a História nos possa parecer, há sempre algo que nos escapa sobre a vivência dos nossos antepassados, nomeadamente os múltiplos e tenebrosos julgamentos que a Inquisição levou a cabo em Portugal (e também em Espanha, Itália e vários outros países europeus), implantada por D. João III e que perdurou durante cerca de dois séculos, atirando para as fogueiras todos os suspeitos de heresia. E é o tema deste livro de Ana Cristina Silva  - simplesmente aterrador!
Assim, ao longo de 186 páginas encontramos Sara de Leão que, acusada de apostasia (abandono da fé cristã), se vê encerrada numa masmorra de Évora durante largos meses. No silêncio e escuridão do cárcere recorda a história da sua família judia, que após fugir de Sevilha durante o reinado dos reis católicos (D. Isabel de Castela e D. Fernando de Aragão), se instala em Alenquer. A sua avó, Ester Abecanar, então com apenas 4 anos de idade, teria sido posteriormente baptizada como cristã-nova, com o nome de Ester Baltasar, mas mesmo assim as perseguições não cessaram na amarga diáspora do povo judeu.
"Quanto às cabeças das gentes do povo, acontecia-lhes o mesmo que aos estômagos: ambos vazios há demasiado tempo, devoravam com idêntica intemperança alimentos podres e ideias feitas. Com a mesma voracidade com que saciava o bandulho com tubérculos e raízes, enchiam-se as cabeças de ignaras superstições sobre os judeus, os infiéis e as temíveis feiticeiras. Tudo isso porque, como sempre, tinham de se atribuir todas as adversidades do mundo a alguém, e os marranos vindos de Espanha, feitos cristãos tão à pressa, pareciam naturalmente culpados."
Apesar de aterrorizada com os constantes massacres, a família de Sara cumpria em segredo os rituais da sua fé, enquanto - conjuntamente com o poderoso comerciante Francisco Mendes e a sua jovem mulher Beatriz Luna*, "o espírito ou a alma daquela a quem um dia os judeus da Europa chamariam a Senhora, ainda não era mais do que um perfume, mas já se fazia sentir intensamente no ar" -  congeminava esquemas para fazer sair de Portugal todos os perseguidos pela Inquisição. A que nem o médico da corte escapara "por causa da sua inclinação pelos astros e pela incerta ciência dos seus presságios", que se revelaram sinistros no futuro do príncipe herdeiro, que veio a falecer, o que foi encarado pelos soberanos como um prenúncio "daqueles sacrifícios mágicos de que as feiticeiras e magos detinham a especialidade", nem o historiador e humanista Damião de Góis, cujas crónicas não agradaram a todos.
Resumindo, a escritora entrecruza personagens reais e ficcionais neste romance, tendo a odiosa figura do Inquisidor o papel de representar a hipocrisia e a pérfida crueldade vigentes na Igreja da época. Ao folhear as páginas deste livro folheamos também um passado histórico, que não se resumiu à epopeia dos Descobrimentos! Daí ter gostado, embora simultaneamente seja deprimente constatar o que o Homem foi (e é) capaz de fazer em nome da religião... 

* Beatriz Luna era o nome cristão desta mulher, nascida em Portugal em 1510, que após ter sido perseguida por vários países do continente europeu se instalou em Constantinopla, onde finalmente pôde professar a sua religião abertamente, voltando a usar o seu verdadeiro nome judaico: Grácia Nasi. O facto de ter herdado uma enorme fortuna do seu marido, aguçou ainda mais o apetite dos seus perseguidores!