quinta-feira, 10 de novembro de 2011

SIMPLES


Imagem de Charles Schulz, via facebook.
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

HÁ DIAS ASSIM...

A intenção era boa: aproveitando esta 3ª edição de bookcrossing, visitaria a biblioteca de Telheiras, deixaria lá o livrinho e voltaria feliz e contente para casa. Mas como a vida nem sempre corre como planeamos,  coincidiu que estivesse um dia chuvoso, com greve de transportes à mistura, além de que o homem que veio arranjar o estore avariado no quarto do rapaz aconselhasse a sua substituição. Combinámos que esta solução seria preferível, dado as respetivas tabuinhas já denunciarem a sua grande longevidade. Claro que entretanto ele teria de sair para ir buscar um novo ao armazém (calculou que demoraria cerca de uma hora ou pouco mais) e eu teria de levantar dinheiro para lhe pagar.

Sendo assim, o espaço de manobra foi mais curto do que imaginava (trocar a fita partida e endireitar as réguas parecia-me mais rápido, para quem percebe do assunto), pelo que lá me dirigi à biblioteca Orlando Ribeiro, deixei o livro na recepção - visitas e informações adiadas para outro dia -, passei pela caixa multibanco e preparava-me para regressar a casa quando o meu filho telefona: o homem já tinha voltado e montado a persiana. Tempos somados, incluindo o escrever a nota para colocar na primeira página, tirar 4 fotografias, trânsito e restante circuito,  nem 45 minutos tinham passado... " Pede ao senhor para esperar 15/20 minutos ou então que volte mais tarde para receber" - respondi.

A entrada da biblioteca

O livro que lá deixei: não sendo o melhor de Sepúlveda, divertiu-me bastante e era um dos que tinha para oferecer.

De volta ao "bólide" (qual a alternativa?) arranco e os limpa-para-brisas resolvem trocar e desentender velocidades entre eles, esbarram um com o outro, até que o da direita atropela o parceiro da esquerda duas vezes e este "morre". Mas pronto, lá segui a velocidade de caracol, no meio do trânsito e da chuva, reclinada para a direita (não tem premonição nisto, certo?) para obter uma melhor visibilidade...

Agora certeza só tenho uma, por mais louvável que seja o bookcrossing (ou outras iniciativas): em dia de greve dos transportes acompanhada por fortes chuvadas... JAMÉ!

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

ENCANTADORES BICHINHOS!

Uma amiga contou-me deleitada a maravilhosa experiência que teve este fim de semana, ao visitar uma exposição de répteis vivos, suponho que para os lados da Torre de Belém. Como a afluência não era muita (será que não sou só eu?!), meteu conversa com o tratador da bicharada, que lhe ensinou imenso sobre estas adoráveis criaturas, enquanto uma cobra trepava gentilmente pelo braço da minha amiga ... Ui, que emoção!!!

Aí lembrei-me novamente destas peripécias (já aqui relatadas em 2008, mas ocorridas anteriormente): na época, costumávamos passar férias no Sul de Espanha e um dos locais a que tinhamos de ir obrigatoriamente - por exigência das crianças, está bom de ver - era uma espécie de quintarola onde, para além dos animais habituais, também existiam crocodilos, cobras, lagartos e demais répteis e ainda outros bichos como avestruzes e lamas. Quem quisesse, podia pendurar uma cobrinha ao pescoço e tirar uma foto ou filmar a cena para a posteridade, demonstrando a sua valentia. Por mim, não fiz questão nenhuma e pirei-me logo dali para fora! Outra curiosidade consistia em serem os próprios visitantes a alimentar os animais: davam-nos milho, pão e biberons de leite para alimentar os cordeirinhos pequenos e aí estávamos nós armados em campesinos e a adorar a experiência. Depois de galinhas, patos, perús, porcos, ovelhas e cabras, passaram-nos à sessão seguinte e depositaram-me uma quantidade de pão nos braços. Não estava a ver para quê, que não via ali nenhum animal por perto. Eis que abrem lá um outro portão e vemos uma série de lamas a correr desembestadamente na nossa direção.

Coragem não é, nem nunca foi, o meu forte! Quanto mais os lamas aceleravam, mais eu me assustava, ainda por cima quando um deles me fixava e corria ao meu encontro. Alguma vez viram uma mulher carregada de pão a correr à frente de um lama??? E o bicho, acham que desistia? Não tivesse encontrado um homem desprevenido no meio da correria, a quem entreguei atabalhoadamente o pão, ainda hoje lá estaria a treinar para Obikwelu...

E claro, o que o lama (recuso-me a chamar-lhe laminha, que ele, não sendo dos maiores, era bem mais alto do que eu!) tinha, era fome! Mas pronto, as criancinhas continuaram a lá ir passear todos os verões, os adultos também, infelizmente passei a ter compromissos inadiáveis, precisamente nesses dias e horas! C'est la vie!

Imagem da net (como não poderia deixar de ser)!
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

3ª EDIÇÃO DE BOOKCROSSING

Mais uma vez foi o Rui da Bica a chamar-me a atenção para esta iniciativa de bookcrossing, na qual tenciono participar. Já se sabe que a ideia é largar um dos nossos livros num local público, com uma nota escrita na página inicial, referindo que "este livro não está perdido, mas é destinado a quem o queira ler", se possível fazendo-o circular do mesmo modo após a leitura. 
Contudo, por mais meritória que seja, gosto demasiado dos meus livros (mesmo que repetidos - e é um desses que tenciono usar!), para abandonar um aí ao Deus-dará. E se chove e ninguém lhe liga nenhuma e fica esquecido num banco de jardim, até se tornar imprestável? E se o empregado do café o guarda numa gaveta, sem sequer abrir a primeira página, até que alguém o vá reclamar? E se algum vândalo o resolve rasgar ou emporcalhar só porque sim?
Por estas e outras hesitações é que no ano passado desisti à última hora. Acontece que este ano a Luma Rosa (que suponho ser uma das mentoras da iniciativa) avançou com estas sugestões de locais onde o bookcrossing é frequente, consoante a cidade onde vivemos, e fica descartada a possibilidade de o livro ir parar ao lixo!
Simultaneamente, também estou bastante desapontada: um dos livros de bolso que comprei na Feira do Livro de Lisboa deste ano, tem uma letra tão minúscula, que se torna ilegível. Pelo menos para mim, que não tenho olhos (ou óculos) de lince! De modo que sobre leituras - esta vivamente aconselhada pela Tons de Azul e pelo Manuel Cardoso - só voltarei a falar para a semana que vem, quando acabar de ler o que se seguiu após este fiasco... (se alguém me souber explicar porque é que se editam livros baratuxos, mas ilegíveis, agradeço!)

BOAS TROCAS E LEITURAS!

Imagem de Luma Rosa.
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domingo, 6 de novembro de 2011

CURTO-CIRCUITO MUSICAL

Já vos aconteceu um dia estarem a fazer qualquer coisa e, de repente, na rádio ou na TV, ouvirem uma música que parece ter saído diretamente do vosso baú? E de não saberem nem o como nem o porquê de apelar à vossa memória auditiva, com uma sensação de prazer?
Apesar da música ter sido um sucesso, esvai-se a noção da emoção que nos trouxe. Que regressa, assim que a ouvimos novamente...:


Creio que há sons que não se perdem com o tempo e a não ser a única encantada com vozes do passado... (Ana e Maria, esta é dedicada a ambas, na versão completa e isenta da publicidade que a acompanha - muito bem pensada, por sinal!)

Imagem da net.
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

UMA CASA NA ÁRVORE...

A RTP estava a exibir uma série da BBC sobre a vida nas florestas tropicais. Que não deve ser nada fácil, como é lógico! Logo de início percebi que focava essencialmente uma tribo, que vivia em casas construídas nas copas das árvores e que se dedicava à caça. OK, é uma questão de sobrevivência, mas não me apetecia verificar os métodos dos caçadores apanharem macacos desprevenidos a saltitar de galho em galho, com zarabatanas de setas envenenadas. Desisti de ver!
Alguns minutos depois voltei à sala e oiço uma mulher a afirmar, ufana (em inglês ou traduzido em voz off, não me recordo...): "O meu marido é o melhor! Os meus filhos nem se afligem, têm muito orgulho no pai, quando o veem apontam e dizem: 'Ena, lá vai ele!'". Olhei para o ecrã e vi o homem, grande orgulho de toda a família, a trepar a uma árvore...
Nem imaginam a risota!

Curioso também é que não encontrei na net nenhuma cabaninha que se assemelhasse às da tribo da série televisiva. Mas encontrei esta - suponho que numa foto da autoria de Allison Shelley - da residência de um casal americano (Erica e Mathew Hogan), que resolveu encontrar um modo de estar na vida alternativo, cujo site podem encontrar aqui.

É, ainda há gente que me espanta, pelo lado positivo... (e sim, essencialmente o trepador de árvores, que afinal ia catar o mel às colmeias de abelhas, anichadas no topo do arvoredo, para adoçar a boca à sua tribo!)

BOM FIM DE SEMANA!
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

UMA PROFISSÃO DE FUTURO...

Sentada à sua secretária, ela esboçava as primeiras linhas em traços largos, depois vincava os contornos e delineava os pormenores, colorindo os modelos de vestidos, saias, calças, blusas, casacos e jaquetas numa multiplicidade de tons garridos. À medida que ia avançando no trabalho, ia apreciando os seus progressos. Sabia que os seus esboços ainda não estavam perfeitos, teria de se empenhar cada vez mais.
A decisão de vir a ser uma grande estilista tinha sido a mais importante da sua vida: agora não podia desistir! Ao dar os últimos retoques àquele longo vestido vermelho, o seu preferido da coleção, imaginava-o envergado por uma elegante mulher de carne osso, a desfilar numa passerelle, enquanto o público aplaudia entusiástico e os flashs dos repórteres fotográficos disparavam incessantemente. No final, evidentemente, todas as modelos voltavam ao desfile e iriam trazê-la dos bastidores para a boca de cena, onde lhe entregariam um enorme ramo de flores e ela agradeceria emocionada a todos os presentes, no meio de uma nova saraivada de palmas e de flashs.
Nos dias seguintes todos os jornais e revistas - em particular, as de moda - divulgariam o enorme sucesso do acontecimento, suceder-se-ia uma chuva de convites para entrevistas ou apresentações televisivas, possivelmente até para algumas festas, onde muitos famosos do jet-set nacional e até estrangeiro marcariam presença...
A mãe entrou no quarto nesse preciso momento e interrompeu-lhe o devaneio. Ao mirar os desenhos espalhados em cima da secretária, perguntou, de sobrolho franzido: "Joaninha, não tens teste de matemática amanhã?"
Ela resolveu ignorar a pergunta e declarou: "Eu vou ser estilista!"
- Ah!!! Então vou-te inscrever num curso de costura...
- Costura?! Para quê?
A mãe sorriu à filha de 11 anos e rematou: "Sim, minha querida, porque tu nunca coseste sequer um botão! Ou julgas que não é preciso?"
(história vagamente baseada num episódio verídico)
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

FILETES COM MOLHO DE COGUMELOS

Para não dizerem que sou como os outros, que prometo e não cumpro, aqui segue a receita de "filetes com molho de cogumelos", livremente adaptada de um livro de culinária coordenado por Maria de Lurdes Modesto. Já a experimentei com vários tipos de filetes congelados, com pescada não dá que tem muitas espinhas, só lá mais para os de linguado ou de palmeta (num hipermercado perto de todos). Portanto, é refeição que sai carota, mas cá em casa todos adoram, mesmo que só de vez em quando!

Ingredientes:
Um filete grande de peixe por pessoa (depende do apetite de cada um);
Uma chávena de vinho branco;
Um cubo Knorr (ou outro) de caldo de peixe;
100 gramas de cogumelos brancos frescos laminados (meia embalagem);
25 gramas + 15 gramas de margarina;
3 colheres de sopa de farinha (25 gramas);
3 colheres de sopa de polpa de tomate;
Uma chávena de natas (+ ou - meio pacote);
Sal e pimenta a gosto.

Costumo partir os filetes em três pedaços, cubro de água, junto a chávena de vinho branco e o cubo de caldo de peixe, ponho ao lume e deixo ferver durante 8 minutos. Em simultâneo, numa frigideira com 15 gramas de margarina frito os cogumelos, em lume brando até ficarem tostados.
Derreto a restante margarina e junto a farinha, mexendo sempre com as varas. Entretanto, já passei uma chávena da água/vinho de cozer o peixe pelo passador (que escorro logo de seguida), onde junto a polpa de tomate, mexendo bem e adicionando ao preparado anterior, continuando a mexer. Adiciono os cogumelos já prontos, junto as natas e tempero com sal e pimenta. 
E pronto, é só servir os filetes cobertos com o molho, com acompanhamento de feijão verde, brócolos, batata cozida, ao gosto do freguês... Uma delícia, garanto!

post-scriptum - este post estava escrito há muito tempo e "perdido" pelos rascunhos,  talvez não seja o momento mais indicado para o publicar; mas promessa é promessa, para gente de bem...
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terça-feira, 1 de novembro de 2011

PURGA

Há estórias dentro da História impressionantes. Dramáticas. Violentas. Como as dos povos que as viveram na própria pele. No caso desta peça - atualmente em cena na sala azul do Teatro Aberto - podemos vislumbrar o lado negro da história da Estónia, palco de várias invasões ao longo de todo o século XX, através das duras experiências de Aliide e da sua família.
Em 1992, ano da independência da Estónia do longo domínio soviético, a velha Aliide encontra Zara, uma jovem prostituta perseguida pelas Máfias que então dominam essas redes de prostituição, esgotada, ferida e quase desmaiada à porta de sua casa, para onde a leva. À medida que a rapariga vai relatando parte das circunstâncias que ali a levaram, ela vai recordando a sua própria juventude, no início dos anos 50, e a luta que manteve pela sobrevivência, levando-a a casar com um homem que não amava e a trair os que a rodeavam...
Obviamente não vou divulgar o enredo, mas posso avisar que é brutal! O que aliás podia ter lido no próprio site do Teatro Aberto (a fotografia também é de lá), se não me limitasse a ler a sinopse da peça escrita pela finlandesa Sofi Oksanen
Irene Cruz, Ana Guiomar e Patrícia André (da esquerda para a direita, na foto) protagonizam os papéis principais, mas não são as únicas a eletrizar o palco: Carlos Malvarez, Hugo Bettencourt, Alberto Quaresma e Rui Neto também atuam neste drama, cuja encenação, realização (de vídeos), cenários (em colaboração com António Casimiro) e banda sonora está a cargo de João Lourenço.
O público - numa sala meio cheia ou meio vazia, dependendo da perspetiva - aplaudiu de pé, está claro! E sim, estes meninos da geração "Morangos com Açúcar" ainda têm muito a aprender sobre os "desafios" ou "bichinhos" da representação, de que tanto gostam de falar...

post-scriptum - como vou pouco ao teatro, nunca tinha visitado estas instalações do Teatro Aberto (só as anteriores), que são fantásticas; o mesmo já não se pode dizer dos acessos, rodeados de escadarias por todo o lado, que calcorreei em busca da entrada - não me pareceu que pessoas em cadeiras de rodas ou com dificuldades de locomoção o possam frequentar! E é pena!
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